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OS ROLOS DO BRB, O VOTO ECONÔMICO E A TRINCHEIRA EM SP

Imagem Os rolos do BRB, o voto econômico e a trincheira em SP

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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO


Sonora: Rádio piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.

Sonora: Eu pergunto a você, ministro Gilmar Mendes, a Justiça não deveria ser cega?

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!

Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!

Sonora: Temer e Bolsonaro deixaram a tabela do Imposto de Renda congelada por seis anos. Bolsonaro foi ainda mais cruel.

Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.

Sonora: Talvez gastemos muita energia com a polarização que nos leva a nada. Talvez tenhamos uma midiatização exacerbada da vida nacional, enquanto a liderança parece estar cada vez menos conectada aos anseios reais do povo.

Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira e recifenses nos aguardem amanhã, sábado, no Paço do Frevo, no Recife Antigo. Estaremos juntos ao vivo. Não temos mais ingresso, infelizmente ou felizmente. A gente se vê lá! Animados, turma?

Ana Clara Costa: Muito animados!

Fernando de Barros e Silva: Aêê!

Ana Clara Costa: Esperando muito por esse dia.

Celso Rocha de Barros: Isso aí!

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Vamos, agora sim, sem mais delongas, aos assuntos da semana. A gente abre o programa pelas novidades do caso Master. Preso desde a semana passada, o ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB, Paulo Henrique Costa, trocou de advogado nessa quarta-feira e se prepara para fazer a sua delação premiada, assim como Daniel Vorcaro. Crescem com isso as expectativas sobre a extensão e o impacto das delações relacionadas ao escândalo, já que Costa, obviamente, não atuou sozinho na tentativa frustrada de compra do Master pelo BRB. De acordo com a Polícia Federal, Costa recebeu de Vorcaro seis imóveis avaliados em mais de 140 milhões de reais, em troca da facilitação do esquema envolvendo os bancos. No Supremo, as coisas andam bem ruins. Depois de pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue o senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade, Gilmar Mendes fez uma notícia crime contra o ex-governador de Minas, Romeu Zema, pedindo a seu colega Alexandre de Moraes para que o investigue no âmbito do inquérito das fake news. Isso em razão de um vídeo humorístico publicado pelo presidenciável do Novo, que mostrava fantoches de Mendes e Toffoli em conversas telefônicas, combinando trocas de favores pouco republicanas. Zema é um populista de extrema-direita, nós sabemos, mas a reação de Gilmar Mendes acentua a sensação de que a Corte Suprema, já imersa numa profunda crise de credibilidade, é capaz de usar quaisquer instrumentos para agir de forma arbitrária em causa própria. No segundo bloco, a gente olha para os números da economia e discute uma tese muito difundida de que ela, a economia, está perdendo força na definição da disputa eleitoral. O próprio Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, diz que a economia não deve decidir a eleição de 2026. Parece haver um descompasso entre os indicadores favoráveis — desemprego baixo, inflação baixa, programas sociais ampliados — e a percepção do eleitor a respeito de sua vida material. O Celso vai iluminar o assunto para nós. Por fim, no terceiro bloco, a gente trata da eleição de São Paulo. No estado mais populoso do país, parece configurada a disputa pelo governo entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, com vantagem para o governador. A disputa pode até ser decidida em primeiro turno, já que as demais candidaturas, além das duas, mostram reduzidas chances de decolar. Tarcísio é favorito, mas Haddad não está no jogo apenas para cumprir tabela e ajudar a reeleição de Lula. A gente vai entender isso melhor. É isso. Vem com a gente!

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, vamos começar com você. Podemos começar pelo BRB, que tem muita coisa para falar do BRB. E você, já vou avisando os nossos ouvintes, têm uma grande reportagem sobre o assunto na próxima edição da piauí, semana que vem. Confere? Imprensa apurou aqui.

Ana Clara Costa: Esses adjetivos eu não assino embaixo não. Ela é grande em tamanho. Isso é verdade.

Fernando de Barros e Silva: Deixa por conta do apresentador o adjetivo. Vamos lá.

Ana Clara Costa: Bom, só recapitulando um pouco, a gente começou a falar do BRB quando o BRB anunciou que ia comprar o Master em março do ano passado. E aí, essa operação de venda do Master para o BRB, passou por um escrutínio ali do Banco Central, que não aprovou. E por que o Banco Central não aprovou essa compra? Porque ele descobriu que o BRB, desde o ano anterior, ou seja, 2024, vinha injetando dinheiro do Master. Então, o que o BRB fazia? Fingia que ele estava comprando carteiras de crédito do Master, que é um ativo que os bancos comercializam entre eles, a carteira de crédito. Só que o Master não tinha essas carteiras de crédito para vender. Ou seja, eles forjavam uma carteira de crédito por meio de empresas de fachada que o BRB comprava e o Master recebia esse dinheiro. Ou seja, o BRB estava dando um dinheiro para o Master, por que o BRB estaria dando um dinheiro para o Master, né? Por que que um banco faria isso? Pela essência da atividade bancária, a generosidade não está lá na premissa de um estatuto de um banco, né?

Celso Rocha de Barros: Não é uma ONG, né?

Ana Clara Costa: Exato. Você correr esse risco de fazer uma operação fraudulenta para fazer uma doação para um pobre banqueiro como Daniel Vorcaro? É realmente impressionante. Não foi qualquer doação. Foram bilhões. No fim, chegaram ao número de 12 bilhões, entre 2024 e 2025. Corta para agora, o CEO, o presidente do BRB naquela época, que era o Paulo Henrique Costa, foi afastado na época, saiu da presidência do banco e foi preso recentemente porque descobriram que ele recebeu mais de 140 milhões de reais em imóveis do Master do Daniel Vorcaro. A operação, inclusive, que envolveu a prisão dele aconteceu na semana passada, a gente mencionou. Ou seja, o presidente do banco participou desse esquema para entregar esse dinheiro para o Master. Aí a questão é: é um esquema do presidente do BRB? Foi ele que arquitetou isso? O cara tá preso agora. Rapidamente decidiu que vai delatar. Imagina-se que ele saiba bastante coisa. Algumas mensagens dele, do ex-governador Ibaneis Rocha, porque ele se incompatibilizou recentemente, então não está mais no governo. Já saíram algumas mensagens na imprensa do Paulo Henrique Costa com o Ibaneis, em que o Ibaneis pede inclusive argumentos para o Paulo Henrique Costa, para ele defender publicamente a compra do Master na época que eles iam comprar. Ou seja, ele queria defender a compra. Em outros momentos, outras mensagens que acabaram vazando, o Ibaneis faz o contrário, ele fala: "Bom, a pressão pública está muito grande sobre isso. Eu acho que eu não vou aguentar". O Ibaneis nega, ele fala: "essas mensagens... De jeito nenhum elas mostram qualquer interferência minha na negociação. Eu só estava querendo defender uma operação do banco que o banco achava que era viável". É isso que a defesa dele tá dizendo. Mas assim, realmente é plausível que seja um esquema do presidente do BRB, que é um funcionário de carreira da Caixa? Até ontem tinha uma vida de funcionário público, entendeu? Não sei. Pode ser que seja um esquema dele, mas acho pouco plausível. Então, assim, a partir da delação do Paulo Henrique Costa, que vai começar a ser feita agora, a gente pode começar a ter um pouco mais de elementos desse andar de cima que estava operando toda essa estratégia de salvamento do Master no ano passado, de impedir que o Master quebrasse.

Fernando de Barros e Silva: E da delação do Paulo Henrique Costa e do cruzamento das delações do Paulo Henrique Costa e do Vorcaro que supostamente não tiveram tempo, pelo menos desde que o Vorcaro está preso, de combinar uma mesma versão, né?

