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A TEIA DO GOLPE E A FRAUDE TITÂNICA EM QUESTÃO

Imagem A teia do golpe e a fraude titânica em questão

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QUEBRA DE REPUTAÇÕES

Sou assinante da piauí há bastante tempo e é comum detectar matérias que me trazem ótimos ensinamentos/questionamentos sobre as dezenas de coisas que ocorrem neste país tropical. A piauí_201, junho, nos traz dois artigos que miram no mesmo alvo: a quebra de reputações.

Iniciamos este desmonte, podemos chamar assim, com a matéria da Ana Clara Costa, A teia do golpe, na qual é evidenciada a participação/ação/elaboração/omissão das Forças Armadas, no que tange aos atos golpistas de 8 de janeiro deste ano. Nunca tive ligação com militares, mas sempre achei que as Forças Armadas tinham um papel a cumprir e uma imagem a zelar.

Esses militares, alguns de altas patentes, cooptados pelo seu líder messiânico Jair Messias Bolsonaro, não tiveram o menor pundonor em atuar de forma funesta na consecução de seus objetivos, isto é, a permanência no poder do presidente capitão, com toda a sua gama de destempero e desgoverno. Não pensaram, uma única vez, em como poderiam enxovalhar a imagem e a história da Força que representam e dirigem. As Forças Armadas, que buscam melhorar sua imagem, depois de anos sombrios no poder, foram usadas de maneira lamentável por seus comandantes.

Ana Clara fez um trabalho minucioso, mostrando do que nos livramos. Imaginem o que seria deste país em um segundo governo bolsonarista, uma ditadura legalizada, recheada de autoritarismo, incompetência, fundamentalismo religioso e destruição ambiental.

Lula é a salvação? Respondo: claro que não. Mas nada seria pior do que a continuidade do governo fascista de Bolsonaro.

Outra matéria “derrubadora” foi a de Consuelo Dieguez, A fraude titânica, na qual são mostradas as operações que deram origem a uma enorme fraude nas vetustas Lojas Americanas. Cai por terra a imagem de super-heróis do capitalismo brasileiro da trinca incensada e admirada por todos: Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles. Eram vistos como os tops dos tops. Com seu modelo gerencial próprio, no qual a maximização de lucros é o ponto alto dos negócios, passaram por cima de tudo para conseguir seus objetivos e instauraram um método tóxico nas empresas que possuem. O trio de bilionários “tirou o time de campo”, como se um rombo de 20 bilhões fosse uma barra de chocolate vendida nas gôndolas das Lojas Americanas. Nenhuma palavra, nenhum gesto e nenhum reconhecimento de erros cometidos.

Parabéns às duas repórteres, que com um brilhante trabalho, múltiplas pesquisas e informações, nos forneceram preciosos detalhes para que certas reputações, de maneira inabalável, fossem atingidas, sem dó nem piedade.

ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

JUNHO

Agradeço imensamente o retorno dos diários. A rotina canhota de nosso companheiro Geraldo (Alckmin, guerreiro do povo brasileiro, piauí_201, junho) me possibilitou gostosas risadas. Com tal riqueza de detalhes e uma apuração minuciosa de Ana Clara Costa sobre as tentativas de golpe de Estado e seus personagens, eu me pergunto se precisa mesmo de uma CPI para prender quem deve (A teia do golpe).

Por fim, achei interessante o casamento dos textos de Ana Maria Machado (Sensatez e sensibilidade) e de Elif Batuman (O grande rosto e o nariz), na piauí_201, junho. No fundo, dizem aquilo que não parece tão óbvio: que cancelar russos ou extirpar a linguagem A ou B da literatura só nos torna mais burros. Há o inaceitável e há a violência evidente que devem ser combatidos; o resto é debate, e o debate deve ser aberto, participativo e plural.

