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A INUSITADA CONVERGÊNCIA ENTRE UM PRÊMIO NOBEL E UM DESENHO ANIMADO

Em sua nova temporada, Rick and Morty se aproxima das questões éticas do escritor J. M. Coetze
Imagem A inusitada convergência entre um Prêmio Nobel e um desenho animado

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Elizabeth Costello, criação do escritor sul-africano J. M. Coetzee, e Rick Sanchez, da série de animação Rick and Morty, são personagens de universos ficcionais muito distintos e não têm muito em comum.

Ela é uma escritora australiana que aparece em três livros do Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura de 2003: Elizabeth Costello (2003), Homem lento (2005) e Contos morais (2017). Consagrada por um romance chamado A casa da rua Eccles, inspirado no Ulisses de James Joyce, é também uma defensora ardorosa dos direitos animais.

Rick Sanchez é um cientista doido e alcoólatra da série criada por Dan Harmon e Justin Roiland (exibida no canal Adult Swim e, no Brasil, disponível também na HBO Max), que jamais teria simpatia pela causa da vida animal: Rick não tem muito respeito nem pela vida humana.

No entanto, um episódio da sétima e mais recente temporada de Rick and Morty levanta questões morais que são caras a Costello, escreve Jerônimo Teixeira na edição deste mês da piauí. Como é próprio do desenho animado, a história se desenvolve a partir de uma premissa absurda e grotesca: em certo planeta visitado por Rick em suas viagens espaciais, a morte por suicídio faz com que os órgãos internos do cadáver se convertam em um delicioso espaguete à bolonhesa. Por uma série de incidentes, a exportação intergalática desse espaguete se converte na base econômica do planeta, cujo governo passa a incentivar seus cidadãos a tirarem a própria vida.

A família de Rick deixa de comer o espaguete quando toma conhecimento de sua origem mórbida, mas está claro que, à exceção de Morty, neto e companheiro de aventura de Rick, todos prefeririam não saber a verdade para continuar se deliciando com a saborosa massa. De modo indireto, mas nada sutil, Rick and Morty questiona assim o modo como consumimos carne evitando olhar o que se passa nos abatedouros.

Em termos diferentes, Elizabeth Costello levanta a mesma questão em O matadouro de vidro, uma das narrativas de Contos morais. As obras de Coetzee protagonizadas por Costello e esse episódio de Rick and Morty também compartilham a crença de que a arte narrativa pode mobilizar a empatia do leitor ou espectador por seres muito diferentes dele mesmo. Esses pontos em comum permitem especular sobre um improvável diálogo entre a escritora australiana e o cientista americano.

Assinantes da revista podem ler a íntegra do texto neste link.


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