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AS VANTAGENS DE SE LEVAR UMA PIAUÍ À PRAIA

Imagem As vantagens de se levar uma piauí à praia

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CAPA

Na condição de humorista amador, daquele que não é muito bom e precisa explicar a piada assim que termina de contar, entendo quando a gente tem uma ideia e, mesmo sabendo que é ruim, insiste. A capa da piauí_236, maio, no entanto, passou do ponto. Não tinha ninguém para redesenhar o velório de Orbán, em vez de usar uma imagem de péssima resolução?

DOUGLAS LAMBERT_SÃO PAULO/SP

NOTA CONFUSA DA REDAÇÃO: Você se importaria de explicar melhor a sua piada?

ESQUINAS

Muitas vezes escanteada dos comentários epistolares pelo seu teor mais “ligeiro”, a seção Esquina da piauí_235, abril, presenteou o leitor com uma aula de jornalismo. Sob a apropriada designação de Esquina do Oriente, as reportagens possibilitaram uma imersão na rotina de quem vive os efeitos mais ou menos imediatos da investida (leia-se ataque) israelo-estadunidense no Irã. Do goleiro brasileiro (mais do que isso: baiano!) do quarto colocado do Persão aos mineiros que tiveram que deixar o Bahrein às pressas, passando pela enfermeira de Jericó, pela brasileira desalojada em Beirute, pelo israelense e pelo palestino que vivem em Jerusaléns distintas e pelo curador de arte libanês em Dubai, as páginas – sensivelmente ilustradas por Andrés Sandoval – são um documento preciso da destruição (não apenas no sentido literal da palavra) provocada pelos arroubos beligerantes de Trump e Netanyahu. Saúdo a direção de redação, os editores e os repórteres Pedro Tavares, Roberto Kaz, Leila Salim, Talita Fernandes, Tatiane de Assis e Thallys Braga pelo excelente trabalho jornalístico.

CLEBER GORDIANO DOS SANTOS_CAMPINA GRANDE/PB

ALCOLUMBRE

Em relação à matéria O onipresente, da piauí_235, abril, gostaria de observar o seguinte: as biografias mais fascinantes são aquelas dedicadas aos políticos. Ser eleito já é uma façanha e tanto, mas difícil mesmo é manter projeção a longo prazo e ser respeitado pelos pares. Ou seja, tornar-se de fato um líder. É preciso habilidades mais sofisticadas. O ponto central desse tipo de leitura é entender, a partir do perfil, qual aspecto da personalidade ou de sua experiência de vida que permite essa façanha. É um conjunto, que nem sempre é uma regra: boa comunicação, carisma, estratégia e até mesmo certa empatia. Bom, Maquiavel falou sobre isso. 

Como consta da excelente matéria de Camille Lichotti e Allan de Abreu, uma boa síntese sobre a liderança na política é que ela pune a arrogância, mas premia a simpatia. No entanto, a simpatia, só ela, não é suficiente para garantir a projeção a longo prazo; é frágil, mas dura o suficiente para mudar as peças do jogo, criar inimizades e demonstrar a fragilidade do poder. Por isso, além de agradecer pela qualidade da matéria, incentivo uma segunda parte, considerando os novos acontecimentos e o que está por vir.

ALYNNE NUNES_SÃO PAULO/SP

NOTA DESCONFIADA DA REDAÇÃO: Você não está sendo demasiado simpática nesta carta?

LER NO PAPEL

Muito boa a reportagem Em modo detox digital, da piauí_236, maio. Aqui vai uma sugestão de como a piauí pode ajudar na batalha da sociedade contra o vício em telas: enviar a edição impressa de janeiro ainda em dezembro, permitindo que seus assinantes a levem consigo nas férias de verão! Ano após ano, eu me esvaio de São Paulo no fim de dezembro lamentando não poder levar comigo a edição do mês seguinte, desperdiçando a chance de ler em papel, e deixar a revista circulando entre companheiros de viagem para despertar debates presenciais.

Especialmente, lamento não poder cobrir o rosto com a revista durante um cochilo na praia – a piauí impressa é insubstituível também porque tem usos infinitos, mas isso já é assunto para outra carta.

MIGUEL JACOB_SÃO PAULO/SP

NOTA INSTRUTIVA DA REDAÇÃO: Para a atividade de hoje você vai precisar de 2 (dois) tablets de 10,4 polegadas, 1 (uma) tesoura e 1 (uma) fita durex de 45mm. Primeiro você vai colocar os tablets frente a frente, de pé, como se as telas se beijassem. Em seguida vai usar a fita durex para colar os tablets por uma das laterais, de forma a criar uma lombada. Uma vez colados, você deverá abrir os tablets, ao que terá uma grata surpresa: o objeto parecerá a sua piauí de janeiro, numa versão mais moderna, que contará com as reportagens recentes e ainda poderá ser usado para cobrir seu rosto durante o cochilo na praia. (Importante que o cochilo ocorra na sombra, para evitar que as placas de lítio superaqueçam e explodam na sua cara.)

TRABALHO ESCRAVO

Angélica Santa Cruz nos brindou com mais uma excelente reportagem: Tanto horror perante os céus, piauí_236, maio. O horror do capitalismo é ali exposto de forma cruel. Uma grande empresa utilizou-se de uma legislação originada pelos militares, que estimulava o investimento nos rincões do Centro-Oeste e Norte brasileiro, dando incentivo fiscal, descontos no ir a quem pudesse arcar com essas terras devolutas da União. Muita terra, muita exploração. Militares não fariam nenhuma reforma agrária e posariam de grandes experts em governança pública, e em conluio com esses empresários trouxeram escravidão e destruição de vidas. Em nome do desenvolvimento e do progresso. Mereciam ter sido mais denunciados. A reportagem é muito bem conduzida. É para ler e reler. Fica na memória a postura firme e corajosa dos padres da Comissão Pastoral da Terra, da Igreja Católica, que realmente se importa com os oprimidos. Em tempos de grande parte das igrejas alinhando-­se ao bolsonarismo mais tacanho e à extrema direita, é uma bela recomendação. Mais um importante trabalho da piauí.

