cartas
Fev 2020 17h08
9 min de leitura
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CAPA
Pena que colocaram o Bozo com a camisa do Flamengo (Capa, piauí_161, fevereiro)! Mas realmente reflete as intenções populistas mequetrefes desse governo. Poderia ser, mas o alívio é que Bolsonaro nunca foi rubro-negro.
IGOR TAYLOR_VIA INSTAGRAM
A capa ficou foda. Só tinha que ser a camisa do Palmeiras. Meu Flamengo não merece isso.
MURILLO MONTEIRO_VIA TWITTER
O sujeito tem foto com camisa de 542 times (dos quatro do Rio inclusive, já se declarou botafoguense), mas aí botam a do Flamengo pra render mais…
BRUNO CASTRO_VIA TWITTER
NOTA ERUDITA DA REDAÇÃO: Uma tradição já consolidada da hermenêutica clássica não deixa dúvidas quanto à potência transfiguradora das cores rubro-negras. São João Damasceno, em seu florilégio Sacra Parallela, dedica três capítulos ao mantellum sacris. Numa passagem que muitos exegetas consideram o momento mais alto de toda a Patrística, o Damasceno afirma o caráter inescapável do manto sagrado. Vesti-lo é render-se: fortuna fatalis, sina ineludível. Quatrocentos anos mais tarde, São Bernardo de Claraval retomará a ideia, transformando-a na semente da qual brotará boa parte da melhor escolástica. Quem não se lembra do parágrafo notável de seu Comentário ao Cântico dos Cânticos que se encerra com o dito fatal Flamengo tempore, Flamengo semper? Resumo: vestiu a camisa, dançou, neném.
Mais um se aproveitando do Flamengo pra ganhar engajamento.
PATRICK ALENCAR_VIA TWITTER
NOTA POLIGLOTA DA REDAÇÃO: Vide supra.
Muito engraçado o Caio Borges ter colocado a camisa do Flamengo no presidente, sabendo que ele torce pro Palmeiras! Ele já vestiu camisas de vários times, mas tem que fazer ilustração negativa com a do Flamengo, né?! Mengão, o melhor time do Brasil! Chora não, secador.
@T.MAMEDE_VIA INSTAGRAM
NOTA POLIGLOTA E REPETITIVA DA REDAÇÃO: Vide supra, infans.
O pessoal se doendo com o Bolsonaro vestindo uma camisa parecida com a do Flamengo. Embora ele diga ser palmeirense, ele já vestiu camisa de tudo quanto é time (oportunista, amores) e já foi visto várias vezes vestindo camisa do Flamengo em público. Segue o jogo (que é patético).
RENAN HENRIQUE DE OLIVEIRA_VIA INSTAGRAM
Se eu fosse o Moro, colocaria as barbas de molho… Miliciano mata!
ARLLEY AUGUSTO_VIA INSTAGRAM
Mas quem criou quem? O Bozo é capaz de criar algo?
MARCOS VERISSIMO_VIA INSTAGRAM
E o Temer voando lá atrás, à direita? Grande sacada!
FILIPE DIAS_VIA INSTAGRAM
A arte está linda. Linda até demais, já que se trata desses dois.
JOÃO_VIA TWITTER
As capas da piauí só não são melhores do que o conteúdo. É disparado a melhor coisa que assino na minha vida.
THIAGO_VIA TWITTER
ECLIPSE DA RAZÃO
Em tempos de sarampo e movimento antivacina: vale a leitura do texto de Tatiana Roque (“O negacionismo no poder”, piauí_161, fevereiro) sobre os desafios da comunidade científica num momento em que “comprovado cientificamente” já não encerra tantas discussões nem muda tantas cabeças.
TALITA DUVANEL_VIA TWITTER
Ceticismo é inerente à pesquisa científica. Ponto de referência para não desqualificar um paradigma sem critério ou com pouco critério. O IPCC não é científico. Só joga para a torcida e brinca com isso sem a menor responsabilidade. Até hoje não conseguiram fazer uma relação convincente de causa e consequência entre comportamento humano e mudança climática. E ainda mais derivado de emissão de gases de carbono. Mudança climática existe, mas não há evidência de que seja a humanidade em sua infinita insignificância para o planeta que será responsável por isso. A própria matéria é tendenciosa na chamada. O jornalismo deveria ser cético em relação a esse assunto assim como é com a política.
