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A SÚBITA PROLIFERAÇÃO DE ELOGIOS AO BOLSOZAPP

Imagem A súbita proliferação de elogios ao BolsozApp

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O PODER DA MILÍCIA
Ótima narrativa e documentação (“A metástase”, piauí_150, março), porém há que se raciocinar que o período de crescimento das milícias e do tráfico de drogas e armas ocorreu por falta da presença do Estado.

Esse governo do Rio de Janeiro foi apoiado pelo PT nos últimos dezesseis anos (todos os governadores desse período estão presos ou respondem a processos).

Então o redator há de convir que o resultado a que ele mesmo chega, ou se chega, é que Bolsonaro é miliciano e foi criado na sombra de um lulopetismo politicamente leviano e ausente.
WANDERLEY MONTEMURRO_SÃO PAULO/SP

NOTA HERMENÊUTICA DA REDAÇÃO: Longe de nós qualquer tentativa de domesticar o leitor. Acreditamos piamente que a interpretação é um exercício de liberdade. O redator-repórter sente-se apenas na obrigação de esclarecer que a reportagem termina algumas casas antes da conclusão do leitor.

ZAP
Com surpresa li os comentários críticos ao BolsozApp. Particularmente, estou achando muito divertido e original, já que a “inspiração” é totalmente pueril, de mau gosto, ofensiva, chata de se escutar, grotesca e uma desconsideração para com o cidadão. Como fez diminuir minha saudade do Diário da Dilma, torço para que continue até quando existir isso que está aí, talquei!?
DIOGO MENDES DE PAIVA_PAULÍNIA/SP

Excelente o BolsozApp Herald, muito bom mesmo; lembra os tempos áureos do Pasquim.

Só o humor pode nos dar um alívio nesse túnel que estamos entrando.
A Leny Andrade (“Dui bop du bá”, piauí_150, março) também é um prêmio para nós.
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

Antes de mais nada: loooonga vida para o BolsozApp.

Vocês encontraram um jeito criativo e inovador para dar continuidade à resenha mensal que o Diário da Dilma trazia, utilizando o meio de comunicação de longe mais utilizado pelos brasileiros. Aí vem esse mimimi de “pueril, de mau gosto, ofensivo e chato de ler”. Ofensivo para quem, cara-pálida? Rir do Lula, da Ideli, do Haddad, aí pode? Mau gosto? Estou rindo à beça, e não achei (ainda) nenhum palavrão novo. Chato de ler? Assim não dá, mesmo: com certeza a maioria dos leitores não teve o prazer de conhecer o iluminado Chantecler (Horóscopo na piauí_1, outubro 2006 até a piauí_11, agosto 2007), esse sim de uma chatura só.
WANDERLEY RODRIGUES_RIO DE JANEIRO

NOTA PASMA DA REDAÇÃO: Jura que você não encontrou nenhum palavrão novo? Mastruço, peçalho, brecheca, piciroca, greta-garbo – nada disso te fez correr aos dicionários?!!! Cáspite! Você é o Merquior dos xingamentos! O Diderot da chularia! O Pico della Mirandola (atenção: é Pico) do nome feio!

Desde que o Diário da Dilma foi encerrado junto com o mandato da petista, faltava algo na revista que tratasse tão bem o dia a dia presidencial com uma pitada tão boa de humor. Louvo quem criou o BolsozApp, muito pertinente, tendo em vista o número de questões que são resolvidas por mensagem pelo governo (e pela humanidade, talvez). Escrevo porque vejo resistência dos leitores da revista com este setor tão ilustre. Não sei se é incômodo pelo linguajar do Guru, a falta de espírito com os filhos, as falas contundentes de Hélio Negão, os clamores de Magno ou se é uma defesa do ministério de notáveis. Mas, independente de lado, rir é preciso num mundo e num país tão complicado quanto o nosso.
PAULO TALARICO_OSASCO/SP

NOTA DESCONFIADA DA REDAÇÃO: Sei não. Depois da saraivada de críticas ao Zap no mês passado, a gerência está desconfiada com a súbita proliferação de elogios. É provável que esta seção não resista a dois dias de trabalho de uma força-tarefa interessada em apurar eventuais fraudes epistolares na imprensa brasileira. Os autores do Zap devem estar rezando para que o juiz Bretas continue se ocupando com o Temer.

BOLSONARO EM DEBATE
Acompanhei entusiasmado a reedição do debate entre Sergio Fausto e Celso Rocha de Barros, na piauí_149, fevereiro (“O ponto a que chegamos”) e na piauí_150, março (“A queda”).