LEONARDO CADIÑANOS_PORTO ALEGRE/RS

FICÇÃO MILITAR E REALIDADE LITERÁRIA

É aterrador saber dos meandros do quase golpe. Ou golpes, considerando as articulações mostradas por Ana Clara Costa desde o final do ano passado (A teia do golpe, piauí_201, junho). Os desentendimentos quanto ao dinheiro da Máfia do Pix foram uma das causas do insucesso dos planos, e entendemos por que deu certo em 1964, com direção político-financeira única. No relato, há desde a frustração acadêmica do “inventor” da urna eletrônica até os tresloucados militares, representados por Mauro Cid. A vergonha militar é fato, portanto, diferente do paradoxo da “inteligência militar”. Eles queriam – e continuam querendo – escrever outras versões para a Constituição que corroborem seus fatos, da mesma forma que outros atores querem mutilar obras literárias. A experiência pessoal de Ana Maria Machado (Sensatez e sensibilidade, piauí_201, junho) é definitiva: deixem o lapis littera às pedras e escrevam outras versões de seus livros. Monteiro Lobato fez isso – e querem mudar sua obra. Carlos Heitor Cony também, ao verter clássicos da literatura para uma linguagem mais simples que atraísse os jovens leitores. A justificativa na época era o hermetismo do original, e pude conhecer muitas dessas obras, sem traumas, sabendo que não eram as completas. Agora, pode haver outros argumentos, ou seja, leitores sensíveis e a necessidade do politicamente correto, mas teria que ficar claro que se trata de uma versão, não da obra original. A verdade machuca, por certo, mas também nos faz aprender, quer seja na escrita real, quer na pantomima de fictícios defensores da pátria.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

ABAIXO O EXIBICIONISMO

Antigamente, eu começava a leitura da piauí do fim para o começo: Cartas em primeiro lugar. Mas de uns tempos para cá a seção está muito chata, cheia de supostos eruditos querendo aparecer, com prosopopeias longas e tudo para tentar se mostrar mais interessante do que os próprios textos da revista. Estou cansado desses que ficam deitando falação difícil pra cima de mim. Procuro cada vez mais manter distância deles e, com isso, a tal seção, antes tão saborosa, hoje virou balcão de engravatados, diria mesmo de “sabichões de balcão”. Na última edição, pulei a coisa e caí de boca direto na matéria A teia do golpe (piauí_201, junho) – ótima, por sinal –, sem aguentar a chateação. Voltem a abrir espaço para os sem ostentação.

HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO_BAURU/SP

NOTA ESCANCARADAMENTE ABERTA DA REDAÇÃO: Escrevam, pois, escrevam todos! Henrique está com a razão! Aqui, confortavelmente acomodados na primeiríssima fila de poltronas do vetusto teatro do estado democrático de direito, somos padroeiros indecomponíveis da arguta teoria da isonomia criada na Grécia Antiga, cujos postulados determinam que deixemos que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem?

CAPITALISMO SELVAGEM

Mais uma excelente reportagem da jornalista Consuelo Dieguez, sob o título muito bem bolado, A fraude titânica (piauí_201, junho), um míssil que atinge em cheio a honra do incensado trio do capitalismo caboclo, Beto Sicupira, Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann, cujo fantástico êxito nos negócios os tornou figuras de destaque e os levou a ocupar posições de liderança entre os bilionários brasileiros, conforme divulgação da revista Forbes relativa ao ano de 2022. O mais atingido foi o primeiro deles, Carlos Alberto Sicupira, responsável direto pela nomeação dos gestores das Lojas Americanas que cometeram o maior desfalque apurado no país, falsificando dados de balanço, convertendo prejuízos em lucros, que renderam generosos bônus aos mesmos e dividendos indevidos aos acionistas, logicamente beneficiando o famoso trio.

Não acredito em inocentes nessa história, e o trabalho de Consuelo Dieguez revela, acima de tudo, os métodos brutais utilizados para a obtenção de lucros nessas empresas, praticando um capitalismo selvagem, sem nenhum respeito pela ética, criando um sistema paranoico de falsos valores, desprezando totalmente os humanitários.

DIRCEU LUIZ NATAL­_RIO DE JANEIRO/RJ

BAILÃO

Gostaria de expressar minha insatisfação com a matéria sobre o ballroom indígena do ATL, o Acampamento Terra Livre (Heranças queer, piauí_201, junho). Em dado momento do texto o autor diz que: “Por contradição ou falta de alternativa, os jovens da Casa de Onijá se inspiram justamente nos oponentes de outras irmandades nacionais.”

Como poderia ser uma contradição se inspirar nos nossos modelos nacionais?

Nós, das comunidades LGBTQIAP+, nos esforçamos muito por construir um movimento que, ainda que tenha referências externas (e deve ter já que é de fato um movimento internacional), também mantenha uma cara nacional, regional e étnica específica. Os ballrooms são uma apropriação e não uma cópia do modelo norte-americano. Não há nada de contraditório nisso, pelo contrário, é extremamente potente que possamos ser referência uma para a outra aqui mesmo na nossa própria terra e com a nossa própria cara.

Espero que revejam essa posição.

JULI G. CANDIDO_RIO DE JANEIRO/RJ


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