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É DECEPCIONANTE QUE UM PERIÓDICO SÉRIO PUBLIQUE ISSO

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A GUERRA DA VACINA

Parabéns à repórter Malu Gaspar por sua grandiosa capacidade de elucidar o fracasso do governo no combate à pandemia, mais precisamente em relação à aquisição do imunizante (O sabotador, piauí_173, fevereiro).

O país carece não só de profissionais que tentam fazer chegar informações ao povo, mas de pessoas dispostas a enfrentar esse tresloucado que, para infelicidade geral da nação, está no poder.

Ainda que não seja simpática à pessoa e aos meios que o governador João Doria opta para se fazer conhecido no Brasil, palmas para ele, que conseguiu devolver ao povo brasileiro a esperança de dias melhores ou de voltar a sonhar com a certeza de ter um imunizante ao seu alcance.

Em meio à luta entre o poder e a inteligência não sabemos quem ganhará a batalha, que está longe de acabar. E nessa batalha, de uma coisa temos certeza: quem sai perdendo é o povo brasileiro, que já ocupou esse lugar de extrema fragilidade, no meio do fogo cruzado entre os “soldados do poder”.

E à repórter corajosa quero dizer que, após ficar um tempo durante a madrugada lendo essa reportagem tão enriquecedora e informativa, alegro-me em saber que temos a nosso serviço profissionais como você.

HELOISA CASSINI_TRÊS RIOS/RJ

Foi com maestria a despedida de Malu Gaspar da piauí. Em O sabotador, ao melhor estilo hitchcockiano, ela desenvolve a trama dos fatos sabendo que o criminoso principal é o próprio condutor da ação. Nos dois filmes do mestre do suspense com nomes semelhantes, de 1936 e 1942, a sabotagem era explícita e direcionada a um local ou ação específica. O sabotador das vacinas no Brasil agiu de forma ampla e generalizada. Se lastimável e criminosa até aqui a atuação do ministro Pazuello, pior foi a participação dele na audiência de 11 de fevereiro no Senado, sendo desmentido em público pela inação e a atenção dada à cloroquina em vez do oxigênio. A tal da especialização em logística também foi contestada. Malu Gaspar nos prende a atenção do começo ao fim, tanto pela detalhada linha de raciocínio e das interligações dos acontecimentos como por pontuar cada etapa dos atentados narrados com o número de mortos pela Covid-19 naquele momento. Parabéns à repórter e à revista pelo trabalho, e também por abrirem o conteúdo para compartilhamento.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

ARRABALDE

Ao ler as duas primeiras partes de Arrabalde, senti-me tomado por uma dualidade extrema.

Por um lado, uma pulsão de êxtase, a incondicional rendição a um texto magnífico, de formalidade e estrutura argumentativa perfeitas.

Por outro, no entanto, um sentimento da mais absoluta desolação, à vista das perdas e danos que colecionamos para a nossa e para as gerações vindouras.

Diante da visão amarga de um horizonte distópico que se avizinha, só nos resta aguardar a chegada de um Mad Max macunaímico que nos ajude a sobreviver nesse cenário.

Isso porque, é claro, não devemos contar com um Salvador – cada um tem o Messias que merece.

JOSÉ MARCIO DE ALMEIDA PAULINO_BELO HORIZONTE/MG

Escrevo no calor da emoção de ter acabado de ler o texto Arrabalde na edição de novembro. Fico até meio constrangido de elogiar o patrão, mas realmente é uma reportagem magnífica! Pequenas sutilezas como o guarda-costas de terno e as prateleiras do supermercado de fato sintetizam como foi e é a inserção da sociedade local e a floresta ao redor.

Eu já tinha lido sobre Fordlândia, mas Tucumã foi a primeira vez. Por que será que esse empreendimento, inclusive mais recente, teve menos repercussão?

