questões cinematográficas
Abr 2010 09h18
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Apesar de não se considerar um documentarista, mas um “filmador”, como mencionei no primeiro destes três posts, Alain Cavalier realizou duas séries de doze documentários, com o título de “Retratos”, uma em 1987, outra em 1991. Cinco deles foram exibidos na retrospectiva do festival “É Tudo Verdade”.
A objeção de Alain Cavalier a ser considerado um documentarista prende-se a não ter por objetivo mostrar a realidade. “Sou mais como um amante de rostos, mãos, objetos. ‘Realidade’ é apenas uma palavra, assim como sua irmã gêmea ‘ficção’, que eu pratico também, mas com um prazer diferente”, ele afirma.
“A Senhora-lavabo”, “A Fazedora de vitrais” e “A Fazedora de colchões”, integram a primeira série; “A Romancista” e “A Optometrista”, a segunda. Esses e os demais das duas séries são curtametragens de 13’, dedicados a mulheres, a maioria anônimas. Resultam, segundo Alain Cavalier de “encontros que [ele] não queria deixar cair no esquecimento”. A duração foi escolhida para “não se tornar um aborrecimento, impedir inserções comerciais de TV […].”
Filmados em planos próximos, alternando registro da prática do ofício ou profissão de cada personagem, e conversas informais, traçam a anatomia das diferentes atividades e têm a simplicidade própria da obra dos mestres. Revelam expressões, gestos – com atenção especial para as mãos, e perfil psicológico dessas mulheres. Como é caracterísco dos filmes de Alain Cavalier, a partir da década de 1970, são retratos íntimos, resultantes da empatia que ele consegue estabelecer com suas personagens.
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