cartas
Ago 2017 14h27
8 min de leitura
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O REGRA TRÊS
Em relação ao texto “O improvável” (piauí_131, agosto), o deputado Rodrigo Maia poderia já ser conhecido em todo o Brasil se seus pais o tivessem inscrito naqueles concursos de Bebê Johnson.
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP
Oi! Que surpresa, é a primeira vez que termino a leitura do exemplar antes do dia 20. Esses dias uma amiga compartilhou no Facebook algo da página da piauí e uma pessoa comentou: “Assino faz três anos e ainda não acabei de ler a primeira edição que recebi.” Ri de verdade. Não sei se Malu Gaspar e Julia Duailibi já dividiram outros perfis ou demais conteúdos, mas no caso de Rodrigo Maia a parceria funcionou muito bem e rendeu um texto lisinho, com bastidores muito bem descritos. Curti! Vocês pretendem voltar com os podcasts? Gostava tanto.
JESSICA DE ALMEIDA_BELO HORIZONTE/MG
O SUPERACELERADOR
Em meio à crise generalizada que estamos vivendo, o artigo de Bernardo Esteves (“O acelerador”, piauí_131, agosto) foi um alento para minha porção mais otimista e sonhadora. Ver como tem gente competente, engajada e decidida a elevar nossa pesquisa científica a patamares cada vez mais altos é gratificante. Só discordo do autor em sua conclusão. Não tenho medo de o Sirius ser subutilizado, pois, diferentemente do futebol, que não tem time relevante para justificar as grandes arenas construídas em algumas cidades para a Copa de 2014, tem muita gente brilhante produzindo conhecimento em todos os cantos do Brasil. Torço para que dê certo, como deu com o UVX, dando aos brasileiros mais um motivo para não desistirem do país.
MARINA JAROUCHE AUN_SÃO PAULO/SP
Na excelente reportagem de Bernardo Esteves, “O acelerador”, o autor descreve o edifício que abriga o síncrotron UVX, em vias de ser desativado para dar lugar ao Sirius, comparando-o a “uma grande roda dentada”. Fiquei intrigado porque desde que li Onde Andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu, tenho pra mim que o termo mais adequado à norma culta da língua é dentata, como no nome da saudosa banda, presente no romance, Vaginas Dentatas.
NATHAN GOMES_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA FESCENINA DA REDAÇÃO: Embora essencialmente um erudito, Bernardo Esteves não adota a norma culta para descrever imagens lascivas. Nesses casos, prefere jogar o idioma na lama, convicto de que, quantos mais as palavras se lambuzarem, melhor. Apesar do ar circunspecto, Bernardo não passa de um libertino.
Como sempre, Bernardo Esteves faz um retrato bem contextualizado do desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil, por meio da construção do Sirius. No entanto, ele dá a entender mais de uma vez que o país somente terá condições de fazer ciência de ponta quando o acelerador estiver pronto. Já quase ganhamos um Nobel, não fosse o fator corporativo negativo, tendo Carlos Chagas como maior exemplo, sem contar que a Medalha Fields do Artur Avila é o Nobel da matemática. No que pese a falha de alguns gestores dos laboratórios nacionais, que revelam preguiça acentuada na solução dos problemas financeiros de suas instituições, muito caminhamos e nos ombreamos com os melhores grupos internacionais em várias áreas. Os biocombustíveis são um desses exemplos, ainda que desvalorizados no âmbito nacional nos últimos dois anos. De qualquer forma, a reportagem é fundamental para o entendimento das sagas nacionais na solução de problemas.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
PIAUÍ 131
A culpa é do Nuno Ramos. Foi ele que, na edição anterior, fez elogios à crítica e críticas ao elogio (“Fooquedeu. Mas não deu”, piauí_130, julho), me obrigando a pular as irrepreensíveis matérias da edição 131, “Homem | Corta | Tempo”, “Alimentar, meu caro Watson” e “Limpando Borges”, para ir direto às reprimendas.