Ana Clara Costa: Exato. Embora os advogados estejam aí atuando em conjunto, a gente não pode esquecer que é um grupo de advogados que está atuando em conjunto para um grupo de criminosos que querem fazer delação, então não sabemos o que esperar. Agora, o que eu acho curioso que o BRB está tentando vender ativos porque ele está com um rombo em qualquer banco que pega 12 bilhões e entrega para outro de presente. Certamente está com problema de caixa, né? Então o BRB está precisando vender ativos para se capitalizar, para tentar cobrir o rombo que essas operações deixaram. E aí, enfim, isso está sendo negociado no mercado e tal. É possível que o FGC, que é o fundo dos bancos que os bancos fazem para, enfim, intercorrências sistêmicas ali.

Fernando de Barros e Silva: Fundo Garantidor de Crédito.

Ana Clara Costa: Exato, Fundo Garantidor de Crédito, tem que entrar com dinheiro no BRB. Mas eles não querem. Mas tudo depende da avaliação do risco que essa quebra do BRB pode representar. E aí, tem uma outra questão que é política. Como o Celso disse várias vezes e essa atuação do BRB mostra, é um esquema de políticos do centrão e da direita ali, né? Ciro Nogueira, toda essa turma, e o BRB é a expressão disso, né? O Distrito Federal é um governo do Ibaneis, que é MDB, mas totalmente alinhado ao Bolsonaro. Celina Leão era vice. Agora é governadora, né? É a melhor amiga da Michelle Bolsonaro. É um governo de direita para a extrema-direita, o governo do Distrito Federal. Então, assim o governo federal vai querer ajudar esse banco?

Fernando de Barros e Silva: Bom, o secretário de segurança do Ibaneis era o Anderson Torres, ex ministro da Justiça do Bolsonaro e assim como o Ibaneis, personagem central nos episódios que culminaram no 8 de Janeiro.

Ana Clara Costa: Exato. Aí o governo federal vai querer entrar com um auxílio para o BRB, que é o banco dos caras que fizeram toda essa confusão? Provavelmente não. Mas aí deixar quebrar também é uma alternativa possível? Considerando o risco de uma instituição financeira quebrar no Brasil... Também não é. Então, assim, é uma situação que está complicada essa do BRB, e é a grande chance de sobrar para o correntista, para o cara que tem o fundo de previdência dele lá, a chance é imensa. A verdade é essa.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Celso, por falar em pequenos correntistas, sobrou para você. A gente pode falar um pouco do BRB e passar para o Supremo que eu quero te ouvir sobre o Supremo, que eu mencionei na abertura.

Celso Rocha de Barros: É, então, Fernando, a Ana tava falando que quem vai pagar essa conta, né? Então, por exemplo, essa semana o BRB aprovou um aumento de capital social que pode chegar a 8 bilhões para tentar reequilibrar lá as contas do banco. Ainda não está claro, pelo menos pelo que a imprensa publicou, de onde vai sair esses 8 bilhões, mas tem uma grande chance de entrar dinheiro do contribuinte nesse negócio. Seja o contribuinte do Distrito Federal para tomar uma facada histórica que desorganiza completamente as finanças do Distrito Federal. E o que é mais provável é que a governadora do Distrito Federal tenha de empurrar isso para o Governo Federal. Mas, como disse a Ana, eu não vejo porque o Lula faria isso, porque o Lula aceitaria pagar essa conta. Mas, de uma maneira ou de outra, os contribuintes brasileiros vão sofrer com esse negócio de BRB. Vocês podem ter a mais absoluta certeza.

Ana Clara Costa: A mesma questão é o Master que o FGC fez essa cobertura. Se vocês, por um acaso, acham que isso não vai se converter em taxa bancária para todos nós em algum momento?

Celso Rocha de Barros: E é bom você falar isso, porque justamente eu queria chamar a atenção que a gente já começa a ter uma ideia de qual é o tamanho total do escândalo do Master, né? E ele, pelo menos, no mínimo, anda empatando com o petrolão que gerou aquela crise política toda que a gente viu em 2015. O impeachment tá fazendo dez anos agora. As perdas contabilizadas da Petrobras no petrolão foram de 6 bilhões. Então a Petrobras foi lá e botou lá no balanço dela, perdemos 6 bilhões. Mas em 2015, Dallagnol estimou que os prejuízos totais, se você somasse uma série de outros mecanismos de desvios e de perdas, etc, chegariam a 20 bilhões. A Polícia Federal chegou a estimar em 40 bilhões. Mas aí, e usando uma estimativa com a taxa de suborno mais alta de todas, que era 20%. E a gente sabe pelos delatores que grandes operações tiveram muito menor, tipo dois ou três. Então, esses 40 bilhões provavelmente está exagerado. Mas tudo bem, pode deixar o 40 bilhões. E, muita gente diz que teve efeitos do petrolão que eram mais difíceis de medir. Então, por exemplo, o valor da Petrobras caiu. Não dá para botar esse valor inteiro na conta do Petrolão, porque na época também caiu o preço do petróleo no mercado internacional. Teve um monte de coisa de incompetência, de segurar preço de combustível, mas algum efeito disso deve ter tido também. Então teve uma série de efeitos indiretos sobre a coisa. O Master só no toco que eles deram no FGC, já vai mais de 50 bilhões. Então aí você tem o Master e Will Bank, o Banco Pleno e outros bancos ali do ecossistema Master. Além disso, você tem a grana que o Ibaneis botou do BRB lá, que, como bem disse a Ana, foram 12 bilhões e a gente ainda não sabe como vão ser as perdas adicionais que eles ainda vão ter por causa disso. Então, aí você já vai para 60 e tantos e aí você ainda tem o dinheiro de aposentado que governadores e prefeitos botaram no Master, que é basicamente como a Ana disse, no caso do investimento do BRB, dá dinheiro para o Master, porque esse dinheiro não vai voltar nunca. Então, só do Rio de Janeiro já foi 1 bilhão. Então, claramente os dois escândalos já estão na mesma ordem de grandeza. E aqui, como no caso do Petrolão, tem um monte de efeitos que é difícil de medir. Por exemplo, essa grana do FGC, como bem lembrou a Ana, os bancos tiveram que repor. Essa grana que os bancos botaram lá e,ra a grana que estava lá no banco, por exemplo, para ser emprestado para as pessoas. Essa grana não está mais disponível para ser emprestado para as pessoas. O banco vai ter que recuperar dinheiro de algum jeito, ou com tarifa, ou aumentando juros, ou de alguma outra maneira. Isso aí vai bater no bolso de contribuinte que não tem absolutamente nada a ver com Master, nem sabe o que que é isso, mas vai acontecer. Então são dois escândalos daqueles que realmente bate grande na economia, que tem um volume muito diferente do seu escândalo de corrupção regular, né?

Ana Clara Costa: Agora, só lembrando que uma das alegações do Roberto Campos Neto para não ter visto a história do Master acontecer foi porque era um banco de baixo impacto sistêmico.

Celso Rocha de Barros: Pois é.

Ana Clara Costa: Imagina um banco de baixo impacto sistêmico ter resultado em tudo isso que a gente está vendo?

Celso Rocha de Barros: Não, é o que a Ana estava falando aqui comigo na reunião mais cedo, que muda um pouco a ideia do que é ter impacto sistêmico, porque não é tanto uma questão de quanto era o capital gerido pelo Master, é uma questão de as relações dos caras políticas tornavam uma coisa muito mais complexa. Chama a atenção para isso para começar pelo contraste da cobertura e da maneira como está sendo vivenciado politicamente. O Brasil parou completamente por causa do Petrolão. O Brasil foi governado de Curitiba durante um ano e agora tá todo mundo meio assim: "Bom, vamos ver se pega uns cara, né? A culpa é do sistema. Chato isso, né? Segue a vida". E é um contraste bastante instrutivo. Enquanto isso, o Supremo que tá no centro dessa história, né? Você tem ali o Xandão, o Toffoli e o Kássio enrolados com banco, Master, continua completamente alienado da realidade. Então, você vê ali o Gilmar tá completamente sem noção do que tá acontecendo. Ele acha que a vida continua exatamente como era dois anos atrás ou 20 anos atrás. E dentro desse espírito, ele resolveu pedir para enfiarem o Zema no inquérito das fake news por uma palhaçada lá que o Zema fez, botou um videozinho de fantoches lá que era o Toffoli e o Gilmar, e aí o Gilmar fazia um favor para o Toffoli, o Toffoli agradecia, o Gilmar dizia: "Ah, você me compensa com estadia no Tayayá. Uma palhaçada dessa. Um negócio que inclusive parece ser meio sem graça, não é?

