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UM FINO CHISTE E OS DESCAMINHOS DA POLÍTICA ATUAL

Imagem Um fino chiste e os descaminhos da política atual

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EDUARDO LEITE

Se a briga sobre quem é o Joe Biden brasileiro ainda vai longe, o que a sempre astuta Consuelo Dieguez parece ter nos revelado com Estou no páreo (piauí_178, julho) é que, sem dúvida, já temos um garboso Pete Buttigieg para chamar de nosso. Será que o canto “liberal progressista” do governador gaúcho seduzirá mais que o caucus de Pelotas?

DIEGO VINÍCIUS VIEIRA_PATROCÍNIO/MG

AUTOCRACIAS

Estava a ler o artigo No pior clube (piauí_178, julho) quando me surpreendi com uma menção – na antepenúltima linha da segunda coluna da página 33 – à “qualidade do debate púbico”. Gostaria de agradecer o momento quinta série proporcionado por esta publicação.

VINÍCIUS COELHO SPANGHERO_DESCALVADO/SP

NOTA VAI QUE COLA DA REDAÇÃO: Veja só, Vinícius: não é erro, é metáfora. Ao recorrer ao fino chiste, o autor faz um sutil comentário sobre os descaminhos da política atual, esse modo obsceno e degradante como certos líderes autoritários andam pervertendo a democracia.

JUNHO & JULHO

Tenho especial admiração pelas matérias publicadas na piauí. Algumas me surpreendem pela ironia ou pelo humor, outras pela profundidade e outras ainda me tocam, como a matéria Crítica com alma (piauí_177, junho), sobre Alfredo Bosi, que também foi meu (maravilhoso) professor. Todavia, na edição seguinte, a carta de Elza Soares à mãe de Kathlen Romeu foi um soco no estômago (Estaremos juntas nessa guerra, piauí_178, julho). Como ler essa carta sem chorar, sem lastimar a situação vivida pelos negros em nosso país? Ela diz que em setenta anos (minha idade) nada mudou. Na verdade, em quase quinhentos anos nada mudou… e até quando vamos compactuar com isso? Até quando vamos suportar ver nossos irmãos serem aniquilados assim? Crianças, adolescentes, jovens grávidas, as balas não escolhem, apenas matam. Um misto de revolta e de vergonha se apoderou de mim. “Estaremos juntas nessa guerra”, afirma Elza a Jacklline… E nós? Quando vamos nos juntar a elas?

MARIA SILVIA GONÇALVES_SÃO PAULO/SP

Como leitor e assinante da revista, eu gostaria de enviar meus elogios à matéria Crítica com alma. Não pude deixar de notar que onde se informa que “Virgílio fica tão comovido que caiu como corpo morto cai. Ele desmaiou de piedade”. Não é Virgílio que desmaia, e sim o próprio Dante, que está narrando a história.

SILVIO ROBERTO SANTOS_CANINDÉ/CE

Algumas edições da piauí deveriam ser impressas em capa dura. A piauí_178, julho, é uma delas. Está um primor.

No ensaio escrito por Renato Lessa, A destruição, fica clara a diferença entre culto e erudito.

MILTON GURGEL FILHO_SÃO PAULO/SP

Renato Lessa, seu artigo eloquente sobre a destruição não foi o mais complicado da edição de julho da piauí. O texto de Elza Soares para a mãe de Kathlen Romeu foi o mais árduo de chegar ao ponto derradeiro. Lágrimas turvaram minha visão a cada nova palavra que se apresentava na carta, o fôlego esvaía-se, e meu coração ficava mais apertado que os punhos cerrados dos Panteras Negras. Obrigado, Elza.

CHRISTIAN GONÇALVES_PAULISTA/PE

São realmente importantes as matérias de julho do professor Renato Lessa com sua aula sobre destruição e a de João Gabriel de Lima (No pior clube) lembrando que existe o Instituto V-Dem.

