poesia
André Capilé Ago 2021 12h30
2 min de leitura
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CÃES SEM DONO DA PAISAGEM CIVIL
saltado de seus arcos
rio nenhum suporta
a casa é santa
e lá será semente
até lembrança
se alguém soubesse o fim
ninguém tinha durado
à espera nos buracos
ao vigiar a tranca
do destino
regaria o jardim
pra não secar os companheiros
-hóstia com as velas
de túmulo
à porta da matriz
salta à atenção
: o pipoqueiro igreja os pipocas
nota de parada
que não veem
os que passam
ainda menos
os estacionados
ornamentar as estátuas
salva-se o homem
louco a decorar
aos olhos de quem passa
os papelões da paisagem
contramão do asfalto convulso
dos estômagos
a mazela convoluta
não será o poste a mijar nos cachorros
nenhum alerta indica o guarda-mato
a música de assalto
fede assassina à dança do tambor
indigentes balárias na sé de você
fomos em fuga das coleiras
cães sem dono da paisagem civil
na vitrina, moldura, aos cães diverte.
cão não fui que adulassem a cabeça.
ninguém me encabulava, nem por breque.
mordida vinha a cana – me assobia
– se cobrassem muxoxo, respondia
linhas de soco: o vento é minha casa.
em cada cabeça um sinal.
se todos fossem parecidos no verão –
na caixa d’água uma piscina de dourados.
máquina no cabelo,
em cada cabeça a sentença.
o aviso cabe a quem mais cedo sai de casa:
o filho da faxina, um alvo sem clareza.
máquina no cabelo,
em cada cabeça, quem sabe?
na rua, um arsenal. os espelhos espreitam.
à direita, à esquerda, um comboio inimiga.
máquina no cabelo,
em cada cabeça a balança.
logo chega a cancela. à direita, à esquerda,
os espelhos espreitam. deriva a passagem.
máquina no cabelo,
em cada cabeça ninguém
: a fina linha que separa uns de zeros.