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Os “normais” e sua hora

    CRÉDITO: CÁSSIO LOREDANO_2025

questões vultosas

Os “normais” e sua hora

E uma pitada de desfaçatez de classe

Fernando de Barros e Silva | Edição 228, Setembro 2025

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O impacto da divulgação do soneto alexandrino de Eduardo Bolsonaro – VTNC seu ingrato do caralho – deixou em segundo plano a vasta produção poética da família. A magnum opus de Bananinha também ofuscou a poesia marginal de Silas Malafaia, veterano pastor da Boca do Lixo, conhecido pelo uso criativo que faz das expressões “babaca” “dei-lhe um esporro”, “mandei um áudio para ele de arrombar”, “vai pro meio de um cacete, pô”, entre outras tantas contribuições ao enriquecimento da língua de Camões.

O leitor encontrará nesta edição uma reportagem sobre a temporada americana de Eduardo Bolsonaro (a partir da página 14). Inspirado, quem sabe, na trajetória de Arthur Rimbaud, que ainda muito jovem abandonou a poesia e foi traficar armas na África, Zero Trois decidiu abandonar o emprego para conspirar contra seu país nos Estados Unidos. Não consta que ele já tenha ingressado no ramo do comércio ilegal de armas.

Deixemos, por ora, Eduardo de lado. Vamos tratar da obra de seu irmão, cujos escritos, que parecem influenciados pela tradição do ocultismo, são de difícil compreensão, até para ele mesmo. Vereador do Rio de Janeiro nas horas vagas, Carlos Bolsonaro publicou no dia 17 de agosto, em suas redes sociais, uma longa mensagem, de rara clareza. Começa assim:

 

Tentei, até agora, ser a pessoa mais paciente possível diante desses chamados “governadores democráticos”. Mas os fatos, todos os dias, me provam que não há como levar nenhum desses sujeitos a sério.

O que chama a atenção aqui não é a paciência esgotada do rapaz ou a sua constatação de que os personagens em questão não são confiáveis. Mais relevante que isso é o uso das aspas. Ao escrever “governadores democráticos”, Carluxo dá um passo atrás, denotando reserva diante desses chamados democratas. No seu universo mental, está sugerindo que eles se vendem ao establishment e não estão dispostos a confrontar o Supremo Tribunal Federal até as últimas consequências, lutando pela liberdade de Jair Bolsonaro dentro, fora, por cima e por baixo das quatro linhas da Constituição. Traduzindo na língua da ordem democrática, os governadores seriam golpistas de araque, preocupados apenas com seus projetos pessoais e com o que o mercado manda, palavras de Carluxo. E talvez ele tenha razão.

A direita democrática, sem aspas, está em falta no Brasil. Não existe como opção de poder. Ou devemos conceder que aqueles que desfraldam a bandeira da anistia aos golpistas ou se comprometem, caso sejam eleitos, com o indulto a Bolsonaro ainda merecem, apesar disso, como uma espécie de cortesia da casa, ser chamados de democratas? É hora de dar nome aos bois.

 

 

Na verdade, segundo Carluxo, não são bois. Todos vocês se comportam como ratos; e não passam de cúmplices covardes, escreveu o vereador de ocasião. E quem são vocês? Todos sabemos: o governador do Paraná, Ratinho Jr., obviamente; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Egresso do PSDB, o que hoje representa quase uma mácula no currículo à luz do que se espera de um verdadeiro líder de direita, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é o quinto elemento da turma. Na percepção de Carluxo, eles querem apenas herdar o espólio de Bolsonaro, se encostando nele de forma vergonhosa e patética.

Na véspera deste tuíte, Zema se lançou à Presidência da República, num ato em São Paulo. Ao discursar diante de sua claque, prometeu “chegar a Brasília para varrer o PT do mapa”. Seria uma metáfora? Um programa de extermínio? Não há muita diferença entre essa frase e a que Bolsonaro proferiu durante a campanha de 2018, quando prometeu “fuzilar a petralhada”. Em seguida, o governador de Minas acrescentou: “Vamos chegar a Brasília para acabar com os abusos e perseguições de Alexandre de Moraes.” Foi efusivamente aplaudido, mas, de novo, o que ele quis dizer com isso? Zema então arrematou: “E nós vamos ter de acertar as contas com os três maiores inimigos desse país: o lulismo, os parasitas do Estado e as facções criminosas.” Os Bolsonaro se enquadram bem nas duas últimas categorias.