Se seguirmos o professor Roberto Dahl, a democracia é um ideal a ser perseguido e devemos urgentemente organizar um Instituto P-Dem, pró-democracia, para criar e manter os sensores sempre ligados, medindo e divulgando a qualidade democrática e apontando os acontecimentos na “fenomenologia da destruição”. Pode ser uma seção permanente dentro da piauí, com adesão e apoio de blogs diversos.

DARLEY HERCULANO_NITERÓI/RJ

É PRA JÁ

Gostei muito do texto Quando será o golpe? (piauí_178, julho), de André Petry. Concordo e temo exatamente essa falha das demais instituições, na qual está nítido o avanço antidemocrático. Mais um exemplo: em uma manobra, o ministro Luiz Fux adiou mais uma vez a votação do marco temporal das terras indígenas, ficando para depois do recesso no Judiciário, e assim com a presença de um novo ministro indicado por Bolsonaro. Ora, não deveria ser tão difícil para uma Corte julgar algo que é claramente inconstitucional.

Mas envio este e-mail com a audácia de querer debater mais dois pontos. Duas variáveis que talvez, olhando de forma otimista, possam balançar a equação: o escândalo de corrupção no governo e o envolvimento dos filhos do presidente.

Bolsonaro não sairia por si, mas, se houver algum acordo que proteja os filhos com a sua saída, talvez ela seja viável.

De resto, concordo plenamente: É possível ver o restante da América Latina, o Peru com Keiko querendo dar passos semelhantes aos de Bolsonaro. Porém, lá, ao contrário daqui, as Forças Armadas respeitaram o regimento e sua Constituição. Já do lado Atlântico da América do Sul, não tenho tais expectativas.

JADE ABREU_BRASÍLIA/DF

Duas coisas aconteceram neste mês.

A primeira é que uma grande amiga (também leitora da revista) está de passagem pelo Rio de Janeiro e me prometeu algumas edições antigas da banca que vocês disponibilizam nas terras cariocas. Encomendei a ela algumas edições que perpassam os anos de 2013 a 2015, usando como critério meu entusiasmo em ler os textos de Jonathan Franzen, Fernanda Torres, Bernardo Carvalho, Michel Laub, o perfil de Laerte por Fernando de Barros e Silva, a vida dos brasileiros em Miami por Daniela Pinheiro e os trâmites da Comissão da Verdade por Julia Duailibi, dentre outras joias que as edições abordam.

A segunda coisa que aconteceu em julho foi que iniciei a leitura da piauí do mês no momento seguinte a ter selecionado as edições antigas com os tais textos. Na piauí_178, portanto, me deparei com: ameaça de golpe de Bolsonaro logo na Chegada (Quando será o golpe?), a estética do abismo civilizatório do país no texto seguinte (A destruição) e, para fechar a empolgante sequência, deterioração democrática no Brasil (No pior clube), que, ao que parece, está no caminho para se tornar uma Polônia, uma Hungria ou uma Índia (em termos de liberdade política).

Peço, com todo carinho e cordialidade de um leitor que possui toc e é incapaz de pular matérias e deixar outras para depois, que se misturem os temas ao longo da revista (Esquinas são curtas e o perfil do Eduardo Leite, em que pese excelente, não destoa do tema) ou, talvez, que sejam abordados textos mais diversificados entre si. É claro que a ruptura civilizatória é uma realidade em andamento no país, mas seria bom um refresco entre uma matéria e outra – alguns já estão por chegar do Rio de Janeiro.

LEONARDO CADIÑANOS_PORTO ALEGRE/RS

NOTA REFRESCANTE DA REDAÇÃO: Mas nós tentamos, Leonardo, nós tentamos. A edição trazia um alentado relato sobre baratas e uma reportagem sobre lixo espacial. Refresco escapista dos bons. Alguém sempre dirá que, no primeiro caso, tratava-se da descrição de uma fobia e, no segundo, do risco de levarmos um pedaço de estação espacial na cabeça. Ao que respondemos: à luz do que nos chega de Brasília, baratas e concussão cerebral são quase tão empolgantes quanto o sorriso da Rayssa Leal.

