questões cinematográficas
Mai 2010 10h36
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Na única sessão de sexta-feira, dia da estreia, em São Paulo, havia umas vinte pessoas vendo “Solo”, dirigido por Ugo Giorgetti. Deserções não foram notadas e, no final da projeção, o filme foi aplaudido. Lançado só em um cinema, mantendo a média de frequência, poderá ser visto por cerca de 140 pessoas até quinta-feira.
Não imagino que Ugo Giorgetti tivesse expectativa de lotar o cinema. O que fez parece um gesto de desespero. Setenta e dois minutos de monólogo ininterrupto que começam com o personagem falando sobre o próprio pé, não podem ser considerados uma forma de entretenimento atraente.
Mesmo assim, é difícil entender qual foi o propósito de Ugo Giorgetti. Seria interessante saber o que move um diretor a fazer um filme que à primeira vista parece um mero exercício auto-complacente. Conhecendo seus filmes anteriores, porém, é possível acreditar que esse não seja o caso.
No final, o personagem vivido por Antonio Abujamra rejeita o cinema, o governo, a celebridade, às colunas, etc. O filme termina com uma série de nãos. Nos créditos de encerramento, os aplausos da reduzida platéia pareciam ser de amigos do diretor ou do ator.
Não seria o caso do próprio Ugo Giorgetti sentar diante de uma câmera e nos dizer o que está se passando na sua cabeça?