Acho que a reportagem deve servir de lição para aqueles que ainda criticam os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, hoje Polo Industrial de Manaus. Pois mostra que sem uma alternativa econômica viável o que resta é a exploração predatória da floresta via garimpo, pecuária, extração de madeira etc. O valor desses subsídios não pode mais ser analisado apenas pela ótica crua dos números, devendo-se incorporar o valor de manter a floresta em pé e a reputação do Brasil perante a comunidade internacional.

RODRIGO HOLANDA PIMENTEL_SÃO PAULO/SP

Não devo ser o primeiro a recomendar que a excelente série Arrabalde, de João Moreira Salles, seja reunida em livro. Com certeza, há trechos inéditos que, por motivo de espaço, não entraram na piauí.

E sugiro, claro, que o livro seja distribuído de cortesia aos assinantes ou vendido a um preço bem camarada.

FERNANDO OLIVAN VIEIRA_SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

NOTA ANÔNIMA DA REDAÇÃO: Não espalha, mas é uma grandeza o que tem de gente aqui achando que seria bem melhor se mais trechos tivessem ficado inéditos.

DIÁRIO NO HOSPITAL

“Estou lá no Covid” (piauí_173, fevereiro) foi um dos relatos mais reais sobre o vírus que li durante a pandemia. A linguista Roberta Viola retrata vários detalhes emocionais do tratamento da doença. O diário é ainda melhor porque tem um final feliz (apesar de ainda estar curioso com o final da história de Rute).

Ainda assim, a história mostra a realidade triste do negacionismo. “A doença é agressiva, o tratamento tem que ser mais agressivo que ela”, mas nossa sociedade, pelo menos alguns grupos, está sendo benevolente demais com o vírus.

Mesmo assim, encerro a leitura como alguém que acaba de ver um filme feliz. Tomado por uma alegria, uma energia boa quanto ao que espero do futuro.

Mas no momento seguinte, escuto na tevê relatos de festas de Carnaval clandestinas.

EDUARDO STATUTI_PORTO FERREIRA/SP

DIÁRIO DO MESÁRIO

Fiquei incomodada com a atitude do jornalista que atuou como primeiro-secretário nas eleições municipais de Belo Horizonte (Preferia não fazê-lo, piauí_171, dezembro 2020). Também foi minha estreia como mesária numa eleição. Tive uma experiência interessante, compreendendo melhor o funcionamento das urnas – e a dificuldade de fraudá-las. O depoimento dele tratou o processo, bastante sério e metódico, como uma bobagem tediosa. A participação ativa nas eleições é uma conquista. Cidadania não é só cometer textão na internet xingando político.

ISABELA CAVALCANTE_BELO HORIZONTE/MG

PROFESSOR ANÔNIMO

Sobre o excelente artigo Parece revolução, mas é só neoliberalismo (piauí_172, janeiro), gostaria de dizer que é perfeito ou quase perfeito. Faltou dizer com todas as letras que tais atitudes justamente criticadas e denunciadas no texto são compartilhadas e estimuladas por parte do corpo docente da universidade, seja por demagogia seja por convicção dos professores.

DENISE ROLLEMBERG_NITERÓI/RJ

O artigo Parece revolução, mas é só neoliberalismo retrata o pouco apreço pelo conhecimento e pela cultura nas universidades, onde muitas vezes predomina o interesse apenas pelo diploma. Ali, a xerox é a regra e se fala pouco em livros, refletindo muito da sociedade que pouco aprecia a leitura.

ERIVAN SANTANA_TEIXEIRA DE FREITAS/BA

É decepcionante que um periódico sério publique um texto como Parece revolução, mas é só neoliberalismo, assinado com o pseudônimo de Benamê Kamu Almudras. Eu já tinha visto textos anônimos falando de milícias, paramilitares, racistas violentos, mas confesso que nunca tinha visto alguém se proteger no anonimato contra estudantes.