FICA A DICA

Recebo a newsletter da piauí já faz um tempo, e notei que os textos são longos, mas muito longos.

Talvez, sugiro eu, vocês devessem diminuir o tamanho e abordar mais assuntos. A piauí é de altíssima credibilidade, mas o mundo de hoje está mais dinâmico.

DÉCIO DANTAS_SANTOS/SP

NOTA DINÂMICA DA REDAÇÃO: O.k.

RINOCERONTE

Sou assinante há três meses da revista e já me arrependi de não ter assinado antes a piauí.

Como grande admirador de Belchior, gosto de interpretar suas letras, cheias de intertextualidades e referências. Uma música sua pouco conhecida, chamada Bahiuno, de um álbum com o mesmo nome, tem os seguintes versos, que fecham a canção: Trogloditas, traficantes, neonazistas,/farsante, barbárie, devastação/O rinoceronte é mais decente/do que essa gente demente/do Ocidente tão cristão.

Confesso que nunca tinha entendido a referência ao rinoceronte e quem conhece a obra de Belchior sabe que o cearense não tem versos nem palavras inúteis. Até que Fernando de Barros e Silva nos brindou com o artigo Eichmann e os rinocerontes (piauí_177, junho), e os versos, enfim, fizeram sentido para mim: a referência era à peça O Rinoceronte, de Eugène Ionesco. Belchior aponta a injustiça com o pobre do rinoceronte.

A obra de Belchior continua atualíssima. Trogloditas, farsantes, barbárie e devastação são o dia a dia do país. Ouçamos Belchior e leiamos a piauí.

IGOR VOLPATO BEDONE_SÃO MIGUEL ARCANJO/SP

NOTA EDUCATIVA DA REDAÇÃO: Vale em qualquer ordem, Igor. Leiamos Belchior (a poesia das letras), ouçamos a piauí (nossos podcasts).

QUE TAL?

Lembrei-me do texto de Fernando de Barros e Silva falando do risco de estarmos numa nova epidemia de rinocerontes ao ler uma matéria sobre uma família que havia feito uma representação criminal contra o presidente da República ao Ministério Público Federal. Embora tenha aparecido em blogs jornalísticos, é improvável que isso chegue a algum lugar: o procurador-geral da República é o único que pode denunciar criminalmente o presidente, e o STF é o único que pode processá-lo – exceto em crimes de responsabilidade, cuja competência cabe ao Congresso. Esse foro especial serve para evitar que o presidente tenha de responder a uma ação de qualquer pessoa no país, em qualquer lugar. Se não fosse assim, talvez ele estivesse passando por um calvário ainda maior que o do escritor J. P. Cuenca (Nada é mais antigo que o passado recente, piauí_172, janeiro), que teve de responder a processos em todo o país por uma paráfrase irônica postada no Twitter.

Aliás, não existe foro privilegiado para ações civis. Imagine se cada pessoa que se sentiu ofendida (ou deprimida, ou enganada) em razão de alguma declaração específica do chefe da nação (que, como alguns de seus apoiadores já disseram, representam opiniões pessoais dele, não do governo – ainda que possam influenciar milhões de pessoas) resolvesse processá-lo individualmente por danos morais?

RAMIRO PERES_PORTO ALEGRE/RS

BERLIM, O GATO

Me chamo Vinícius e sou assinante há anos. Na última edição, li sobre uma nova propriedade profilática da revista. Gostaria de indicar mais uma. Adotei um gatinho de nome Berlim, e o bichano, apesar de fofo e carinhoso, é um enfant terrible. O pequeno é a personificação do gato arteiro e safado. Apesar de meus esforços, nada do que faço consegue parar suas travessuras. Dias atrás, lendo a piauí, já louco de raiva, torci a revista e dei uma pancada no chão com ela. Desde então, quando não quero que ele destrua algo, é só pegar a minha piauí e olhá-lo firmemente que a ameaça para. Agradeço por mais essa graça alcançada. Meu sofá tem um especial carinho por você.