No entanto, da parte de ambos, senti falta de análise em dois pontos que explicam a situação política do Brasil atual, a saber:

  1. Não houve uma frase sobre corrupção nos dois artigos. O PT virou o vilão nacional número 1 muito por causa do esquema de corrupção; e o psdb não está imune: quadros tucanos foram presos e o cerco está se fechando. Nesse ponto, os dois antagonistas dos últimos anos se equivalem. Ambos são corruptos e a população parece ter cansado disso (embora o psl demonstre que também estava no jogo da corrupção, mas restrito ao seu tamanho e ao seu espaço).
  2. Classe média silenciosa: Manuel Castells, em Ruptura, capta um movimento internacional da maioria silenciosa, aquela parcela da população que não tem proteção estatal, simplesmente por não ser homossexual, ou negro ou de qualquer outra “minoria”. Até mulheres se sentem desprotegidas por não serem “feministas”. Esse movimento se manifestou na Europa, nos Estados Unidos e em 2018 no Brasil, o que explica parte da eleição do atual presidente.

Enfim, o contexto é muito mais amplo do que aquele descrito por Sergio Fausto e Celso Rocha de Barros. Sem falar, é claro, que tucanos e petistas se unem para defender o establishment das duas últimas décadas e meia.
EDISON FERNANDES_SÃO PAULO/SP

FELIZ ANO VELHO
Admirável a leitura da obra de Rubem Fonseca feita pelo jornalista Alejandro Chacoff (“O futuro chegou”, piauí_150, março), estabelecendo no final uma ligação com os tempos atuais, como se o autor antecipasse o futuro no distante ano de sua estreia como ficcionista, em 1963, com o livro de contos Os Prisioneiros.

Num período de engajamento político e predomínio de obras de cunho social, surge o volume editado pela grd, pequena editora com as iniciais do seu proprietário, o baiano Gumercindo Rocha Dorea, nascido em 1924, um ano mais velho do que o Rubem Fonseca (1925) e ainda vivo. A particularidade é que o editor foi membro da Ação Integralista Brasileira, fundada e liderada por Plínio Salgado e apoiador do movimento militar de 1964. Editou autores que não se identificavam com a literatura de cunho social, como Nélida Piñon e Rubem Fonseca. Nosso autor, nascido em Juiz de Fora e criado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, formou-se em direito e em 1952 foi comissário de polícia no 16º Distrito Policial de São Cristóvão, tendo sido exonerado em 1958, quando, então, trabalhou na Light. Seu primeiro livro foi editado com o apoio de uma instituição onde se reuniam os conspiradores contra o regime, o Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), então comandado pelo general Golbery do Couto e Silva.

Lembro que a década de 60 marcou nossa literatura principalmente pelo aparecimento de contistas excepcionais: Dalton Trevisan, João Antônio e Rubem Fonseca. Trevisan é paranaense e já se dedicava à literatura havia tempos, através de editoras locais. Suas Novelas Nada Exemplares revelaram um escritor pronto, mestre da técnica do conto, com aquele clima sombrio e pesado de sua Curitiba natal. João Antônio, paulistano, foi um grande estilista ao tratar dos seres da periferia paulista e seu linguajar, da marginalidade, dos “merdunchos”, como ele classificava seus personagens. Já Fonseca, com os subsídios de seu passado como policial, retrata com um realismo obsessivo toda a brutalidade desse ambiente, por meio de contos impactantes. A ironia é que, apesar de ter apoiado o movimento militar de 1964, teve sua coletânea de contos Feliz Ano Novo proibida de circular por alguns anos, devido à violência e a contundência de seus personagens.

Peço perdão à Redação pela extensão do relato, mas aproveitei a oportunidade para homenagear João Antônio, de cuja amizade privei naqueles idos de 60 e que anda esquecido da crítica. Teve um fim trágico e melancólico ainda na plenitude da criação (59 anos). Fomos companheiros fiéis nas noites paulistanas, quando frequentávamos os bares e as sinucas no Centro, sempre discutindo literatura, que era a grande razão de nossas vidas.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

DESPEDIDA
Só gostaria de manifestar a minha gratidão e o meu sincero agradecimento por contar a historia do meu avô, Sergio Tiburcio Graciano, que participou da infância de muitas pessoas (“O cabeleireiro do Cascão”, piauí_150, março).