Fernando de Barros e Silva: Olha, meu senso de humor é diferente do seu. Eu gargalhei com esse vídeo, mas...

Celso Rocha de Barros: Eu não vi. Eu não vi. Pois é. Talvez seja melhor do que eu esteja dizendo.

Fernando de Barros e Silva: É um vídeo de teor calunioso, cômico. E o Gilmar mordeu a isca.

Celso Rocha de Barros: Mordeu a isca e entregou para o Zema três dias de entrevista em toda a imprensa dizendo que estava sendo perseguido, etc e tal.

Ana Clara Costa: Tanto que Gilmar teve que ele ir para a imprensa dar entrevista.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Para se defender.

Celso Rocha de Barros: Exato, entendeu? Então, assim, foi uma estupidez atroz. Inclusive o Gilmar, você pode dizer o que quiser, mas ele não era inábil politicamente, muito pelo contrário. Isso foi de uma inabilidade de amador, uma inabilidade de calouro, assim, de quem entrou no jogo agora, porque ele ainda não percebeu que os candidatos de direita vão tentar ser processados pelo Supremo? Porque isso vai eleger ele para o Senado, vai eleger eles porque eles quiserem. Então foi uma jogada absolutamente imbecil do Gilmar, que, por sua vez, tinha dado uma resposta legal antes ao Zema, quando ele dizia que o ajuste fiscal do Zema todo mundo sabe que era 100% picaretagem e, basicamente, ele conseguiu uma decisão judicial que permitiu que ele não pagasse conta. Ele não pagava as dívidas de Minas Gerais.

Fernando de Barros e Silva: Precisávamos de uma dessa? Precisava?

Celso Rocha de Barros: Pois é, imagina só se o Haddad pudesse fazer isso? Haddad é o seguinte você tá dispensado de pagar a dívida pública. Pronto, resolver o déficit público em 15 dias. O ajuste fiscal de dezembro é isso. Ele conseguiu que um tribunal desse superior deixasse ele não pagar a dívida de Minas Gerais e o Gilmar dissesse quando era para fazer isso, ele gostava muito dos tribunais superiores. Essa resposta era boa. Ele podia ter se limitado a isso, mas fez questão de fazer a imbecilidade de tentar enfiar o Zema no negócio das fake news, que, como todo mundo já disse, já era para ter acabado.

Fernando de Barros e Silva: O inquérito das fake news é de março de 19 a abertura dele.

Celso Rocha de Barros: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Ele já completou sete anos de vida. Daqui a pouco as bodas de prata do inquérito do Fake News.

Celso Rocha de Barros: Qualquer dia já tem outro golpe e ainda tá no mesmo inquérito de golpe, entendeu?

Fernando de Barros e Silva: É, e o Gilmar agora fez uma rodada de entrevistas aí falando que o inquérito só acaba quando termina. Ou seja, eles não perceberam ou não estão querendo perceber a mudança.

Celso Rocha de Barros: De clima ideológico.

Fernando de Barros e Silva: De humor da sociedade e a mudança objetiva, porque tem cerca de 100 pedidos de impeachment no Senado. Enquanto o Alcolumbre estiver lá, isso não vai prosperar. Os pedidos de impeachment até antes da eclosão desse escândalo e do envolvimento da história do Tóffoli, do Alexandre de Moraes e, possivelmente, do Kassio Nunes Marques. Possivelmente, porque se soube depois que os episódios envolvendo ele têm sido cometidos depois. Mas antes os pedidos de impeachment poderiam ser atribuídos às virtudes do Supremo e às virtudes, especialmente do Xandão, que é o mais visado, é o ministro contra quem tem mais pedidos de impeachment. Não mais porque desde o final do ano passado existem suspeitas muito desabonadoras envolvendo esses personagens. Então mudou o termômetro desse negócio. E o Gilmar Mendes está agindo à moda antiga.

Celso Rocha de Barros: Exato. Como se nada tivesse mudado.

Fernando de Barros e Silva: Como dizia Sócrates para Alcebíades: jovem, isso não vai acabar bem.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. E aí eu só queria lembrar mais duas coisas. Primeiro que, pelo cálculo do pessoal que tá acompanhando, é capaz dessas delações aparecerem bem no meio da campanha, né? Então o Banco Master vai ser um ponto importantíssimo da campanha presidencial esse ano. E eu só queria mais uma vez reiterar o meu choque com o fato que a direita está lucrando com essa crise no Supremo, num escândalo em que tinha muito mais gente de direita do que de qualquer outro lugar e num escândalo que tem do lado do Supremo, o Kassio Nunes, que foi nomeado pelo pai do Flávio Bolsonaro, o Toffoli, que livrou o Flávio Bolsonaro do escândalo das rachadinhas e o Xandão que outro dia tentou uma manobra para limitar o uso de dados do Coaf como ponto de partida de investigações, que é extremamente semelhante à defesa do Flávio no caso das rachadinhas que foi aceita pelo Toffoli. Então esse cara tá se beneficiando do sentimento anti-supremo e antissistema.

Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente encerra então o primeiro bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar da relação entre a sucessão presidencial e o ambiente econômico. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, tá na moda, principalmente entre os analistas políticos, que não estão entre as pessoas que passam necessidade propriamente, dizer que a economia não explica mais os humores do eleitorado. Pode ter um fundo de verdade nisso. Mas, como bom materialista, você há de desconfiar desses argumentos sempre que eles aparecem assim, sem ressalvas, sem nuance. Vamos tentar entender isso.

Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, eu acho o seguinte pode ter uma certa verdade nisso. Nos Estados Unidos eles criaram o termo, que era o Vibe session, o reception das vibes, né? A vibe tá negativa. Tipo, as pessoas estão com uma sensação ruim. O que poderia ser, por exemplo, relacionado a polarização política, cultura de redes sociais e uma série de outras coisas, porque já no governo Biden e inclusive agora no governo Trump, a percepção da economia está pior do que os resultados concretos do que a taxa de desemprego. Uma explicação para essa vibe session americana é que as pessoas podem ainda estar profundamente insatisfeitas com a queda de qualidade de vida que elas tiveram naquela subida grande de preços que teve depois da pandemia. Porque quando a gente diz que a inflação caiu, a gente tá querendo dizer que os preços estão subindo mais devagar, mas os preços não caíram. Então, assim, você pode estar meio que parado na quantidade de arroz que você pode comprar, pode ter parado de piorar, mas que você queria mesmo é que o governo desse um jeito de você poder voltar a comprar a mesma quantidade de arroz que você comprava antes. Então, assim, nos Estados Unidos, há muito essa percepção de que as pessoas estão insatisfeitas com o nível dos preços e não com o ritmo de crescimento. E o nível deu um salto grande ali depois da pandemia que vem derrubando governos mundo afora esse tempo todo, né? Então, assim, a gente tem que ver se isso também não tá acontecendo aqui. Pra vocês terem uma ideia, recentemente, o Haddad deu uma entrevista dizendo que ele acha que a economia esse ano nem ganha nem perde a eleição para o Lula, o que deve ser verdade, inclusive. Mas assim, pelos números da economia atuais, devia estar ganhando. Então, assim, alguma coisa realmente está diferente. Tem uma coisa que os americanos chamam de Misery index, que aqui o pessoal às vezes traduz literalmente como índice de miséria, mas não é isso. É índice de mal estar, de depressão, de tristeza, enfim, que seria simplesmente a soma da taxa de inflação com a taxa de desemprego e o índice de mal estar no Brasil esse ano tem grandes chances de ser o menor de todos os tempos. O desemprego está baixo, a inflação também está baixa. Então, pelo critério tradicional, o Lula devia estar mais popular e essa eleição provavelmente já devia estar ganha. Obviamente não está. Aí eu acho que cabe algumas considerações antes da gente embarcar totalmente na tese do vibe session, na tese de que a economia não importa. Primeiro, a economia está desacelerando, a economia continua num estado bom, o desemprego está baixo, a inflação está baixa, mas o Banco Central subiu muito os juros e, eventualmente, a economia ia desacelerar. Então, por exemplo, o ano passado o crescimento do PIB foi de 2,3 para o padrão do Brasil nos últimos dez anos, até que a média do crescimento no terceiro governo Lula foi melhor. Os índices do Lula são bem melhores que os índices do Bolsonaro, por exemplo. Mas esses índices do Bolsonaro eram muito baixos.

