questões cinematográficas
Eduardo Escorel Jan 2011 10h02
2 min de leitura
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Numa primeira leitura rápida, a coluna de Merval Pereira no “Globo” de ontem pode dar impressão de estar endossando a justificativa dos produtores para o fato do filme “Lula, o filho do Brasil” afinal não ter sido escolhido para concorrer ao Oscar na categoria de melhor filme não falado em inglês.
Relendo o texto, porém, o “a se crer” inicial já sugere a possibilidade de não acreditar “na versão dos produtores”. Ainda assim, mesmo não chegando propriamente a acatar a explicação da produtora do filme, Merval Pereira não deixa de parecer estar lhe dando crédito ao reproduzir suas declarações na coluna e fazer certas ilações difíceis de comprovar.
Segundo o colunista, razões políticas e a popularidade do biografado colocaram “o filme inexplicavelmente como o representante do Brasil na disputa do Oscar”. Aos nove integrantes da comissão formada pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura caberia esclarecer se foram esses realmente os critérios da decisão.
Quanto a um suposto “boicote de distribuidores judeus” e “influência de produtores e distribuidores judeus” resultantes das posições políticas de Lula com relação ao Irã – dados como justificativa pela produtora para o fato do filme não ter sido lançado em Nova York, nem selecionado para concorrer ao Oscar –, alguém em sã consciência acredita nisso?
Ao longo de 2010, a cada nova etapa de sua carreira, novas explicações foram sendo dadas para justificar por que o filme “não emplacou”, expressão contida no título da matéria de página inteira do “Globo”, em 17/1/2010. Não estará mais do que na hora de deixar de lado explicações mirabolantes, sendo as mais recentes fruto de paranóia antissemita, e buscar as razões do fracasso no próprio filme?
Depois de ter escrito o comentário acima, li há pouco a coluna de hoje em que Merval Pereira, além de reiterar sua própria opinião de que “Lula, o filho do Brasil” não tem “qualidade para representar o Brasil na disputa do Oscar”, considerando sua escolha “inexplicável”, reproduz declarações de Osias Wurman, cônsul honorário de Israel, em que ele considera “covardia da fracassada produtora atribuir aos judeus o destino desta obra induzida e sem qualidades para um Oscar. Nada a ver com Israel ou lobby judaico.”
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