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Raimundo Paccó Mai 2022 18h07
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Durante o Carnaval no distrito de Juaba, no interior do Pará, é quase impossível encontrar odaliscas, pierrôs, piratas e diabinhas saltitando pelas ruas. Mais fácil é se deparar com foliões fantasiados de araras-azuis, onças-pintadas e bichos-preguiça. Eles fazem parte do Cordão da Bicharada, que por causa da pandemia suspendeu seus desfiles em 2020 e somente neste ano voltou para a festança realizada entre 26 de fevereiro e 1º de março.
O cordão foi criado em 1975 por Zenóbio Gonçalves Ferreira, um ex-morador de Juaba, e hoje é um dos blocos mais famosos do Carnaval das Águas, que acontece na cidade de Cametá e em seus distritos – localidades banhadas pelo caudaloso Tocantins (o segundo maior rio totalmente brasileiro, depois do São Francisco). Na época em que o cordão surgiu, em plena ditadura militar, pouco se falava de crise ambiental no Brasil. Mas foram o desmatamento da Amazônia e a ameaça à fauna que estimularam Mestre Zenóbio, como é conhecido, a criar as fantasias e organizar o bloco, com canções carnavalescas próprias e encenações teatrais que homenageiam os bichos, reunindo no mesmo pé de igualdade dezenas de mamíferos, aves e répteis.
Juaba começou a ser povoada no início do século XX e hoje tem cerca de 10 mil moradores. É um lugar onde se vive principalmente da agricultura e da pesca. Apesar de ser uma vila modesta, cultiva com orgulho sua história e seus costumes, como de resto todo o município de Cametá, do qual Juaba é um dos dez distritos.
Cametá, com cerca de 140 mil habitantes, é uma das cidades mais antigas do Pará e do Brasil. Foram exploradores franceses que primeiro chegaram à região no começo do século XVII e fizeram contato com os camutás, indígenas conhecidos por morar em casas no alto das árvores. Mas foram os portugueses que colonizaram o local, com a contribuição de judeus sefarditas. Em 1986, a cidade foi declarada patrimônio histórico nacional.
O fotógrafo Raimundo Paccó, que frequenta o Carnaval de Cametá e Juaba há anos, conta que suas imagens da festa neste ano são “uma prova de renovação, um novo começo”, depois da interrupção causada pela Covid. “Crianças e adultos renovaram o seu respeito às tradições, alertando sobre a importância de cuidar da floresta, dos bichos e dos homens que vivem nela.”
Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba
Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada
O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas
Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio
Fantasias de gato-do-mato e boto (acima)
Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval
As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais
As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais
A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente
A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente
Bonecos do Carnaval das Águas em barco ancorado em Juaba
Garoto fantasiado de pica-pau-de-barriga-vermelha para o Cordão da Bicharada
O Bloco Última Hora desfila no Rio Tocantins, que banha Cametá e Juaba, durante o Carnaval das Águas
Na praça de Juaba, fantasia de tartaruga criada por Zenóbio Gonçalves Ferreira, conhecido como Mestre Zenóbio
Fantasias de gato-do-mato e boto (acima)
Interior da casa de Eulálio Tenório dos Santos, conhecido como Mestre Vital 2, em Juaba, com máscaras criadas por ele para o Última Hora, um dos cordões que navegam pelo rio no Carnaval
As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais
As fantasias – como as de coelho e bicho-preguiça – são confeccionadas com sobras de tecido, talas de palmeiras, serrapilheira, isopor e outros materiais
A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente
A arara-azul, a onça-pintada e o tamanduá-bandeira: Mestre Zenóbio criou o cordão em 1975 por causa de sua preocupação com o meio ambiente