GERALDO MAIA_BELO HORIZONTE/MG

ABRIL

A pulga coçou atrás da orelha quando Fernando de Barros e Silva destacou a quantidade de palavras usadas pela Folha de S.Paulo para dizer o indizível: 404 é o código da internet para página não encontrada (Uma chance para Flávio, piauí_235, abril). Símbolos emblemáticos em letras e números, portanto.

No mês que congrega efemérides, tais como o Dia Nacional do Livro Infantil e homenagem a Monteiro Lobato, apenas nas boas sacadas de Intolerâncias, de Paulo Vicente Cruz, houve referência a personagens do escritor, de forma crítica e irônica, como esperado. Por outro lado, Ulisses, de James Joyce, aparece no perfil do tradutor Donaldo Schüler, feito por Jerônimo Teixeira [Somos todos gregos (e irlandeses)], também esperado, e é explicitamente citado no artigo de Ricardo Lísias (A política da memória), aqui de forma inusitada. Isso porque o texto é um relato da literatura palestina, que se mostra ser fundamentalmente a de sobrevivência de um povo e de uma cultura. De certa forma, a literatura assim constituída contradiz a professora Aurora Bernardini, defendida tempos atrás por José Falero (Murro em ponto de faca, piauí_230, novembro de 2025), já que não cria um estilo, mas, sim, retrata uma história de profundo conteúdo.

Entre cancelados e novas literaturas rebeldes, o deleite do mês de abril ficou por conta de André Valente, com sua incursão em um mundo ficcional concretizado no coração do Brasil (Bem-vindos a Zigurats), confirmando que a alucinação é efeito presente no consumo de quase toda droga, mesmo que medicinal.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

DESPEDIDA

A escritora Livia Garcia-Roza escreveu um bonito relato sobre a despedida de Um canto no Centro, na piauí_235, abril. Anos antes, acredito que fui uma microscópica parte dessa despedida a Luiz Alfredo Garcia-Roza.

No início da pandemia, um pouco depois da partida do autor, decidi completar a minha coleção de Espinosa. Fui a um site de sebos e encontrei alguns livros da série por preços excelentes. Achei estranho, no entanto, que havia vários exemplares novos de outros títulos do autor a preços igualmente atrativos. Resolvi fuçar a página do sebo e, para minha surpresa, encontrei parte do “espólio” da biblioteca de Luiz Alfredo, talvez do “canto no Centro”. Na descrição, havia livros de filosofia e psicologia em francês com anotações e um autografado. Comprei vários. Quando chegaram, felizmente, a descrição batia. Os livros de filosofia e de psicologia estavam assinados por ele, com anotações em várias partes do livro, mostrando que era um leitor bastante atento. Eu dei um desses livros para o meu terapeuta. O livro autografado teve uma história mais inusitada. Era o primeiro da série de Bellini, Bellini e a esfinge (1995), do titã Tony Bellotto. Na dedicatória, de 21 de julho de 1998, está escrito: “Para o Garcia-Roza, com um grande abraço do companheiro de ‘crime’, Tony Bellotto.” Imagino que esse tenha sido colocado à venda por acidente, mas, pelo fato insólito, gostaria de dizer que tenho um grande carinho por ele e, junto aos de Luiz Alfredo, estão em uma parte especial no meu canto.

DAVID BELTRÃO ALBUQUERQUE_RECIFE/PE

NOTA RESSENTIDA DA REDAÇÃO: Deu livro autografado pro terapeuta, mas não deu pro respondedor de cartas, que também está aqui para te ouvir.

COTAS

Sugiro uma errata da errata (piauí_235, abril) sobre as universidades pioneiras em políticas de cota. Há uma universidade estadual no interior do estado do Rio de Janeiro, que está sempre esquecida, lamentavelmente. Creio que seja justo incluir a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), ao lado da sua “irmã” Uerj, como pioneira na política de cotas no Brasil.

A lei estadual nº 3708, de novembro de 2001 previu “Cota mínima de 40% para as populações negra e parda no preenchimento das vagas relativas aos cursos de graduação” da Uerj e da Uenf, com primeiro concurso em 2002.

Em 2003, a lei nº 3708 foi revogada, reservando 45% das vagas para estudantes carentes e, dentre estes, reserva de 20% de vagas para estudantes oriundos da rede pública de ensino; 20% de vagas para negros; e 5% para pessoas com deficiência.

SIMONNE TEIXEIRA_CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ

NOTA ERRÁTICA DA REDAÇÃO:  A leitora tem razão. A Uenf e a Uerj são ambas pioneiras na implantação do sistema de cotas no Brasil.


ERRATAS & COMENTÁRIOS

- A reportagem Lições da história (piauí_232, janeiro) dá margem para interpretação de que a Guerra da Bósnia foi a mais mortífera do continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje. O conflito mais sangrento, no entanto, ocorre na Ucrânia, onde se estima que já houve mais de 500 mil mortos.

- Na reportagem O insubmisso – Parte ii (piauí_235, abril), informa-se que, entre outros delitos, o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida (1930-2008) submeteu o jornalista Policarpo Junior a cárcere privado. Faltou informar que a jornalista Marleth Silva, então colega de Policarpo Junior na Veja, também ficou em cárcere privado na mesma ocasião.


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