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A ÚNICA FALHA MORAL É NÃO LER DAS PIAUÍ-MAGAZIN

Imagem A única falha moral é não ler <i>das piauí-Magazin</i>

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CAPA

A capa da piauí_176 é a melhor dos últimos tempos. Um ser aparentemente andrógino que devasta a mata por onde passa.

FRANCISCO CARLOS SOUZA BASTOS_SÃO PAULO/SP

Recebi com espanto a minha edição deste mês com a ilustração de Caio Borges na capa. Sou assinante da revista há pouco mais de um ano, mas estava ainda na faculdade de jornalismo quando a primeira edição foi publicada, e leio desde então.

Meu incômodo é com a figura feminina do Salles, como deusa da floresta. Para que transformar Salles em uma figura feminina? Esse deboche não faz mais sentido, amigos. O ministro tem inúmeros defeitos de caráter para vocês debocharem. Ou zombem da figura engomadinha, dos óculos chamativos, do topete, do escambau. Mas fragilizá-lo atribuindo características femininas explícitas (o nome da ilustração não nos deixa dúvidas) é misoginia pura. Não existe um deus homem da floresta?

Eu gosto muito da revista, o que deixa esse tipo de “piada” na capa ainda mais inaceitável.

BEATRIZ MAIA_SÃO PAULO/SP

NEOPOPULISMO

A depender do ano em que for organizada a compilação dos melhores textos publicados pela revista, o de Miguel Lago, “Batalhadores do Brasil…” (piauí_176, maio), certamente merecerá um lugar de destaque. É uma reflexão absolutamente necessária, ao se aproximarem as eleições que poderão afundar de vez o país ou dar a ele a possibilidade de começar a sair da lama. Além de estabelecer a necessidade urgente para a ciência política de redefinir conceitos como os de “revolução” e “populismo”, propõe noções fundamentais para a análise política atual no Brasil, como as de “encostado” e “batalhador”.

Embora não concorde com a identificação de qualquer inteligência em Bolsonaro, a não ser que se fale em Bolsonaro metonimicamente, é fundamental reconhecer, com Lago, que “Bolsonaro é sim a nova política”. E não é necessário ressaltar aqui a metonímia. O conceito que Lago tenta criar, o de “cuidadania”, me parece malogrado. Mas é um caminho. É um esforço. Parabéns à revista por mais esse serviço prestado à boa reflexão.

FÁBIO FERREIRA DE ALMEIDA_GOIÂNIA/GO

A receita do cientista político Miguel Lago (“Batalhadores do Brasil…”) para a derrota de Bolsonaro em 2022 tem grande chance de dar certo, pois o velho populismo, que imperou praticamente em quase todos os países do continente, não consegue dar conta das enormes transformações da sociedade, principalmente a brasileira. Em matéria de populismo, nosso país teve uma larga experiência desde Getúlio, passando pelo curto período de Jânio Quadros, seguido do tumultuado governo de Jango. Mesmo durante os governos militares, tivemos surtos populistas com Médici e Figueiredo. Após a democratização, Sarney, Collor, Lula e Dilma e o desastrado governo do capitão.

O populismo independe de ideologias, o getulismo transitou por todas, assim como o peronismo na Argentina, que teve viés fascista, percorrendo da extrema direita aos extremistas de esquerda. Lula, pelo seu pragmatismo e acurado faro político, só perderá a eleição para si mesmo caso não consiga conter sua militância e dividir o apoio do Centrão, hoje, provisoriamente com Bolsonaro, que é refém do mesmo e se submeterá a todas as exigências para evitar o impeachment.

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

PIAUÍ_175

Hoje acordei com a ideia de escrever uma breve carta à piauí dizendo apenas que decidi abandonar um texto da revista pela terceira vez desde o início da publicação que acompanho disciplinadamente. O texto em questão, Música acima de tudo, Beethoven acima de todos (piauí_175, abril), parece ter sido extraído da minuta da carta motivacional natalina para os funcionários da Osesp deste ano. A carta em si estava muito bem escrita (exceto pela paródia do chavão genocida, que me soou de mau gosto). Infelizmente (ou não), não tenho muita paciência para outro chavão que tem circulado por aí, o do “seguindo todos os protocolos” e suas variações. Mas, enfim, não é disso que se trata. O fato é que, tão logo me ocorreu esta ideia, também a abandonei. Afinal, que importância isso tem? Há quem diga que abandonar matérias da piauí pela metade, ou mesmo ler a revista fora da ordem cronológica, ou ainda pular uma matéria simplesmente por não gostar do título ou da imagem que a acompanha são coisas absolutamente normais. Deve ser mesmo. Para os normais. O que me motivou a finalmente escrever esta carta foi o texto Lacunas (piauí_175, abril), de Felipe Charbel. Foi bom ter contato com a experiência de outra pessoa a respeito de lacunas literárias, problema do qual também padeço, certamente em menor escala. Acabei ligando os dois episódios por meio de uma analogia. Afinal, relato uma de minhas lacunas piauienses, que seria, a princípio, jornalística. De todo modo, pergunto: Seria também formativo pular uma ou outra matéria da piauí de vez em quando?

