despedida

“ME CONFESSO CANSADO E BURRO”

Uma carta inédita de Dalton Trevisan para o escritor Otto Lara Resende
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Durante quase oito décadas de carreira, o curitibano Dalton Trevisan – que morreu no mês passado aos 99 anos – publicou aproximadamente quarenta volumes de contos e apenas um romance, A polaquinha. A obra, de 1985, foi mal recebida pela crítica logo que chegou às livrarias.

Trevisan e o mineiro Otto Lara Resende trocaram cartas de 1955 até a morte de Lara Resende, em 1992, aos 70 anos. Eles se conheceram no Rio de Janeiro, por intermédio de Fernando Sabino. Quando escreveu a correspondência acima, o curitibano trabalhava como advogado na fábrica do pai, que produzia louças. Tinha 31 anos e já gozava de certo prestígio graças à revista literária Joaquim, que fundou com uma dupla de amigos.

Novelas nada exemplares – o primeiro livro que Trevisan não renegou – sairia em 1959. Os dois anteriores, Sonata ao luar e Sete anos de pastor, caíram no esquecimento.


¹ A “história da Penélope” (e não Pnelope, como Trevisan escreveu por engano) acabaria se transformando num conto, cuja protagonista é uma idosa suicida.

² No Brasil, o romance ganhou o título de O coração é um caçador solitário.

³ Frase extraída do conto Um homem célebre, em que Machado de Assis narra as atribulações de um compositor frustrado por não conseguir fazer peças eruditas, embora fosse um exímio criador de polcas.

⁴ Trata-se do mineiro Fernando Sabino.

 Diário de Notícias.

⁶ Trevisan enganou-se na grafia do sobrenome. O correto é Borchert.


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