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UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA, QUE AÍ TEM COISA

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JOVEM PAN

O presidente Bolsonaro é atacado “38h” por dia pela maioria da mídia. Ou não? A própria manchete dos senhores chamando de “golpe” o apoio ao presidente (A Jovem Pan e o golpe, piauí_190, agosto). Vejo um articulista da Folha desejando a morte de Bolsonaro. Os senhores criticaram? A impressão do voto, como melhoria e segurança das urnas, os senhores defenderam?

Qual foi o ato assinado pelo presidente que o STF cancelou como “risco à democracia”? O STF prendeu colegas de profissão dos senhores. Não vi defesa.

Chamam Bolsonaro de “genocida”, os senhores explicaram o significado dessa palavra, e os que a usaram, os senhores criticaram?

A militância da mídia tem nos senhores outro braço contra o atual presidente. A Jovem Pan apenas rebate injúrias, calúnias e critica o presidente quando se faz necessário. Usar de estatística é ser tendencioso, ou o jornalismo mudou?

Lamentável.

JOÃO ANDRADE_via e-mail

Realmente, a piauí faz a diferença na imprensa atual. O artigo sobre a Jovem Pan foi muito esclarecedor e demonstra um grande trabalho de pesquisa da jornalista Ana Clara Costa. A JP era uma rádio inovadora e até onde eu sei era a preferida da juventude esclarecida. Essa mesma que fez o sucesso do antigo programa Pânico. O Pânico atual perdeu aquelas entrevistas variadas e agora é um desfile de falsos influenciadores, que o torna impossível de ser assistido. Muito se falou dos programas como Os Pingos nos Is, queridinho dos bozominions, mas nada se falou sobre a audiência da parte musical, que apesar da medievalização dos seus programas jornalísticos, continua tocando hits atuais e as músicas das novelas da Rede Globo. Gostaria de ter visto uma análise sobre isso, que embora pareça contraditório, prova que o Tutinha quer mesmo é aproveitar o nicho bolsonarista nos noticiários e ganhar muito dinheiro. Já não ouço a rádio JP com a mesma frequência e torço mesmo para que sobreviva após a mudança de governo, para poder continuar a curtir música variada e algum conteúdo em seus programas mais jornalísticos.

EDUARDO PEREIRA_CAMPINAS/SP

QUESTÕES VULTOSAS

A leitura do artigo do cientista político Sergio Fausto, o primeiro de uma série analítica sobre as eleições de 2022, sob o título O desafio democrático (piauí_191, agosto), assusta pelas conclusões de que estamos correndo um enorme risco pela extraordinária expansão da extrema direita no país, algo inimaginável há pouco tempo, pois a própria direita sempre se comportou de forma envergonhada, camuflando–se como centro democrático. A queda da ditadura militar foi a grande responsável por tal comportamento, pois o retorno da democracia e dos militares às suas funções constitucionais, assim como os desastres dos governos Sarney e Collor, deixaram a direita tradicional numa situação desconfortável, longe do poder, uma vez que a social-democracia passou a reinar nos anos seguintes.

A inesperada vitória de Trump nos Estados Unidos provocou o terremoto ao adotar uma política radical antissistema, num questionamento contra as instituições, levantando a bandeira de um nacionalismo anacrônico, e conseguiu dominar totalmente o Partido Republicano, dividindo a sociedade americana, atualmente governada pelos Democratas. No entanto, Trump continua vivo como nunca e os democratas correm enorme risco de perder o domínio da Câmara e do Senado.

Bolsonaro segue os passos do norte-americano em todos os detalhes, principalmente no questionamento das urnas eletrônicas, e também diz que não aceitará resultado adverso na futura eleição.

Tudo isso me faz lembrar a situação da Alemanha quando Hitler tomou o poder. As duas forças políticas dominantes, sociais-democratas e comunistas, tiveram uma briga mortal que abriu espaço para a extrema direita tomar o poder e implantar o regime nazista. Aqui tivemos a briga entre PT e PSDB, por radicalismo dos petistas, que fizeram péssima gestão na economia no governo Dilma, assim como a série de denúncias de corrupção, e abriram a oportunidade para que um medíocre deputado assumisse o poder.

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

Fiquei bastante intrigado com a sentença de Sergio Fausto no artigo que abre a piauí_191 (O desafio democrático): o diretor executivo da Fundação Fernando Henrique Cardoso diz, logo no início do texto, que “o bolsonarismo não é fascista”, para depois elencar características do bolsonarismo que ele próprio considera como “traços fascistas”.