GUSTAVO LAET GOMES_BRASÍLIA/DF

NOTA PROPEDÊUTICA DA REDAÇÃO: Para os iniciantes, sim. Mas não deve se tornar um hábito, sob risco de causar danos irreparáveis à alma, como já alertava Kant.

Escrevo para contar que por um milagre consegui terminar esta edição no último dia do mês. E também para elogiar o autor do texto Lacunas, pois compartilho o sentimento expressado sobre as listas de leitura.

Como dona de uma estante de mais de quatrocentos livros, a maioria ainda não lidos, o texto calou-me fundo na alma.

LETÍCIA SÍLVIA IAMBASSO_SÃO PAULO/SP

NOTA RECURSIVA DA REDAÇÃO: Como dissemos na última edição, citando Kant no original, a única falha moral é não ler das piauí-Magazin.

Sou assinante da piauí há um certo tempo e considero que, no cômputo geral, as matérias publicadas são muito boas, bem escritas e com um ótimo nível de informação. Por isso mesmo, queria registrar o quanto gostei de matéria Eu existo! (piauí_175, abril), de autoria de Elisangela Roxo.

Do seu “exílio” em Aarhus, na gélida e distante Dinamarca, a autora nos mostrou com fina ironia toda a sua via-crúcis quando abordou a hoje famosíssima matéria envolvendo Caetano Veloso, e sua busca por uma mísera vaga no solo “leblonense”. Ela conseguiu abordar as agruras de uma jornalista recém-chegada a uma redação, e nos fez lembrar como essa matéria bombou em tudo que é lugar.

Por último, não poderia deixar de destacar o livro – sim, assim prefiro chamá-lo – Arrabalde, de João Moreira Salles. Li com muito interesse e passei a entender um pouco mais desse admirável mundo amazônico, com seus mistérios, injustiças, trapaças, vitórias e derrotas. João fez um trabalho de altíssimo nível, com uma pesquisa acurada e testemunhos que demonstram como o brasileiro, em sua enorme maioria, desconhece esse incrível pedaço do nosso país. Maravilha.

ANTÔNIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

AMAZÔNIA

Escrevo para parabenizar pela incrível série de reportagens sobre a Amazônia – Arrabalde (publicadas na piauí de novembro de 2020 a abril de 2021) – que tenho acompanhado nas últimas edições. O texto está incrível, trazendo informações estatísticas ao mesmo tempo em que combina as experiências particulares de quem vive ou viveu nesse pedaço de Brasil que é metade desse país em extensão.

Estou muito emocionada e impactada com a narrativa que conseguiu apresentar as questões da Amazônia sob diversos ângulos, de modo a traduzir para nós que vivemos no Sudeste qual a real dimensão dos nossos problemas e, sobretudo, das nossas potências.

Depois de vários meses acompanhando a série, chegar ao final dá até uma tristeza, dessas que vêm quando a gente termina um livro muito querido. E pensando nessas várias vozes que compõem o texto, fiquei pensando que seria uma ótima empreitada transformar a série em podcast, de forma que a gente pudesse ouvir esses relatos.

Fica a minha sugestão. E meu agradecimento à piauí e ao João Moreira Salles pela dedicação na empreitada de aproximar a Amazônia de minha vida.

CAROLINA RUAS_VILA VELHA/ES

RESPOSTA AO LEITOR

Gostaria de respeitosamente pontuar alguns aspectos da carta do leitor Leonardo Gandara (Cartas, piauí_176, maio), em que sou citado pelo fato de, supostamente, cometer o equívoco de considerar baixo o retorno que os estados recebem em decorrência da exploração mineral em seus territórios.

Integrando um esforço modernizador da estrutura tributária brasileira, a Lei Kandir de 1996 propôs várias medidas, dentre as quais que a desoneração sobre as exportações alcançasse também os produtos primários e semielaborados. Entretanto, a suspensão da cobrança de ICMS sobre as exportações de produtos primários acabou tendo efeitos muito diversos sobre as unidades federativas, com evidente desvantagem para os estados cujas economias dependem da exportação desses produtos. Com destaque para o Pará, como grande exportador de minérios.