Trata-se de um amontoado de anedotas que ninguém pode saber se são verdadeiras, misturadas com um amontoado de habeas corpus preventivos: afinal, como um professor, “um homem branco (abertamente gay e em estágio probatório na universidade)” poderia ser racista? Como uma professora “branca (judia, vale lembrar)” pode ser acusada disso apesar de “ter dedicado décadas de pesquisa e atuação pública ao combate ao racismo” (mesmo tendo assinado o manifesto contra as cotas, o que também fica no anonimato)? Qualquer estudante que apresentasse um trabalho de fim de curso com essa superficialidade seria reprovado.

Sou professor de antropologia há quarenta anos (seis como titular) e não tenho a menor dúvida de que o que está acontecendo em nossas universidades (ou estava, já que os esforços para destruir o que foi obtido vão de vento em popa) é a coisa mais importante que já presenciei. Além da (tímida) correção de injustiças seculares e barbaridades cotidianas, me refiro também ao desafio intelectual, ético e político que nos é colocado por esses estudantes que nos dizem que o que sempre fizemos sem pensar ou pestanejar é um problema, e que nos obrigam a parar para pensar.

É muito triste quando alguém que é literalmente pago para isso (pensar) se recusa a fazê-lo.

Duvido que a piauí publicasse um texto que reunisse um conjunto de historietas sobre barbaridades cometidas pela polícia, pelas Forças Armadas, pelo presidente da República etc. Historietas que teriam muito mais chance de serem verdadeiras do que essas que a piauí tão irresponsavelmente publicou.

MARCIO GOLDMAN_RIO DE JANEIRO/RJ

Deve ter sido a primeira vez que vi o termo “neoliberal” atrelado à esquerda. O professor reclama dos alunos como se a esquerda tivesse tanta força assim para moldá-los, força que vem dos setores mais conservadores.

Meu recado ao professor é que em cada manifestação por salários, defesa de cotas, minorias, ele note quem sempre se levantou contra isso. E que, como também acontece com a direita, entenda que existem várias “esquerdas”.

TIAGO PAES DE LIRA_SÃO PAULO/SP

PIAUÍ_172

Os tempos são escassamente favoráveis, e a edição da piauí_172, janeiro, fez questão de deixar isso bem claro. Não reclamo, pelo contrário: a população parece mais iludida a cada dia que passa, como se nota no suposto “fim” da pandemia, com bares e praias lotados por todo o país. O balde de água fria da edição é geral: corrupção dentro das instituições que deveriam combatê-la, na reportagem de Allan de Abreu (“Eu vivo no compatível”); a maneira predatória como lidamos com nossas florestas e com as terras que seriam direito dos povos indígenas, no primoroso texto de Manuela Carneiro da Cunha (Paz entre agronegócio e direitos indígenas?); e o contrassenso da exploração alucinada da Amazônia na excelente parte III do dossiê redigido por João Moreira Salles (A fronteira é um país estrangeiro), possivelmente a melhor seção até agora, ainda que a revista esteja devendo algum esclarecimento sobre a casualidade das três empresas que surgem nos anúncios da série – sobretudo a Vale, cuja reputação é das mais suspeitas em termos de proteção ambiental, conforme notado pelo leitor Nathan Gomes nas cartas de janeiro.

Por fim, até mesmo a reportagem sobre a pastora Flordelis (A mentira na caixa de sapatos) ilustra como nos iludimos como povo; como acreditamos em milagres e em salvadores da pátria que se revelam, ao final, santos do pau oco. Não nos iludamos, não há perspectiva otimista à frente, os recifes de coral que o digam.

LEONARDO CADIÑANOS_PORTO ALEGRE/RS

ARMA BRANCA

Recentemente fui passar uns dias no litoral paulista levando, como leitura adicional, a revista piauí.

Fiquei numa pousada perto de rios e, nessa época do ano, o local ficava todas as noites infestado de pernilongos, mutucas e não sei mais o quê, num pacto sinistro de sugar meu sangue e empelotar este triste alérgico. Matar os mosquitos tornou-se, assim, minha razão de viver e condição sine qua non para conseguir dormir.

