cartas
Ago 2021 18h56
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MEC
O repórter Luigi Mazza dissecou a trajetória do pastor Milton Ribeiro (O apagão, piauí_179, agosto), com doutorado em educação pela USP, tendo sido professor, reitor em exercício e vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e guindado a ministro da Educação por Bolsonaro – que aceitou a sugestão do então ministro da Justiça André Mendonça, indicado pelo presidente para a Suprema Corte por ser “terrivelmente evangélico”, e dependendo da aprovação do Senado.
Triste país no qual a educação, que já vinha mal das pernas nos governos anteriores por gestões deficientes, cobiçada pelos políticos em função dos enormes recursos que podem manipular, foi desgraçadamente entregue no atual mandato a figuras sinistras, que provocaram um retrocesso fatal para o nosso já precário desenvolvimento rumo ao conhecimento. Trata-se de um completo apagão que nos condena ao atraso, assim como está ocorrendo na Cultura, que já foi rebaixada a Secretaria, com a bênção de evangélicos que sonham com um retorno à Idade das Trevas.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
Realmente não tenho palavras para descrever minha indignação e repúdio com o que está acontecendo no MEC e na educação brasileira como um todo. Acredito que até meus cabelos ficaram mais brancos ao término da leitura de O apagão. A pergunta que fica é: Quando os responsáveis por essa tragédia inimaginável serão punidos? E até quando o olavismo e evangélicos mais escrotos do que se poderia imaginar vão continuar destruindo tudo o que foi feito nos últimos anos na área da educação? E quando pensávamos que, na nossa ingenuidade brasileira, nada seria pior do que Vélez Rodriguez e Abraham Weintraub, eis que surge Milton Ribeiro, aquele que destrói quieto o futuro de nossos filhos.
VALÉRIA VIEIRA BORDIN_FLORIANÓPOLIS/SC
No ótimo perfil escrito por Luigi Mazza sobre o ministro da Educação Milton Ribeiro (O apagão), salta aos olhos a visão de um senhor que sofre com o desencantamento do mundo e empunha o cajado da cristandade utilizando-se de uma função pública executiva. É desastroso quando complexas questões educacionais se reduzem a um suposto caráter ideológico, particularizado, o que apareceria à parcela da sociedade como de “fácil solução”.
Nessa manipulação estratégica, a cartilha do ministro seria simples e de caminho suave. Retire-se de crianças, adolescentes e adultos o contato com a esfera pública. Expurgue-se o saber secularizado – dos processos de alfabetização por letramento à teoria da evolução, passando pela história das populações indígenas, a luta antirracista e a desigualdade de gênero. Todo o conhecimento que nos últimos cinco séculos enquadraram a Bíblia no seu respectivo espaço literário, a saber, de ficção mal-ajambrada. Mas como se faz isso? Como reencantar o mundo pelo viés da educação?
De um lado, aposta no ensino domiciliar de pais pregadores porque desta forma se daria continuidade, na esfera pública, àquilo que se faz em lares fundamentalistas – como propunha o pernicioso movimento Escola sem Partido (já vetado pelo STF). De outro, há o plano de militarizar as escolas públicas, num ideal de disciplina férrea para fomentar “corpos e subjetividades dóceis” (lembrando Michel Foucault) que cultuem crenças no lugar da ciência e da história. Milton Ribeiro segue firme na missão reacionária do presidente de atender 1% dos estudantes com uma visão teológica da Terra Prometida e, suprema exclusão, deixar 99% da sociedade brasileira desassistida de políticas públicas do mundo real. Por tudo isso, e um devir terrivelmente laico, fora, Milton Ribeiro, do MEC!
HAROLDO SOUZA DE ARRUDA_SÃO PAULO/SP
O que eu vou dizer não é novidade para ninguém, mas viver, atualmente, está muito difícil. Para nós que vivemos em terras tupiniquins, além da enorme e cruel crise pandêmica, vivemos sob a égide de dom Bolsonaro I e seus quatro príncipes, sempre tão atuantes e vigilantes na defesa de seus princípios, seus interesses e amigos.