Em mais uma prova de talento e empenho, Julia Duailibi e Malu Gaspar produziram um belo perfil de Rodrigo Maia – destaque para a descrição do clima de velório disfarçado de jantar, trazido pela certeza da vitória do governo na CCJ –, embora com duas ressalvas. Primeira: um cara que entra na bem fornida adega de um amigo abrindo garrafas de vinho jamais ficaria soltinho com alguns goles de espumante. Bochecha deve ter tomado todas na tal gravação. Segunda, e muito mais importante: faltou questionar o presidente da Câmara a respeito da justificativa para o seu “sim” na votação do impeachment de Dilma Rousseff. (Na ocasião, Maia declarou ter votado “principalmente pelo meu pai, Cesar Maia, que quando prefeito do Rio foi atropelado pelo governo do PT”.) Independentemente dos tantos malfeitos perpetrados no período sob Dilma, seria um gesto republicano apoiar o afastamento de uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos por causa de questiúnculas municipais e retaliações pessoais?
Passemos à matéria seguinte. Para quem nada entende de ajustes fiscais de longo prazo – o que talvez explique o vermelho em que vivo há algumas décadas –, ou de demanda efetiva agregada, o texto de Marcos Lisboa é uma aula, um alento. Só não pesquei as razões de tanto apego ao adjetivo “discricionário”. Em apenas três páginas, da 29 até a 31, a palavra e o advérbio dela derivado aparecem seis vezes. Pior: na primeira linha da última coluna, Lisboa ressuscita “via de regra”, expressão devidamente enquadrada por um dos bambas da nossa literatura. (Já li um artigo de Cristovão Tezza atribuindo a anedota a Graciliano Ramos, e outro de Carlos Heitor Cony ligando-a a Guimarães Rosa. Seja quem for o autor, o chiste é definitivo.) Ninguém melhor que um renomado economista para dar ao dinheiro o justo valor que ele tem, mas revisores costumam ganhar bem menos do que merecem. Com certeza custaria pouco recorrer a um deles.
Para encerrar, peço desculpas a Nuno e parabenizo Bernardo Esteves, essa espécie de “Luan, o Menino Maluquinho” do bom jornalismo brasileiro, pela matéria “O acelerador”. Apesar das organelas, dos ribossomos, dos síncrotrons, dos animálculos e dos dipolos, quadrupolos e sextupolos, entendi tudinho. Agora, é torcer: que Kassab não seja obrigado a nomear um apadrinhado do PMDB para o lugar de Harry Westfahl Junior.
JORGE MURTINHO_SÃO CAETANO DO SUL/SP
NOTA REPARATÓRIA DA REDAÇÃO: “Luan, O menino maluquinho”? Veja a resposta anterior. Bernardo Esteves está mais para “Lord Byron, o inglês safadinho”.
OUTRA HISTÓRIA
De forma didática, racional, pois participou ativamente do primeiro governo Lula como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 2003 e 2005, o atual diretor-presidente do Insper, o economista Marcos Lisboa, rebate magistralmente as versões produzidas pelo depoimento de Fernando Haddad, publicado na piauí (“Vivi na pele o que aprendi nos livros”, piauí_129, junho).
