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    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2022

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Cartografia poética

Site mapeia poesia de mulheres do Norte e Nordeste

Gustavo Zeitel | Edição 186, Março 2022

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Em 2020, as amigas Gianni Gianni, de 30 anos, Priscilla Campos, de 31 anos, e Julya Vasconcellos, de 37 anos, tiveram a ideia de lançar uma antologia da poesia feita por mulheres em cada um dos estados do Norte e Nordeste. Como o número de autoras precisaria ser limitado, elas acabaram mudando de ideia e decidiram fazer um site. “Queríamos localizar as escritoras, mostrando a realidade de cada uma delas, podendo adicionar novos trabalhos ao longo do tempo, o que o site permitia”, diz Gianni. Em maio de 2021, elas lançaram a plataforma Mapa Brava, reunindo 125 poetas.

Para as três amigas, o projeto era um modo de enfrentar um problema antigo: a pouca visibilidade de autores e sobretudo autoras do Norte e Nordeste no mercado de livros brasileiro, dominado pelas editoras do Sudeste. Dados alarmantes sobre a falta de diversidade já haviam aparecido em uma pesquisa feita em 2015 pela professora de literatura brasileira Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ela, metade dos autores das obras literárias lançadas entre 1965 e 2014 por grandes editoras provinha do Rio de Janeiro ou de São Paulo – 93% eram brancos e 73%, homens.

O Mapa Brava contemplou todos os dezesseis estados do Norte e Nordeste. Na home page do site, eles aparecem em vermelho, indicados pela sigla no mapa do Brasil. Ao clicar em um dos estados, o leitor se depara com o nome e a foto das escritoras em ordem alfabética. Na página de cada uma consta uma nota biográfica (ou autobiográfica), seguida de uma coletânea de poemas. No site, o estado com o maior número de poetas é Pernambuco (14), seguido do Rio Grande do Norte (13), da Bahia e Paraíba (com 12 cada um). A plataforma tem ainda um “catálogo sonoro”, em que as escritoras leem seus poemas, o que possibilita ouvir os diferentes sotaques e alcançar a dimensão rítmica e musical dos trabalhos.

 

Gianni, Campos e Vasconcellos reconhecem os esforços atuais das editoras do Sudeste para ampliar a diversidade dos autores, mas acham que o caminho ainda é longo. “Gostaria de ver essas mulheres sendo remuneradas pelos seus poemas. Falta fazer uma aposta material no trabalho delas”, afirma Gianni.

 

Campos e Gianni se conheceram em 2017, quando trabalhavam na Cepe Editora, vinculada ao governo de Pernambuco. Vasconcellos era uma amiga em comum. Embora elas não constem do mapeamento que fizeram, todas são poetas. Gianni publicou em 2021 é feito em círculos, pela Edições Flecha, de Recife; Campos lançou em 2018 O gesto, pela Nosotros, de São Paulo; e Vasconcellos é autora de A Súbita Insistência das Coisas (2019), pela Editora Urutau, de Bragança Paulista (SP).

Gianni diz que não há muitos temas comuns às poetas selecionadas, exceto a experiência de ser mulher no Norte e Nordeste, por vezes tratada em tom politicamente engajado, numa antilira que dispensa metáforas. Campos não se incomoda com o viés militante e diz que os tempos são outros: “O que para uns é panfleto político para mim pode não ser. Neste momento do Brasil, não há separação entre prosa, poesia e política.”

 

O poema Racismo, da amazonense Halaise Asaf, de 22 anos, diz: O que minha mãe me contou parece ser brincadeira/tudo que sofreu por ter a sua pele negra./Como se tivéssemos o poder de definir/e mesmo que tivesse, escolheria ser assim. A pernambucana Adelaide Ivánova, de 39 anos, é outra escritora que lança seu olhar sobre as questões mais urgentes da sociedade. No poema para laura, ela se refere a um caso de transfeminicídio ocorrido em São Paulo, em 1998: laura tem um corpo/e um nome que lhe pertence/laura de Vermont (presente!). Ivánova teve seu livro O Martelo (2017) publicado em seis países, além do Brasil – Argentina, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Alemanha e Grécia – e aparece no site com três poemas.

As curadoras chamam a atenção para duas escritoras: Paloma Franca Amorim e Nina Rizzi. Autora do livro de contos Eu Preferia Ter Perdido um Olho, a paraense Amorim, de 34 anos, é artista visual e pesquisadora de artes cênicas. No site, comparece com três poemas, entre eles Dessa vez eu vou nascer raio: o raio é do avesso/pra dentro/um espelho/dessa vez eu vou nascer raio/para lançar-me do farol/passar pelo corpo de/asas amarrotadas/no qual o anjo/está aprisionado. Rizzi, de 38 anos, paulista radicada no Ceará, é autora de vários livros, entre eles A Duração do Deserto e geografia dos ossos. Seu poema crepúsculo sobre a iracema diz: sobre meus olhos umidez/sobre meu sexo, uma flor/acredite, nos labirintos, umidez e uma flor.//ancestral. negra. negra.

O Mapa Brava traz também poetas mais conhecidas como a pernambucana Cida Pedrosa, de 58 anos, que venceu o Jabuti de 2020, nas categorias Livro de Poesia e Livro do Ano, com Solo Para Vialejo, publicado pela Cepe Editora. O mapeamento incluiu uma poeta indígena, Julie Dorrico, 30 anos, do povo Macuxi, de Roraima, mas hoje radicada em Rondônia. Ela escreve em Retomada: Como você se atreve a nos chamar de pobres hoje/Se foi você que tirou nossa terra?//Como você se atreve a nos chamar de feios/Depois de ter violado nossas mulheres?//Como você se atreve a nos chamar de preguiçosos/Se foi você que nos matou de trabalhar?

 

A criação do site foi possível graças à Lei Aldir Blanc, aprovada pelo Congresso em junho de 2020 para dar apoio financeiro a projetos culturais durante a pandemia. Quando receberam o auxílio de 12 mil reais, em dezembro, as curadoras tiveram apenas três meses para lançar o projeto. Tão logo o Mapa Brava foi lançado, elas começaram a fazer uma nova prospecção de poetas, para ampliar a antologia virtual. Mas, antes mesmo da atualização do mapa, tiveram que interromper a chamada aberta, pois estão com dificuldades para conseguir um novo financiamento. “Se fosse um mapa dos poetas do Rio de Janeiro, acho que já teríamos encontrado apoio”, diz Campos.

Gustavo Zeitel
Gustavo Zeitel

É jornalista

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