carta da frança
Ago 2023 07h00
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A morte de Nahel Merzouk, de 17 anos, em Nanterre, na região metropolitana de Paris, desencadeou um turbilhão de manifestações na capital francesa e outras importantes cidades do país. O jovem foi morto por um policial durante uma blitz, em 27 de junho. Duramente reprimidos pela polícia, os protestos resultaram em uma morte, dois feridos graves e cerca de 3,5 mil pessoas presas.
O romancista francês Anthony Passeron, que também é professor em uma escola secundária, escreve na piauí deste mês que a reação furiosa das periferias não é inédita no país. Já ocorreu antes e expressa a revolta de toda uma parte da juventude francesa que cresce à sombra do desenvolvimento econômico das metrópoles e cuja origem étnica lhe rende humilhações frequentes por parte da polícia. “Esse tratamento especial, essa estigmatização dos bairros populares e de seus moradores ressuscitam na França os fantasmas da história colonial do país”, observa Passeron. Para ele, não é só a polícia que sai manchada do episódio recente, mas também os governantes e a mídia, para os quais as periferias francesas são um “ponto cego”.
Os assinantes da revista podem ler o texto na íntegra neste link.