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CARNAVAL DOS BICHOS

Um ensaio fotográfico no interior do Pará

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Durante o Carnaval no distrito de Juaba, no interior do Pará, é quase impossível encontrar odaliscas, pierrôs, piratas e diabinhas saltitando pelas ruas. Mais fácil é se deparar com foliões fantasiados de araras-azuis, onças-pintadas e bichos-preguiça. Eles fazem parte do Cordão da Bicharada, que por causa da pandemia suspendeu seus desfiles em 2020 e somente neste ano voltou para a festança realizada entre 26 de fevereiro e 1º de março.

O cordão foi criado em 1975 por Zenóbio Gonçalves Ferreira, um ex-morador de Juaba, e hoje é um dos blocos mais famosos do Carnaval das Águas, que acontece na cidade de Cametá e em seus distritos – localidades banhadas pelo caudaloso Tocantins (o segundo maior rio totalmente brasileiro, depois do São Francisco). Na época em que o cordão surgiu, em plena ditadura militar, pouco se falava de crise ambiental no Brasil. Mas foram o desmatamento da Amazônia e a ameaça à fauna que estimularam Mestre Zenóbio, como é conhecido, a criar as fantasias e organizar o bloco, com canções carnavalescas próprias e encenações teatrais que homenageiam os bichos, reunindo no mesmo pé de igualdade dezenas de mamíferos, aves e répteis.

Juaba começou a ser povoada no início do século XX e hoje tem cerca de 10 mil moradores. É um lugar onde se vive principalmente da agricultura e da pesca. Apesar de ser uma vila modesta, cultiva com orgulho sua história e seus costumes, como de resto todo o município de Cametá, do qual Juaba é um dos dez distritos.

Cametá, com cerca de 140 mil habitantes, é uma das cidades mais antigas do Pará e do Brasil. Foram exploradores franceses que primeiro chegaram à região no começo do século XVII e fizeram contato com os camutás, indígenas conhecidos por morar em casas no alto das árvores. Mas foram os portugueses que colonizaram o local, com a contribuição de judeus sefarditas. Em 1986, a cidade foi declarada patrimônio histórico nacional.

O fotógrafo Raimundo Paccó, que frequenta o Carnaval de Cametá e Juaba há anos, conta que suas imagens da festa neste ano são “uma prova de renovação, um novo começo”, depois da interrupção causada pela Covid. “Crianças e adultos renovaram o seu respeito às tradições, alertando sobre a importância de cuidar da floresta, dos bichos e dos homens que vivem nela.”

Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio Fantasias de gato-do-mato e boto (acima) Fantasias de gato-do-mato e boto (acima) Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio Fantasias de gato-do-mato e boto (acima) Fantasias de gato-do-mato e boto (acima) Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente

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É fotojornalista. Trabalhou no Correio Braziliense e na Folha de S.Paulo e dirigiu o longa-metragem Consagração