Fernando de Barros e Silva: Bom, teve a pandemia durante o governo do Bolsonaro.

Celso Rocha de Barros: O Bolsonaro teve a pandemia, depois teve o rebote da pandemia, que cresceu bastante, mas no geral o índice foi baixo, mas realmente não é o melhor critério para avaliar o governo Bolsonaro o PIB. Mas, enfim, voltando, esse índice de 2 a 3% de crescimento do ano passado não é alto para caramba. Não é um negócio que em comparação internacional, o cara olha para o Brasil e fala: "pô, tá bombando aqui, não sei o quê". Não é verdade. A coisa tá desacelerando. E aí, se o Lula perder a eleição, é provável que o pessoal do PT vai botar a culpa no Galípolo dizendo: "olha só, você subiu os juros e a gente entrou no ano eleitoral desacelerando". Ao que os defensores do Galípolo vão poder dizer: "Bom, mas aí a culpa é de vocês que no final de 2024 teve aquele episódio em que o Haddad anunciou o ajuste fiscal e a reforma do imposto de Renda ao mesmo tempo, mas sem a proposta concreta da reforma do imposto de Renda. O pessoal do mercado não sabia o que ia acontecer com os investimentos isentos, com aqueles investimentos que não tinham imposto de renda. Todo mundo fugiu para o dólar. O dólar disparou, a expectativa de inflação subiu, o Banco Central teve que disparar os juros!. Então, vai ficar uma briga aí do pessoal dizendo se a culpa é do Galípolo que subiu os juros ou do Rui Costa, da Gleisi, que sabotaram o Haddad dentro do governo naqueles meses lá. No meio da desaceleração, a gente já tá com um problema razoável, que é o preço do combustível, porque o nosso amigo Donald Trump resolveu invadir o Irã sem ter a menor ideia do que está fazendo. E agora ninguém tem a menor ideia do que vai acontecer com o preço do combustível. Então, isso também impressiona não só a inflação, como dificulta para o Banco Central baixar os juros. E acho que a gente também tem que prestar atenção se aquelas coisas econômicas que a gente tratava antigamente ainda têm o mesmo significado. Por exemplo, o desemprego está muito baixo. O pessoal que defende a reforma trabalhista costuma dizer que parte desse desemprego baixo é por causa da reforma trabalhista, que diminuiu o custo de empregar gente, facilitou a vida do empregador. Não tem, assim, uma massa de estudos atualmente que prove isso? Não, mas é possível que seja verdade. Agora, é possível também que tem aumentado a oferta de empregos, mas caído a qualidade dos empregos. Isso era uma previsão comum na época da reforma trabalhista. Então, pode ser que esse pessoal que esteja com esses empregos atualmente simplesmente não esteja tão satisfeito quanto o cara que tinha aqueles empregos anteriores que vinham com mais direitos. Então, se isso...

Ana Clara Costa: Tem a questão dos aplicativos.

Celso Rocha de Barros: Exato. Isso somado à...

Ana Clara Costa: Tem gente que está preferindo trabalhar no aplicativo do que numa vaga formal, que é a vaga do IBGE.

Celso Rocha de Barros: Isso. Exatamente. Então, assim, você somando isso com uberização, etc, pode estar tendo uma menor associação entre emprego e satisfação com o governo, entendeu? O que não quer dizer, necessariamente, que a economia ficou menos importante. E, finalmente, na questão do endividamento, que a gente já falou aqui, dois programas atrás que bate na popularidade do governo por dois lados. Primeiro, porque o dinheiro que a pessoa tem para gastar diminui. Quer dizer, você ganha 100, mas você tem que pagar 20 de dívida. Você não ganha 100 e você chegava 100, passou a ganhar 110, mas agora você deve 20. Você tá com menos dinheiro no bolso. Então, assim, o endividamento tira a sua renda disponível, tira a grana que você tem para gastar. E, em segundo lugar, se tá todo mundo pegando dívida, a população está especialmente sensível ao aumento de juros. Então assim, é possível também que, na verdade, esse aumento de renda não esteja pesando na popularidade porque ele não esteja se concretizando na vida das pessoas. Então, por exemplo, o cara pode ter ganhado de fato uma boa ajuda com a reforma do imposto de renda. Mas se o endividamento dele subiu muito, ele pode ter a sensação de "pô, eu estou ganhando menos do que eu estava, do mesmo jeito". Eu acho que deve ter alguma verdade no negócio de vibe session, acho que tem um certo lado que é a pessoa, por exemplo, tá tão polarizada que se o governo que apoia fazer uma besteira, ela vai dizer que é sabotagem do adversário, ou se aconteceu um negócio muito bom, ele não vai dar esse crédito para o governo que ele faz oposição. Eu acho que isso existe também, mas eu acho que a gente tem que tomar cuidado assim para não ir nem tanto ao mar, nem tanto à terra nessa discussão sobre qual vai ser o papel da economia na eleição desse ano.

Fernando de Barros e Silva: Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre isso. Você apurou, conversando com pessoas do governo. Como é que o governo está diagnosticando esse problema? E que providências está tomando?

Ana Clara Costa: Primeiro, o que a gente precisa ter em mente é que, em geral, quando você tem uma eleição em que há um projeto de reeleição, essa eleição sempre vai ser sobre o governo vigente, se ele merece ou não ficar. E a tendência do eleitor é sempre ter uma visão mais crítica com o governo vigente do que com o governo que almeja substituí-lo, né? Então, a gente já parte de um início em que o governo precisa mostrar muito mais do que o cara que está querendo disputar com ele. E aí, nesse caso, como o Flávio Bolsonaro nunca governou de fato, ele realmente só tem para apresentar ilusões do que ele gostaria de fazer. Então, assim, para o governo é uma corrida mais difícil e a situação dentro do governo hoje tá tensa. O governo sabe que o que ele tem para fazer a essa altura do campeonato é apresentar o que foi feito, é comunicar para a população o que ele fez e o que ele está pretendendo fazer até a campanha começar. E aí, por mais que você possa entrar nessa reflexão hoje dentro do governo, será que as medidas econômicas são o que as pessoas querem? Será que é isso que vai impactar o voto ou não, etc. Não há tempo hábil de pensar em outra coisa. O que existe para hoje são essas medidas, que é o clássico do PT. E o Lula fez muito isso. Esse governo, o auxílio-gás, o Luz do Povo, essa questão do consignado desde o ano passado, que tem um efeito um pouco ambíguo, porque desde o ano passado eles ajustaram ali a regulação para liberar o tal do consignado do trabalhador. Esse consignado do trabalhador é um crédito, digamos, mais barato do que um crédito no banco, mas não é tão barato quanto consignado para servidor público. Então, assim, é um crédito caro, mas ainda é um pouco mais barato que o crédito bancário. Então eles deram uma estimulada legal nesse crédito no ano passado. E quem tomou outros créditos também por outras razões, o cartão de crédito, etc, está endividado. Então, assim, era uma medida que eles estimularam ali para tentar estimular o consumo, a economia, fazer girar, etc, o clássico, e que teve um efeito rebote, que é esse alto endividamento da população, sobretudo de baixa renda e, nesse caso, do crédito do trabalhador. Eles acabaram também fazendo um modelo que você podia dar 10% do seu saldo do FGTS como garantia para tentar diminuir um pouco a taxa de juro, mas ainda assim é altíssima. Bom, o fato é que, diante dessa questão do endividamento, o governo está buscando alternativas. E uma das alternativas que o Lula pediu e que teve uma reunião tensa no Palácio com Sidônio. Enfim, todo mundo ali ele cobrou pesadamente, porque se chegou a essa conclusão, o problema é o endividamento. Por isso que as medidas econômicas não fazem efeito, porque a população está endividada. E isso que eles discutiram lá. O Lula chegou e falou assim: "Então dá um jeito de acabar com essa dívida". Não vou entrar no mérito se isso é a melhor coisa a se fazer, é porque é uma medida altamente eleitoreira. Você falava pagar a dívida pessoal no ano de eleição, mas aí eles pariram ali muito rapidamente o tal do Desenrola Dois, que é esse programa para ajudar a saldar ali o endividamento das pessoas. E aí, você tá no governo hoje vivendo uma situação que é a equipe econômica, que não tá mais com Haddad, agora está com o Dario Durigan, que era o Secretário Executivo do Haddad, está super pressionada para produzir algo de impacto nesse campo econômico, diante do pouco efeito em popularidade de medidas como a da isenção do IR. E essa pressão na equipe econômica, ela vem com uma certa dose de desespero do governo.

