Seção de humor da piauí



Roberto Kaz e Afonso Capellaro

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Supervisão: Olegário Ribamar


Imagem “Momento épico”, diz Temer, que vai responder às 84 perguntas da PF em verso

Lava Jato

“Momento épico”, diz Temer, que vai responder às 84 perguntas da PF em verso

Funcionários do Palácio do Planalto que estavam ontem no gabinete presidencial informaram que Michel Temer sorriu ameaçadoramente e esfregou as mãos de prazer ao saber que receberia 84 perguntas encaminhadas pela Polícia Federal.

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ACADEMIA DE LETRAS DE TIETÊ – Funcionários do Palácio do Planalto que estavam ontem no gabinete presidencial informaram que Michel Temer sorriu ameaçadoramente e esfregou as mãos de prazer ao saber que receberia 84 perguntas encaminhadas pela Polícia Federal. “Cesse tudo o que a Musa antiga canta,/ que outro valor mais alto se levanta”, disse o presidente, com a voz rouca, ao anunciar que usaria versos para responder todas as questões.

“Só assim posso fazer jus ao momento épico por que passa o país”, explicou o peemedebista a quem estava na sala, em prosa. Em seguida abriu volumes de Camões, Haroldo de Campos e de sua própria lavra sobre a mesa de trabalho. Pediu que um de seus secretários anotasse os versos do preâmbulo às respostas, nascidos, segundo o mandatário, de uma inspiração repentina, naquele instante: “e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso”, ditou, fitando o horizonte.

Ao saber que a resposta ao questionário viria em forma de poema, a Polícia Federal solicitou o apoio de Augusto de Campos. Em sua casa, em Perdizes, o poeta e ensaísta paulista declarou que Michel Temer “já está condenado a uma eternidade de agonias” pelo conjunto de sua obra poética e política. “Uma pergunta que não foi feita”, prosseguiu o intelectual, ajeitando os óculos, “é se o futuro ex-presidente reconhece a minha primazia em revalorizar Oswald de Andrade”.

Numa edição extra do Diário Oficial, publicada na noite desta terça-feira, a Secretaria de Comunicações do governo instruiu todos os funcionários públicos federais a “se comunicarem com o público apenas por meio de versos decassílabos” e também empossou José Sarney como presidente do InMétrica. O próprio D.O. já incorporou a ordem e aboliu a prosa.


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