E não é pouca coisa: o culto à violência como elemento mobilizador, a pulsão quase erótica pela masculinidade bruta, a imposição ideológica que ultrapassa o campo da política institucional e invade todas as esferas da vida social, a distorção do conceito de liberdade, o cerceamento e a corrosão das instituições democráticas e até a sua semiótica ancorada no lema “Deus, Pátria e Família”.

Ora, deixa ver se eu entendi: tem rabo de jacaré, couro de jacaré, patas de jacaré, cabeça de jacaré… mas não é jacaré? Qual o problema de chamar as coisas pelo nome?

Por outro lado, não é o mesmo Sergio Fausto que, lá para o final do artigo, refere-se, sem qualquer receio e passando longe de qualquer precisão ideológica, aos membros do PSB – o PSB da família Campos e, agora, de Geraldo Alckmin – como “socialistas”? (Os socialistas não merecemos ler tal heresia logo de manhã cedo.)

P.S.: Será que para o cientista político o discurso do ex-secretário de Cultura Roberto Alvim, todo ele pautado na cartilha de Joseph Goebbels, tanto na forma quanto no conteúdo, não foi um discurso nazista? Questões vultosas.

CLEBER GORDIANO DOS SANTOS_CAMPINA GRANDE/PB

MATEMÁTICA & SERPENTES

Entendi por retórica a oferta de emprego, uma vez que já são cinco profissionais entre revisores e checadores que atuam na revista. Continuo minhas contribuições sem contrato e, por óbvio, sem auferir proventos… e não faço bico por isso. Nessa toada, deparei-me com a matéria de Rivka Galchen sobre o matemático Alexander Grothendieck (O gênio desaparecido, piauí_191, agosto), traduzida da publicação The New Yorker – de quem esta piauí é confessa seguidora –, que em muito se assemelha, na forma e no conteúdo, à longínqua Despedida que João Moreira Salles escreveu (A voz das coisas, piauí_99, dezembro de 2014). Caberia uma referenciação, uma vez que as buscas em arquivos são facilitadas pelas ferramentas digitais, ainda que eu tenha feito a consulta no material impresso, o poético grafite sobre a celulose. Somente por isso também pude ver a capa daquela edição de quase oito anos atrás que estampava a chamada “Alckmin, o longevo” (O paulista Ge-ral-do, de Julia Duailibi), talvez premonitória e um contraponto quase analógico com a tragédia digital habilmente apresentada por Consuelo Dieguez em O ninho da serpente (piauí_191, agosto). O epíteto de “ovo da serpente” é significativo para campineiros acostumados a vê-lo atrelado à epidemia da febre amarela no século XIX e a autor bolsonarento que descreveu assim o episódio. Por força de contatos culturais locais, sou vítima de parte do sistema de comunicação traçado para eleger o ogro que nos desgoverna, estratégia que se mantém na malfadada tentativa de reeleição. O artigo de Consuelo Dieguez foi devidamente colocado na seção Submundos da Política e criou a expectativa para a leitura da obra completa. Quem sabe poderei divulgar o livro naquelas mesmas redes culturais locais, caso não aconteça outra setembrada.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

INTERAÇÃO

Na matéria Ouvindo os povos do Javari, piauí_191, agosto, os indígenas explicam com suas palavras e visão a base da vida que é a interação; nenhum organismo vive isolado. Temos os casos dos animais em confinamento e as monoculturas onde a interação é anulada quimicamente, mas não é a rigor uma vida, são organismos com outra função.

A matéria é profunda e envolvente.

Terminando a leitura e virando a página, dá-se um choque. Um organismo interagindo ou tentando interagir com objetos inanimados é um retrato perfeito da distorção da nossa civilização; nem precisa ler a matéria O advogado ostentação; lendo, fecha–se o entendimento.

DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

AGOSTO

Como sou assinante da piauí há um bom par de anos, atrevo-me a dizer que a edição de agosto (piauí_191) foi uma das mais leves (no bom sentido) e trouxe matérias, como direi, não muito usuais. Sempre gostei dos chamados perfis que são publicados na revista. Retratam o “perfilizado” de uma forma bem diferente, recheada de humor e sempre mantendo um olhar crítico (para o bem ou para o mal), sem agressões e julgamentos.

Desta vez tivemos O advogado ostentação, feito pela Thais Bilenky, que buscou nos trazer a vida e os conceitos do Nelson Wilians. Confesso que, no primeiro momento, não me lembrava dele. Só o reconheci quando a Thais mencionou que ele é o advogado que cuida dos interesses da ex-mulher do Gugu Liberato, Rose Miriam di Matteo. A vida do cara parece ser roteirizada e poderia, muito bem, dar uma ótima série nos melhores canais do ramo.

