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anais da idolatria

Taylor Swift é a big sister do pop

Cantora americana atua na contramão do Big Brother repressivo

02fev2024_06h00
Roberto Muggiati

CRÉDITO: KLEBER SALES_2024

Na piauí deste mês, o jornalista e crítico musical Roberto Muggiati, autor de Rock: o grito e o mito, reflete sobre o fenômeno Taylor Swift. Para ele, a cantora americana é uma espécie de irmã mais velha generosa que atua na contramão do Big Brother controlador e repressivo. “Swift vela pelo bem-estar e felicidade dos fãs, como uma Big Sister protetora e afetuosa”, escreve Muggiati.

 

Além de atrair milhões de pessoas com o intimismo de suas canções autobiográficas, Swift vem tecendo com elas uma trama de cumplicidade por meio de uma série de artifícios, como o culto cabalístico de suas datas pessoais, o 13 do dia e o 1989 do ano do seu nascimento, suas postagens nas redes sociais e as pulseiras da amizade. No ano passado, a cantora foi escolhida pela revista Time como “A Pessoa do Ano”. Na eleição da palavra de 2023 pelo Dicionário Oxford, o termo swiftie veio logo atrás de rizz, uma corruptela da internet para “carisma”.

 

Mas não tem nada de inédito a idolatria que os fãs devotam a Swift, acampando durante dias à porta dos estádios e movendo mundos e fundos para conseguir um ingresso para os seus shows. O fanatismo musical é antigo e remonta pelo menos ao século XIX, como no culto que cercou Franz Liszt (1811-1886). Os concertos do pianista e compositor húngaro produziam tamanha histeria nas plateias europeias que essa onda de entusiasmo foi chamada “febre de Liszt”.

 

 

 

Os surtos incontroláveis de idolatria musical atingiram todo o século XX, de Caruso a Elvis Presley, de Frank Sinatra a Michael Jackson. Depois do assassinato de John Lennon, em 1980, a periculosidade da relação fã-ídolo veio à baila. O laudo psiquiátrico revelou que o assassino queria se suicidar, mas não tinha coragem de fazê-lo: ele então se projetou mentalmente na figura do ídolo, e matou Lennon como se tivesse matado a si mesmo. Desde então, sobre a cabeça de cada ídolo começou a pairar esta ameaça: “Cuidado, você pode estar sob a mira de um fã.”

 

Assinantes da revista podem ler a íntegra do texto neste link

 

 

 

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