questões cinematográficas

BUDRUS – REGISTRO A QUENTE

Tendo recebido o segundo prêmio do público no último Festival de Berlim, "Budrus" participa da mostra competitiva internacional do É Tudo Verdade por ser produção americana, embora a diretora Julia Bacha seja brasileira.
Imagem Budrus – registro a quente

1 min de leitura

Presentear este artigo

Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo

Tendo recebido o segundo prêmio do público no último Festival de Berlim, participa da mostra competitiva internacional do É Tudo Verdade por ser produção americana, embora a diretora Julia Bacha seja brasileira.

Além de tratar de uma questão central da agenda política internacional, o documentário tem o grande mérito de registrar a quente os acontecimentos na vila palestina de Budrus, ameaçada por Israel. Não é um réquiem, tendência que chegou a ser dominante, em determinada época, nos documentários brasileiros lidando com violência e criminalidade, como observou João Moreira Salles. A câmera de está no meio do confronto, parecendo exposta a sérios riscos.

Além disso, tem a sabedoria de fazer um registro bem delimitado, mas de alcance amplo. Os eventos ocorrem numa vila, com menos de 2 mil habitantes, durante um período de tempo curto. Ainda assim, resulta numa visão abrangente do confronto entre o poderoso exército de Israel e cultivadores de olivas palestinos.

O que não parece fazer parte do projeto de Julia Bacha, dominado por justa indignação com as injustiças e impasses da região, é definir uma forma narrativa que o diferencie da linguagem padrão dos documentários produzidos nos Estados Unidos. Com a energia e determinação que ela demonstra, acredito que seus filmes só teriam a ganhar se procurasse dar a seu trabalho uma forma e um viés mais pessoais.


Ícone newsletter Piauí

A revista piauí garante a privacidade dos seus dados, que não serão compartilhados em nenhuma hipótese. Você poderá cancelar a inscrição a qualquer momento.