Obrigado pela homenagem ao meu velho!
ERIKO GRACIANO_SÃO PAULO/SP

O CARACOL E A ELEFANTA
Gostaria de parabenizar o Roberto Kaz pela ótima reportagem “Dois pesos, duas medidas” (piauí_149, fevereiro). Em um texto curto e sem sentimentalismo, o autor nos faz sentir e refletir sobre a morte desses animais e, confesso, aquela lagriminha escorreu pelo canto do olho.
LUCAS MAGALHÃES_SANTOS/SP

NOTA SOLIDÁRIA DA REDAÇÃO: Sabemos o que é isso, Lucas. Roberto Kaz nos faz chorar todos os dias.

SOU MAIS EU
Só queria sair nas cartas dos leitores. Só isso já me deixaria muito orgulhoso, vide a qualidade da revista. Já estava fatigado de tudo que é escrito. Não que eu leia. Quem lê Veja, IstoÉ, ou assiste à Globo? Mas vocês realmente parecem inteligentes. Quase um Pasquim. Li toda a revista. Vocês são foda. Sei lá. Era para ser um elogio. Enfim, se quiserem, posso escrever uma coluna, matéria, ou uma carta pra essa seção mesmo. Pode publicar. Não quero direitos, nem nada disso… kk… vlw!
REGI LISANDRO ALVES COSTA_MONTES CLAROS/MG

NOTA ENVAIDECIDA DA REDAÇÃO: Parecemos inteligentes. A frase foi lida em voz alta no início do expediente e não foram poucos os que deixaram escapar uma lágrima furtiva. É o maior elogio que já recebemos. Inclusive em casa.

MAIS MULHERES
Na piauí_150, março, que comprei hoje pela manhã na banca, na seção Colaboradores, há cinco homens e apenas uma mulher. Por quê? Ou as colaboradoras estão em falta para vocês?
CÍCERO SILVA_SÃO PAULO/SP

ADEUS
Estou escrevendo para deixar claro que não quero renovar minha assinatura. Essa porcaria de revista petralha, o meu $ vocês não pegam mais. Fui.
TARCISO JOSÉ LIMA_BRASÍLIA/DF

NOTA SINCERA DA REDAÇÃO: Estamos respondendo para deixar claro que não ligamos. (Mentira, mentira: ligamos sim. Um pouquinho, não muito.)

CARTUNS NO TEXTO
Como a seção Cartas da revista tem publicado algumas críticas, diferentemente do constrangedor “Correio elegante” autobajulatório do podcast Foro de Teresina, resolvi dar um toque de algo que tem me incomodado em algumas edições: a relação entre o cartum da vez e o texto da página. Na piauí_142, julho 2018, durante a história pessoal da Carol Bensimon sobre o apartamento modernista que herdou da família (“Meus avós em ruínas”), o quadrinho no alto da página apresentava alguns personagens reclamando que apanharam de alguém, acompanhados do título “Welcome do Mimimi Nation”. Ora, se essas reclamações não passam de mimimi, o que dizer do texto em si? Acontece que na hora que a revista resolver publicar esse relato, digamos, bastante privilegiado, entende-se que ela o considera relevante. Apresentá-lo na mesma página em que se critica um suposto chororô social não me parece muito respeitoso com a autora e nem com os leitores que porventura se identificaram com as questões do texto.

Na mesma linha, porém dessa vez mais desrespeitoso ainda, foi o que aconteceu agora na piauí_150, março (“A metástase”): na página em que o jornalista Allan de Abreu descreve a execução da vereadora do Rio, Marielle Franco, a charge da página ilustra um jazigo escrito “Passo ponto”, fazendo graça senão da morte em si, pelo menos da ideia de morte. Nesse caso, todos os cartuns dessa edição são sobre cemitério, ainda assim outros iriam bem melhor nessa página, como o que diz “Fiz o que pude” ou dos noventa anos pagando aluguel.

Eu imagino que a ordem e a seleção dos cartuns não tenha relação direta com o conteúdo das matérias, que eles cheguem para a revista em momentos e de formas diferentes, mas esses dois casos mostram que é legal dar uma olhada depois em como ficou e ver se não tem nenhum ruído esquisito rolando. É isso o que tem a dizer um leitor aliviado por vocês terem parado com aquela péssima mania de Nadia Khuzina na capa.
PEDRO BOTTON_SÃO PAULO/SP

NOTA ANGUSTIADA DA REDAÇÃO: Xiii… Pula a capa, pula a capa!


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