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MISSIVISTAS DEBATEM AS QUESTÕES DA ULTRADIREITA

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CAMALEOA DO BARULHO

Sobre a matéria “No forrobodó do balacobaco” (piauí_167, agosto): E pensar que um bom psiquiatra teria evitado tudo isso.
FELIPE RODRIGUES_SÃO PAULO/SP

DESASTRE IDEOLÓGICO

O texto mais impactante da edição de agosto foi “Tragédia ideológica” (piauí_167), de Martim Vasques da Cunha, que a própria revista já tascou lá no alto um inquestionável “questões de ultradireita”, até para livrar sua cara. Ou o sujeito é mago, suprassumo ou se acha a última cereja do bolo. De tudo o que deu pra sacar, citações infindáveis, pérfida relação de quem é, quem está aderindo, os próceres de antanho e os futuros apaniguados, enfim, a novíssima “tchurma” dos que se dizem de direita, mas estão pulando do navio do bolsolavismo. O textão serve como bom guia de todos os envolvidos e com culpa no cartório pela atual situação do país, pois apoiaram o Senhor Inominável. Mais ou menos direitistas, coloco-os todos no mesmo balaio, o do retrocesso. Minhas leituras e influências são bem outras e gostaria de vê-las em outros textos na revista, em algo bem consistente para barrar o avanço do “endireitamento” do país, algo pernóstico, nefasto e tresloucado. De minha desprotegida trincheira, estarei sempre pronto para combater esses que se dizem encantados por vírus ainda sem vacina e a contagiar as novas gerações.
HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO_BAURU/SP

Martim Vasques da Cunha não pede piedade em seu artigo “Tragédia ideológica”, apesar do final melancólico do texto: “sou assombrado pelas palavras.” Para ele, que de dois em dois anos paga multa à Justiça Eleitoral para não ter que ir às urnas, eximindo-se da responsabilidade pelo eventual fracasso do governante no qual votasse, deve ser menos angustiante o assombro das palavras ou talvez sua angústia seja ainda maior, pois toda noite, ao colocar a cabeça no travesseiro, ele deve se lembrar sem alívio: teria votado em Bolsonaro e teria escolhido o bolsolavismo (embora diga, hoje, que “jamais votaria” nele).

O texto, apesar de contrito pelo estrago que sua verve ajudou a construir, revela, empedernida, uma herança olavista (talvez um cacoete): enxergar o mundo pela ótica esdrúxula da “guerra” entre o olho que mira a direita e o outro que vigia a esquerda. Todos que enxergam normalmente enxergam com dois olhos, que compõem, juntos, uma única imagem. É essa a função do cérebro. É também o que confere profundidade, perspectiva, nuances àquilo que Kant chamava de “intuição sensível”. O vírus olavista parece eliminar essa faculdade, e o efeito desse surto que atingiu o Brasil é trágico: o definhamento da política.
FÁBIO FERREIRA DE ALMEIDA_GOIÂNIA/GO

Na piauí_167, de agosto, a revista faz um esforço na direção de abordar as “questões da ultradireita”, além de tentar oferecer alguma diversidade nessa análise. Isso fica evidente na escolha dos autores e na publicação de artigos escritos por um general da reserva, Francisco Mamede de Brito Filho, e por um professor e filósofo autoprofessado de direita, Martim Vasques da Cunha. É uma pena que, em nome da pluralidade, a revista tenha aceitado publicar esse panfleto chapa-branca disfarçado de crítica intitulado “Adeus ao retrocesso”. Eis alguns pontos problemáticos no texto do general: 1) “No caso das nossas Forças Armadas, é pública e notória a capacitação dos seus quadros no campo da gestão administrativa e em áreas correlatas à atividade-fim […] ou mesmo em áreas relacionadas à atividade-meio […].” O autor faz uma afirmação completamente vazia, sem se dar o trabalho de citar exemplos dessa suposta “pública e notória” capacidade de gestão. Brito Filho não é o primeiro a bater na tecla da “gestão” para justificar a atuação militar na esfera civil; a contínua ênfase nesse conceito administrativo e supostamente neutro serve para ocultar outros aspectos e motivações da ação militar, inclusive o político. O autor ignora uma série de episódios que demonstram o contrário: a capacidade das Forças Armadas de se envolver em corrupção (obras de infraestrutura durante a ditadura militar nos oferecem um rol de casos) e de má gestão (qualquer exemplo do governo Bolsonaro). 2) Ao listar as mudanças responsáveis pela profissionalização das Forças Armadas e pelo afastamento da “nova geração” de militares de seus antecessores, o autor omite a mais flagrante continuidade entre o passado e o presente: a recusa das instituições militares em reconhecer crimes cometidos no passado, como a ocultação e eliminação de provas e arquivos, a insistência em não modernizar o currículo militar a fim de incluir uma revisão crítica da ditadura militar e a não incorporação dos direitos humanos na educação castrense. O autor foca em (significantes) reformas administrativas da carreira militar, sem nem tangenciar essa questão. Mas como podemos pensar em Forças Armadas renovadas e transformadas se a própria instituição nega o seu passado? 3) O general propõe que um dos motivos da atual crise de confiança da população nas Forças Armadas é o desconhecimento das pessoas. E, em um momento de autocrítica tão raso quanto o suposto compromisso democrático dos militares, o autor sugere que faltou maior empenho das Forças Armadas na comunicação social. O problema é o marketing, não os 434 mortos e desaparecidos, e milhares mais de torturados durante a ditadura, não as denúncias de abuso sexual contra os soldados brasileiros no Haiti, não o rotineiro arquivamento pela Justiça Militar dos casos de assassinato cometidos por militares envolvidos em atividades de segurança pública.