Pois bem, a piauí_179, agosto, aumenta em nós essa desagradável sensação. Ao ler a matéria do Luigi Mazza, intitulada O apagão, na qual está demonstrada a inépcia do atual ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, e suas loucas idiossincrasias, verificamos que o Brasil, de forma célere, está enterrando tudo o que conseguiu – e que não foi muito – com a educação. Fico aterrorizado de ver como o fundamentalismo religioso, a falta de conhecimento, a falta de sensibilidade e a incapacidade de ouvir os pensamentos contrários nos levarão a um estágio de mediocridade absoluta.
O que será dessa garotada? Que estímulos terão os professores, sabendo que são monitorados e cerceados em sua livre expressão? Fico assustado com a ideia de que o homeschooling prospere entre os fanáticos seguidores do Mito, levando as crianças a ter uma única forma de pensamento. Isso para não citarmos a falência absoluta dos cofres das universidades federais, que não contam com a menor boa vontade do ministro-pastor e seus acólitos.
Para completar, temos na mesma edição o diário Os sobreviventes, de Rosy Auguste Ducéna (piauí_179, agosto), que enfoca as mazelas do Haiti e de seu povo, para lá de sofrido. As atrocidades, barbaridades, corrupção, gana de poder, ignorância e a indiferença dos demais povos do mundo por esse enclave haitiano são de estarrecer. E isso acontece em pleno século XXI e tudo é observado pela ONU, com olímpica indiferença.
Em resumo, está difícil a gente encarar a vida, com graus variados de otimismo. Isso me lembra o grande escritor português José Saramago, que ao ser inquirido sobre seu notório pessimismo, afirmou que não era pessimista: “O mundo é que é péssimo.”
ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA
Estarrecedora a reportagem O apagão, de Luigi Mazza. A ação dos diferentes grupos que lotearam o nosso sistema educacional está muito bem delineada, com destaque ao Mackenzie. Notei, contudo, uma falha ou omissão: não foi identificada a franquia de escolas católicas à qual pertencem as duas professoras na lista paralela de encarregados pela elaboração das questões do Enem. Se a informação não é importante por não haver qualquer elemento que justifique a inclusão do nome do grupo, como ocorre com todas as outras entidades descritas na reportagem, talvez não fosse relevante levantar a procedência dessas duas professoras, não?
No mais, parabéns pela reportagem.
MARCELO REIS NAKASHIMA_SÃO PAULO/SP
NOTA ESCLARECEDORA DA REDAÇÃO: As duas professoras lecionam no Colégio Shalom, de Blumenau (SC). Não é um colégio católico, mas sim um colégio evangélico, de educação cristã, ligado à Primeira Igreja Batista de Blumenau.
ARARAQUARA
Muito além do lockdown vai a reportagem de Camille Lichotti (O lockdown, piauí_179, agosto). É um extenso manual de como lidar com a pandemia no âmbito municipal, em tempos obscuros, sem apoio do governo federal, até chegar nessa medida extrema. Agora que João Doria enterrou a base científica para a reabertura total das atividades em São Paulo, ecoam saudosistas as palavras do prefeito Edinho Silva de ouvir a ciência para a tomada das decisões sanitárias e econômicas. A vizinha Rio Claro também não se saiu tão mal na pandemia porque a prefeitura ouviu a Unesp, igualmente presente naquele município. A universidade pública cumpre seu papel, portanto, quando deixam. Por outro lado, a Covid-19, com variantes mais agressivas do vírus, continua a correr solta, e parece que Doria se restringiu a estabelecer uma fase “rosa-choque” no Plano São Paulo para manter a coloração sem o alarme. A carreira política do petista Edinho Silva sumarizada na matéria é sinal de que é possível o império da lógica na escolha de governantes, algo extremamente necessário para as eleições vindouras.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
Eu esperava mais da reportagem de Camille Lichotti sobre o lockdown, em Araraquara.
O tom me lembrou mais uma propaganda – “informe publicitário” – do que as reportagens que, no passado, me levaram a assinar a piauí.
Uma rápida pesquisa, no site do Globo, me mostra que os números de Araraquara são pouco menos positivos do que os números da vizinha São Carlos, cuja população é um pouco maior (255 mil, em São Carlos; 239 mil, em Araraquara).
Em Araraquara, o índice de letalidade da Covid-19 ficou em 2,02%, melhor que a média nacional, 2,41%, mas pior do que São Carlos, com 1,94%.
Em São Carlos, a contaminação é de 201,58 habitantes a cada 100 mil; em Araraquara, 209,37 a cada 100 mil.
Se São Carlos, a 45 km de Araraquara, tem números mais positivos do que Araraquara, qual a relevância do lockdown? Ou será que em São Carlos houve um lockdown tão radical quanto o de Araraquara, e nem ficamos sabendo?
A reportagem, superficial, não passa nem perto de questões básicas. Como todo bom reclame publicitário, se resume a enaltecer um ou outro aspecto, com muito pouco senso crítico. Uma pena.
CARLOS VICTOR MUZZI FILHO_BELO HORIZONTE/MG
RESPOSTA DIDÁTICA, EXTENSA E EXAUSTIVA DA REDAÇÃO: Araraquara fechou 2020 com indicadores piores que os de São Carlos. Essa diferença precede o lockdown e se deve a um conjunto de fatores: nível de interação social da população, quantidade de ocupações irregulares, número de moradores por habitação, renda, nível de escolaridade etc. Não é boa prática epidemiológica comparar cidades de perfis diferentes usando apenas índices relativos por número de habitantes (ah, ciência, ciência… ninguém disse que você é simples). Se não, vejamos: ao contrário de Araraquara, São Carlos é uma das cidades mais ricas do Brasil e quase não possui bolsões de pobreza. Consequentemente, o índice de isolamento social espontâneo foi maior em São Carlos. A reportagem fala da dificuldade em impor o isolamento em Araraquara e demonstra que o lockdown, se feito de maneira correta, derruba a transmissão da doença em cenários de descontrole.
EDUARDO LEITE
Fiquei muito orgulhoso da revista ao me deparar com o perfil de Eduardo Leite, Estou no páreo, publicado na piauí_178, julho.
Na grande crise econômica pela qual o Brasil está passando, uma propaganda de oito páginas sobre Leite e suas reformas “necessárias” deve ter caído bem no bolso da revista… sei que o PSDB gaúcho deve ter desembolsado uma grana boa pelo espaço.
Lendo sobre o início da interessantíssima vida política de Leite, sorri ao descobrir como ele, na infância, sabia de cor os jingles, não só de FHC, mas de todos os partidos, e como ele trocava as brincadeiras de rua pelos programas eleitorais (I L-O-V-E how he was born to be a politician; like, politics are in his DNA; he’s so quirky and adorable!).
Fiquei emocionado ao descobrir sobre os valores democráticos que estão presentes no cotidiano de Leite, como a matéria constantemente recorda. Diálogo é fundamental na política, afinal! Ele é um homem de firmeza democrática, que disse não ao criminoso e cachaceiro Luiz Inácio Lula da Silva, mandante por trás do ignorante e ignóbil Fernando Haddad, maconheiro professor de universidade. Entre um mandante de um condenado e a novidade que era Jair Bolsonaro, fiquemos com a novidade! Não sabíamos o que seria uma gestão verdadeiramente liberal no Estado brasileiro, e Bolsonaro nunca havia ocupado nenhum cargo público para comparar, né?
