questões cinematográficas

“ANTES QUE O MUNDO ACABE” – NOTÍCIAS DO SUL

Visto por 24 mil espectadores em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, ao longo dos últimos meses, “Antes que o mundo acabe”, dirigido por Ana Luiza Azevedo, estreou sexta-feira no Rio em um único cinema, com apenas duas sessões diárias, o que não deve permitir mudança significativa no resultado comercial do filme.
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Visto por 24 mil espectadores em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, ao longo dos últimos meses, “Antes que o mundo acabe”, dirigido por Ana Luiza Azevedo, estreou sexta-feira no Rio em um único cinema, com apenas duas sessões diárias, o que não deve permitir mudança significativa no resultado comercial do filme.

Enquanto isso, “Sonhos roubados”, dirigido por Sandra Werneck, chega a 26 mil espectadores depois de 18 semanas, e “As Melhores coisas do mundo”, dirigido por Laís Bodansky, atinge 275 mil espectadores em 22 semanas (leia aqui o artigo da piauí_43 sobre os dois filmes).

Os três filmes tratam de personagens adolescentes em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, numa favela do Rio de Janeiro e na zona sul de São Paulo, respectivamente, sendo dirigidos, em princípio, a essa mesma faixa de público para a qual costuma se dizer que há falta de oferta no mercado exibidor.

Quando vi “Antes que o mundo acabe” no cinema de um shopping, em Curitiba, há cerca de um mês, às 19h40’ havia 12 pessoas vendo o filme no início da sessão. Apenas 8 continuavam na sala no final da projeção, entre elas um casal de alunos do curso de cinema da Faculdade de Artes do Paraná. Assinalo o público reduzido nesse dia, não em detrimento do filme mas como possível sintoma de um desajuste.

As carreiras comerciais de “Antes que o mundo acabe” e “Sonhos roubados” são equivalentes e talvez sejam resultado de  uma indefinição semelhante dos dois projetos. Dirigidos por cineastas adultas, parecem ser mais sobre adolescentes do que para adolescentes, resultando daí uma possível falta de sintonia com seus próprios objetivos. Não interessando aos adolescentes, não chegam a interessar aos adultos, permanecendo num certo limbo.

Dos três, “As Melhores coisas do mundo”, dirigido por uma adulta mas sobre e para adolescentes, seria o único que consegue interessar ao público a que se destina, daí o resultado comercial melhor, mesmo sendo, suponho, muito aquém da expectativa dos produtores.

“Antes que o mundo acabe” é realizado com correção por um grupo de profissionais sérios e talentosos. Mas o filme peca, talvez, por uma aparente falta de ambição. Modéstia deliberada que costuma ser rejeitada pelo comércio cinematográfico. Carente de tratamento visual mais elaborado, o filme é prejudicado pela sobrecarga da trilha musical. Um ator – o diretor do colégio – compromete o bom elenco e a voz da menina, quando é a narradora, tem entonação irritante difícil de tolerar.

Continua a ser um desafio para o cinema brasileiro fazer filmes infantis e para adolescentes que escapem do óbvio.


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