Reconhecendo tal fato, a própria Lei Kandir previu também uma espécie de “seguro-receita”, que deveria proteger os estados prejudicados, até que o novo regramento gerasse os efeitos positivos esperados. O que lamentavelmente nunca ocorreu! Aliás, no que se refere à chamada “compensação”, é tão escancarado o desrespeito aos estados e municípios que, enquanto a desoneração, em 2003, foi levada para o texto da Constituição na forma de imunidade permanente, a lei complementar, que deveria regulamentar a compensação para os estados, jamais foi sequer editada.

Um exemplo, ainda que sem maior refinamento, de como funciona a desoneração do ICMS nas exportações: Considerando que a desoneração do imposto deve se dar em toda a cadeia produtiva, um estado, ao abrigar uma empresa exportadora, não pode cobrar ICMS sobre o que ela exporta e ainda tem a responsabilidade de lhe devolver o ICMS que ela recolheu na compra de insumos ao longo da cadeia produtiva do bem exportado. Mesmo que as compras sejam realizadas em outros estados, o ICMS recolhido nessas operações se transforma em crédito da empresa contra o “estado exportador”. Uma aberração em que os estados se tornaram grandes devedores do que não receberam, uma vez que grande parte dos insumos, máquinas e equipamentos é produzida e adquirida fora dos estados extrativistas.

Finalmente, no que se refere aos benefícios da chamada Cfem, que segundo o leitor teriam sido por nós esquecidos: Enquanto as externalidades negativas dos projetos de extração mineral impactam toda a região na qual se instalam, os benefícios financeiros, como quota-parte do ICMS e da própria Cfem, são fortemente concentrados no município em que se realiza a exploração, criando profundas desigualdades, inclusive na mesma microrregião.

Ainda que sem maior precisão numérica, vai aqui um exemplo: o município de Canaã dos Carajás, novo grande polo de extração mineral, tem uma população estimada de 38 mil habitantes, e em 2017 realizou uma receita de mais de 276 milhões de reais, o que significa, aproximadamente, 7 mil reais por habitante. Em contrapartida, “seu vizinho até no nome” Eldorado dos Carajás, com 34 mil habitantes, realizou, no mesmo ano, uma receita per capita em torno de apenas 1,9 mil reais, ou seja, quase quatro vezes menor. O que, ainda que apenas como possibilidade, permitiria que o cidadão de Canaã tivesse quatro vezes mais oportunidades de usufruir de melhores serviços públicos que seu vizinho, cidadão de Eldorado.

SIMÃO JATENE, EX-GOVERNADOR_BELÉM/PA


SEGREGAÇÃO À AMERICANA

Para quem teve família perseguida pelo nazismo e educação na história do povo judeu antes mesmo da alfabetização, é sempre tão excitante quanto assustador descobrir novos fatos e análises do Holocausto.

O texto da Isabel Wilkerson (Os nazistas e a aceleração das castas, piauí_175, abril) já é maravilhoso por destrinchar as manobras legais racistas no nazismo e nos Estados Unidos, e desvendar a chocante relação entre os dois. Para nós, brasileiros – além do paralelo com a nossa própria estrutura social racista –, o ensaio ainda oferece comparações involuntárias e gritantes com o bolsonarismo. Especialmente no parágrafo que inicia com “Hitler chegara à chancelaria numa negociação com as elites conservadoras”, passando por “se via como a voz do povo […] um salvador enviado por Deus” e termina com “[os nazistas] acumulavam antigos ressentimentos”. Troque o ditador alemão pelo protótipo brasileiro, e nenhuma outra vírgula precisará ser mexida.

Além do conteúdo, é também em forma um dos melhores textos da piauí de abril. Parabéns e obrigado pela oportunidade de conhecê-lo.

DANIEL THOMER_SÃO PAULO/SP

DINASTIA PERNAMBUCANA

Fiquei impressionado com o número de pessoas que não quiseram se identificar na matéria O herdeiro, da Consuelo Dieguez, na piauí_175, abril. Creio que o ideal é chamar de famiglia Campos, e não família…

LEONARDO ANDRÉ GANDARA_BELO HORIZONTE/MG

PEQUI? ROÍDO?

Gostaria de registrar o ocorrido com este fiel leitor ao deparar-me com a capa da edição de abril desta prestigiosa revista. Pois ela me obrigou a ir ao dicionário para conhecer o significado de “pequi”… Talvez um termo mais conhecido até mesmo no extremo Sul do país, onde resido, seria mais conveniente para uma revista de circulação nacional.

CÉSAR DORNELES_PORTO ALEGRE/RS

NOTA AUTOCONGRULATÓRIA DE KANT: Eu estava certo (geralmente estou). Ler das piauí-Magazin ilustra e civiliza o espírito. Como se não bastasse, ainda expande o vocabulário (confessa, César, que propedêutica te fez voltar ao Houaiss).


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