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diário do geraldo

QUERO VER O TALK XOU DO XANDÃO

O sanfoneiro ministro do Bolsonaro é uma boa opção pra um interlúdio musical

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1º DE JUNHO_Eu, que tenho um olho atento para as dinâmicas sociais e não deixo passar nada, percebi a chegada de dois fenômenos que estão unindo o Brasil. O primeiro, sem dúvida, é a virose. Aqui em Brasília, deputados de esquerda e de direita passaram uma semana de cama, com coriza e febre. Há relatos no Brasil inteiro de que a influenza, o rotavírus e o adenovírus estão furando todas as bolhas.

O segundo fenômeno que está unindo o Brasil é a Carla Zambelli. Ela conseguiu a proeza de irritar até a terceira via.

2 DE JUNHO_Tem reunião que a gente fica de olho nos “recebidinhos”. Fiquei um tempão escutando as demandas da Carmem Lúcia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais. Deixei de prontidão toda a equipe de redes sociais para fazermos o unpacking de uma safra inteira. No final, ganhei uma mísera xícara de café Pilão morno. Ser vice dói.

3 DE JUNHO_Começam os preparativos para a festa junina dos Alckmin. Olha a queda da Selic! É mentiiiira! Olha o caminho da reeleição! “Returnê”!!! Certamente, não serviremos café.

4 DE JUNHO_Lula deu uma de Ciro e foi para Paris. Deixou o pepino do IOF na minha mão. Vou dialogar com o Congresso do jeito do Geraldão. Já marquei um campeonato de truco regado a quentão, arroz-doce e milho verde.

5 DE JUNHO_Temos que falar sobre o fim da rotina 6×1 e sobre a precarização dos empregos. Estou acumulando os cargos de presidente, vice-presidente, coordenador da festa junina dos Alckmin, muso da Padaria Artesanal e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Sou tão incansável que ainda tive tempo de aprender o significado da expressão “fubanga”. Tudo isso sem café especial. Mas tem hora que a conta chega.

6 DE JUNHO_A brigaiada entre Elon Musk e Donald Trump acendeu um sinal de alerta: se aconteceu por lá, pode acontecer por aqui também. Deus me livre do Lula brigar com o Jones Manoel. Ou o Rui Costa se desentender com o Safatle. Por outro lado, nada impede de o Nikolas Ferreira partir pro pau com o Bananinha…

7 DE JUNHO_“Hoje eu conheci a Mistercryl, empresa de tintas, fundada em Brasília pelo senhor Rui, que teve na Aline, sua filha, um olhar inovador”, conforme postei nas minhas redes sociais. Mas eu sou realmente um homem muito à frente do meu tempo. Minha mente anda a mil. Fiz questão de me vestir com as cores da Mistercryl e pedi à minha equipe que me acompanhasse. Resultado: nas fotos, todo mundo saiu com a mesma paleta. Não é apenas intuição: é trabalho árduo.

8 DE JUNHO_Por orientação do Sidônio, as festas juninas do governo evitarão o termo “quadrilha”. Hoje celebramos a festa junina dos Alckmin. Preparei um panelão com uma sopa de letrinhas de crédito imobiliário, uma pescaria de dividendos e um cabo de guerra entre governo e Congresso. A criançada adorou o Moro Mecânico: uma máquina que simula a sensação de montar num marreco. O ponto alto foi a corrida do Geraldo. Vencia quem cruzasse a linha de chegada equilibrando na boca uma colher com um chuchu.

10 DE JUNHO_Na condição de mentor intelectual do Xandão, mandei um recado: ele deveria pensar seriamente em criar o Talk Xou do Xandão. O fato é que ele está esbanjando charme, carisma e tiradas divertidíssimas nos interrogatórios. Colocaram câmeras de última geração para registrar tudo em 4K, a direção de fotografia tá boa demais. Até pensaram no elemento general Heleno dormindo no fundo. Mas tá faltando um interlúdio musical. O quinteto do Jô Soares era um charme e o Derico fazia um excelente assessor para Assuntos Aleatórios. O David Letterman também usava muito esse recurso. Vou pensar no assunto.

11 DE JUNHO_Às nove da matina topei com um sujeito completamente desconhecido na porta do meu gabinete. Olhei nos olhos e estendi a mão: “Prazer, Geraldo”, apresentei-me. “Prazer, Sérgio Nobre, presidente da CUT.” De um golpe, fui fulminado por uma iluminação: a esquerda tá sem rumo. Estamos no governo Lula e ninguém sabe quem é o presidente da Central Única dos Trabalhadores. É por essas e outras que não se pode descartar o tal rompimento entre Jones Manoel e Lula. Medo.

12 DE JUNHO_Recebi o Pedro Less, vice-presidente de Políticas Públicas para a América Latina da Meta e, em nome de todo o povo brasileiro, fiz a pergunta essencial: quando é que o Facebook vai trazer de volta a função “cutucar”? Ele me respondeu, com cara de espanto, que a função cutucar nunca deixou de existir. Na mesma hora, cutuquei o Hugo Motta. Agora passamos o IOF.

13 DE JUNHO_Quem acompanha meu diário sabe que há uma coisa com a qual não transijo: sexta-feira é dia de arrumar um compromisso em São Paulo para esticar o fim de semana. Dessa vez foi a reunião itinerante das Diretorias Estaduais, Regionais, Municipais e Distritais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Gostei muito do modelo itinerante e já sugeri o local das próximas quatro reuniões: Tremembé, Taubaté, Roseira e Campos do Jordão. Como o Brasil é ruim de geografia, ninguém reparará que são todas vizinhas de Pinda. E dá-lhe fim de semana de cigarro de palha, licor de jenipapo e torneio de dominó no quintal de casa.

Taí. Esse sanfoneiro que foi ministro do Bolsonaro é uma boa opção para o interlúdio musical do Talk Xou do Xandão. Como ele está proibido de sair do país, facilita – não corre o risco de estar em turnê internacional. Além disso, enquanto estiver tocando, a gente sabe que não estará em alguma embaixada tentando arrumar um passaporte pro Mauro Cid.

14 DE JUNHO_O Xandão adorou minha sugestão. Disse que, além de preencher eventualmente seus próximos depoimentos, as sessões de música ainda atenderiam a um antigo desejo do Barroso e do Fux de cantar durante os intervalos. Tudo bem, entendo. Mas isso, claro, exclui o sanfoneiro. Depois o Mauro Cid foge com um passaporte do Sri Lanka e não digam que o Geraldão não avisou.

17 DE JUNHO_Só hoje me dei conta de que ninguém pediu minha opinião sobre a pena de prisão do humorista Léo Lins. Taí uma entrevista que eu gostaria de ver no Talk Xou do Xandão.

Gostei dessa ideia de criar uma Abin paralela. Tirei do armário o meu traje de Inspetor Bugiganga e coloquei um copo na parede para ver se escutava a reunião da sala ao lado. Descobri que a sala ao lado é um banheiro. Sou ou não sou um exímio investigador?

18 DE JUNHO_Com essa confusão toda no Congresso, a nossa Gleisi Hoffmann tá mais perdida que um europeu na Copa do Mundo de clubes.

Comecei a usar minha Abin paralela para descobrir os próximos capítulos de Vale tudo.

19 DE JUNHO_O President’Lula disse no podcast do Mano Brown que foi um acerto trazer o Geraldão aqui pra ser vice. Que sou todo trabalhado na lealdade e não daria golpe como aquele sacripanta do Michel. Fiquei comovido que só. Vi uma análise do Pedro Venceslau, na CNN, explicando o contexto do impeachment da Dilma. Segundo ele, o PSDB estava dividido entre cabeças brancas, como FHC, e cabeças pretas, como Bruno Araújo. Achei interessante a metáfora. Mostra como minha calvície me cacifou automaticamente como terceira via.

20 DE JUNHO_Soube que o Aécio Neves ficou tão impactado com a vitória do Botafogo contra o PSG que teve uma epifania. Segundo ouvi à boca miúda, ele acredita que é a hora de apostar no inesperado. E está cogitando se candidatar à Presidência em 2026. Anotação mental: se ele me convidar para a chapa, tenho que me preparar psicologicamente para não rir.

Terminamos o mês com ninguém menos que o Putin declarando estar preocupado com a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial. O Talk Xou do Xandão precisa agendar logo essa entrevista.


Por Renato Terra


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