Dias antes, os chamados “governadores democráticos” estiveram reunidos em São Paulo, no AgroForum do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. Com exceção de Zema, participaram todos de uma mesa intitulada “Unindo forças pelo agro”. Tarcísio, Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite foram apresentados pelo anfitrião como uma “safra de governadores” que representa “o que de bom a política pode trazer”. Esteves disse ser “um orgulho que a gente tenha produzido governadores de tanta qualidade, com esse padrão técnico, com esse padrão moral, com esse compromisso com o Brasil e a vontade de fazer acontecer”. Era o representante do capital financeiro apresentando à plateia da elite do agro o seu cardápio de presidenciáveis.

 

Chamamos o que veio a seguir de debate apenas por hábito ou conveniência. Esses fóruns em que pensar o Brasil e fazer negócios são sinônimos, ou, mais exatamente, em que a reflexão é quase sempre pretexto para cavar oportunidades de lucro, acabam sendo enfadonhos para quem tem mais curiosidade intelectual do que coceira nos bolsos. Cada qual dos chamados “governadores democráticos” estava ali apenas para fazer propaganda de si mesmo e aplaudir a propaganda dos demais. As diferenças entre eles eram mais de estilo do que de conteúdo.

Até nas omissões eles pareciam ensaiados. Durante uma hora e meia, salvo engano ou eventual cochilo deste jornalista, ninguém fez menção a qualquer um dos Bolsonaro. Nem ao ex-presidente, em vias de ser condenado por golpe de Estado, nem a seu filho, que foi para os Estados Unidos traficar a soberania do país em troca da impunidade de seu pai. Não se viu, tampouco, nenhuma crítica às sanções econômicas contra o Brasil impostas por Donald Trump. Nada.

O leitor pode perguntar como é possível discutir a sério o futuro brasileiro sem tratar das articulações em curso para melar o julgamento de Bolsonaro e fazer tábula rasa da tentativa de golpe que ele patrocinou? Como ignorar o conluio entre o clã Bolsonaro e a Casa Branca para deslegitimar o STF? Como ignorar as consequências danosas da ofensiva golpista à economia do país? Como lidar com a ameaça à soberania nacional? A resposta é simples: colocando a culpa no Lula.

 

Coube a Ronaldo Caiado, o veterano da turma, abrir o caminho: Nós somos penalizados porque o Lula resolveu brigar com o Trump. O que é que nós temos com isso? O que nós quatro temos com isso? Desde quando nós temos essa posição? Seria o caso de perguntar: mas governador, posição em relação a quê? Sim, porque até o senhor sabe que as motivações do tarifaço, nos termos em que foi fixado, não são econômicas. Mas o mediador Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, não estava ali para estragar o clima de confraternização. E Caiado prosseguiu solando: Esse impasse [com os Estados Unidos] foi criado objetivamente por uma questão ideológica para poder antecipar o processo eleitoral de uma pessoa que não tem plano de governo.

Vamos com calma. Pode-se argumentar que Lula 3 carece, de fato, de uma identidade marcante e é frustrante sob vários aspectos. Pode-se argumentar também que a insanidade de Trump deu a Lula a oportunidade histórica de definir seu horizonte político até o final do mandato. O que não se pode dizer é que a “ideologia petista” está na origem do tarifaço. Afirmar isso é simplesmente desonesto.

Herdeiro da oligarquia goiana e próximo de completar 76 anos, Caiado faz muito provavelmente sua última tentativa de chegar à Presidência. Em 1989, quando se lançou candidato pela primeira vez, o então líder da União Democrática Ruralista, a UDR, não obteve nem 1% dos votos. De lá para cá, a ascensão do agronegócio e o processo de goianização do Brasil, que vai muito além da economia, lhes conferiram uma visibilidade inédita. Ainda assim, Caiado sabe que seu cavalo velho segue sendo um azarão. Se Tarcísio decidir concorrer à Presidência, dificilmente a federação partidária formada pelo União Brasil e o Progressistas – a União Progressista, formalizada em agosto – deixará de apoiá-lo já na largada, pleiteando inclusive a vaga de vice. Como no caso de Ratinho Jr., as chances de Caiado vingar como candidato estão ligadas à opção de Tarcísio pela reeleição em São Paulo.

Até que as coisas se definam, o goiano vai engrossando o coro contra Lula no roadshow dos “governadores democráticos” pelos palcos da classe dominante. No BTG Pactual, muito à vontade, ele foi efusivamente aplaudido, em pelo menos três ocasiões.

A primeira, ao dizer: Enquanto o Lula for presidente, esqueça. Ele não vai dar prioridade nenhuma para o ajuste fiscal, essa é a grande realidade. Ele vai na política populista, inconsequente, irresponsável.

A segunda, quando falou: O país é um continente, um dos maiores países do mundo, só que tem um anão na política, que é o presidente Lula.

A terceira, quando concluiu: Ou o Brasil cria juízo e derrota o Lula em 2026 ou, senão, será o processo de socialização do país com a máquina irresponsável cada vez maior desestruturando nossos estados.

