cartas
Jan 2024 18h10
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FLÁVIO DINO
Ótimo perfil sobre o ministro Flávio Dino (O espalha-brasas, piauí_208, janeiro). Minha admiração por ele só aumentou. O STF só teve a ganhar com a aprovação dessa figura sensacional que é um ser humano correto, inteligente e visionário. Só esqueceram de dizer que o responsável pela “politização” do STF tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro.
VALÉRIA BORDIN_FLORIANÓPOLIS/SC
KISSINGER & BUKELE
O jornalista Roberto Simon faz um resumo competente da trajetória de Henry Kissinger no seu artigo Muy amigo (piauí_208, janeiro). Natural de Fürth, Baviera, na Alemanha, onde nasceu em 1923, de família judia que fugiu do nazismo para os Estados Unidos em 1938, obteve a cidadania americana em 1943 e, após servir ao país na Segunda Guerra Mundial, completou seu doutorado pela Universidade Harvard em 1954, tendo obtido o título de professor. Daí então começou sua escalada política, primeiramente como conselheiro de Relações Exteriores de todos os presidentes desde Eisenhower a Gerald Ford. Assumiu o cargo da Secretaria de Estado de 1973 a 1977, sob as presidências de Richard Nixon e Gerald Ford, além de acumular o cargo como oitavo conselheiro de Segurança Nacional, de 1969 até 1975.
Essa participação ativa na política da grande potência, no auge da Guerra Fria, tornou-o peça fundamental da geopolítica americana naquele período, cometendo equívocos como o envolvimento maior dos Estados Unidos no Vietnã, embora, depois, tenha negociado o cessar-fogo, que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1973. Outro ponto positivo foi ter sido o pioneiro na política de détente com a União Soviética, assim como estabelecer as relações diplomáticas com a República Popular da China. Realmente, a maioria da América Latina, quase totalmente dominada por ditaduras fiéis aos americanos, não era motivo de preocupações, com exceção do Chile, cujo governo de Allende foi defenestrado em 1973 com a evidente participação americana, como também na sangrenta ditadura militar na Argentina.
Em resumo, ele teve um papel importante no desenho do mundo que conhecemos, sendo um protagonista da realpolitik americana e seus crimes de guerra, apesar de, ironicamente, ter sido contemplado com o Nobel da Paz. No cenário atual de total ausência de grandes estadistas com conhecimento da geopolítica, daí as crises sucessivas na ordem internacional, com certeza Kissinger fará falta pela sua enorme experiência na matéria. Lembro a questão ucraniana e sua posição contrária ao ingresso na Otan.
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Gostaria de parabenizar o repórter Allan de Abreu, que mais uma vez nos surpreende com sua excelente reportagem sobre El Salvador, menor país da América Central, com área menor que nosso Sergipe e uma população de pouco mais de 6,5 milhões de habitantes, IDH 0,659 e de escassos recursos naturais (O método Bukele, piauí_208, janeiro). A grande novidade é o governo de Nayib Bukele, que apesar de estabelecer um estado policial com mais de 100 mil detentos, tem total apoio da população, cansada da insegurança causada pelas organizações criminosas que dominavam o país.
Bukele foi prefeito de San Salvador entre 2015 e 2019 e com 38 anos assumiu a presidência em 2019 com a promessa de limpar a área das quadrilhas, as pandillas, assim como acabar com a corrupção. Mesmo tendo um passado suspeito de negociações com algumas gangues, transformou-se num autocrata acumulando todos os poderes, tornando sua nação um enorme campo de concentração.