É realmente lamentável que análise tão falaciosa e desonesta encontre veículo na piauí.
CAROLINA COOPER_RIO DE JANEIRO/RJ 

DUREZA

A primeira vez que entendi a necessidade do brasileiro em acreditar em forças sobrenaturais para a manutenção do cotidiano foi quando prestei serviços para a Telemar. Além do trabalho dos engenheiros, só mesmo entidades espirituais fortíssimas para fazer com que você tire o telefone do gancho e consiga falar com alguém em outro lugar. Ainda hoje acredito que todo dia um caboclo bafora fumaça de charuto naqueles painéis para permitir que as ligações aconteçam.

Em nada me admira a Prefeitura do Rio de Janeiro fazer contrato com o Cacique Cobra Coral.

Escrevo isso para falar que ainda não estou acreditando que um cientista enviou dez amostras concentradas de coronavírus para diferentes laboratórios do Brasil por Sedex (“Contra a besta-fera”, piauí_166, julho). É ou não é o prelúdio do apocalipse?

Se eu fosse o responsável pela postagem, meu ateísmo ia sumir mais rápido do que antivaxer correndo para a fila de vacinação contra a Covid-19. Eu ia ajoelhar na frente da agência dos Correios, acender vinte velas e rezar para todos os deuses conhecidos. Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que o fim do mundo vai começar no Brasil.
NORTON TAVARES DA SILVA_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA ESPERANÇOSA DA REDAÇÃO: Só nos resta torcer para que a besta-fera anuncie o fim do mundo pelos Correios ou numa chamada telefônica da Telemar. Não é nada, não é nada, quem sabe a gente não ganha uns aninhos a mais de vida?

BOLSONARO E A MORTE

A edição de julho trouxe várias abordagens sobre esse maldito vírus que nos mata e que nos inferniza, causando perdas, medo e impotência. A matéria “A palavra e o vírus” (piauí_166, julho), de Leila Guerriero, demonstra, de maneira inequívoca, como a Covid-19 atinge até mesmo a imaginação de autores renomados que, diante da pandemia, perdem o raciocínio e ficam embotados, com dificuldade para sair das amarras que o vírus traz. Na matéria, um dos escritores fala de forma simples e genial a respeito desses tempos pandêmicos: “Não perdi a vontade de viver, mas ela está fortemente debilitada.” Perfeito.

Outra matéria que não pode passar em branco é de autoria de João Moreira Salles, “A morte e a morte”. Não vou me alongar nos brilhantes exemplos que João nos deu sobre a forma de governar do nosso atual mandatário. Todos os dias vemos, lemos e ouvimos verdadeiras teses sobre a forma desastrada com que o nosso bravo Capitão comanda seu quartel, chamado Brasil. João conseguiu exprimir de forma bem resumida os lados negativos de uma personalidade tão doentia.
ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

Muito bom o ensaio “A morte e a morte” (piauí_166, julho); faltou apenas aprofundar mais numa característica das mais importantes, a covardia. O discurso peremptório, só quando jogado ao vento ou protegido pelas redes sociais; as atitudes desassombradas, apenas contra pessoas fragilizadas.

Contra oponentes fortes, a atitude padrão é aquela muito bem documentada na foto do presidente brasileiro em frente ao Putin.
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP 

Dentre outras, duas coisas se destacaram na piauí de julho: as geniais charges de Leandro Assis e a brilhante matéria do João Salles, “A morte e a morte” – embora este tenha a confortável liberdade de ação, sendo integrante-mor da revista e, coitado, não tem culpa, nascido em uma das famílias mais abastadas do país (o elegante Santiago que o diria).
GILSON MARINHO LUZ_ITAOCARA/RJ

Importante grifar o texto cirúrgico de João Moreira Salles, “A morte e a morte”. Na semana que chegamos à terrível marca de 100 mil mortos pela Covid, reli a narrativa da inaptidão política e o mau-caratismo do nosso atual presidente. Um texto cheio de informações relevantes que não nos deixa esquecer que poderíamos, no mínimo, ter salvado milhares de vidas se tivéssemos um presidente mais humano. Obrigado, João, pelo texto duro, difícil, porém necessário.
THIAGO SILVA_SÃO PAULO/SP