Na sua narrativa, o ex-prefeito paulistano pretende se transformar em vítima do que seria uma enorme conspiração da mídia e da direita contra sua reeleição, procurando vender a imagem de bom moço, defensor dos oprimidos, mas não condizente com a realidade, pois sua derrota foi acachapante, não conseguiu vencer em nenhum distrito eleitoral da cidade. Seus equívocos ao analisar nosso passado recente, fruto de uma visão reducionista, não lhe permitem enxergar a realidade, muito mais complexa e que não se resume aos seus esquemas ideológicos, dos quais é vítima. Não ter uma visão crítica das lambanças cometidas pelo seu partido, que nos conduziu ao impasse atual, praticamente propondo dobrar a aposta, já que apoia Lula como solução para 2018, só pode ser o resultado de uma profunda desonestidade intelectual, aliás, uma característica da autodenominada esquerda brasileira.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
CARTAS 131
Assinamos em casa a piauí há uns seis meses (depois de quase dois anos comprando todos os meses na banca resolvemos economizar tempo e dinheiro) e, como muita gente, começamos a nossa leitura pelas cartas. Qual não foi a minha surpresa quando vi três cartas publicadas a respeito do texto do Haddad (“Vivi na pele o que aprendi nos livros”, piauí_129, junho) de pessoas que não são da cidade de São Paulo! Foz do Iguaçu (PR), Nova Lima (MG) e Campinas (SP)! Não entro no mérito dos conteúdos das cartas, mas… será que eles sabem do que estão falando? Ótimo texto por sinal!
P.S.: Sou de Mogi das Cruzes, cidade da GRANDE SÃO PAULO.
GUILHERME PESTANA_MOGI DAS CRUZES/SP
PROFANO E SAGRADO
O texto de Paula Scarpin (“Profano e sagrado”, piauí_131, agosto) nos oferece uma breve pincelada do quadro de preocupante decadência que se instaurou no Rio de Janeiro. A ameaça que paira sobre as comunidades cariocas por causa da agenda do prefeito Marcelo Crivella, acentuadamente influenciada por sua posição e ideologia religiosa, não é um risco apenas à cultura dos morros do Rio de Janeiro, mas indica um perigo subjacente muito mais grave, que, diga-se de passagem, afeta toda a estrutura democrática do país. Em tempos de reforma política, em que nosso Congresso de profundas raízes evangélicas pretende implantar um sistema eleitoral que fatalmente irá beneficiar os grupos e indivíduos mais aptos a polarizar a opinião pública (leia-se, dentre outros, as igrejas), talvez seja o caso de prestarmos mais atenção à situação. Fica, assim, minha sugestão para uma reportagem mais abrangente sobre o tema.
GABRIEL JOSÉ BERNARDI COSTA_RIBEIRÃO PRETO/SP
A EXPORTAÇÃO DA PROPINA
Acabo de ler a matéria “Uma história do Peru” (piauí_130, julho), e parabéns, Malu Gaspar, pela investigação! Eu, que ainda acredito num projeto de integração da América Latina e sou grande defensor da cultura latino-americana, me encontrei refletindo sobre isso após ler o texto: até onde o projeto de política externa de integração do nosso continente com liderança brasileira não foi motivado por razões obscuras/corruptas como as mostradas na reportagem?
Frases como a do ex-presidente peruano Alejandro Toledo, parafraseando dom Quixote, me fizeram uma vez acreditar que isso seria possível e seria feito com boas intenções de projetar nosso continente ao mundo. Hoje já me questiono se estas motivações foram, algum dia, reais ou se foram só usadas no discurso para garantir apoio popular e dinheiro ilícito nos bastidores.
De qualquer forma, acredito que as novas gerações da política poderão renovar isso, concluindo o projeto de integração latina. Espero um dia me lançar na carreira pública e contribuir para isso também.
GUSTAVO RIGONATO_AMERICANA/SP
CARTUNS
Queria parabenizar a revista e Caco Galhardo pela sensibilidade dos cartuns publicados na edição 130. Não há retrato mais fiel da realidade política brasileira. E a realidade é que ninguém aguenta mais. Parece que o desejo de um “Fora todos” é mais motivado pelo cansaço causado pelo bombardeio de notícias do que pela vontade de ver o palco político menos corrompido. Não aguento mais Temer, nem Lula, nem Doria nem Trump. Tenho medo de dormir lendo a piauí e acordar com Cármen Lúcia na outra ponta da cama. Esses dias, sonhei que estava em competição de adivinhação de frases. Ganhei o jogo, logo depois de pronunciar em alto e bom som Make America Great Again.
MANUELA FERRARO_SÃO PAULO/SP
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Cartas para a redação: