cartas
Mar 2026 19h57
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CAPA
Genial, Vito Quintans! Esta é a palavra que define a capa do mês. Numa única ilustração reuniu numa só imagem uns dez fatos que estão matando e envergonhando o Brasil e os brasileiros.
Parabéns aos profissionais responsáveis por esta capa.
Abraços a todos da Redação e dos departamentos que colaboram com a criação mensal da revista.
ARMANDO SARAIVA_SÃO PAULO/SP
FEVEREIRO E MARÇO
No descompasso das cartas deste missivista, e temendo pelas consequências da troca de Toffoli por Mendonça como respondedor da Redação, o mês ficou atrasado além de curto. Vejam na caixa de spam as minhas cartas que lá adormecem naquele vazio cibernético.
Assim, mais do que leitor, fui espectador da edição da piauí_233, fevereiro, a começar pelo visual. Imagem é tudo, começando pela capa (os dois tiozinhos não foram feitos por meio de ia, certo?); mas na matéria de Simone Duarte (Única na foto), senti falta da menção a mais brasileiras, sendo uma delas acerca do icônico retrato de Dilma Rousseff enfrentando seus algozes da ditadura militar.
A resenha do livro de Fernando Haddad, Capitalismo superindustrial, feita por Celso Rocha de Barros (A utopia levada a sério) é primorosa e me convenceu a adquirir a obra do ministro. Celso Casca de Bala pode cobrar sua comissão na venda se for o caso. Ainda não adentrei o tomo, mas a introdução dada na resenha foi importante para saber dos obstáculos que enfrentarei. Uma boa obra para entender melhor as distintas formas como o capitalismo evoluiu e o que a esquerda precisa saber sobre economia moderna, já que, por enquanto, a revolução socialista mundial não aconteceu.
Por fim, o Villa-Lobos revisto, reportado por Oscar Pilagallo, e tendo como intérprete maior a pianista Sonia Rubinsky, fez-me sair da passividade. Tentei convencer uma academia literária de minha cidade, da qual Sonia é quase membro honorário pela quantidade de concertos que ali executou, de que é mais importante acompanhar o andamento de tal atualização musical do que insistir nas teorias da conspiração de que o mundo está ameaçado por comunistas e demônios (não, eles não leriam a obra de Haddad, tal qual não leem a revista piauí, pelo que constato; sim, muitos são representantes culturais de uma extrema direita caquética). De qualquer forma, fiz meu papel missionário, tentando ganhar alguma indulgência social.
Já para o mês de março – dedicado à luta feminista –, eu esperava uma edição menos masculina. Das quinze matérias principais, incluindo a capa, somente três foram assinadas por elas. Das seis Esquinas, apenas Tatiane de Assis figura como autora feminina. O que aconteceu? Ou não aconteceu nada de mais?
A seção Cartas, já abreviada pela metade, veio desprovida de comentários de mulheres subscritoras, ainda que duas tenham sido objeto das missivas (Consuelo Dieguez e Heloísa Helena), ao lado do espaço para um quase direito de resposta e outras erratas.
O conteúdo da edição, como sói acontecer, está muito bom. Haveria comentários a fazer, em especial acerca do docinho que Fernando Morais nos deu sobre a biografia do Lula (O salto e o susto), ou do quase dono João Moreira Salles sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto (O insubmisso), mas há o risco de cair na caixa de spam como as cartas anteriores. Assim, aqui encerro.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
NOTA DE DESAGRAVO DA REDAÇÃO: Apesar das incontáveis ofertas já feitas, de cunho e valores e impublicáveis, este douto respondedor de cartas jamais abriria mão de sua reputação, calcada nos cânones da ética e da imparcialidade, em troca de uma resposta favorável. Todos os missivistas são iguais perante a lei. Aqui nenhum André Mendonça se faz necessário.
