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Reconstruindo lembranças

Reconstruindo lembranças

Peça Kintsugi – 100 memórias promove um inventário individual e coletivo do brasileiro por meio de objetos

| 19 mar 2026_16h10
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Na primeira cena da peça, os quatro atores – Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini – fazem um brinde e, em seguida, um vaso de cerâmica quebra no palco. Os atores passam então a reconstruir o objeto a partir da técnica japonesa Kintsugi – método do século XV que restaura cerâmicas quebradas com delicados traços de ouro. Esse é o ponto de partida da peça Kintsugi – 100 memórias, do LUME Teatro, núcleo interdisciplinar de pesquisas teatrais da Unicamp. A peça está em cartaz no CCBB no Rio de Janeiro e fica por lá até o dia 29 de março.

O gesto de relacionar as lembranças com suas imperfeições e cicatrizes é o mote do espetáculo, e no palco monta-se um inventário de cem memórias pessoais (dos próprios atores) e coletivas (dos brasileiros). Cada um dos atores mostra ao público o objeto mais antigo e mais recente que têm. Revelam também lembranças dos quase 41 anos do LUME Teatro, mostrando cartas, fotos, figurinos, instrumentos, e objetos da ditadura militar. Tudo com uma história por trás. A cada nova memória, mais um espaço é ocupado no palco.

O elenco revela em cena que se aprofundou no estudo sobre Alzheimer com pacientes com demência e seus familiares para a realização da peça. Esse é um outro modo que utilizam para abordar a memória no espetáculo – enquanto o título da peça remete a uma forma de restauração, o Alzheimer é usado como metáfora do esquecimento. Com direção de Emilio García Wehbi e dramaturgia de Pedro Kosovski, Kintsugi – 100 memórias convida o público a refletir sobre o valor das recordações – e até mesmo a refletir sobre remorsos e acessar lembranças dolorosas. É impossível não se identificar com pelo menos uma das memórias trazidas pelo elenco. É uma peça que provoca diversas emoções no público: felicidade, diversão, raiva, angústia e tristeza.