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A esquerda acossada

    CRÉDITO: CÁSSIO LOREDANO_2025

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A esquerda acossada

Entre um Congresso hostil, um mercado raivoso e um mundo em desordem

Fernando de Barros e Silva | Edição 224, Maio 2025

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Daqui a menos de seis meses, no dia 27 de outubro, Lula completará 80 anos. Se for candidato à reeleição, como tudo indica, é quase certo que disputará o segundo turno, previsto para 25 de outubro de 2026. Se for reeleito, a festa da vitória praticamente se confundirá com seu aniversário de 81 anos, dali a dois dias. Lula então cumpriria seu quarto mandato presidencial entre janeiro de 2027 e dezembro de 2030. Seguindo esse roteiro, o presidente terá 85 anos, dois meses e mais uns dias quando finalmente passar a faixa a seu sucessor e vestir os chinelos da aposentadoria, em 1º de janeiro de 2031.

Ninguém tem bola de cristal, mas a mera enumeração das etapas a serem vencidas, a essa altura da vida, indica que este é, para falar como Caetano Veloso, a long way.

Sempre que é confrontado com sua idade, Lula costuma reagir com certo desdém. “Estou com energia de 30 e tesão de 20” é um de seus bordões favoritos. É até possível que haja sinceridade sob a frase de efeito do vigor e da virilidade. Isso, porém, não altera a realidade – o presidente é praticamente um octogenário e está sujeito às limitações da idade. Sabemos que essas limitações podem variar muito de caso a caso.

 

Joe Biden, por exemplo, não resistiu às especulações em torno da diminuição de suas capacidades cognitivas. Pressionado pela repercussão de seu desempenho durante um debate contra Donald Trump, o então presidente se viu obrigado a desistir de sua candidatura à reeleição nos Estados Unidos, em julho de 2024. Tinha então 81 anos.

É comum ouvirmos a respeito de Lula (e aqui me refiro às pessoas de boa-fé) que ele parece mais lento ou que sua dicção piorou sensivelmente. São observações impressionistas, que nem de longe autorizam comparações com os lapsos mentais de Biden. Lula nunca apresentou sinais de caduquice. Seus problemas de saúde mais sérios são conhecidos e até segunda ordem foram superados.

Ele teve um câncer na laringe em 2011, e os médicos o consideraram curado em 2012. Em outubro do ano passado, o presidente caiu no banheiro do Palácio da Alvorada e levou cinco pontos na cabeça. Em dezembro, depois de passar mal, foi submetido a uma intervenção de emergência para drenar um hematoma que havia se formado entre o cérebro e a caixa craniana em razão do trauma.

 

Em fevereiro deste ano, Lula realizou em São Paulo o check-up anual que tinha sido adiado em função da cirurgia. O boletim médico do hospital informou que “todos os exames realizados estão dentro da normalidade, inclusive a tomografia de crânio para controle pós-operatório.” Ótima notícia.

Ótima, mas insuficiente para conter a névoa de incerteza que a idade projeta sobre sua candidatura em 2026. Essa dúvida já está posta sobre o tabuleiro, é uma peça que fará parte do jogo da sucessão. A definição do vice, por exemplo, passa por essa variável. Ouvi recentemente de um petista graúdo que o cargo que hoje pertence a Alckmin será o mais estratégico nos arranjos políticos a serem feitos.

 

Para além das limitações pessoais do presidente, há mais fatores atuando contra as pretensões da esquerda. A correlação de forças no Congresso é amplamente desfavorável ao governo. Lula faz, na prática, um governo de minoria. E os espaços que abre no Executivo para os apetites do Centrão não garantem mais o apoio parlamentar dos partidos contemplados. Na verdade, é pior do que isso.

 

O episódio recente envolvendo o União Brasil, que recusou o Ministério das Comunicações, oferecido ao deputado federal Pedro Lucas, indica que, na avaliação desses profissionais do comércio político, participar do governo não é mais um bom negócio. Uma humilhação para Lula, que, apesar de conhecer há muito tempo a ficha corrida do antecessor, Juscelino Filho, também deputado do União Brasil, teve o cuidado de deixar que o rapaz mesmo se demitisse só depois de ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República.