Para a alegria dos extremistas de direita no mundo, que aplaudem a solução radical por ele traçada, esse é o caminho. Aqui no Brasil, a família Bolsonaro sonha com algo parecido caso retornem ao poder. O que esse pessoal não enxerga são os problemas que advirão para um país que mantém em cativeiro tantos jovens, sem planos para recuperá-los, para integrá-los futuramente na sociedade como cidadãos produtivos. O outro aspecto é que certas falsas soluções podem trazer alívio a uma população sofrida de um país pequeno como El Salvador. O buraco é mais embaixo quando se trata de um país como o nosso, com toda a complexidade econômica própria de uma nação de dimensão continental, com diversos problemas estruturais para ainda serem equacionados.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
CARTAS
Quero parabenizar o editor de cartas pela brilhante seção na edição de janeiro. Foram tão geniais as respostas que nem me atrevi a ler as reportagens. Se essa despretensiosa carta for suficiente para conquistar a cumplicidade do benemérito, competente e dedicado editor, gostaria de lhe pedir o favor de pegar o elevador até a cobertura do edifício piauí e sugerir ao diretor de redação uma reportagem sobre o triunvirato de fiéis missivistas dessa revista, Djalma, Dirceu e Adilson – se é que eles de fato existem fora da redação.
FELIPE BERNARDO_BELO HORIZONTE/MG
NOTA EXULTANTE DA REDAÇÃO: A glória! O reconhecimento! A imortalidade! Finalmente o editor de cartas tem seu esforço reconhecido. Foram 209 edições – quase dezoito anos – aguardando por este dia. Nessas páginas já passaram elogios a toda sorte de repórteres, cartunistas, fotógrafos, poetas, mas nunca – até este sagrado momento – um reles “olá” ao respondedor das missivas. O apagamento não era acaso; era projeto: afinal, em que parte do expediente consta o cargo de “editor de cartas”? Mas hoje, com a sua mensagem, meu caro Felipe Bernardo, o jogo começa a mudar. O gigante acordou! E ele sonha grande, com o dia em que Djalma, Dirceu e Adilson comentarão não uma matéria – e sim uma resposta do editor de cartas!
CONTRADIÇÕES
A mentira tem perna curta, mas dinheiro longo, como vemos pela matéria de Pedro Pannunzio sobre a Kwai (Central da manipulação, piauí_208, janeiro). A manipulação de mensagens e imagens está influenciando o (des)equilíbrio de forças políticas no mundo, o que deixaria Goebbels com invejinha.
Aliás, na edição anterior, após dezoito anos de piauí, achei que a tradição havia sido quebrada e nenhuma referência ao Natal havia sido estampada na capa da piauí_207, dezembro. A primeira impressão assim ficou até constatar que o nordeste do mapa da Argentina corresponde à silhueta do bom velhinho! O típico pompom no chapéu está em Misiones, e a barba do Papai Noel, em Buenos Aires. Aliviado, pois, ainda que faltando ao menos um pontinho vermelho, esperando que não venha nas próximas edições como representação do sangue que o país vizinho passará a pôr para fora, inevitável tragédia que bem conhecemos.
Formado em ciências exatas e acostumado a relatórios com métodos, resultados, tabelas, gráficos e explicação científica correspondente, surpreendi-me com o relato de um exitoso experimento social de alfabetização, elaborado por André Gravatá (“De repente, eu aprendi”, piauí_207, dezembro). Não é por menos que a extrema direita vê o demônio na figura e na obra de Paulo Freire.
Por fim, no que pese a instigante e angustiante reportagem de Juliana Faddul (Ondas migratórias, piauí_207, dezembro) para mostrar que outro deserto de notícias se alevanta, além do já existente em relação à mídia impressa, fiquei incomodado com o mesmo erro de concordância ser repetido ao longo do texto: “… foi uma das clientes que se enganou…” e “… foi uma das que encerrou suas atividades”. E, antes que perguntem novamente, não, não estou disponível, nem tenho formação para atuar como revisor (Cartas, piauí_191, agosto de 2022).
Em tempo: saibam que o espaço para a interlocução com os leitores é muito positivo para a piauí, ainda que críticas daí venham. Podem publicá-las e respondê-las ou refutá-las.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
NOTA DE NARIZ ARREBITADO DA REDAÇÃO: Um tanto ofendido pela menção ao “erro de concordância”, o Departamento de Checagem, Revisão e Certezas Gramaticais informa: o verbo fica no singular quando a ação se refere a uma única pessoa. Portanto, o correto é mesmo “Jandira Motta foi uma das clientes que se enganou…” e “a Rádio Pelotense… foi uma das que encerrou suas atividades…”.
