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EM OUTUBRO, OPERAÇÕES DA POLÍCIA NO GRANDE RIO TIVERAM TANTAS MORTES QUANTO NOS QUATRO MESES ANTERIORES

Imagem Em outubro, operações da polícia no Grande Rio tiveram tantas mortes quanto nos quatro meses anteriores

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Depois da redução de 68% na média mensal de mortes por policiais de junho a setembro, logo após a decisão liminar do STF que restringiu operações, outubro marca o maior salto desse indicador em 2020. Mesmo com a decisão do STF ainda em vigor, o número de operações na Região Metropolitana dobrou em relação ao mês anterior (de 19 para 38), segundo dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF). O número de mortes confirmadas nessas ações é seis vezes maior que o de setembro: são 30 vítimas, o equivalente à soma dos quatro meses anteriores. Os pesquisadores do Geni ressaltam, no entanto, que esses números podem ser bem maiores. O número total de mortos por agentes do Estado verificado pelo ISP segue a tendência: vai de 54 em setembro a 145 em outubro, um patamar mais alto até que maio, antes da liminar.

Em agosto, a liminar do ministro Edson Fachin foi confirmada pelo plenário do Supremo. No fim daquele mês, Cláudio Castro assumiu o governo do Estado após o afastamento de Wilson Witzel. Se o ex-juiz foi eleito sob a promessa de que sua polícia “miraria na cabecinha e fogo”, o governador interino mostrou alinhamento com essa política de segurança pública: à revista Época, em novembro, garantiu que, em sua gestão, “não há lugar em que o Estado não possa entrar”. 

“Esse aumento em outubro é, na verdade, um retorno a patamares históricos do Rio. O que observamos de junho a outubro é que foi diferente, porque, por meio da liminar do STF, a gente teve uma redução das operações e, consequentemente, da letalidade policial — sem que houvesse aumento de crimes contra a vida e o patrimônio no período, é bom frisar”, explicou Daniel Hirata, professor da UFF e coordenador do Geni.

“As declarações fortes de Castro, sobre entrar em qualquer comunidade, não se referem à resistência de grupos armados, mas às restrições jurídicas impostas às operações policiais. Em seguida, Allan Turnowski, nomeado por Castro como secretário de Polícia Civil [em setembro], diz que gostaria de entrar com tanques em favelas, se pudesse. São declarações que deixam muito claro os sinais que eles deram às corporações, um cheque em branco para a arbitrariedade. Castro não é tão midiático quando seu antecessor [Witzel], mas vêm dos mesmos lugares, compartilha das mesmas convicções de que a brutalidade policial é a maneira de atuar em segurança pública. Não é”, analisa.

Fontes: Instituto de Segurança Pública (ISP) e Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF)


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Foi repórter da piauí. Trabalhou em O Globo, Extra, Época e Agência Lupa

É designer e diretora do estúdio BuonoDisegno