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Orlando Brito Nov 2010 18h04
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A fronteira que separa a legalidade da ilegalidade, na política nacional, é tão permeável quanto a que distingue um partido do outro e, num plano mais amplo, a esquerda da direita. É por isso, talvez, que a cor dominante das fotos de Orlando Brito seja o cinza. A permeabilidade entre partes que deveriam estar separadas – e em luta – não existe só na política. Ela está na sociedade brasileira, na qual 50 milhões de miseráveis são conclamados diuturnamente a gastar e consumir, e não têm emprego, nem direitos, nem dinheiro, nem acesso a mercadorias – vivem precariamente das migalhas que caem das mesas de ricos e remediados.
Esse panorama não é só nacional. Ele vige no mundo inteiro, produto que é da mundialização acelerada da economia, da perda de potência do operariado e das suas organizações políticas e sindicais, do incremento tecnológico vertiginoso, da financeirização da economia, do enfraquecimento dos estados nacionais, do modo de produção que deixou de gerar trabalhadores para, sem mais, amontoar multidões de desvalidos nas periferias de megametrópoles.
Ainda assim, a responsabilidade individual dos políticos existe. Não apenas a responsabilidade de resistir à gangsterização, de recusar a venda de votos no parlamento. Quem dá abrigo a bandidos vulgares, quem trafica verbas e cargos, mesmo que diga ser esse o preço a pagar pelo progresso, na verdade perpetua a conciliação, o pântano acinzentado que paralisa a luta política.
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