QUIÉISSO, MEURMÃO!
Olá! Veja na foto acima, tomei um susto hehehe (socorro!) em meio à densa narrativa…
Ah, tá, escapou, no calor da escritura, compreensível, mas, se fosse eu, não deixava escapar, conheço bem as trapaças que derrubam revisores.
Umas coisas ainda, grato pela atenção: essa matéria As princesas fugitivas de Dubai (piauí_208, janeiro) está um primor, fantástica de ler, ritmos e entradas, saídas de aportes ao conjunto muito bem posicionados, às vezes parece até coisa de inteligência artificial. A autora Heidi Blake e o tradutor Rogério Galindo fizeram um tremendo e excelente trabalho, difícil parar de ler, e o tempo todo senti o fantasma de uma desejada justiça, lendo junto com o(a) leitor(a). Haja fôlego (catorze páginas, direto)!
Também sendo um leitor da revista RAW (ixe), sei que, mais especialmente desde o tempo da Françoise Mouly (+ o Spiegelman), a New Yorker se esmera e se garante em trazer mais impactantes formas e conteúdos, e foi aqui o caso, junto à arte do ilustrador Beto Nejme.
É ótimo assinar a piauí por esses e por (muitos) outros afagos à inteligência leitora!
O contraste entre aquela cultura e o Ocidente, capitalismo a galope, faz com que seja bom sermos só espectadores, onde a realidade é muito dura e a grana é muito alta para poder contorná-la. Por fim, um relato digno de Sherazade.
Só tiremos a princesa da cela, pois na sela ela fica muuuito melhor.
MAX KRICHANÃ_FORTALEZA/CE
NOTA DE NARIZ TAMPADO DA REDAÇÃO: Eita, ferro! Vamos abrir a porta do Departamento de Checagem, Revisão e Certezas Gramaticais com o bilhete azul na mão!
RÁDIO AM
Sobre a reportagem Ondas migratórias, da piauí_207, dezembro de 2023 (a respeito do fim das rádios AM de alcance local), sei que hoje a comunicação se dá majoritariamente pela internet. Mas é um erro depender exclusivamente dela. É preciso garantir a toda a população uma comunicação de longo alcance, de acesso livre e gratuito, independentemente da internet. Sou contra a internet? Claro que não. Mas é preciso ter uma alternativa de comunicação de caráter nacional, fora da internet, onde basta girar um botão e escutar, sem necessidade de pagar boletos, sem gastar dados e banda, de antena para antena, sem nenhuma infraestrutura no meio. Lembrando da personagem citada na matéria, existem milhões de donas Jandiras por este país.
LUCIO HAESER_CANELA/RS
DIREITO DE RESPOSTA
A propósito da matéria da revista piauí que faz referência a mim (“Eu sou um príncipe”, piauí_206, novembro de 2023), cabe esclarecer o seguinte: Em 19 de outubro, recebi mensagem por WhatsApp da jornalista Ana Clara Costa. Segundo o registro desta conversa que mantenho em meu telefone, Ana Clara me informa de que está preparando um perfil do embaixador Celso Amorim para a revista piauí e pergunta se eu gostaria de falar. “Se topar, será maravilhoso”, disse ela. Declinei o convite e desejei sucesso no projeto. A jornalista voltou a enviar mensagem, insistindo no convite e sugerindo a possibilidade de eu falar em off. Novamente, declinei a oferta. Em nenhum momento fui procurada para confirmar qualquer informação concreta sobre minha carreira em reportagem eivada de menções tendenciosas. São notadamente mentirosas as aspas a mim atribuídas pela repórter.
MARIA NAZARETH FARANI AZEVÊDO_GREENWICH, CONNECTICUT
NOTA DA REDAÇÃO: A piauí mantém as informações publicadas na reportagem.