tempos da peste
Marcelo Rocha Jul 2020 18h18
3 min de leitura
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Desde o começo da pandemia no Brasil, minha preocupação maior era a seguinte: O que vai acontecer quando o vírus chegar às quebradas e periferias, onde o abandono é apenas uma das diversas violências cotidianas que sofremos? Então decidi registrar a forma como nosso povo está sendo afetado, em toda a sua diversidade. Sim, diversidade, porque favela não é uma coisa só – são vários, são muitos os recortes.
Nas fotos que publico nestas páginas da piauí, dou atenção especial a dois territórios que me marcaram muito nos últimos dias: Paraisópolis, em primeiro lugar, e Brasilândia, duas comunidades de São Paulo que têm lutado arduamente para impedir o crescente número de mortos do novo coronavírus. Nas minhas caminhadas pelos bairros, vi a morte, vi o medo, vi a realidade que não sai na imprensa, de gente que mora em casas onde muitas vezes é simplesmente impossível fazer isolamento de forma adequada.
É a realidade da pandemia, mas não só da pandemia.
Nas comunidades do meu povo, morre-se de Covid-19, como aconteceu com a doméstica Cleonice Gonçalves, a primeira vítima no Rio de Janeiro, mas também se morre de violência policial, como ocorreu com o garoto Guilherme Guedes, de 15 anos, morto com dois tiros na cabeça na Vila Clara, em São Paulo. Morre-se de fome. Morre-se de abandono.
Nestas fotografias, eu preferia trazer notícias sobre nossas potências, mas, neste momento, a marca maior é a dor. É tanta dor que tenho visto levantes de desespero em busca da fé. Claro: quando nossa condição de cidadão e de ser humano é ignorada, só o sagrado pode responder. Vi cultos evangélicos, missas e festas de candomblé. Tudo acontecendo normalmente. É duro retratar isso, mas nossas histórias precisam ser contadas. Quem sabe as imagens ajudem a questionar os privilégios de uma sociedade que continua matando – e o alvo, o alvo dessa morte, continua sendo o mesmo.
Cemitério Vila Formosa, 5 de junho de 2020, 10h
Morro Grande, 23 de maio de 2020, 14h
Ocupação 9 de julho, 4 de junho de 2020, 15h10
Vila Andrade, 21 de maio 2020, 16h15
Paraisópolis, 21 de maio de 2020, 20h50
São Mateus, 23 de maio de 2020, 21h
Vila Andrade, 21 de maio de 2020, 15h30
Favela da Capadócia, 12 de junho de 2020, 12h00
Brasilândia, 12 de junho de 2020, 13h10
Vila Clara, 21 de junho de 2020, 17h
Paraisópolis, 21 de maio de 2020, 14h40
Paraisópolis, 18 de maio de 2020, 9h
Cemitério Vila Formosa, 5 de junho de 2020, 10h
Morro Grande, 23 de maio de 2020, 14h
Ocupação 9 de julho, 4 de junho de 2020, 15h10
Vila Andrade, 21 de maio 2020, 16h15
Paraisópolis, 21 de maio de 2020, 20h50
São Mateus, 23 de maio de 2020, 21h
Vila Andrade, 21 de maio de 2020, 15h30
Favela da Capadócia, 12 de junho de 2020, 12h00
Brasilândia, 12 de junho de 2020, 13h10
Vila Clara, 21 de junho de 2020, 17h
Paraisópolis, 21 de maio de 2020, 14h40
Paraisópolis, 18 de maio de 2020, 9h