O Centrão esnoba Lula porque vê seu governo vulnerável e começa a sonhar com outra perspectiva de poder, na qual um dos seus semelhantes esteja no comando. Mas o Centrão também pode esnobar Lula porque a expansão das emendas impositivas, sobretudo a partir da gestão de Arthur Lira, deixou o Legislativo mais rico e mais poderoso, enfraquecendo o poder de barganha do Executivo. Houve uma alteração do equilíbrio entre os poderes no funcionamento do chamado presidencialismo de coalizão. Lula 3 tem menos autonomia para decidir e menos dinheiro para executar do que tinham os Lulas 1 e 2. A turma do fogo amigo diz que também faltam a Lula e à sua atual gestão ideias novas e imaginação política.

A isso tudo se soma o constrangimento fiscal. O governo se move no fio da navalha, tentando se equilibrar entre a promessa de colocar o pobre no orçamento e o compromisso com o arcabouço para conter a expansão da dívida pública. As pesquisas recentes de opinião e os rumores nem tão recentes das elites sinalizam que ninguém a essa altura está muito satisfeito ou confiante. Se tiver sorte, a médio prazo Lula vai desagradar só um dos lados, no caso a Faria Lima, o que já está mais ou menos precificado, desde que não pise com muita força no sapatênis da rapaziada. É possível, porém, que Lula acabe frustrando a todos. Com as perspectivas econômicas rebaixadas (o Banco Mundial acaba de reduzir para 1,8% a previsão de crescimento neste ano), o governo tende a dobrar suas apostas nos programas assistencialistas como forma de atenuar o mal-estar social. Será mais um motivo para indispô-lo de vez com os donos do dinheiro, mas nada garante que seja suficiente para elegê-lo.

Por fim, para além deste cenário doméstico claustrofóbico, em que o governo busca frestas para respirar, há a desordem do mundo. As tarifas de Trump desencadearam discussões sobre o perde e ganha de setores da economia ou de países que poderiam se beneficiar com a guerra comercial. Tudo bem, mas além do aço, da soja e do boi, na sala dos adultos a conversa precisa se deter no jogo de perde-perde que Trump representa para a democracia e o futuro do planeta. A perseguição aos imigrantes, a caça aos direitos das minorias e o cerco às universidades, para citar alguns alvos do governo, são sinais da escalada de um obscurantismo de viés fascista. Ninguém sabe onde essa truculência vai parar.

Se tomarmos em conjunto as três dimensões do nó político atual – o Congresso hostil e empoderado; o mercado entre desconfiado e raivoso; o mundo em recessão democrática e submetido a uma gigantesca incerteza –, não é difícil concluir que a coisa está a gosto para um nome da direita. Se depender das elites locais, o país será entregue a um consórcio entre o Centrão e o bolsonarismo. A isso eles chamam de aposta na modernidade.

A citação de Caetano Veloso no começo do texto talvez não tenha sido gratuita. Os megashows que ele e Bethânia (e mais recentemente Gilberto Gil) fizeram lotando estádios pelo país provocaram nas plateias um tipo de comoção que a mim lembrou a relação do público com Lula. As pessoas sabem que estão diante de uma despedida, mas não querem que aquilo termine nunca. Há uma vontade incontida, uma necessidade de aplaudir, aplaudir e aplaudir, sem que seja preciso saber se os aplausos são para o show, para o passado dos artistas ou para o fato de que essa será a última chance de aplaudi-los. Presente e passado se confundem, numa espécie de autocongratulação coletiva, na qual cada um se vê representado no palco e parece dizer “olha só como eu fui legal”. Então o show termina.

Quem sabe, com sorte, tem uma nova turnê no ano que vem.

Fernando de Barros e Silva
Fernando de Barros e Silva

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