Fernando de Barros e Silva: Desesperado, a palavra?

Ana Clara Costa: Estou falando desesperado com o pouco impacto das medidas econômicas, tá? É sobre isso. O Palácio do Planalto já tende a contemporizar, a dizer "ah, a campanha ainda não começou, ainda tem tempo. As coisas não estão definidas ainda, as pessoas não estão falando de eleição, as pessoas não estão pensando em eleição". É esse um pouco o discurso assim, mas eu tendo a ir com a equipe econômica, eu acho que o governo tá meio desesperado mesmo diante disso. E eu sei porque eu acompanho esse assunto ao longo deste governo inteiro. E eu me lembro muito bem de mais ou menos há uns dois anos, quando eles estavam debatendo a história da isenção do IR e o governo estava muito certo de que isso era garantia para a reeleição. E eu falei aqui, eu me lembro, naquela época, que duas coisas que eles estavam contando muito como algo concreto para reeleição era a isenção do IR, porque ela atinge uma população que, digamos, votou no Bolsonaro porque uma renda acima de 5000, né? Dentro dos levantamentos eleitorais de 2022, eram o eleitor bolsonarista. E a questão da desoneração da cesta básica também era um ponto que eles estavam contando muito como incentivo para a reeleição do governo. Nada disso tem impacto hoje nas pesquisas, pelo que a gente vê. Agora, numa das conversas que eu tive com Felipe Nunes, da Quaest sobre esse assunto, uma das coisas que ele me apresentou em pesquisas qualitativas que eles estão fazendo é uma coisa que foi muito forte no primeiro governo Lula e no segundo governo Lula e que agora tá meio descalibrada, que é o seguinte: os programas econômicos ou os benefícios sociais dos primeiros governos, eles eram muito calcados na ideia de você mudar de patamar de vida. Então, assim, agora você vai poder andar de avião porque era o filho do rico que andava, era o rico que andava. Agora você vai poder andar. Você vai poder ir para a universidade, que antes era só o filho do rico que ia. Então todos os programas tinham um pouco esse viés de mudança de patamar.

Fernando de Barros e Silva: Mobilidade social.

Ana Clara Costa: É, do status, né? Agora eu vou ter aquele status e hoje, se você pegar auxílio-gás, Luz do Povo, a isenção, por mais que sejam programas focados na renda, a forma como eles são empacotados não é te colocando no status acima. Por mais que o Lula falou, "essa isenção do imposto de renda vai te dar um décimo quarto salário". Pô, legal, 14.º salário. Mas assim, essa é uma ideia de status? Então, isso é uma coisa que nesses programas deste governo, eles não estão calibrando os programas para essa coisa da população brasileira. Essa sensação. Aliado a isso, você tem essa questão da economia informal, dos aplicativos, que as pessoas enxergam isso como uma forma de complemento de renda. É uma forma necessária e fundamental de complemento de renda. Então elas querem que isso seja mais fácil possível. Você conseguir trabalhar no aplicativo, seja ele qual for. Que isso seja fácil, que seja uma coisa não burocratizada e etc. E o governo está agindo no sentido de regulamentar e a forma como isso é comunicado para a população, eu não sei se é, enfim, de uma forma que não crie mais burocracia. A pauta das 6x1 é uma pauta relevante para o governo hoje. A CLT hoje, principalmente para a população jovem, a gente falou que várias vezes, assim, você tem trend no Twitter, no Tik Tok, no Instagram, sei lá, nas redes sociais de gente comemorando sair da CLT. O jovem, hoje, a CLT não é o que ele almeja. Ele quer poder compor a renda dele com mil possibilidades de trabalho e, enfim, acho que vale a pena a gente levar em consideração esses fatores sociais assim da sociedade brasileira e, independente de quem ganhar, o que está parecendo é que os anseios da população por melhora na qualidade de vida, eles não estão mais passando pelo caminho tradicional da ascensão que é a universidade e um bom emprego. lr para a universidade, eu tenho dúvidas até que ponto essa nova geração do Tik Tok acha que isso é importante, e ter um bom emprego tradicional, também tenho dúvidas se isso é o que almeja esse pessoal que tem 18 anos hoje.

Fernando de Barros e Silva: Faz muito sentido. Ana, no campo da direita da candidatura mais bem colocada, que é a do Flávio Bolsonaro, quem está assessorando o Flávio Bolsonaro na economia? Em que pé nós estamos?

Ana Clara Costa: Bom, eles divulgaram algumas coisas essa semana. O mercado está pedindo muito. Eles querem um nome para já bancar assim, sem vergonha nenhuma. Nem medo, né? O Paulo Guedes está assessorando o Flávio informalmente e virtualmente. Agora ele está indo para Brasília para assessorar pessoalmente. O Gustavo Montezano, que foi presidente do BNDES no governo Bolsonaro, também. Ele está, digamos, mais forte nisso. Assim, está mais dedicado. O Adolfo Sachsida...

Fernando de Barros e Silva: Nossa Senhora! Casca de Bala vai ter uma síncope.

Celso Rocha de Barros: Caralho! É um pior que o outro! O Guedes é disparado o melhor, disparado assim.

Fernando de Barros e Silva: Com isso, já dá para a gente saber o que você tá pensando.

Celso Rocha de Barros: É o famoso craque que chuta com as quatro.

Ana Clara Costa: O Sachsida era o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Paulo Guedes, e depois virou ministro de Minas e Energia. E aí, você tem o Rogério Marinho, senador, também muito presente ali na sua equipe, que também foi secretário da reforma da Previdência no governo Bolsonaro, no ministério do Paulo Guedes. E aí você tem também, quem tá trabalhando muito nessa turma aí é o Eduardo Cury, que é um ex-deputado de São Paulo e um cara tucano que foi para o PL e que está atuando junto com o Rogério Marinho ali, nessas conversas econômicas, digamos. E aí tem a Daniela Marques, que também trabalhou no Ministério da Fazenda com Paulo Guedes. Na verdade, ela trabalha com Paulo Guedes, desde quase recém-formada, trabalhava com ele no mercado financeiro, depois foi para o governo com ele, voltou para o mercado financeiro e agora está com a roupa pronta para o governo Flávio, entendeu? Então, essa é a turma do Flávio hoje. Voltando ao que eu disse no início da minha fala, não é sobre eles, não é sobre os projetos que eles vão apresentar ou que eles fizeram, né? Pode ser que na campanha o governo foque nessa coisa do que foi o legado do Paulo Guedes, se Paulo Guedes, de fato, se envolver. Mas assim, eles podem formar a equipe que for ali. A decisão do eleitor vai ser mais sobre este governo, o que é uma infelicidade quando se vê a comparação e o que fez esse governo Bolsonaro na economia, pensar que isso não vai estar sob escrutínio, né? Nessa eleição.

Celso Rocha de Barros: O Flávio, a estratégia de campanha até agora dele foi meio sumida. Tentar virar uma alternativa em geral, né?

