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Questões sobre a finitude

Questões sobre a finitude

O livro Enquanto Você Está Aqui debate a dificuldade de falar sobre a morte

| 08 abr 2026_16h21
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Enquanto Você Está Aqui é um livro para todos aqueles que não desejam morrer distraídos – para aquelas pessoas que, mesmo diante de um tema tão espinhoso quanto inevitável, preferem ter informações, analisar opções, avaliar possibilidades, e não correr o risco de se ver enredadas em protocolos e providências que não levem em conta seus desejos. Sim, mesmo diante da morte, é possível desejar. Ao lançar a pergunta “Afinal, como quero ser quando morrer?”, Camila Appel nos insta também a aprender algumas coisas sobre viver melhor.

Trata-se de um livro informativo e, ao mesmo tempo, um debate sobre a dificuldade que sentimos para abordar esse assunto que, queiramos ou não, fará parte da vida de todos nós: morrer. Camila Appel é filha de uma dramaturga. Quando era adolescente, sua mãe sentia que não conseguia se comunicar bem com a filha, transmitir a ela todos os conselhos e temas que gostaria. Então, resolveu escrever um livro com o que queria dizer à filha. Muitos anos mais tarde, é Camila quem sente que a comunicação com sua mãe, de 82 anos, não anda lá essas coisas. Ela sente dificuldades para falar sobre esse momento que atravessam juntas e sobre a finitude.

“Quando a pessoa está longe da morte, não podemos falar de morte porque é algo distante da realidade dela. E quando a pessoa está perto da morte, não podemos falar de morte justamente porque está perto da realidade dela. Aí pronto, não falamos nunca”, escreve ela. Camila respirou fundo e, no livro, vai abordando temas como tipos de velório e de enterro, direitos de pacientes, suicídio, suicídio assistido, eutanásia, como fazer um testamento vital, bem como diferentes concepções de morte em religiões e culturas variadas. Uma espécie de “Tudo o que você queria saber sobre a morte, mas não tinha coragem de perguntar”.

O interesse pelo tema nasceu quando ela começou a escrever obituários para o jornal Folha de S.Paulo, onde hoje mantém um blog e uma coluna. Segundo conta, não saber o que vem depois da morte lhe traz inquietude. Em vez de varrer sua inquietude para as profundezas, Camila resolveu pesquisar o assunto. No posfácio, a médica paliativista Ana Claudia Quintana Arantes conta que, em sua experiência, pessoas que conseguiram conversar sobre a morte, em geral, vivem o luto com mais serenidade. Segundo Quintana Arantes, não saber dói mais. Por isso, é melhor falar enquanto há tempo. Até porque falar sobre o fim não apressa sua chegada, mas pode nos permitir viver melhor até lá.