Dalton Trevisan e Fabiana Faversani no centro de Curitiba, em março de 2010: ele adorava fofocas, sobretudo se envolvesse algum figurão do meio literário, além de ser dado a implicâncias CRÉDITO: MARINGAS MACIEL_2010
“Estou desaparecendo?”
Os últimos dias de Dalton Trevisan
Felippe Aníbal | Edição 230, Novembro 2025
A agente literária Fabiana Faversani posicionou seu notebook em uma mesinha ao lado da cama de Dalton Trevisan – e deu play no filme Amarcord, de Federico Fellini. Apesar de ser um dos prediletos do contista de 99 anos, ele logo se cansou, interrompendo a sessão. Nem prestou atenção à trilha musical de que tanto gostava, assinada por Nino Rota. Horas antes – naquele mesmo sábado, 7 de dezembro de 2024 –, com a saúde fragilizada, Trevisan havia recebido a visita de seu médico, João Carlos Folador. Diante da agente, o escritor comunicou ao médico, em tom sóbrio, uma decisão sobre a própria morte. “Ele disse: ‘Não quero mais, tô cansado… Quero ter uma morte tranquila, quero ter uma morte em casa’”, conta Faversani.
No dia seguinte – o domingo, 8 de dezembro –, Trevisan passou a maior parte do dia dormindo, ainda mais abatido. Os enfermeiros disseram a Faversani que a respiração do paciente estava excessivamente fraca, o que já caracteriza um quadro agônico. Foi respeitado, porém, o desejo dele de permanecer em casa. Em determinado momento, Trevisan recobrou o fôlego e perguntou: “Estou desaparecendo?” Foram suas últimas palavras, segundo a agente. O escritor morreu por volta de 18h30 de segunda-feira, 9 de dezembro de 2024, no apartamento em que morava havia três anos e meio, no 12º andar do Edifício São Bernardo, na Alameda Dr. Muricy, no Centro de Curitiba.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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