Fernando de Barros e Silva: Sim, é até agora bem sucedida. De tudo que se está falando, fica claro que o mercado só está querendo algumas garantias para embarcar com as quatro, como disse o Celso. Para embarcar.

Ana Clara Costa: Eu não sei se tá esperando. Pensando bem, eu acho que tá todo mundo...

Celso Rocha de Barros: Bom, eles já vão votar, mas eles não estão contentes.

Fernando de Barros e Silva: Mas pedem algumas garantias. Enfim, essas coisas estão em curso. Isso que eu tô falando.

Ana Clara Costa: É só pra ter discurso, né? As garantias é só para ter discurso.

Celso Rocha de Barros: E acho que assim eles, de fato, preferiam outro candidato. Sem dúvida. Assim, eles estavam contando com Tarcísio uma coisa dessa.

Fernando de Barros e Silva: Preferiam o Tarcísio. Nós vamos falar disso no próximo bloco. Então, eu aproveito a deixa, a gente encerra o segundo bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar justamente da sucessão no estado de São Paulo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. Disputa em São Paulo está polarizada entre o governador Tarcísio, Republicanos, e a candidatura do Haddad, que, em princípio, não queria ser candidato e está lá para ajudar a eleição presidencial do Lula. Nos bastidores se falava e ainda se fala, a chance dele ganhar é muito pequena. Não é, porém, inexistente. Qual é a apuração que você tem a respeito das movimentações dos dois lados?

Ana Clara Costa: Bom, Fernando, acho que primeiro a gente tem que dizer que a eleição de São Paulo ela é meio que uma amálgama de tudo que a gente está falando aqui nos outros blocos que vai contar na eleição presidencial. A questão econômica é um ponto importante. Em São Paulo, por exemplo, a gente falou aqui dessa questão do emprego formal, da CLT, do mercado de trabalho, São Paulo é onde isso está muito patente, porque é lá que você tem uma economia informal muito ativa. Essa questão dos aplicativos e tudo mais. É lá que o Pablo Marçal quase se elegeu prefeito vendendo essa ideia desse falso empreendedorismo como a salvação para as pessoas. O Pablo Marçal, inclusive, deu entrevistas dizendo que vai ajudar o Flávio, que vai ajudar quem for preciso contra o PT nessa eleição. Inclusive, no aspecto das redes. A questão da segurança pública está no Brasil inteiro. Não tem discussão. Mas em São Paulo, por ser o berço do PCC e ser uma cidade já super violenta, por si, é uma questão mais forte. A sensação de violência em São Paulo é uma coisa, de novo, cresceu no Brasil inteiro, mas em São Paulo isso é particularmente forte. Então, tudo que a gente está considerando para essa eleição presidencial em São Paulo, ela está sendo como se fosse um laboratório, entendeu? Disso tudo. E acho que, por isso, que o trabalho do Haddad talvez seja mais difícil do que foi nos outros pleitos, né? E vai ser difícil porque você tem um adversário ali que, embora não tenha resolvido a vida econômica de São Paulo, digamos, o Celso, me lembro que até falou aqui quando a gente estava conversando sobre as contas públicas dos Estados alguns anos atrás, que o Tarcísio, na verdade estava arrumando a casa em São Paulo e entregando a dívida para o governo federal.

Celso Rocha de Barros: O plano de ajuste fiscal do Tarcísio era pedir dinheiro para Haddad, basicamente.

Ana Clara Costa: Pois é. Enfim, é um estado em que o Tarcísio, digamos, não resolveu. A questão econômica também não atrapalhou tanto, mas também não resolveu. Longe de resolver a questão da segurança pública, a questão da sensação de insegurança que as pessoas têm, embora nem sempre as pessoas olhem para isso como sendo uma responsabilidade do governo estadual, as pessoas tendem a associar tudo de importante saúde, violência, etc. Ao governo federal, ao presidente, que é a figura que mais aparece, digamos. Então, por mais que aquela escola seja atribuição do governo estadual manter, se ela tá ruim, o governo é uma coisa maior e geralmente envolve presidente, né?

Fernando de Barros e Silva: E roubo de celular, por exemplo, que é um crime muito frequente, é um pequeno crime, é um pequeno crime, quando não é com você, mas acontece uma quantidade tão grande. Todo mundo tem medo em São Paulo, de andar com o celular dentro do carro.

Celso Rocha de Barros: Não, e roubo de celular para o brasileiro pobre é o cara que o celular quando é roubado, o cara pagou uma de 15 prestações, vai ter que pagar as outras 14 sem ter celular, então, enfim...

Fernando de Barros e Silva: Tem um transtorno. Um dano financeiro gigantesco desorganiza a vida da pessoa.

Celso Rocha de Barros: Se o cara trabalha com aplicativo, ele está desempregado.

Fernando de Barros e Silva: Exatamente.

Ana Clara Costa: Pois é. E a questão é que isso não está sendo associado ao Tarcísio. Ele continua com a popularidade alta. Chance de reeleição dele é grande. É possível que ele trabalhe em parceria com o Pablo Marçal nessa questão dos jovens e etc. Enfim, que seja uma coligação só ali, né? É uma situação complicada, porque foram as as grandes cidades, sobretudo São Paulo, a Grande São Paulo, a grande Belo Horizonte, foram muito decisivas na eleição passada. E a grande questão agora é se essa população dessas regiões metropolitanas está enxergando no que o governo fez, algo que mereça ser repetido. É uma zona muito perigosa para o governo e é onde a turma do Flávio, do Tarcísio, é onde eles vão chegar junto, né? Toda essa região metropolitana de São Paulo, BH lá vai ser, na verdade, a grande eleição. Não vai ser nas regiões que já estão completamente calcificados, né? Vai ser ali. Agora, para o Flávio, independente de Tarcísio estar com a eleição dele garantida ou não em São Paulo. O que as pesquisas mostram que está. O Flávio precisa do Tarcísio em São Paulo. Ele precisa que o Tarcísio se engaje na campanha dele. Ele precisa que o Tarcísio vá para a rua para ajudá-lo. E até este momento, o Tarcísio não deu indícios de que vai fazer isso porque, primeiro, nunca se deu bem com o Flávio, nunca se deu bem com os filhos de uma forma geral. Talvez com o Flávio tenha sido a melhor relação entre os três filhos, mas nunca chegou ao ponto de ser uma relação de amizade. Pelo contrário, o Tarcísio sempre achou o Flávio um ladrão, picareta, desonesto, corrupto.

Celso Rocha de Barros: De onde ele terá tirado essa imagem?

Ana Clara Costa: Tanto que quando o Tarcísio estava naquela coisa, será que ele ia ser o candidato ou não? Quando ele estava se movimentando para tentar se cacifar, ele falava nos bastidores que, como vice, ele topava a Michelle Bolsonaro, mas não o Flávio. Então, assim, até que ponto Tarcísio vai se engajar nessa campanha? Não se sabe.

Fernando de Barros e Silva: Eles são rivais, inclusive. 2030 está muito distante, enfim. Mas, em tese, o Tarcísio é candidato à Presidência em 2030.

Celso Rocha de Barros: E é muito mais difícil ele ser candidato a 2030 se o Flávio ganhar agora.

Fernando de Barros e Silva: É sim. Exato.

Ana Clara Costa: Só para concluir, diante da situação do Tarcísio, a gente poderia dizer: "Nossa, né? O Tarcísio deve tá soltando rojão. O cara tá bem nas pesquisas, tá tudo certo. A reeleição quase garantida ali para ele, a vida ganha para ele", ele poderia estar soltando fogos e tudo certo. Não é o que está acontecendo, assim, o clima no governo Tarcísio, é totalmente desânimo. Tá todo mundo muito desestimulado e frustrado com o fato de ele nem sequer ter falado com o Bolsonaro sobre a possibilidade dele se candidatar, porque o que se fala nos bastidores é isso que ele não chegou a falar para o Bolsonaro. "Olha, eu quero. Se você quiser me considerar, saiba que eu estou a fim". Ele não teve essa conversa. A conversa dele com Bolsonaro sempre foi "o que você achar melhor, é isso". Nunca se colocou de fato para o cargo. Então, assim, como a equipe dele acha que ele ganharia fácil eleição presidencial, eles estão bem frustrados com ter que ficar mais quatro anos recebendo prefeito do interior de São Paulo ali, entendeu? Que é uma coisa que o Tarcísio não gosta, a equipe dele não gosta, o Kassab gosta muito e por isso tá convertendo todo mundo para o PSD.