Percebi então que a piauí, por seu peso, textura, flexibilidade e dimensões, é ideal para esse fim. Tentei a Folha de S.Paulo inteira e também por cadernos, mas não se compara.

Apesar de ainda não haver testado, acho que a piauí também é melhor do que o Washington Post do Bezos, que o Pravda, que o Charlie Hebdo, o Financial Times, a New Yorker etc.

A piauí é a melhor revista do mundo!

TITO LÍVIO MACEDO_SÃO PAULO/SP

NOTA ACADÊMICA DA REDAÇÃO: Não perca tempo, Tito Lívio. A superioridade da piauí sobre todos os veículos citados já é questão pacificada. Basta consultar a Lancet (“Brazilian News Monthly as pest control mechanism”, novembro de 2013), o Journal of Applied Entomology (“Piauí against nematoceric flies: game over”, março 2015) e o Deutsches Ärzteblatt (“Piauí + Mücke: Apokalypse!”; outubro 2017) para verificar como em testes duplo-cego a proteção contra picadas oferecida pela piauí a seus leitores é de dez a doze vezes maior do que a prestada pela concorrência. Lembramos também que, como apontaram leitores no passado, a revista é um excelente regulador térmico em ônibus sem ar-condicionado (Cartas, piauí_161, fevereiro 2020) e uma proteção essencial contra o sol em ruas pouco arborizadas (leia no site: piaui.folha.uol.com.br/prezados-leitores/). Não é outra a razão pela qual a Anvisa, a OMS e o CDC recomendam: “Assinem a piauí, nem que seja por uma questão de saúde pública.”

TRATAMENTOS

Quando o autor/redator de alguma matéria da piauí quer se referir a pessoas que ele considera “maduras” ou mesmo idosas, é frequente que utilize expressões como “um senhor”, “uma senhora” ou “um senhorzinho”, acompanhadas ou não de uma determinada idade. Por que não usar apenas “homem de x anos” ou “mulher de x anos”, em vez de, a priori e subjetivamente, enquadrar o personagem como contemporâneo de Matusalém, ou amigo de infância de Sarney? Noto que tal recurso é utilizado quando se quer atribuir a alguém uma condição de afabilidade, fragilidade ou inocência, às vezes servindo como gancho para uma eventual reviravolta comportamental no decorrer do texto. Também não é por coincidência que os personagens célebres, cultos e chiquérrimos, mas visivelmente macróbios, são poupados de constarem do índex da melhor idade; não se escreve “FHC, um senhorzinho de 89 anos”. Já aqueles integrantes dos baixos cleros intelectuais, sociais e econômicos são implacavelmente arrolados (epa!) como meros tiozinhos.

SALVADOR RODRIGUES DE LIMA_SÃO PAULO/SP

THE BOLSOZAPP HERALD

Que aconteceu, enquadraram vocês? Torcendo pra voltar! Saudações do seu leitor.

ARTHUR PEAKE_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA ENTUSIASMADA DO DIPLOMATA ARAÚJO: Um leitor carente de material literário! Arthur, mein Schatz, tenho a solução: aprecie só essa conversa de Psaluv com Zaduri e Patib a respeito da espada de Ahalic: “Quem segura uma espada não a larga nunca, ainda mais que és a princesa de Xarab.” É apenas um amuse-bouche. O resto da passagem notável você encontra em Xarab Fica, Editora Alfa Ômega, 33 reais. Eles parcelam.

NOTA IMPUBLICÁVEL DO SENHOR GURU OLAVO: Jeba macambúzia de fiofó tostado! Os viadolas foram enquadrados por Caetano Veloso, Paula Lavigne e Domenico Losurdo! Pararam de publicar as únicas páginas que prestavam nesse panfleto gayzista por medo da cabala cosmopolita do sionismo baiano internacional. E ainda me tratam de senhor numa clara tentativa de dizer que não sou tão chiquérrimo quanto FHC (Salvador, és meu pupilo)! Porongo de xuranha vadia!


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