ESCOLA DE MALANDRAGEM
Realmente, certos escroques nacionais parecem figuras de ficção, como o caso da carreira do Ricardo Magro, que após causar fraudes bilionárias no mercado de combustíveis, vive como um rei em Miami, conforme a reportagem O labirinto (piauí_234, março). A Refit, denominação atual da antiga Refinaria de Manguinhos, que iniciou sua atividade em dezembro de 1954 – fruto da campanha “O petróleo é nosso” do governo de Getúlio Vargas –, e então pertencente ao Grupo Peixoto de Castro, depois de passar por diversas crises com mudanças de controle, chegou a paralisar suas atividades em agosto de 2005, quando passou a operar somente com a compra e venda de derivados. Em dezembro de 2008 foi adquirida na bacia das almas pelo denominado Grupo Andrade Magro, mudando a razão social para Refit.
Da mesma escola de malandragem de Vorcaro & Tanure, Ricardo Magro acercou-se de políticos poderosos, principalmente durante os governos de Lula e Dilma, tornando-se o maior sonegador de impostos do país, o tal megaesquema de fraudes bilionárias na cadeia do combustível, devido à complacência das autoridades responsáveis pela área e à impunidade reinante.
Tais figuraças são verdadeiros artistas e transitam tranquilamente por governos, independentemente de suas tendências de esquerda ou direita. Fazem suas estrepolias, vivem como nababos e confiam plenamente na nossa Justiça inoperante e corrupta, um estímulo para o seu sucesso.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
CIRANDA FINANCEIRA
Li a matéria Do crédito público ao descrédito democrático (piauí_234, março) intrigado com as teses do economista André Lara Resende, um dos cabeças do Plano Real de FHC em 1994, plano esse que se tornou o primeiro remédio efetivo na hiperinflação brasileira.
Agora vejo Lara Resende trazendo uma hipótese original para o debate nacional da taxa de juros: ele denuncia a taxa inibidora em vigor e o consórcio nocivo do excesso de financeirização.
Parabéns ao autor e à revista, que hospeda opinião divergente ao convencional.
XIKITO FERREIRA_SALVADOR/BA
CHEGA
Como explicar o resultado favorável obtido no Brasil por André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, no segundo turno da eleição para presidente de Portugal, mas vencida pelo socialista António José Seguro por larga margem de votos? Como informa Pedro Tavares na reportagem Segunda volta às avessas (piauí_234, março), a participação no pleito dos eleitores portugueses e brasileiros com dupla cidadania residentes no país foi muito baixa, mas foi incontestável a preferência da maioria por André Ventura, refletindo provavelmente um alinhamento com Jair Bolsonaro, figura-mor da extrema direita brasileira. Infelizmente, isso não chega a ser surpreendente, considerando que uma parcela significativa dos mais de 500 mil brasileiros residentes em Portugal também se inclui entre os eleitores de Bolsonaro e Ventura, e ajudaram a tornar o Chega o partido com a segunda maior representação na Assembleia da República, apesar do discurso xenófobo de Ventura. Lá temos um saudosista da ditadura salazarista, aqui um admirador da ditadura de 1964.
PAULO BRANDI CACHAPUZ_RIO DE JANEIRO/RJ
PRANTO ATRASADO
Lendo com atraso a edição de dezembro, acabo de terminar aos prantos a reportagem O inconformado (piauí_231), de Angélica Santa Cruz, sobre Flávio Molina, um dos inúmeros assassinados pela ditadura. Que história importante! Estou escrevendo porque gostaria que fosse repassada à jornalista minha mensagem de agradecimento por escrever essa história com clareza e emoção.
CRISTINA F SANTANA_SANTOS/SP
NOTA CORPORATIVISTA DA REDAÇÃO: E à edição, não tem agradecimento? E à checagem, que passou dias confirmando cada informação? E à revisão, que zelou pela ortografia? E à diagramação? E à equipe que assina o projeto gráfico da piauí? E ao João Moreira Salles, que criou a revista? E ao Gutenberg, que inventou a prensa móvel? E aos romanos, gregos, etruscos e fenícios, que fizeram o alfabeto latino? E ao homo sapiens, que criou a linguagem simbólica complexa? E ao erectus, que balbuciou as primeiras palavras? E aos primeiros mamíferos, que deram origem aos hominídeos? E ao asteroide, que dizimou os dinossauros? E ao primeiro ser multicelular? À primeira célula procarionte? À mitocôndria? Ao complexo de Golgi? Ao respondedor de cartas? Eu, hein!
ERRATAS