Fernando de Barros e Silva: Esse é o ponto que eu queria falar. O Kassab oficialmente está apoiando o Tarcísio já manifestou isso, embora ele tenha se afastado do Tarcísio.

Ana Clara Costa: É, a relação está muito difícil entre eles.

Fernando de Barros e Silva: Ele oficialmente apoia o Tarcísio, mas não sabemos o tipo de conversa que ele está tendo com o Lula e isso pode ter algum impacto na eleição, porque o PSD é disparado o partido com o maior número de prefeituras no estado de São Paulo. Elegeu mais de 200 prefeitos na última eleição. E a vantagem do Tarcísio, historicamente, a vantagem do campo da direita e do adversário do PT, é no interior. Na capital, a disputa é muito mais acirrada. Então, o Tarcísio depende de um bom desempenho no interior do Estado para vencer. Eu tenho dúvida de como o Kassab vai se comportar ainda. Eu acho que até o Kassab tem dúvida. Por enquanto, ele está em aberto.

Ana Clara Costa: A situação é complicada porque o Felício, que é o vice e que o Tarcísio disse que vai se manter vice, não sei se vai se manter, mas o que ele disse até agora que vai se manter o vice na chapa dele. Ele se desfiliou do PSD, do Kassab, se filiou ao MDB numa demonstração clara de que a relação com o Kassab está ruim. A partir do momento que o vice se desfiliar do PSD, porque realmente as coisas azedaram ali.

Fernando de Barros e Silva: Inclusive, porque se o Haddad ganha o governo de São Paulo, o que não é provável, mas se ele ganha no dia seguinte já é candidato à sucessão do Lula em 2030. E o Kassab quer ser governador de São Paulo, todos sabemos, em 2030. Até nisso as coisas combinariam. Vamos lá, Casca, explique as coisas de São Paulo que Ana Clara chama de lá. Lá em São Paulo, lá não sei onde, é uma facada em meu coração cada vez que ela diz.

Celso Rocha de Barros: Essa foi boa, cara.

Ana Clara Costa: Ai, você não se conforma com a minha carioquice.

Fernando de Barros e Silva: Não, ok?

Fernando de Barros e Silva: Lá em São Paulo, ela fala o lá, lá em São Paulo, lá que não sei que lá, lá não, aqui.

Ana Clara Costa: Nessa terra onde eu não quero nunca mais pisar.

Celso Rocha de Barros: Ao contrário do Tarcísio que saiu daqui. Porra, Ana Clara, pelo amor de Deus, vira governadora do Rio.

Fernando de Barros e Silva: Ana Clara é nossa governadora.

Celso Rocha de Barros: Pelo amor de Deus! Então, Fernando, o Haddad recebeu uma boa notícia recentemente e até acho que o mais inesperado que foi a pesquisa da Atlas. Na pesquisa Atlas, ele parte acima de 40%. Ele continua perdendo do Tarcísio. Tarcísio pode ganhar no primeiro turno e até agora, pelo menos, está com cara de eleição de primeiro turno. Mas que, cara, não é fora completamente do normal o Haddad ganhar no primeiro turno porque não tá com cara que vai ter o segundo turno. Vai ser a mesma coisa, aparentemente. Pode até ter segundo turno, porque alguém pode ter 3% lá, mas os outros candidatos, além dos dois, estão marcando muito pouco na pesquisa. E um deles é o Kim Kataguiri, pela Missão que aquela porcaria de partido do MBL, mas que não sei se vale a pena perder tempo com isso, mas anda com um negócio muito bizarro para quem tiver interesse em acompanhar o atual situação do MBL. Eu não sei se o Kim Kataguiri vai ser candidato a governador sabendo que ele pode se eleger deputado facilmente e a chance dele para governadora é muito remota. Então, não sei se esse cara vai ser candidato, para falar a verdade. Então tá com cara que vai ser uma eleição muito polarizada. E agora o Haddad começou num patamar, ao menos acreditando aqui na Atlas, ele começou num patamar bastante bom e começou mais ou menos o patamar que ele saiu do último segundo turno. É melhor do que o pessoal esperava e é melhor do que as outras pesquisas estavam dando. Então, no mínimo, o Haddad parece bem posicionado para fazer a mesma coisa de puxar voto para o Lula dentro de São Paulo, né? Agora ele tem chance de ganhar? Bom, como a gente já disse aqui, o Tarcísio ainda é o franco favorito, inclusive com boa chance de ganhar no primeiro turno. Primeiro, que a maldição do incumbente, que a gente sempre está falando, ainda não chegou nos governos estaduais. Quer dizer, se você ser situação para governador ainda é uma uma vantagem razoável. Provavelmente porque ninguém bota a culpa em governador por questão de economia ou coisa que o valha. Segundo, os índices de aprovação do Tarcísio são bons. E terceiro, porque a esquerda nunca ganhou o Estado de São Paulo, né? Acho que ele já ganhou a prefeitura de São Paulo algumas vezes. O Haddad ganhou a região metropolitana na última eleição para governador.

Fernando de Barros e Silva: É a esquerda já ganhou a prefeitura com a Erundina, com a Marta e com o próprio Haddad.

Celso Rocha de Barros: E com o próprio Haddad.

Fernando de Barros e Silva: Além do Covas. Mas o Covas não foi eleito, né?

Ana Clara Costa: A esquerda nunca ganhou quando o Lula tinha 75% de popularidade.

Celso Rocha de Barros: Exato. Então, assim, é um território hostil. O interior de São Paulo.

Fernando de Barros e Silva: É o interior, o interior de São Paulo, que a Ana Clara conhece bem. Ela finge que...

Ana Clara Costa: Minha origem.

Celso Rocha de Barros: Embora, é bom que seja dito que anos 90, por exemplo, o PT ganhava um monte de prefeitura no interior de São Paulo.

Ana Clara Costa: A prefeitura de Araçatuba, inclusive já ganhou, Fernando.

Celso Rocha de Barros: Já ganhou Campinas, agora Ribeirão Preto, ganhou um monte de coisa.

Fernando de Barros e Silva: Em Guarulhos, que é a segunda maior cidade do estado, maior que Campinas hoje.

Celso Rocha de Barros: Olha só! E tinha Diadema, Diadema, o PT, os petistas ganhavam sempre a eleição, recentemente que parou, enfim. Mas é realmente é uma dificuldade grande para o Haddad ganhar esse interior. Agora tem algumas coisas que realmente complica um pouco esse quadro. Uma é o que a Ana falou. O Tarcísio saiu menor dessa pré-candidatura dele a presidente. Ele teve uma campanha de mídia extraordinária a favor dele, teve uma elevação de expectativas sobre ele como estadista, como líder, não sei o que lá muito grande nesse processo de construção do Tarcísio como candidato a presidente. E no final é o que a Ana falou, ele nem pediu para ser candidato. Quer dizer, o Bolsonaro falou "Tarcísio, você não é candidato". Tarcísio falou "sim, senhor". No final, quer dizer, o Tarcísio caiu de presidenciável para o candidato do Bolsonaro em São Paulo. Esse dano de imagem a gente não sabe muito como vai ser processado, até porque você vai dizer que ele quer ser candidato na próxima eleição presidencial. Eu já disse aqui isso se der certo para ele, é a primeira vez que dá certo para alguém, porque todo cara que eu já vi dizer "não, não vou nessa que eu vou na próxima", quando chegar na próxima situação completamente diferente.

Ana Clara Costa: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Exatamente.

Celso Rocha de Barros: Se não for preso no meio do caminho, que também tem precedente.

Fernando de Barros e Silva: Se for no Rio, o cara para ser candidato, precisa ser preso.

