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AOS 99 ANOS, DALTON TREVISAN CUIDA DA REEDIÇÃO DE SEUS CONTOS

Escritor também trabalha na organização de seu acervo, com volumosa correspondência
Imagem Aos 99 anos, Dalton Trevisan cuida da reedição de seus contos

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O escritor Dalton Trevisan viveu durante 68 anos em uma casa na esquina das ruas Ubaldino do Amaral e Amintas de Barros, em Curitiba. O imóvel é uma das raras construções da década de 1920 que sobraram no bairro Alto da Glória. Ao longo dos anos, adquiriu uma aparência de abandono que ajudou a reforçar a imagem de Trevisan como “o vampiro de Curitiba”, epíteto que herdou de um personagem seu, do livro homônimo publicado em 1965. O escritor nunca se incomodou muito com grandes reformas na casa, que era frequentada por raros amigos.

Em 2021, Trevisan se mudou para um apartamento de 120 m² na Alameda Doutor Muricy, em uma das regiões mais agitadas do Centro de Curitiba. É lá que ele irá passar seu aniversário, em 14 de junho. Aos 99 anos, continua a trabalhar em novas edições de seus contos e na organização de seu acervo, que inclui uma vasta correspondência, informa Leonardo Fuhrmann, na edição deste mês da piauí. O escritor continua arredio à imprensa, recusa pedidos de entrevistas e nunca aceita ser fotografado.

Desde a década de 1940, Trevisan preservou centenas de cartas trocadas com amigos, tradutores e críticos. A correspondência com o escritor e jornalista mineiro Otto Lara Resende (1922-92), da qual o curitibano guardou cerca de seiscentas cartas, é a mais volumosa do seu acervo. Ele também se correspondeu com o cronista Rubem Braga (1913-90), o jornalista Ivan Lessa (1935-2012), o ensaísta literário Antonio Candido (1918-2017), entre outros. Não está prevista, no momento, a publicação dessas cartas. Mas seus contos estão ganhando novas edições, inclusive voltadas ao público infanto-juvenil.

Ele sai pouco de casa e gosta de assistir a filmes no streaming ou na tevê por assinatura. Assim como prefere reler os livros prediletos, revê várias vezes alguns filmes, em busca de detalhes e curiosidades. Prefere os faroestes e os clássicos italianos de Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Ettore Scola e outros. Recentemente, tomou gosto pelo cinema argentino e pelos filmes dos irmãos Joel e Ethan Coen. 

Nos últimos anos que morou na Rua Ubaldino do Amaral, o escritor, além de enfrentar a deterioração da casa, começou a lidar com importunações de usuários de drogas e ladrões, que invadiam o terreno de madrugada. Em 2022, ele vendeu o imóvel, e no local será construído agora um prédio de dez andares. A casa – uma das mais célebres e misteriosas de Curitiba – deve ser restaurada e preservada, mas não se sabe ainda se para uso do condomínio ou se aberta à visitação do público. 

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é repórter e dramaturgo