PHILIPPE FARIAS_VIA INSTAGRAM
Parte do ceticismo esmiuçado por Tatiana Roque em “O negacionismo no poder” é política deliberada, um mecanismo para se manter nas esferas de decisão por parte de grupos que não teriam espaço em um mundo baseado na lógica e no conhecimento. São alarmantes os dados de desconfiança em quem teria o local da fala baseado no método científico. Por outro lado, dizer que é positivo o fato de 80% da população entender as vacinas como seguras esconde que cerca de 40 milhões de brasileiros não possuem esse entendimento, o que numa epidemia, como a do coronavírus que se descortina no curto prazo, pode ser fonte de uma catástrofe. Mas o fato principal é que os cientistas não conseguiram, ainda, comunicar a ciência de forma plena, interessante e – muito importante – sem superficialismos e simplificações equivocadas. O jornalismo científico é uma possibilidade importante, com cursos oferecidos por instituições públicas, como o Labjor na Unicamp, que congregam cientistas e jornalistas para melhorar a comunicação da ciência e da tecnologia ao público. Infelizmente, a termodinâmica do saber não acompanha a rápida cinética da ignorância.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
LIBERAIS DE LABORATÓRIO
Achei muito curioso que, embora vários homens tenham sido entrevistados, somente a deputada Tabata Amaral teve sua postura corporal e “falta” de espontaneidade analisadas (“Escola sem partido”, piauí_161, fevereiro). A mulher sempre tem o dever de ser espontânea, doce e receptiva? E o engraçado é que o repórter parece ser um rapaz jovem e talentoso, o que causa mais espanto ainda.
DANIELLE AVELINO_BRASÍLIA/DF
Resumo: a turma do “sem partido”, mas que surfa conforme a onda e o interesse. Que tal chamar isso de “tabatismo”?
JULIANO VAZ DE ABREU_VIA INSTAGRAM
Mais ideológico impossível! Esse é o tipo de grupo criado pelas elites que financiam filhos talentosos da classe trabalhadora e os alavanca na carreira acadêmica em grandes universidades estrangeiras. Os fazem acreditar (e ao resto da sociedade) que conseguiram isso por seus próprios “méritos”, sem que se avente a possibilidade de que as outras pessoas de seu convívio, tão talentosas quanto elas, foram condenadas à escravidão assalariada (agora uberizada) sem possibilidade real de ascensão social. Ao final, criam “exemplos vivos” de meritocracia que atuam política e ideologicamente em prol dos interesses dessa elite financiadora. Os exemplos entre nossos parlamentares que durante a votação da reforma da Previdência “viraram a casaca” deixa esse brilhante (e nefasto) esquema ideológico bem claro.
HENRIQUE_VIA INSTAGRAM
Se são de laboratório ou não, eu não sei… Mas que estão acertando muito mais do que errando, isso é um fato.
RENATINHA_VIA TWITTER
Luigi Mazza fez um excelente trabalho de reportagem apontando que é sempre a mesma elite comandando os supostos “renovadores”. As perguntas certas, e nos dando os contextos necessários para entender o estratagema. E o título é ótimo, “Escola sem Partido”. A falácia de sempre do “sem partido”, somada à ideia de burlar o sistema eleitoral infiltrando seus candidatos em partidos diferentes.
PAULO CECCONI_VIA TWITTER
SEM RESSALVAS
Venho observando há algum tempo na piauí e na mídia em geral a criação de uma nova figura dentro do mundo político: a direita inimputável.
Figuras pitorescas e desequilibradas vêm ganhando cada vez mais espaço nas páginas da revista, o que era de se esperar, já que todas vieram na esteira da extrema direita brasileira, que está no poder neste momento. Contudo, a revista vem adotando uma postura cada vez mais condescendente com essas pessoas. Elas não são condenadas por suas palavras, suas atitudes e pelas políticas que adotam. Muito pelo contrário, suas ações são cada vez mais normalizadas, como se estivéssemos tratando de pessoas inimputáveis, que não têm controle ou responsabilidade pelos seus próprios atos. Como aquele parente indesejado na família que a sua tia sempre passa a mão na cabeça dizendo que “ele é assim mesmo”.