Celso Rocha de Barros: Já tem que ter, já tem que concorrer preso Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Tem que concorrer preso. Quase um "o senhor ainda não foi preso, não está apto a".

Celso Rocha de Barros: Exatamente, tem que fazer campanha naqueles celulares dentro do presídio. Mas enfim, o Tarcísio é o menor dessa briga, né? Essa reorganização dentro do Tarcisismo, que botou o Kassab meio para escanteio e fez subir gente como o Temer, por exemplo. Vou ser honesto com vocês. É algo que eu ainda não entendi. Eu, se fosse o Tarcísio, não faria isso.

Ana Clara Costa: É porque ele não confia no Kassab, confia no Temer.

Celso Rocha de Barros: Então, isso que eu ia dizer... você não confiar no Kassab. Pô, parabéns, está certíssimo. Vê-se que você é um cara inteligente, mas você confia no Temer? Então, pô, Tarcísio. Então, assim é um negócio meio esquisito assim. E esses caras não tem voto, né gente? E o MDB ainda tem muito prefeito. Mas não é o negócio que era antigamente.

Fernando de Barros e Silva: Eu tô vendo aqui, Celso, só porque é curioso isso, o MDB elegeu 66 prefeitos, acho.

Celso Rocha de Barros: Tem muito, o MDB é um partido de prefeitos atualmente.

Fernando de Barros e Silva: 66 prefeitos em São Paulo. E o PSD, do Kassab, elegeu 206.

Celso Rocha de Barros: Pois é, é bem maior.

Fernando de Barros e Silva: O PL foi o segundo partido que mais elegeu o prefeito de São Paulo.

Celso Rocha de Barros: Sim, porque essa coisa do PT não conseguir entrar no interior é porque tem uma rede de prefeitos do interior, rede de máquinas políticas do interior muito bem azeitada, muito bem articulada, que o PSDB, quando ganhou o controle sobre isso, passou a vencer o governo de São Paulo quase que automaticamente, né, cara? A gente nem tinha interesse muito em acompanhar a eleição de São Paulo porque a gente sabia que o PSDB ia ganhar de qualquer jeito e a princípio, essa máquina passou para o Kassab e para o Tarcísio. Então, assim, por que essa reorganização interna dentro do movimento do Tarcísio? Eu vou ser honesto...

Ana Clara Costa: Eu posso te explicar.

Celso Rocha de Barros: Eu quero ver.

Ana Clara Costa: Ele não é político. Tudo isso que o PSDB fez em São Paulo, que o Kassab herdou, para ele, não interessa. Ele não gosta. Ele não tem a menor habilidade para ficar lidando com essa política partidária local. E ele prefere mil vezes se reunir com o pessoal da Faria Lima, com os empresários que o Temer convida para fumar charuto. Essa corte paulistana, esse status, ir para o condomínio da Baronesa com Roberto Campos Neto... Ele gosta também. Receber a ligação do André Esteves, Entendeu? É isso que ele quer, isso que ele gosta. É isso que ele acha que é o mundo dele, não é o mundo de receber o prefeito de Itu, entendeu? Isso ele não quer.

Fernando de Barros e Silva: Isso gostava o Alckmin, de fato gostava. E o Alckmin, amassar barro, vestir as sandálias da humildade.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. Esse é o segredo. Eu acho que essa essa máquina do Tarcísio, eu tô achando menos azeitada do que já foram aquelas máquinas tucanas que você olhava e realmente era uma muralha, assim, você não furava aquilo de jeito nenhum. Não sei como é que isso vai funcionar nessa eleição.

Fernando de Barros e Silva: Tucanistão.

Celso Rocha de Barros: Enfim, a gente tem que notar que essa eleição vai ser muito nacionalizada, né? Porque o Lula vai estar sob julgamento na eleição presidencial e o ministro da Fazenda dele é o candidato em São Paulo, né? Então, assim, o tempo todo o Haddad vai estar falando sobre coisas que o governo fez, sobre coisas que ele fez como ministro. Então, essa, não tem como essa eleição não ser nacionalizada.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom. Bom, vamos encerrar o terceiro bloco do programa. Rápido intervalo na volta, aquele momento em que eu brilho a cada ano bissexto: Kinder Ovo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Mari, sem mais delongas. Pode soltar.

Sonora: Quer dizer, passou por uma lipoaspiração? Tá hoje mais.

Ana Clara Costa: Aécio.

Fernando de Barros e Silva: Aécio.

Sonora: Mas nós temos o ingrediente fundamental que outros não têm. Nós temos liberdade.

Fernando de Barros e Silva: Ah, mas po.

Celso Rocha de Barros: Ai, ai.

Fernando de Barros e Silva: Eu também falei. Falei mais atrasado.

Celso Rocha de Barros: Porra.

Fernando de Barros e Silva: Ganhou. Ana Clara ganhou.

Ana Clara Costa: Você vai querer VAR de novo?

Fernando de Barros e Silva: Não, VAR, eu perdi, essa eu perdi. Essa eu sei que eu perdi.

Ana Clara Costa: Falei nos primeiros três segundos. Ouvintes.

Sonora: Lipoaspiração em geral é voluntária, né, cara? É você que escolhe fazer, né?

Fernando de Barros e Silva: O Aécio sempre aquele pastel de vento, falando "temos Liberdade", sei que lá, é um pastel de vento. Ô sujeito atrasado! Então, é isto. Quem fala é o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, em entrevista ao Metrópoles. Aécio Neves, menino do Rio, menino do Rio, seu conterrâneo aí, Ana Clara. E Aécio Neves, mais conhecido como Menino do Rio, quando era governador.

Ana Clara Costa: Ainda tem aquele apê na orla?

Fernando de Barros e Silva: Era visto frequentemente fazendo stand-up no Forte de Copacabana. Bom, encerramos então este glorioso momento de Ana Clara Costa. Vamos para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, o momento de vocês. Eu começo com o recado do Rogério Ferreira. "Expectativa", diz ele. "Fazer pós graduação em Ciência Política, mirando no raciocínio crítico e bom humor do Casca de Bala. Realidade: Acertar dois Kinder ovos seguidos. O Mamãe Falei e o Pablo Marçal".

Celso Rocha de Barros: Tá melhor que eu.

Fernando de Barros e Silva: "E ainda lembrar que fiz campanha pro Ciro no longínquo 2018".

Celso Rocha de Barros: Pô, 2018 Muita gente boa fez campanha pro Ciro.

Fernando de Barros e Silva: Rogério Ferreira, Casca de Bala, quer se mirar e você tá certo.

Celso Rocha de Barros: Valeu, Rogério.

Fernando de Barros e Silva: Casca de bala é um bom espelho.

Ana Clara Costa: A Lorena Maia tem uma dúvida: "Eu amo a felicidade do Fernando quando ele ganha, qual é o signo dele? Lembrando que a astrologia é a clorofila da esquerda". Qual é o teu signo? Fernando?

Fernando de Barros e Silva: Sagitário.

Ana Clara Costa: Sagitário, Lorena, faz o mapa dele pra gente.

Celso Rocha de Barros: Isso aí manda que a gente lê ao vivo aqui.

Fernando de Barros e Silva: Faz o mapa também. Quero saber, claro. Cloroquina esquerdista, isso daí.

Celso Rocha de Barros: Uma pessoa que se identificou apenas como Farney postou: "Todas as vezes que um de vocês acerta um Kinder, eu me sinto vendo aqueles vídeos de pessoa comum em um esporte olímpico, onde vocês são os atletas. Eu gostaria também de ser atleta. Contudo, devido ao estado insalubre da política nacional, torço pela saúde mental de vocês, da mesma forma que torço pela saúde dos joelhos dos nossos atletas". Perfeita essa analogia. É exatamente essa a questão.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom! É isso então gente, o que é bom dura pouco, que não é tão bom, também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.

Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: Eu vejo vocês dois em Recife amanhã.

Ana Clara Costa: É verdade! Até lá!

Celso Rocha de Barros: Aí, maravilha!

Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem!


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