Fiquei um pouco transtornado com o texto “A morte e a morte”, achei muitos traços preconceituosos com evangélicos, iletrados e com os eleitores de Bolsonaro. O conceito da democracia passa pela aceitação do diferente e o respeito de vontades diversas da sua. Muita quarentena, João; coloca a máscara e dá uma volta pela quadra.
MARCOS VINICIUS_JARAGUÁ DO SUL/SC

PIAUÍ 166

Talvez pela vasta experiência de documentar o Brasil, João Moreira Salles incorporou a voz do analista político, social e psicológico para nos presentear com um retrato triste, mas fiel, do mandatário-mor do país. O artigo “A morte e a morte” passa a ser material de rescaldo toda vez que o presidente abre a boca ou comete alguma atrocidade, o que acaba por ser um pleonasmo, concordo. A indignação estará amparada pela explicação. E mais uma vez, a piauí proporciona intertextualidade entre as matérias, pois foi possível ler com a mesma abordagem outro perfil, mais histórico, do ainda governador do Rio de Janeiro (“A solidão de Rambo”, piauí_166, julho), com os sobressaltos sobre as revelações dos meandros de sua, digamos, carreira e a forma como ascendeu ao poder. Allan de Abreu usou bem da alegoria para revelar o falastrão que já se perdia desde os tempos de jovem militar. Até o personagem Forrest Gump se sairia melhor. Também “O ovo da serpente” (piauí_166, julho), do advogado Fábio Tofic Simantob, poderia servir de avaliação do que o “juiz” Witzel andou fazendo, mas o foco principal foi explicar o que está explícito na Constituição que esses pseudogovernantes ignoram: o poder é tripartite e o STF dá a última palavra. Assim, de Witzel a Bolsonaro, passando até pelo ausente Temer, lamento que o interior do estado de São Paulo tenha plasmado tão infelizes membros da política moderna.

P.S.: Em resposta à “Nota absolutamente dispensável da Redação”, gatos não rosnam, eles sibilam quando irritados ou ameaçados. Para incorporar felinos na imagem, bastava o atrativo correto.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

NOTA ETOLÓGICA DA REDAÇÃO: Pra você ver como esse gato leva a discrição a sério. O Houaiss nos informa que, além de sibilar, gatos bufam, berram, choram, fungam, miam, rebusnam, regougam, resmoneiam, roncam, ronronam e roufenham. Pois esse ruge. E ai de quem chega perto dele com um exemplar de Caras ou uma conta de Instagram. Daí ele rosna.

Sou daqueles que gostam de ler a revista no tempo de um mês. Se a revista é mensal deve ter um motivo, pelo menos é assim que me conforto. Todavia, gostaria de fazer uma queixa à matéria “A palavra e o vírus”, de Leila Guerriero. Estou há duas semanas lendo. Isto atrasará meu prazo de um mês. Na verdade, já atrasou! É simplesmente impossível ler cada relato sem parar para refletir, imaginar e fantasiar. Eles são convites para sairmos de nossas quarentenas cotidianas e viajar nas relatadas. Escrevo no exato momento que chego à página final da matéria. Por favor, tenham um pouco mais de cuidado com os prazos delirantes estabelecidos pelos leitores.
RODRIGO DE VASCONCELLOS PIERI_RIO DE JANEIRO/RJ

ALÔ, UMUARAMA!

Parabéns pelo excelente trabalho editorial. A edição 167, de agosto, está fantástica! Me chamou a atenção a coluna The BolsozApp Herald em que há referência na mensagem do “diplomata Araújo” à cidade de Umuarama, no Paraná. Sou de Umuarama e gostaria de saber: como vocês conseguiram achar essa pequena cidade no mapa (risos)?
DIEGO PIZZI_UMUARAMA/PR

NOTA EXCITADA DA REDAÇÃO: Pequena para você, filho ingrato de Umuarama. Para o diplomata Araújo, o Piquiri não deve nada ao Danúbio, o lago de Zurique só rivaliza em esplendor com o Aratimbó à custa de muito Photoshop e melhor nem falarmos sobre a réplica da Torre Eiffel na PR-323. Foi sentado a seus pés e tomado por forte emoção que Araújo escreveu um dos aforismos mais notáveis de toda a literatura universal: “O segredo do homem é fixar limites. E descumpri-los.” Está lá para quem quiser ver, logo na primeira página de A Porta de Morgar, levando inexoravelmente à devastadora passagem que hoje é patrimônio de todos os brasileiros: “Ctê, Ctá, Ctü. Venho de Ctê, combati com Ctá, e atravessei um lago a nado em busca do tesouro de Ctü.”


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