Existe sem dúvida uma realidade no nosso país que nós, simples mortais, não temos nenhum conhecimento e nem possuímos chance de, em algum momento, termos quaisquer contatos, por mais tênues que sejam. O luxo, o poder, a forma de lidar com os poderosos de plantão, saber decifrar o caminho das pedras, a troca de favores e firmeza com que expôs seus pontos de vista e sua maneira de agir, foram habilmente focados pela Thais Bilenky, que fez uma matéria extremamente saborosa e prazerosa de se ler. Muito bom.

Em seguida, a piauí nos brindou com uma série de depoimentos que integram o projeto Querino (Parte I – A dependência; Quarto de esquecer). Ali, temos contato e conhecimento com um tema que faz parte do cotidiano de inúmeras famílias tupiniquins, que sempre fecharam os olhos para o drama daqueles que nos servem e que, em muitos lares, eram “tratadas como membros da família”. E o que espanta é que os patrões d’antanho e, acredito eu, os de agora, agem de forma preconceituosa, hipócrita e falsamente caridosa com a maioria de seus empregados. As colocações feitas pelas empregadas, habilmente transcritas pelo repórter, nos dão uma pálida ideia do sofrimento que lhes é imposto.

Por fim, a matéria que mostra a vida e as múltiplas atividades de Ademar Lucas, o Luquinhas XV, de autoria de Damian Platt (Em busca da melhoria), nos fornece uma boa dose de otimismo em relação ao que pode pintar por aí. O Luquinhas, que nasceu e cresceu em uma comunidade, nos dá uma aula de como a capacidade de se reinventar, a fome de ajudar os outros, o chamado empreendedorismo que faz parte de seu caráter e as soluções baratas e criativas que saem da sua cabeça nos dão uma boa dose de alento, neste momento sombrio em que vivemos, batizado por mim de República MEM, Milico-
Evangélico-Miliciana.

Assim sendo, não era possível não registrar nesta seção o prazer te ter lido coisas tão distintas e que nos proporcionam ampliar nosso leque de informações.

ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

NOTA ALVISSAREIRA DA REDAÇÃO: Ô, Antonio Carlos! Por que não fazem por aí mais uns 15 ou 20 mil leitores como você? Custa alguma coisa, Bahia?

TSE

“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” Essa célebre frase atribuída a Joseph Goebbels, o ministro da propaganda na Alemanha nazista, permite refletir sobre como o desgoverno bolsonarista conseguiu, para uma dúzia barulhenta, provocar ruídos acerca de confiabilidade das urnas eletrônicas, e notadamente, do sistema eleitoral brasileiro, e reclamar uma ação rápida do TSE, no sentido de desmistificar aquilo que sequer deveria sê-lo (Trincando os dentes, piauí_190, julho).

Muito longe de serem “um arroubo de retórica”, como a nobre subprocuradora-geral da República tratou de chamar certa feita, num parecer ministerial à Suprema Corte, as tentativas do presidente da República de rachar a democracia e as instituições são extremamente graves, e deveriam ter a “sorte” de encontrar um procurador-geral que, em vez de engavetar deliberadamente, poderia entender que a liberdade de atacar/acusar inadvertidamente e sem qualquer lastro probatório mínimo não pode achar amparo nas raias democráticas, justamente pelo impacto destrutivo dos seus ecos.

LEONARDO CALDAS P. DE SOUZA_SALVADOR/BA 

NOTA COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA DA REDAÇÃO:  Leonardo, Leonardo… A sua carta é a segunda que fala de Goebbels. Uma outra fala de Hitler. Tem alguma coisa aí!

JÁ VAI PASSAR

Foi uma chanchada brasileira com estética de reality show norte-americano, roteiro de filme de terror, ambientada num contexto histórico do século XVIII, com figurinos cafonas, e protagonizada por um elenco repleto de gente feia, desqualificada, sociopata, grunhindo diálogos incompreensíveis, após ser ungida por lideranças religiosas armadas.

Quem sabe a revista piauí não lança uma campanha para seus leitores expressarem em poucas palavras: O que foi o governo Bolsonaro para você?

DANIELA CESTAROLLO_BRASÍLIA/DF

NOTA JÁ SEM PULGA ATRÁS DA ORELHA DA REDAÇÃO: A Daniela descobriu!

Por questões de clareza e espaço, a piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Solicitamos que as cartas informem o nome e o endereço completo do remetente.

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