Se um extraterrestre lesse o artigo “O algoritmo da ágora” (piauí_160, janeiro) sem conhecer a figura de Arthur do Val, acreditaria que se trata apenas de um “influencer” da internet que tem posições polêmicas, quando na verdade se está diante de uma pessoa totalmente despreparada, que nunca deveria ter ingressado na atividade política. E já tivemos casos parecidos, como no perfil da deputada estadual Janaína Paschoal (“A acusadora”, piauí_122, novembro de 2016), da deputada federal Joice Hasselmann (“Fala grossa e salto fino”, piauí_157, outubro), dentre outras criaturas que foram apresentadas aos leitores da revista sem a devida análise crítica. No momento atual, jornalismo declaratório é do que os leitores menos precisam.
MARCELLO COIMBRA_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA ESPANTADA DA REDAÇÃO: Que otimismo achar que um extraterrestre viria para cá numa hora dessas. Isso aqui está inóspito, Marcello.
MAIS LETRAS PRETAS
Me tornei assinante da piauí no fim de novembro do ano passado. Já acompanhava publicações da revista, mas decidi assiná-la após ler a matéria “Letra preta” (piauí_157, outubro), da repórter Yasmin Santos. Como jornalista preto recém-formado, assinei a revista esperando que a matéria cirúrgica – que diz muito sobre o quanto o racismo nos afeta socialmente e dentro das redações – se refletisse no conteúdo editorial da publicação. No entanto, infelizmente, na aba de colaboradores da edição de janeiro só se viam os mesmos rostos brancos de sempre. A falta de representatividade negra nas redações também foi exposta na apresentação da equipe da CNN, emissora que já estreia repetindo o padrão racial de todos os outros canais de comunicação do país e tendo como sua principal estrela um sujeito que saiu pela porta dos fundos da maior emissora do país após um caso explícito de racismo. A falta de pluralidade nas redações é nociva ao jornalismo e pode levar à ocorrência de episódios nefastos, como o que envolveu o jornalista Rodrigo Bocardi durante um link ao vivo do Bom Dia São Paulo no último dia 7 de fevereiro. O jornalista “confundiu” o atleta de polo aquático Leonel Diaz com um funcionário do clube de tênis que frequenta porque deduziu que um rapaz negro só poderia ocupar aquele espaço para servir a homens brancos. Os outros dois jornalistas nem se deram conta do absurdo que ali acontecia e chegaram a rir da situação.
Que no decorrer do ano a piauí se diferencie de outros grandes veículos de comunicação e preze pela diversidade em suas próximas edições. Estamos em 2020 e precisamos que a questão racial saia do campo teórico e vá para as páginas e telas mais próximas. Espero que a revista avalie a situação e, em breve, tenhamos mais letras pretas na publicação.
IGOR OLIVEIRA_RIO DE JANEIRO/RJ
HISTÓRIAS DO DINHEIRO
Depois de ler o relato de Alejandro Chacoff sobre as suas vivências em uma família burguesa do interior de Mato Grosso durante a inflação (“Os preços baixaram”, piauí_161, fevereiro), virei a página para me deparar com a ilustração de Nadia Khuzina, “Anais do Carnaval”, um retrato tão esdrúxulo quanto preciso sobre os caquistocratas que tomaram conta do debate público recente. Depois de ler uma história que encapsula tão bem uma época passada do Brasil para em seguida ver de frente essa imagem do tempo em que vivemos, só consegui imaginar que histórias serão contadas daqui a trinta anos sobre o cotidiano no governo Bolsonaro. Talvez crônicas sobre grupos de amigos se desfazendo por causa de discussões sobre os milicianos do condomínio Vivendas da Barra ou um filho contando a história de amor entre seu pai lulista e sua mãe bolsonarista, ou até mesmo alguém relembrando o dia em que encontrou no Grindr o perfil de seu tio pró-armas e antiárvores. Espero sobreviver a essa bagunça para chegar ao dia em que possa rir dela e espero que isso aconteça enquanto leio a edição quinhentos e pouco da piauí.
Grande edição essa de fevereiro. Fernando se despede da diretoria com um estouro.
MATHEUS ALBANO TEIXEIRA_NITERÓI, RJ
Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Solicitamos que as cartas informem o nome e o endereço completo do remetente.
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