questões cinematográficas
Mar 2010 11h11
2 min de leitura
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Epígrafes estão sob suspeita, pelo menos desde que Werner Herzog inventou uma para seu filme sobre a Guerra do Golfo, , em 1992, e a atribuiu a Pascal. Os irmãos Coen, por sua vez, contribuíram recentemente para desmoralizar ainda mais o uso de citações na abertura de filmes, sendo sarcásticos com a de Rashi que puseram no início de “Um homem sério” (ver blog 19/2/2010).
Mesmo assim, o roteirista e diretor Paulo Halm começa “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” com uma epígrafe de Baudelaire, o que pode ser entendido como ato de coragem, ingenuidade ou até de sarcasmo, considerando, além de tudo, que a duração na tela do trecho citado é tão rápida que só um espectador com curso de leitura dinâmica será capaz de ler e apreender o sentido.
Vários outros autores são citados nos diálogos do filme, reforçando a impressão de que se trata mesmo de um caso de ingenuidade do roteirista ao criar seu “alter-ego” quando jovem – um escritor imaturo, de 30 anos. O personagem tem um romance por terminar e estabelece relação triangular com a própria mulher e a namorada dela.
Esse enredo, sem nada de original, nem de especialmente interessante, reforça a sensação de estarmos diante de um filme juvenil, feito em homenagem a Woody Allen. Frases ditas pelo personagem em voz “off” definem sua trajetória. É um recurso comum nos filmes do diretor americano. No filme dirigido por Paulo Halm, o escritor primeiro afirma não saber o que fazer com sua vida, e termina dizendo que se tornou figurante na sua própria vida. Um dilema paroquial que faz de “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” um filme de interesse restrito.