VINÍCIUS M. RANGEL DE SÁ_SÃO PAULO/SP

NOTA MILICIANA DA REDAÇÃO: Oportunistas que somos, decidimos surfar a atual onda armamentista. Caro leitor, qual o sentido de comprar uma ar-15, caixas e caixas de munição de uso exclusivo das Forças Armadas, pistolas Glock e demais fetiches mercadejados pelo atual governo, se uma piauí enroladinha dá conta do recado?

APETITOSA

Sou assinante da piauí há um bom tempo e pensei várias vezes em escrever uma carta elogiando os textos da série Arrabalde (piauí_170, novembro a piauí_175, abril), cujo conteúdo será devidamente utilizado nas minhas aulas de geografia no ensino público do estado de São Paulo. Contudo, foi o texto O paladar dos tiranos (piauí_176, maio) que me fez finalmente escrever uma elogiosa carta, pois como não ficar positivamente intrigado ao ler sobre a pasta noturna e a vaca de ouro de Fidel ou o lado culinário bonachão de Saddam Hussein? Já imagino uma edição futura da revista discorrendo sobre o kitsch pão com leite condensado da familícia.

BRYAN MARQUES MORAES_SUMARÉ/SP

Tem vezes que Marcos Nogueira produz uma guloseima digna das iguarias presentes nos banquetes nababescos do staff (sem itálico) da piauí (O paladar dos tiranos, piauí_176, maio). Dessa vez, expeliu um flato monumental. Rei dos sabichões, deu-se ao luxo de furtar-se a relaxar e gozar. Abundam a notória e flagrante advocacia em causa própria e a boa e velha degringolada épica da utopia, mas o grosso da tropa é uma mera entrevista a um entrevistador de peso. Há uma obsessão insondável por ênclises, que num esquema mirabolante mata ou manda matar qualquer recomendação por próclises. O molho Tabasco ou molho de [pimenta] tabasco vira molho tabasco (este, misteriosamente em itálico). Noutro desmando pau a pau com o grupo dos figurões da falta de coesão, fica a dúvida se não comiam apenas ratos ou apenas não comiam ratos. Pena, seu texto não passa de um caloroso entusiasmo pelo furibundo dicionário de sinônimos e pelas quase bonachonas chamadas da Sessão da Tarde.

IURI BAPTISTA_CAMPINAS/SP

GUIGNARD

Sobre o artigo O tombamento de Guignard (piauí_177, junho), o que posso dizer é que Guignard seguiu esse roteiro de vida desde a década de 1930, onde vivia de favor no Hotel Repouso (hoje Hotel Donati), localizado no Parque Nacional do Itatiaia, e ali deixou suas melhores pinturas em guardanapos, portas e quadros. Guignard viveu nessa época convivendo com Vinicius de Moraes, que também se hospedava no mesmo hotel. Até hoje, quando se encontra algum quadro do pintor nas exposições é sobre a paisagem da região das Agulhas Negras. Guignard deve ter deixado centenas desses quadros por lá. Isso foi antes de Juscelino levá-lo para a Pampulha.

LÉO NASCIMENTO_PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA/RJ

MALABARISTA

O artigo O sujeito oculto, (piauí_176, maio) nos revela a liquidez dos tempos modernos, onde se sobressaem o valor das artes e da cultura, embasados em breves likes nas redes sociais e no jogo de marketing para internautas cada vez mais interessados e ansiosos pelo “novo”, mesmo que seja vulgar!

ERIVAN SANTANA_TEIXEIRA DE FREITAS/BA

AVE, CÉSAR

Pode soar como uma provocação, mas gostaria de ver César Benjamin analisar o governo Bolsonaro como o fez cirurgicamente sobre o governo Dilma em É pau, é pedra, é o fim de um caminho (piauí_103, abril de 2015). É possível?

PAULO MOREIRA_PORTO VELHO/RO


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