Tarcísio de Freitas estava, portanto, acompanhado quando soltou a frase de efeito que foi destacada por todos os veículos de comunicação: O Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula. Ela vinha coroar uma enumeração que começava assim: O Brasil não aguenta mais excesso de gasto. O Brasil não aguenta mais, não tolera mais aumento de imposto. O Brasil não aguenta mais corrupção. Seguiram-se a isso muitos aplausos.

Javier Milei, o tarado da motosserra, foi mencionado por Caiado em dois momentos como contraponto ao governo do PT e modelo a ser seguido pelo Brasil. Nenhuma menção ao escândalo de corrupção que assola o governo dele. Nenhuma menção às investidas do presidente argentino contra as instituições democráticas. Para citar só um exemplo, Milei lidera no X uma campanha com o lema “Não estamos odiando suficientemente os jornalistas”. Pois é.

Foi neste ambiente saudável que Ratinho Jr. fez a síntese singela do encontro. O Brasil, segundo ele, só precisa de “alguém normal”. Alguém normal. Seria possível imaginar que ele estivesse mandando um recado cifrado aos Bolsonaro? Talvez sim, também. Mas a sequência da fala mirava mais uma vez em Lula: “Não é comendo jabuticaba e fazendo videozinho que vai resolver o problema do Brasil.” Mais aplausos.

Se a gente tiver alguém normal, este país voa, e voa alto, disse o filho de Ratinho, na frase que encerrou o evento.

Há menos de dois séculos, o normal da elite brasileira era ser escravocrata. Hoje, o normal dessa turma é ser apenas de direita. Tudo isso dá o que pensar.

 

Ao assistir ao convescote dos “governadores democráticos” no AgroForum do BTG Pactual, o que me veio à cabeça foi a caracterização da classe dominante nas Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Mais exatamente, a descrição que faz dela Roberto Schwarz no livro Um mestre na periferia do capitalismo, um dos pontos mais altos da crítica brasileira em qualquer época. O capítulo que nos interessa chama-se Ricos entre si e tem como epígrafe uma frase de Pais e filhos, o romance de Ivan Turguêniev: “A melhor coisa num russo é a má opinião que ele tem de si mesmo.” Impossível não lembrar mais uma vez de Ronaldo Caiado: “Esteves, você está dando uma oportunidade ímpar aqui pra nós, e você acabou de dizer que essa safra é a melhor de governadores. Eu quero ser um pouco imodesto e dizer que você está certo, nós somos mesmo bons.”

Voltemos às Memórias póstumas. Já perto do final do romance, Brás Cubas se dedica a fazer a defesa do cunhado, apesar de ele ser quem é. O capítulo se chama O verdadeiro Cotrim. De forma muito sucinta, a genialidade do retrato está, de acordo com Schwarz, na normalização das contradições do personagem, “livrando-as da pecha de aberrantes”. Mas quem é Cotrim? Eu acompanho Schwarz, sem citá-lo literalmente: Cotrim é um comerciante estabelecido, um pai de família extremoso, membro de várias irmandades e associações religiosas, um patriota. Mas é, também, contrabandista de escravos. E está em vias de enriquecer através de negociatas com o Arsenal da Marinha, arranjadas por um parente deputado.

Adaptada aos dias atuais, a descrição serve perfeitamente ao Centrão, bem representado na mesa de debatedores do BTG Pactual.

A certa altura, ao lembrar que Cotrim mandava com frequência escravos ao calabouço e que alguns “inimigos”, por isso, “chegavam a acusá-lo de bárbaro”, Brás trata de justificar a atitude do cunhado e arremata o raciocínio com uma de suas frases mais famosas: “Não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais.” Schwarz vê no “uso perverso da ideia de condicionamento sociológico, empregada em favor do escravista, e não contra o instituto da escravidão”, a expressão acabada do que ele chama de desfaçatez de classe.

Estamos em casa. Tarcísio pode posar de “governador democrático” e ao mesmo tempo erguer um boneco inflável de Bolsonaro diante da plateia, como fez na Festa do Peão, em Barretos, homenageando “essa pessoa aqui, que fez tudo por mim, que me abriu portas e que está passando por uma grande injustiça”. Pode fazer isso e, dois dias depois, participar de mais um convescote da elite, desta vez promovido pela Esfera Brasil, para se comparar a Juscelino Kubitschek, a quem chamou de “líder disruptivo” (hahahaha), lançando o slogan 40 anos em 4. No mundo dos ricos entre si, a normalização do inaceitável continua dando as cartas.

A imprensa está coalhada de herdeiros de Brás Cubas dispostos a narrar essa história.

Fernando de Barros e Silva
Fernando de Barros e Silva

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