As críticas a ele são injustas. A esquerda sempre com a velha ladainha da luta de classes… “Ele quer vender todo o patrimônio do Estado”; “A política dele é destruidora, repressiva e neoliberal”; “Ele não fez nada de diferente que um tucano qualquer”… minimizam o que ele faz!!! Acredito que seja pura inveja de um homem bonitão como Leite, que, com certeza, faz o maior sucesso no Grindr (eu sou um homem gay, então essa piada não foi homofóbica, mas sim uma crítica ao padrão de beleza no meio gay, principalmente em apps como Grindr). Branco, rico, homem, bonito… quem não se apaixonaria por esse homem digno de herói de novela?!
Além de tudo isso, ele é coerente, porque a política dele, como um espelho, é voltada para os homens brancos e ricos.
Aprender sobre pequenas curiosidades da vida dele só fez com que eu me apaixonasse ainda mais por ele!
Agradeço imensamente pela oportunidade de ter lido essa matéria. Da próxima vez, vou pedir um desconto no preço da revista. Talvez uns 10% off, visto que foi o tanto de espaço dedicado na revista à propaganda.
DAVI PERIDES ROIZMAN_SÃO PAULO/SP
NOTA PECUNIÁRIA DA REDAÇÃO (PRIMEIRA PARTE): Os tempos estão bicudos. A gente gostaria de ser mais íntegro, mas não temos como recusar o ouro tucano… (ver adiante).
DESAFORO
Sempre comprava a piauí, mas tem uns dois anos que não a encontrava na mesma banca. Ontem comprei. Pasmem, pois a achava uma revista imparcial, entretanto vi que mudou bastante. Hoje é uma revista enviesada. Certamente está sendo financiada por um grupo comunista.
Este foi o último exemplar que comprei. Vou destruir este exemplar e os demais que tenho. O conteúdo de vocês era de excelente qualidade. Agora, 90% da reportagem só fala do atual governo.
RAMILSON VASCONCELOS_SÃO PAULO/SP
NOTA PECUNIÁRIA DA REDAÇÃO (SEGUNDA PARTE):… nem tampouco o ouro de Havana, Caracas e Pyongyang!
LEITURA
Sou interno do Sistema Penitenciário Federal, leitor assíduo da revista piauí desde 2014; para mim, a melhor revista em circulação do Brasil. A cada edição fico mais encantado com as matérias e a riqueza de informação.
Não tenho ideologia política e nem sou adepto de nenhum partido político, sou apenas mais um brasileiro invisível que torce para a melhora dos menos favorecidos.
A matéria da piauí_176, maio, “Batalhadores do Brasil…”, me motivou a escrever esta carta. O texto trouxe uma ótica completamente diferente de tudo o que eu já li sobre o tema. Com clareza e profundidade, o senhor Miguel Lago me tirou da escuridão e me trouxe para a luz, me fazendo entender o que aconteceu no passado, o que está acontecendo agora e o que pode acontecer no futuro, na esfera política.
Mas eu acho que só haverá igualdade diante da cidadania brasileira quando os nossos governantes em geral derem o exemplo de usarem eles próprios os serviços públicos que estão administrando (saúde, educação). O que adianta eles administrarem hospitais, se eles mesmos não usam? Quando precisam de tratamento, correm para as instituições hospitalares privadas (que sabemos quais são). Se o serviço público não é bom para eles, não é bom para o povo!
Somente quando nossos governantes forem obrigados a utilizar o serviço público haverá igualdade de cidadania.
Quero parabenizar também a série Arrabalde (piauí_170, novembro a piauí_175, abril), uma preciosidade sobre a Amazônia – que floresta linda que possuímos, eu mesmo nunca tinha lido nada a fundo sobre a Amazônia, e hoje passei a ter um pouco de conhecimento através da série. Obrigado, senhor João Moreira Salles, por me mostrar a beleza do nosso país.
ROBERTO SORIANO_SÃO SEBASTIÃO/DF
Por questões de clareza e espaço, a piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Solicitamos que as cartas informem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação: