07 Ago 2026
55 min de leitura
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
"'Não pode mais ficar aqui': a reação de Lula ao saber que Marcola recebeu dinheiro de lobista", reportagem de Maria Cristina Fernandes para o Valor.
"Marcola diz que recebeu R$ 249 mil de lobista do Careca do INSS", reportagem de Nino Guimarães para o Poder 360.
"A discreta sombra de Lula supera crises", reportagem de Andrea Jubé para o Valor Econômico.
"Pré-campanha de Lula tem disputa interna, e aliados travam embates do jurídico à comunicação", reportagem de Catia Seabra, Ana Pompeu, Laura Scofielde Adriana Fernandes para Folha.
"Pai (e eu) acima de tudo", reportagem de João Batista Jr para a piauí.
"EUA ignoram vias legais e escolhem o método do caos", coluna de Thiago Amparo para a Folha.
"US State Department adviser wanted to boost French far-right leader Marine Le Pen", reportagem de Eric Bazail-Eimil, para o site POLITICO.
"The 27-Year-Old Diplomat Waging Trump’s Cultural War With Europe", reportagem de Michael D. Shear, Catherine Porter, Jane Bradley e Christopher F. Schuetze para o The New York Times.
"US officials visit Busan church, hold talks with pastor tied to anti-impeachment movement", reportagem de Jung Min-kyung para o The Korea Herald.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO
Sonora: rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista piauí.
Sonora: O Flávio e o Rogério Marinho já tinham escolhido o Alfredo há seis meses atrás. Isso que eu não entendi como não vazou.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!
Ana Clara Costa: Oi, Fernando. Oi, pessoal!
Sonora: Não quero que ele esteja acima da lei, mas não posso permitir que ele esteja abaixo. Pra ser objetivo, se o Fábio não fosse filho do presidente Lula o inquérito anterior estava arquivado e esse nem sequer teria sido instaurado.
Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.
Sonora: Faz um ano e meio que ele está no poder. Ele não mandou pra cá. Aí tenta mandar e acha que a gente tem obrigação de fazer a data que eles querem. Não é correto e não é possível. E nós queremos ser tratado com respeito.
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta feira e antes dos assuntos da semana, algumas novidades bacanas. Já está no ar, para os assinantes da piauí, o Escute a Revista, que traz reportagens lidas pelos seus autores. A cada mês, serão dois textos da edição que estiver nas bancas e dois textos escolhidos do nosso baú. É um baú com 20 anos de textos memoráveis. Entre eles, já na primeira leva está a reportagem Estilhaços na Sala, narrada por ninguém menos que a nossa querida Ana Clara. Conte para os nossos ouvintes que não ouviram o que são os estilhaços na sala, Ana.
Ana Clara Costa: Fernando, essa reportagem é a reportagem que descreve o episódio de assédio que ocorreu com a hoje ex-ministra Anielle Franco e o ex-ministro Silvio Almeida. Então ela, enfim, conta tudo o que aconteceu naquele escândalo.
Fernando de Barros e Silva: Então é isso. É uma baita reportagem. Quem não leu pode ouvir agora a Ana Clara narrando para você a reportagem que ela escreveu. Além da reportagem da Ana Clara, a edição deste mês de agosto da piauí traz a reportagem Facções Eleitorais do repórter Allan de Abreu sobre as eleições em curso. A influência das facções sobre o processo político brasileiro está narrada pelo Allan também. Está disponível no Escute a Revista, que está disponível apenas para os assinantes da piauí e do Clube da Novelo, no Spotify ou no novo aplicativo da Piauí. Nosso app foi lançado nesta quinta-feira. Hoje, para nós que gravamos. Ontem, para vocês que nos ouvem. Por enquanto, apenas para os nossos assinantes. Além disso, vamos levar a nossa aldeia gaulesa ao sul do país. O Foro estará ao vivo em Porto Alegre, no Teatro Unisinos, no dia 23 de agosto, um domingo, às 15h, três da tarde. A gente faz lá uma conversa sobre política com o público gaúcho. Nossa primeira ida a Porto Alegre. Os ingressos estão à venda no site da Sympla. Há ingressos de meia entrada e assinantes da piauí têm desconto. A gente espera vocês por lá! E a diretora me afirma que está quase esgotando, é isso diretora? Então corre lá.
Fernando de Barros e Silva: Agora sim, sem mais delongas aos assuntos da semana. O projeto era ter como vice uma mulher mulher de um partido de direita que não o PL. Falava se na ex-ministra Tereza Cristina, do PP, falava se na economista Daniela Marques, do Republicanos. Nada disso vingou. O que vingou como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro foi um deputado do PL de Alagoas. O famoso "não tem tu, vai tu mesmo". O nome do marmanjo é Alfredo Gaspar, ex promotor de Justiça, ex-secretário de Segurança no governo de Renan Filho. Ele bandeou para o bolsonarismo, onde parece ter se encontrado. Ganhou alguma visibilidade como relator da CPI do INSS, que usou para constranger adversários políticos. Gaspar não é um marmanjo qualquer. Pesa contra ele a suspeita de estupro contra uma adolescente. É um caso que teria ocorrido em 2018 e está em fase de investigação preliminar da Polícia Federal. Pesa contra ele também a suspeita de desvio de 6 milhões de reais em emendas parlamentares. O cidadão de bem nega as acusações que, por ora, são apenas isso, suspeitas. No segundo bloco, seguimos com a eleição presidencial para tratar das suspeitas na seara lulista. Os personagens em questão agora são Lulinha e Marcola, que não é o do PCC. Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula, virou alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal em menos de uma semana. A gente vai entender melhor do que eles tratam e qual a estratégia da defesa do filho do presidente. Lula deu entrevistas e distribuiu as vacinas de praxe, diz que não haverá privilégios para o filho e que a Polícia Federal tem autonomia para investigar. Já Marcola, Marco Aurélio Santana Ribeiro, foi chefe de gabinete de Lula, cuidava de sua agenda, funcionava como ponte para políticos acessarem o presidente e atuava até então na coordenação de sua campanha à reeleição. A Polícia Federal descobriu que Marcola recebeu dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga muito próxima de Lulinha, a ponto de passarem férias juntos. A jornalista Maria Cristina Fernandes revelou no jornal Valor Econômico que Marcola passava Roberta por WhatsApp os pagamentos que precisava que fossem feitos. Ao todo, foram 249 mil reais. Ainda segundo Maria Cristina, a única contrapartida a esses depósitos foi a ponte de acesso de Roberta ao ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Suelen Berger Barbosa, um dirigente da campanha que esteve recentemente com Berger, como ele é chamado, diz ter ouvido dele que, a despeito das gestões de Roberta, nenhum contrato teria sido firmado na Saúde com Antônio Carlos Camilo Antunes, o careca do INSS. Marcola, depois de deixar a chefia de gabinete de Lula, se afastou também da campanha presidencial pela reeleição. Os efeitos políticos desse episódio ainda precisam ser dimensionados, mas não parece ser nada trivial. No terceiro bloco, por fim, a gente fala da escalada da crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos. Na última terça, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela não foi formalmente expulsa do país, mas entrou num limbo. Continua no cargo e pode ficar nos Estados Unidos, mas se sair, não volta sem visto novo. Washington condiciona a reversão da medida ao aval do Brasil para Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada americana em Brasília, num processo que atropelou todas as formalidades exigidas em tais situações. O pupilo de Marco Rubio foi indicado antes do 'ok' brasileiro, o que é uma anomalia. A máquina trumpista segue operando para minar a reeleição de Lula. É isso. Vem com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Celso, vamos abrir os trabalhos com você. Habemus vice para Flávio Bolsonaro. No último dia das Convenções, ele definiu no apagar das luzes, este corpulento deputado liberal de Alagoas. Vamos falar um pouco sobre isso.
Celso Rocha de Barros: Pois é, Fernando. O Alfredo Gaspar foi um total anticlímax para essa novela aí de quem seria a vice do Flávio. Você veja que agora eu instintivamente falei "a" vice porque toda a história dos últimos meses foi que ele ia escolher uma mulher para ser vice dele e tentou todas as mulheres que ele conhecia, ninguém topou. Isso é um sinal ruim por dois motivos. Primeiro, várias não puderam ser vice dele porque o partido delas não apoiou o Flávio. Nenhum dos grandes partidos de direita vai apoiar o Flávio. Então é por isso que a Tereza Cristina não pode. A Daniela Marques não pode e outras não podem. Então ele tem que escolher alguém do PL já é um péssimo sinal, que é o sinal de que ele teve que escolher o vice no próprio partido, porque não tem outro partido onde ele escolher o vice. O outro mau sinal é que entre as mulheres do PL tinha algumas, já tinha a própria Michelle, tinha a Bia Kicis, e tinham umas outras lá. As que trariam algum voto para ele, tem eleições fáceis agora para outros cargos, tem grandes chances de eleger senadores e tal. E elas acham que o Flávio vai perder. Então elas não vão arriscar perder oito anos do Senado por três meses de candidato a vice de Flávio Bolsonaro. Então ele não conseguir que essas mulheres mais fortes do PL virassem vice dele também sugere que no PL também tem o pessoal que não está apostando todas as suas fichas na chance do Flávio vencer. E mesmo se você descartar todas essas pessoas, o Alfredo Gaspar é especialmente inexpressivo. Ele é um cara com zero projeção nacional. Um cara que, sendo completamente honesto, não vai trazer um único voto para o Flávio Bolsonaro.
Fernando de Barros e Silva: Ele, inclusive, apesar de não ser propriamente jovem, é o primeiro mandato dele. Foi secretário de Segurança do Renan.
Celso Rocha de Barros: Aí trocou de lado lá em Alagoas.
Fernando de Barros e Silva: É, exato.
Celso Rocha de Barros: Foi para o lado do Arthur Lira.
Ana Clara Costa: Ele foi procurador geral de Justiça, coordenou grupo de combate às organizações criminosas, foi promotor de Justiça por 24 anos.
Celso Rocha de Barros: Pois é, eu achei um pouco assim, como se o Lula escolhesse o Quaquá para vice, sabe? Um cara assim do PT e...
Fernando de Barros e Silva: O Quaquá é mais popular, mas.
Celso Rocha de Barros: Exato. O Quaquá tem mais voto. Então, assim, claramente uma derrota para o Flávio, a indicação do Alfredo Gaspar. Eu te garanto que o Alfredo Gaspar não estava no top dez dele. Com quase certeza não estava no top 30 dele para vice. Então assim é porque todos os outros 30 recusaram. E aí sobrou para o Alfredo Gaspar. O Alfredo Gaspar, naturalmente, tem um currículo complicado. Imediatamente após o anúncio, a Folha já estava lembrando a gente que ele é acusado de corrupção e de estupro de vulnerável. Vamos começar pelo estupro de vulnerável. Vamos tentar descobrir aqui se o vice do Flávio é pedófilo. Bom, o que aconteceu foi que durante a CPI do INSS, que foi relatada pelo Alfredo Gaspar, a senadora Soraya Thronicke e o Lindbergh Farias apresentaram um pedido de investigação para a polícia, porque eles teriam recebido provas de que o Alfredo Gaspar manteve relações sexuais com 13 anos. O que é estupro, antes dos 14 anos, que teria resultado em gravidez e que teria nascido uma criança desse estupro. Segundo a denúncia, a avó da criança teria assinado a certidão de nascimento como mãe, porque justamente a mãe era muito nova. Na denúncia que a Soraya e o Lindbergh fizeram, consta que, além do fato sexual antecedente, além da denúncia em si, foram encaminhados prints de conversas e informações complementares, segundo uma interposta pessoa. Ou seja, foi uma outra pessoa que conseguiu essas informações, passou para ele, que está qualificado de forma completa em anexo sigiloso. Então a polícia sabe quem é que passou as informações para o Lindbergh e para Soraya. E que teria havido inclusive uma tentativa de subornar a mãe da menina que foi estuprada com depósitos que teriam chegado até 400 mil reais para assegurar o silêncio dela, para ninguém dizer que o pai seria o Alfredo Gaspar. Aí começa uma confusão, porque o Alfredo Gaspar diz que é inocente e publicou o vídeo de uma moça dizendo que é filha do primo dele e não dele. A mãe dela deu a luz a ela jovem, mas que não foi estupro. O pai também era jovem e que ela não é filha do Alfredo Gaspar tem exame de DNA dizendo que não é filha do Alfredo Gaspar. Mas o que a Soraya e Lindberg dizem é que não é essa moça que eles estão se referindo, porque a idade inclusive não bate. Porque a moça que fez o vídeo é uma adulta e a criança que nasceu do estupro teria hoje em dia oito anos. Bom, a gente obviamente tem que ter todo cuidado do mundo com esse caso, porque é uma acusação gravíssima e não dá para sair acusando os outros de pedofilia com leveza, né? O que resolveria a questão seria um exame de DNA da criança que nasceu do possível estupro, do alegado estupro. Novamente, a gente não sabe se aconteceu. Se tiver acontecido, se você faz o exame de DNA na criança e ela é filha do Alfredo Gaspar, acabou o assunto. Se ela não for filha do Alfredo Gaspar, também acabou o assunto. Mas isso ainda não aconteceu. Primeiro, a investigação prossegue. O PGR, o Gonet, pediu novas diligências, pediu mais informações, mais investigações antes de decidir se vai tocar esse caso adiante. E o processo está na mão do Gilmar esperando essas coisas acontecerem. Eu, sendo honesto com você, acho difícil que alguma coisa aconteça antes da eleição.
Fernando de Barros e Silva: Também acho difícil, mas pela gravidade desse caso, seria imprescindível que isso fosse esclarecido antes da eleição. Eu acho que é nosso dever cobrar que isso seja esclarecido.
Celso Rocha de Barros: Sem dúvida nenhuma.
Fernando de Barros e Silva: Que a verdade seja esclarecida antes da eleição. O sujeito está sendo candidato a vice-presidente da República.
Celso Rocha de Barros: Exato. Se ele for vice presidente, e o Flávio tem um ataque cardíaco e morre, o Brasil vai ter um presidente pedófilo, entendeu? Seria o fim do mundo, né? Então o que precisa acontecer é precisa ter o teste de DNA na criança certa para ver se ela é filha do Alfredo Gaspar. Se não for, encerrado o assunto, inocentado Alfredo Gaspar. Se for, ele é pedófilo. E assim, novamente, temos que ter todo cuidado do mundo com...
Fernando de Barros e Silva: Estuprador, né?
Celso Rocha de Barros: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Pedófilo e estuprador.
Celso Rocha de Barros: Inclusive a senadora Soraya já se prontificou a dizer: "Olha, eu peço desculpa para você se você não for o pai. Chegou uma denúncia de estupro de criança para mim. Eu tenho que apresentar a polícia, mas se você provar que você é inocente, eu vou dizer que você é inocente", entendeu? Não tem problema.
Ana Clara Costa: Ele, inclusive processou a Soraya e o Lindbergh, né?
Celso Rocha de Barros: Pois é, mas assim, o que ele tinha que fazer não é processar nem a Soraya nem o Lindbergh. Teria que fazer o exame de DNA na criança certa. Agora, seria errado reduzir a história política de Alfredo Gaspar a essa acusação de estuprar criança, porque ele também é acusado de ser ladrão. E essa acusação tem uma cara bem mais sólida. Para ser honesto com vocês. Bom, ele basicamente mandou uma Emenda Pix de 6,2 milhões para São José da Laje, em Alagoas. Emenda Pix, para quem não se lembra, são aquelas emendas que não são vinculadas a nenhum projeto, nenhuma obra específica. É um dinheiro que você manda para lá e seja lá o que Deus quiser. E não dá para rastrear o que aconteceu com esse dinheiro que justamente ele cai na conta da prefeitura, a prefeitura espalha esse dinheiro por vários projetos e aí você não sabe.
Ana Clara Costa: É ou para contas de terceiros...
Celso Rocha de Barros: Exatamente isso. A principal suspeita da polícia com relação às Emendas Pix é que o deputado manda para o prefeito, então você manda 6 milhões de, digamos, um exemplo aleatório que me ocorreu agora, o prefeito pega 1 milhão para ele e devolve cinco para o deputado. Então, a Emenda Pix é uma maneira excelente para deputado roubar dinheiro. É uma daquelas coisas que aconteceram no âmbito dessas sacanagens que surgiram no Congresso, de Orçamento Secreto, essas coisas todas. Então, isso, obviamente, é uma coisa que precisa ser esclarecida.
Fernando de Barros e Silva: E que se enraizou completamente na gestão do Arthur Lira, que também é de Alagoas.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. E virou generalizado, gente. Isso está acontecendo no Brasil inteiro, entendeu? Tem dinheiro para caramba sendo roubado por Emenda Pix. Essa acusação aqui, tem uma cara bastante séria. O Alfredo Gaspar precisa responder as duas, mas essa outra aqui é a emenda dele, cara. A emenda já tem teste de DNA, é dele. E o dinheiro sumiu. Quer dizer, ele precisa explicar o que aconteceu aqui. Se ele mandou para essa prefeitura, ele deve ter vínculos políticos com o prefeito. Ele deve pedir que o prefeito explique para ele o que aconteceu, mande comprovantes, enfim, documente o que aconteceu com dinheiro, etc. Se ele não conseguir, realmente é muito ruim. E aí é que é o problema. Porque a única vantagem que alguém conseguiu racionalizar para a escolha do Alfredo Gaspar, é que, como ele foi relator da CPI do INSS, ele poderia ser a principal metralhadora contra o Lulinha.
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: Que a gente vai falar no segundo bloco e que é a tentativa do Flávio, inclusive, de desviar a atenção do Banco Master. Então é justamente tentar jogar a acusação de corrupção para o outro lado, no mínimo, para tentar um empate, para tentar... "Ó, todo mundo é ladrão e resolva seu voto por outro motivo".
Fernando de Barros e Silva: Operação que encontra guarida entre os colunistas dos jornais. Hoje eu li a coluna do Merval Pereira. É exatamente sobre isso, fazendo essa equivalência de escolher entre um corrupto e outro.
Celso Rocha de Barros: Exato. Todo mundo falou que o Banco Master não tem ideologia, né gente? Assim, pelo amor de Deus, né? Eu achei um negócio bastante ruim da grande mídia brasileira esse ano. Teve um petrolão de direita e o público não ficou sabendo. E agora ele vai tentar usar o Lulinha para se livrar disso. Agora, se o cara que tá acusando o Lulinha, o Alfredo Gaspar, jogou 6,2 milhões para um ralo que ninguém sabe onde foi parar, é difícil, né? Assim, ele podia ter arrumado um cara melhor para ser a metralhadora dele contra o Lulinha, né? É muito difícil dizer que a indicação do Alfredo Gaspar foi uma vitória para o Flávio. Ele indica que não teve partido para apoiar ele, que as mulheres do PL não toparam arriscar suas eleições para ser vice do Flávio. E a escolha foi um cara que vai passar parte da campanha se explicando.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, quero saber o que você apurou a respeito da indicação do nobre deputado.
Ana Clara Costa: Bom, como o Celso bem disse, eles até queriam que fosse uma mulher, né? Assim, lá no fundo, bem no fundo...
Celso Rocha de Barros: Se pudesse ser... Vai que a gente acha uma aqui, né?
Ana Clara Costa: Pois é. Mas no fim, às vésperas desse anúncio, a pessoa que estava mais propensa a ocupar esse posto era o Rogério Marinho, senador Rogério Marinho, e que hoje coordena toda a campanha do Flávio. Ele é do PL também. E ele queria, né? Como não tinha dado certo com Republicanos, nem com o PP, sobrou o PL. No PL, a Michelle não quis e nem o Flávio queria ela. A Priscila Costa chegou a ser aventada, mas rapidamente descartada por não ter estatura, a estatura que eles achavam que tinha que ter, seja estatura, o que quer que seja para esse povo.
Celso Rocha de Barros: O Alfredo Gaspar aparentemente tem...
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Então o Rogério Marinho era o cara ali, né? Só que aí veio o nosso governo paralelo de Washington, composto pelo Eduardo Bolsonaro e pelo Paulo Figueiredo.
Ana Clara Costa: Olha só!
Ana Clara Costa: E foram terminantemente contra o Rogério Marinho. Eu já falei aqui em algumas ocasiões que tem esse racha na campanha do Flávio, que é o seguinte: o Rogério Marinho tava comandando meio que tudo ali, né? E o bolsonarismo raiz, a turma do Eduardo, do Fábio Wajngarten, Paulo Figueiredo, essas pessoas... Elas estavam se sentindo desprestigiadas pelo Flávio, pela confiança que ele depositava no Rogério Marinho. Então sempre teve esse racha. E quando surge o nome do Rogério Marinho, o Eduardo lá de Washington, fala 'nananinanão!'. E qual é o argumento? Eles veem o Rogério Marinho como um centrão, não como um bolsonarista raiz. Então, o que que eles jogaram com o Flávio? Eles falaram assim: "Olha, se você ganhar, esse cara é o centrão. Sabe o que eles vão fazer? Teu impeachment, ele vai assumir. E o centrão governa no Brasil, entendeu? A gente vai ser só veículo para eles ganharem, porque voto eles não tem". No que ele tá certo, em parte.
Celso Rocha de Barros: Eu acho que eles tem uma certa razão.
Ana Clara Costa: Em parte, né? Com isso, eles acabaram desistindo do Rogério Marinho. E aí que entra Artur Lyra nesse cálculo. Porque realmente, como você disse, o Alfredo Gaspar não agrega em nada nacionalmente. Não é alguém que vai trazer o Nordeste junto com ele. Ninguém conhece esse cara. Ele não tem esse peso. Além de tudo, ele não tem liderança autônoma. Ele não é uma liderança em Alagoas e tal, né? Lá é tudo dividido entre Renan e Lira, né? Ele não é um, um terceiro elemento dessa liderança. Então, simpático não é. Carisma, não tem. Centro, le poderia ser essa figura "ah, vamos trazer o centro para já que a gente quer ganhar, né? Vamos tentar trazer", não é ele. Porque, inclusive, com esse discurso de segurança pública, ele muitas vezes se mostra até mais radical do que o próprio Flávio em declarações que ele já deu. Então, enfim, o cara não tinha nada. Ele não preenchia nenhum dos requisitos, pelo contrário. Só que o Arthur Lira, bem ou mal, é uma força política nacional, por mais que ele não tenha mais o cargo de presidente da Câmara, ele continua mandando muito. E ele tem uma posição no PP, que é uma posição muito relevante e ele quer ser senador em Alagoas. Só que ele tem um problemão em Alagoas, porque ele tinha muitos adversários dentro da direita. Então a esquerda, por mais estranho que possa parecer, a esquerda é do Renan. Em Alagoas, a gente está em 2000...
Ana Clara Costa: Está complicado.
Ana Clara Costa: A esquerda é o Renan Calheiros em Alagoas e na direita teria o Alfredo Gaspar, o Arthur Lira, candidatos do Republicanos, do MDB. Então, assim, o campo da direita estava mais difuso, né? E quando sai o Alfredo Gaspar da disputa para o Senado e se junta a chapa do Flávio, o Arthur Lira perde o principal concorrente dele dentro da direita para vaga ao Senado. E o Arthur Lira não se sabe, né? Embora se imagine qual foi a moeda de troca dessa articulação, porque é uma coisa que ajuda o Arthur Lira de forma impressionante. Numa hipótese de vitória, você ter o apoio do Arthur Lira no Senado é uma coisa importante, porque se ele de fato se eleger, não vai ser para ser um senador discreto, digamos, porque não é o perfil dele. Então é isso que sobrou para o Flávio, entendeu? Compor com o Arthur Lira, dando um presentaço para ele em Alagoas em troca de um nome que eles consideravam naquele momento que poderia ser neutro, né? Mas aí eles esqueceram da acusação de estupro e esqueceram da acusação de desvio de emenda. Enfim, é um cara que parece ter um passivo maior do que o ativo para agregar nessa candidatura. E a candidatura do Flávio se estreita mais ao não ter uma mulher, né? Ele deixa de tentar acessar essa parte do eleitorado que é tão refratária ao nome Bolsonaro.
Fernando de Barros e Silva: Desejava-se uma mulher, acabaram tendo um suspeito de cometer estupro com o vice.
Ana Clara Costa: Pois é, né? É muito louco, né? Parabéns, né?
Celso Rocha de Barros: Acho que não acharam uma mulher que tenha mandado Emenda Pix de 6 milhões para... É que nem o ministério do Temer que falava que não tinha mulher, mas é porque não tinha muita mulher denunciada na Lava Jato, entendeu? E o Ministério do Temer era só a galera que precisava de Foro Privilegiado.
Ana Clara Costa: Agora eu quero falar da Tereza Cristina rapidinho. Eu não sei se vocês acompanharam que na semana passada ela até causou um rebuliço quando ela anunciou que aceitaria ser vice do Flávio, ela pessoalmente, se o partido dela quisesse. E aí, né, foi aquela coisa, né? Todo mundo ficou em polvorosa, tentar entender o que tava acontecendo. E aí eu fui conversar com as minhas fontes e tal. E na verdade ela não poderia ser candidata naquele momento mais, porque pelo estatuto do PP, partido dela, o PP já não poderia se juntar a nenhuma coligação àquela altura. O próprio estatuto tem seus prazos específicos e naquele caso, eles precisariam acertar isso alguns dias antes da convenção e esse prazo já havia passado. A questão é ela sabia que não dava mais. Ela é do Mato Grosso do Sul, um estado altamente bolsonarista. Como ela quer ficar bem com o eleitorado dela? Ela jogou essa para depois ficar na conta do partido, né? De que o partido não quis. Aí o partido assume o passivo de não querer ter se aliado ao Bolsonaro e ela fica na posição de que quis, quando na verdade ela sabia que não dava.
Celso Rocha de Barros: Bela jogada, hein, Tereza Cristina.
Ana Clara Costa: Olha, ela é terrível. Ela é terrível.
Fernando de Barros e Silva: E o PP é da Federação PP e União Brasil, né? Se ela fosse vice, o Flávio levaria esses dois partidos que caminham juntos necessariamente.
Celso Rocha de Barros: Olha, eu vou dizer, eu conheço pelo menos uma pessoa que me mandou mensagem dizendo: "Se a Tereza Cristina for vice do Flávio, é perfeito que a gente elege ele faz, impeachment no primeiro dia. Deixa a Tereza Cristina de presidente". Ou seja, esses bolsonaristas tinham lá seus motivos para suspeitar.
Ana Clara Costa: Do Rogério Marinho, né? Agora, com essas últimas articulações da direita, sobretudo do PL, tem uma questão que está se colocando, que é meio que esse califado que eles estavam querendo montar no Senado.
Celso Rocha de Barros: Gostei do califado.
Ana Clara Costa: Né?
Celso Rocha de Barros: Lembra o Estado Islâmico.
Ana Clara Costa: Em totalitarismo é parecido, né? Essa estratégia meio que não vingou até agora. Agora, falando do Alfredo Gaspar, que saiu da disputa em Alagoas, São Paulo tá bem complicado para eles. Rio de Janeiro tá bem complicado para eles. O PL no Rio vai ter o Carlos Jordy e o Carlos Portinho como candidatos que não são grandes puxadores de voto, né? E aí você tem também o Pedro Paulo...
Fernando de Barros e Silva: Pedro Paulo apoiado pelo Lula.
Celso Rocha de Barros: É, pelo Lula.
Ana Clara Costa: É, já falamos desse constrangimento. Então não está garantido para o PL um senador carioca. Minas Gerais, mesma coisa. Ou seja, a estratégia presidencial está nesse momento ali de restou um. E a estratégia para o Senado, que era o que eles mais almejavam, sobretudo, e o Rogério Marinho era o piloto dessa estratégia, também nesse momento não tá ajudando, né? Ainda mais assim, Carlos em Santa Catarina não está claro que ele é o favorito da direita, mesmo porque lá a direita todo mundo sabe... A concorrência é brava. Eduardo não pode se candidatar em São Paulo, né? Então são grandes puxadores de voto do bolsonarismo que não vão conseguir ajudar. Os grandes puxadores de voto hoje estão muito concentrados no Distrito Federal, com a Michelle, com a Bia. Kisses. Enfim, só para a gente pontuar aqui que essa estratégia não rolou ainda. Não sei se rolará também, claro.
Fernando de Barros e Silva: Sim, vamos acompanhar. Eu pessoalmente acho difícil no Rio de Janeiro o bolsonarismo não fazer pelo menos um senador. Mas a ver.
Celso Rocha de Barros: Está bem aberto, porque o Pedro Paulo tem todo o apoio do Eduardo Paes, então tem grande chance. A Benedita lidera a pesquisa. Tem uns outros menorzinhos ali, então eu acho que eles vão crescer até o final. Um cara vai ser o voto.
Fernando de Barros e Silva: É que seria uma derrota imensa para o bolsonarismo não fazer nenhum dos dois senadores? Seria muito simbólico.
Celso Rocha de Barros: Isso seria. Seria.
Fernando de Barros e Silva: Enfim, a gente encerra o primeiro bloco do programa. Vamos para um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar das denúncias contra Lulinha e contra Marcola, o ex-chefe de gabinete de Lula. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você. O Lulinha, como eu disse na abertura, virou alvo de três inquéritos, três investigações da Polícia Federal. Você nos explicava aqui, e isso talvez os ouvintes não saibam, que isso foi uma estratégia da defesa. Os três inquéritos, a divisão das investigações em três frentes, vamos dizer assim, foi algo que parece e é contra intuitivo você imaginar que isso seja uma estratégia da defesa, é isso?
Ana Clara Costa: É. Só fazendo um paralelo de comparação com a época do golpe, em que estava tudo concentrado com Alexandre de Moraes. A defesa do Bolsonaro também queria dividir a investigação em vários inquéritos para que fossem sorteados para outros ministros. E aí cabe ao ministro que está a cargo dessa investigação aceitar ou não. O Alexandre de Moraes não aceitou, o André Mendonça aceitou porque, como foi acessado o conteúdo do celular da Roberta e outras coisas surgiram a partir desse celular, outros assuntos não necessariamente ligados ao INSS, a fraude no INSS, tudo isso, em tese, ficaria com o André Mendonça, então ele ficaria Master INSS, outros assuntos tirados do celular dessa Roberta, enfim, ficaria com o mundo, basicamente, o André Mendonça. E aí, a defesa pediu essa divisão e ele acatou. Ele acabou ficando com dois dos três inquéritos. E esses inquéritos, eles estão relacionados a outras suspeitas que são de favorecimento para a empresa de canabidiol da Roberta, que ela presta consultoria, dentro do Ministério da Saúde com servidores do Ministério da Saúde, servidores que chegaram a trabalhar no Palácio do Planalto também. O que eles estão investigando é se houve tráfico de influência, se o Lulinha abriu portas para a Roberta nesses contatos no Ministério da Saúde. No caso do Marcola, é uma outra coisa. Nas mensagens que foram encontradas no celular da Roberta, havia mensagens do Marcola. Marcola, que até pouco tempo atrás era chefe de gabinete do Lula, e essas mensagens mostravam contas do Marcola enviadas para Roberta para serem pagas por ela. Isso está na reportagem da Maria Cristina Fernandes no Valor Econômico.
Fernando de Barros e Silva: O que piora as coisas. Essas informações que surgiram nessa reportagem da Maria Cristina Fernandes pioram as coisas porque, pelo que eu entendo, o sujeito apresentava contas e a Roberta pagava.
Ana Clara Costa: Isso.
Fernando de Barros e Silva: É diferente de você receber um empréstimo da pessoa.
Celso Rocha de Barros: Sem dúvida.
Ana Clara Costa: Eu queria aqui citar um trecho da matéria da Maria Cristina Fernandes no Valor Econômico. Ela escreve o seguinte: "No relato que o Marcola fez a integrantes da campanha do Lula, a Roberta ofereceu ajuda, sempre recusada, até que ele cedeu, aceitando que Roberta pagasse contas que lhe apresentava. Nunca recebeu dinheiro dela, mas lhe passava por WhatsApp os pagamentos que precisava que fossem feitos".
Celso Rocha de Barros: É, isso é aceitar dinheiro, né gente?
Ana Clara Costa: Sim. A notícia em si do envolvimento do Marcola foi dada pelo site Poder360. E aí depois soube se que o valor desses pagamentos somaram 249 mil reais. Então é isso que está na reportagem da Maria Cristina. Isso é assim, é um negócio de uma gravidade, porque você não está falando de alguém que tem conexões com o presidente. Está falando de talvez o servidor que goza de maior confiança do presidente Lula, que é o Marcola. O Marcola decidia com quem o Lula ia falar, basicamente. Então, se o ministro queria falar com o Lula, era para o Marcola que ele ligava para saber se o Lula podia atender, se o Lula podia recebê-lo. Era um pouco, em certa medida, a posição do Mauro Cid no governo Bolsonaro.
Fernando de Barros e Silva: O cargo do Mauro Cid era outro ajudante de ordens.
Ana Clara Costa: Era outro, mas a posição, essa pessoa que está o tempo todo junto com o presidente, cuidando da agenda, é um pouco a mesma coisa. E com o agravante de que o presidente Lula não usa celular. O Bolsonaro ainda usava celular, então você conseguia acessar ele cinco da manhã, que era o horário que ele acordava, mandando um WhatsApp. O Lula não usa, então realmente falar com o Marcola era o único jeito de falar com ele. Então não é qualquer pessoa. Tem também uma questão do histórico do Marcola, né? O Marcola é um cara do PT, do partido. Ele teve funções no Instituto Lula. Ele assumiu, inclusive, o cargo da Clara Ant no Instituto Lula depois que ela saiu, ele era muito embrenhado ali na cúpula do entorno do Lula dentro do PT. Tinha a confiança de várias lideranças petistas, como o Rui Falcão, por exemplo, numa reportagem da Andrea Jubé, também no Valor Econômico, ela conta que o Lula pediu conselho para o Gilberto Carvalho, que foi o chefe de gabinete dele nos oito anos dos primeiros mandatos, se ele deveria chamar o Marcola para esse cargo, e o Gilberto Carvalho assentiu. Falou que sim, que achava que o Marcola tinha se provado fiel. Porque até durante o período que o Lula ficou em Curitiba, o Marcola se mudou para Curitiba para ficar lá no acampamento. Ele participou das caravanas do Lula antes do Lula ser preso. Ele era uma pessoa de extrema confiança. Foi levado para o coração do palácio, para o lugar de maior acesso ao presidente e aconteceu isso. E não era uma pessoa que as pessoas esperavam isso dele. Porque o Mauro Cid, eu acho que a gente já falou aqui várias vezes, fazendo esse paralelo de novo, o Mauro Cid era uma pessoa que os ministros bolsonaristas odiavam porque ele usava esse acesso que ele tinha ao Bolsonaro para privilegiar pessoas que ele gostava, fustigar pessoas que ele não gostava, construir a agenda com base em interesses próprios, enfim, o Marcola não era visto como esse cara. Ele era visto como uma pessoa que pensava politicamente ali junto com o Lula, no melhor interesse do Lula, entendeu? Então ele não era visto pelos ministros como alguém que estava ali para dificultar, pelo contrário. Então tem essa grande diferença. É por isso que essa informação caiu como uma bomba, porque vem do lugar onde menos se esperava. E só para a gente ter dimensão do poder que ele tinha alcançado, quando ele sai do governo, já com o governo sabendo do que havia no celular da Roberta, óbvio, e ele já tendo contado para o presidente o que tinha acontecido, ele vai para a campanha. Ele passa a interferir na comunicação da campanha a ponto de ter uma discussão acalorada com o Sidônio, ministro da Secom, que foi o que cuidou da campanha do Lula em 2022. Agora ele está na Secom, ele não está coordenando a campanha, tem outras pessoas ali, mas o Sidônio é uma pessoa consultada o tempo todo. Então, assim, em tese, ele é o especialista no assunto. E assim, o Marcola e ele divergiram e o Lula teve que acalmar os ânimos. Isso foi descrito numa reportagem da Folha de São Paulo. Então era nessa posição que ele estava quando acontece isso, a ponto de divergir sobre o teor da campanha de reeleição do Lula.
Fernando de Barros e Silva: Perfeito. É, estamos diante de um caso muito complicado. Vamos aguardar que explicações esse esse sujeito pode dar.
Ana Clara Costa: Ele já explicou, né, Fernando? Ele disse que foi um empréstimo que não tem nada de ilegal. Quem vai decidir se não tem nada de legal ou não vai ser ele, né? Vai ser possivelmente...
Fernando de Barros e Silva: O problema aqui não foi exatamente um empréstimo, né? É uma coisa atípica. Eu sou amigo do Celso, nunca passei meus boletos para ele, para ele pagar.
Celso Rocha de Barros: Pô, eu ia tentar fazer isso com você. Sacanagem.
Ana Clara Costa: Você poderia pedir para o Celso pagar seus boletos porque o Celso não trabalha na presidência da República e você não tem nenhum interesse comercial.
Celso Rocha de Barros: Podia o que? Fale por você.
Ana Clara Costa: Não. Você poderia negar, por exemplo, mas ele pode pedir. É uma relação que ele não tem o interesse no seu entorno.
Celso Rocha de Barros: Claro, claro. Tá certo.
Fernando de Barros e Silva: Pensando seriamente em pedir para o Celso pagar a conta de luz no próximo mês.
Celso Rocha de Barros: Sacanagem.
Fernando de Barros e Silva: Celso, deixa eu te ouvir a respeito desse episódio.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, naturalmente a investigação que tem maior impacto na opinião pública do Lulinha, porque ele é filho do presidente, certo? É óbvio que isso vai ser o centro das acusações da oposição. Antes de falar qualquer coisa, é bom a gente dizer que se era para fazer uma campanha xingando o filho ladrão do presidente, o Flávio Bolsonaro era o pior cara que a oposição podia ter lançado, né cara? Porque o Bolsonaro é o filho ladrão do outro presidente. Então, assim, pelo menos em defesa do Lula, você pode dizer que ele não lançou o Lulinha candidato a presidente. O Flávio chegou a dizer isso falando "imagina se essa coisa do Lulinha fosse com o filho do Bolsonaro". Ué, a gente sabe o que aconteceria. O Bolsonaro lançaria o Lulinha para presidente. E assim, longe de mim botar minha mão no fogo por Lulinha. Cada história que aparece no Lulinha, você vê que ele se move nesse mundo aí de lobista. Ele tenta arranjar gente que quer agradar o presidente da República para arrumar um emprego para ele, para arrumar um negócio para ele, uma coisa dessas.
Ana Clara Costa: Trabalhar que é bom, né?
Celso Rocha de Barros: Exato. Trabalhar que é bom, não rola.
Fernando de Barros e Silva: Isso desde a época da Gamecorp, que tinha contrato lá com a Oi. Enfim, existem reportagens sobre isso. Não é o caso de voltar agora aqui, mas isso a gente está falando de coisa de 20 anos atrás, mais de 20 anos atrás.
Celso Rocha de Barros: E assim, filho de presidente tem um histórico, não precisa ser tão ruim quanto o Flávio Eduardo, mas o histórico é ruim, né? A gente tava numa conversa um dia desses, lembraram que uma exceção honrosa é a Luciana Temer, que é uma profissional super qualificada, tem sua própria carreira, a Paula Rousseff, a filha da Dilma também. Aparentemente são os filhos homens que fazem merda.
Ana Clara Costa: Ah, que surpresa!
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Então, assim, longe de mim botar a mão no fogo pelo Lulinha. Se ele pegou carona no avião do careca do INSS, é o quê? Tem alguém aqui que esteja recebendo oferta de carona para a Europa? Não, né? Então, evidentemente, pode ter coisa estranha nesse negócio. Agora, que é preciso diferenciar duas coisas Primeiro, essa denúncia agora não é sobre o INSS, que era um negócio bem mais grave, certo? Roubar dinheiro de aposentado. Naquele caso, a denúncia contra o Lulinha era muito séria. Tinha uma testemunha, se não me engano, que disse que o Lulinha recebia uma mesada do careca do INSS. Mas isso parou de andar porque abriram o sigilo bancário do Lulinha e não tinha mesada. Então isso está parado. Pode ser que isso ande eventualmente. Pode ser que novas evidências surjam e que ele esteja mesmo envolvido com o INSS. Mas a história do INSS deu uma morrida quando ele abriu o sigilo bancário e pelo menos aquela acusação que existia, que era dele ganhar uma mesada do careca, não se mostrou verdadeira, pelo que se podia comprovar com os extratos. Essa nova denúncia seria sobre lobby, novamente com a turma lá do careca do INSS, lobby em favor de produtos usando canabidiol, aquele produto extraído da cannabis que sempre é bom esclarecer, não é maconha não é usado para você ter um barato, tem o uso clínico e a acusação seria que o Lulinha teria feito advocacia administrativa, que teria feito lobby por essa empresa diante do Ministério da Saúde. Isso, obviamente, vai ser investigado. Até agora não apareceu nada muito conclusivo, mas é uma denúncia bem menos grave do que a do INSS, que essa realmente era muito séria. O que eu achei muito sério realmente foi a acusação contra o Marcola. Eu achei bem pior do que a acusação contra o Lulinha, porque na acusação contra o Marcola você tem o depósito, você tem o dinheiro lá. Ele mesmo admitiu que o dinheiro entrou. Aí você pode dizer "ah, mas ele pegou o empréstimo como uma pessoa privada pega de outra pessoa privada". Não. Ele é o cara que controla quem o Lula vai receber. Se você é uma lobista, como era o caso da Roberta Lucas Singer, o Marcola é a sua baleia branca, o seu alvo preferencial. Se você for escolher uma pessoa para você ter no bolso, é o cara que controla a agenda do presidente. Que lobby, nem sempre o lobista pode prometer para o cliente "Olha só, eu vou te garantir esse contrato. Eu vou te garantir que o governo vai fazer o que você quer". Assim, às vezes ele consegue, mas muitas vezes o que ele te vende é só acesso. Eu te consigo uma reunião com o ministro e aí você tenta convencer o ministro. Isso foi, por exemplo, que o Guido Mantega fez pelo Banco Master. Ele falou "Eu consigo uma reunião com o Lula. Aí você se vira lá, se você conseguir conseguir, se não conseguiu, não conseguiu". Isso foi também provavelmente o que o Eduardo Bolsonaro e o Paulo Figueiredo fizeram para conseguir uma audiência com o Trump, né? Vocês verem na matéria do João Batista na piauí, sobre o Eduardo Bolsonaro lá no exterior, ele conta que contratou um advogado lá não sei o que lá. Isso é um serviço de lobby. Então eles não garantem para o Eduardo que o Trump vai fazer o que ele quer. O advogado não manda no Trump, mas ele conhece gente do Partido Republicano, ele sabe abrir portas, ele consegue uma reunião com o Trump. Foi assim que o Flávio conseguiu aquela foto lá. Então, assim, um dos produtos que lobista vende é acesso ao presidente. E aí se você conseguir uma entrada com o cara que controla quem tem acesso ao presidente, é um golaço para o lobista. Para o lobista, é uma conquista imensa ele chegar para os seus clientes e falar "Olha, tenho no meu bolso o chefe de gabinete da Presidência da República". É uma conquista e tanto. Então, pelo cargo que o Marcola ocupava, ele jamais poderia receber, mesmo que fosse um empréstimo, mesmo que não fosse pagar boleto, mesmo que fosse um empréstimo que ele de fato ia pagar. Mesmo se ela for melhor amiga dele. Ele não pode receber dinheiro dessa pessoa. E ao contrário do Lulinha, que enfim, o Lula, obviamente não consegue controlar qualquer coisa que o filho faça, o Marcola foi indicado pelo Lula e era de fato uma pessoa de muita confiança do Lula. Quem acompanha a vida do PT sabe que o Marcola era um cara muito próximo do Lula. A propósito, todos concordam que ele devia ter trocado seu apelido já, certo? Visto que ele no momento tem o apelido do chefe do PCC.
Ana Clara Costa: Acho que é o apelido desde sempre.
Celso Rocha de Barros: Mas tinha que trocar, né gente? Lamento. Entendeu? Se seu apelido for Beira-Mar, você tem que trocar. Se for Al Capone, você tem que trocar, entendeu? Porra! Porque aí que acontece o Lula saiu da cadeia, fez um discurso, queria agradecer ao Marcola e todo mundo "oiii???". Enfim, Mas ele era de fato muito próximo. Como eu disse, tem o discurso de saída do Lula da cadeia, agradeceu ao Marcola. Então, eu acho isso mais grave do que a história do Lulinha. A não ser, é claro, novamente, que novas evidências surjam aí sobre Lulinha ou o que uma nova denúncia sobre o INSS apareça, ou que um contrato do Ministério da Saúde com essa empresa de canabidiol apareça. Mas por enquanto assim, o que ficou claro é que foi um gol da oposição, né? O Flávio teve um gol a seu favor nesse caso. O Flávio estava bem encurralado com denúncia de corrupção e agora ele teve uma semana de manchetes favoráveis a ele, que ele pode ter estragado um pouco por indicar um vice acusado de pedofilia, né? Mas sem dúvida nenhuma, foi uma coisa que colocou o Lula na defensiva, né? Até essa decisão do Lula de não ir no debate da GloboNews, na sabatina da GloboNews, provavelmente foi ocasionada pelo caso Lulinha. Acho que se fosse em outra semana, se fosse 15 dias atrás, ele provavelmente iria. Então foi um golpe mesmo na campanha do Lula.
Fernando de Barros e Silva: Perfeito. Então é isso. A gente vai encerrar o segundo bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar sobre a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luísa Ribeiro Viotti. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, vou começar com você. Tivemos essa semana esse fato inédito, que é muito grave até o fato inédito da semana que vem, que vai ser mais grave do que esse provavelmente. O governo Trump é isso, uma sucessão de disparates. Eles vão, vão escalando. Mas eu queria que você mencionasse esse episódio, cujo desfecho a gente ainda não sabe qual será, mas foi um agravamento das relações Brasil-Estados Unidos e da interferência do Trump no processo político brasileiro. Mais um sinal eloquente de, de que Celso?
Celso Rocha de Barros: De agressão imperialista, a boa e velha. Outro dia a gente lembrou aqui a luta de classes aqui, estamos aqui com a agressão imperialista. Bom, eu recomendo para ouvinte a coluna do Thiago Amparo, grande Thiago Amparo, na Folha no dia 5 de agosto, que ele analisa a questão e deixa claro que isso é uma tentativa de interferir na nossa eleição. O argumento, na verdade, eu deveria dizer, a desculpa do Marco Rubio para tirar o visto da embaixadora brasileira, é que o Brasil ainda não concordou com o indicado dele para ser embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
Ana Clara Costa: Que inclusive a gente falou isso semana passada.
Celso Rocha de Barros: Ah, claro! A gente não, você falou isso na semana passada. Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: E você mencionou que os Estados Unidos indicou esse embaixador de maneira completamente contrária.
Ana Clara Costa: Mas o pior é que eu falei eu não tava sabendo de nada. Eu não sabia que isso ia ser trazido como... É, pode ser...
Celso Rocha de Barros: O que o Estados Unidos fez aqui é ilegal. Se você pegar o artigo quatro da Convenção de Viena, que é lei no Brasil porque foi assinado pelo Brasil, diz: "O Estado acredita que deverá certificar-se de que a pessoa que pretende nomear como chefe da missão perante o estado acreditado, obteve o agreement do referido Estado". Ou seja, se você vai indicar um cara para ser embaixador na Argentina antes de indicar oficialmente, você avisa o governo da Argentina. "Olha só, vou indicar esse cara. Vocês tem alguma objeção a esse cara?". E aí quando eles disserem "não, a gente concorda". É o agreement. E aí você pode nomear o cara oficialmente para evitar, inclusive mal estar de ter embaixador rejeitado.
Ana Clara Costa: Você pode indicar ele para o Senado e o Senado, no caso, nos Estados Unidos, o Senado aprova.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. E os Estados Unidos não fez isso. O Marco Rubio foi lá na maior cara de pau e falou "O embaixador vai ser esse cara aqui. Se o Brasil gostar, gostou. Se não gostar, dane-se". Isso é irregular. E aí o Marco Rubio tá reclamando que o Brasil não chegou e falou "sim senhor, tá bom. Manda qualquer idiota que eu aceito".
Fernando de Barros e Silva: Inclusive, os Estados Unidos desde o início do governo Trump tão para indicar o embaixador.
Celso Rocha de Barros: Exatamente, saiu a embaixadora indicada pelo Biden.
Fernando de Barros e Silva: E no momento que fizeram, fizeram desse jeito que você falou.
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: Indicando um trumpista raiz da Flórida.
Celso Rocha de Barros: Próximo do Marco Rubio.
Ana Clara Costa: É, e no primeiro governo Trump, vale lembrar que a gente não tinha embaixador aqui, né? Era, era encarregado de negócios porque o Brasil não era considerado um país estratégico para você manter um embaixador, né? Então, enfim, agora ele considera.
Celso Rocha de Barros: Eu acho que tinha embaixada. Quer dizer, era só um cara, né?
Ana Clara Costa: É, mas quando você tem um embaixador na embaixada, a dotação orçamentária para aquilo é maior, porque você tem toda uma... É uma embaixada, né? Senão vira um posto que tem menos diplomata, enfim, é menos burocracia operando.
Celso Rocha de Barros: E assim, é, por que o Brasil não deu o tal do agreement para o indicado do Marco Rubio? Porque, basicamente o Marco Rubio está tentando organizar um golpe de estado no Brasil. A gente vem numa escalada golpista que vem com as sanções de lei Magnitsky no passado. A gente tem o tarifaço no ano passado e o tarifaço desse ano. Semana passada a gente teve um encontro no Consulado Americano de São Paulo com influencers de direita brasileiros que se sujeitaram a isso.
Ana Clara Costa: Celso, aliás, sobre isso, a Penélope Nova, filha do Marcelo Nova, era uma das influencers. Eu não sabia que ela tinha virado uma. E aí eu fui... Obviamente, o Google faz isso pela gente. Fui ver que tinha acontecido. Ela é colunista da Auriverde, colunista de Política da Auriverde.
Celso Rocha de Barros: Lembra dela? Ela foi VJ da MTV e tal.
Fernando de Barros e Silva: Uau!
Celso Rocha de Barros: Que tristeza! Outra influencer que tava lá era a Maria Fernanda Schmidt, que se você consultar a página dela do LinkedIn, é associada aquele site de desinformação de extrema direita Brasil Paralelo. Outro influencer que estava lá era o Leandro Narloch. Quem se lembra dele? Você achava que ele tinha morrido, mas não. O Narloch era aquele idiota que escreveu aqueles livros, "O Guia Politicamente Incorreto da história", uma coisa dessas, entendeu? E foi colunista do jornal. Era tratado como alguém que você tinha que prestar atenção.
Ana Clara Costa: Era seu colega.
Celso Rocha de Barros: Era meu colega na Folha na época, e assim era tratado como alguém que você tinha que respeitar a opinião dele. Olha só, intelectual, só que ele tá lá agora, lá, tentando filar uma boia de embaixada e em troca apoiando o golpe de Estado e todo mundo lá. A esquerda sempre teve uns pequenos grupinhos que eram a turma da merenda de embaixada, entendeu? Que era o cara que ia lá, elogiava a Coreia do Norte, dava um lanchinho lá, fazia uns negócios. Essa é a legítima direita merenda de embaixada, que são os caras que vão lá ganhar de filar um rango, umas coisas dessas.
Fernando de Barros e Silva: Seu McGolpe feliz.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Exatamente. A outra tentativa do Rubio que é muito mais grave de promover um golpe no Brasil, foi enviar dois emissários para o Brasil que, em tese, viriam fiscalizar a eleição ou monitorar a eleição. Tem uns caras aí, os de sempre, os suspeitos de sempre, dizendo: "olha só, o Brasil não pode vetar isso porque observador internacional em eleição é comum", entendeu? Sempre tem. Tem da Comunidade Europeia, tem não sei o que lá. Então vamos levantar a ficha aqui dos cidadãos que o Rubio mandou para cá. O primeiro é o Samuel Samson. Se vocês pegarem uma matéria do site americano POLITICO, de 26 de junho, eles davam a notícia baseada em fontes no Departamento de Estado americano, que o Samuel Samson propôs usar dinheiro americano para apoiar a Marine Le Pen na França. Ele fez um tour da Europa ano passado, se reunindo com todos os movimentos de extrema direita da Europa. Em uma reunião com a imprensa francesa, ele parece ter dito que a França estava se tornando a Coreia do Norte, maior propaganda da Coreia do Norte que eu já vi, né, cara? Porque se a Coreia do Norte for que nem Paris é melhor que a do Sul Então cara, pô. Mas enfim, ele tá lá fazendo lobby para big tech, né? Falando que qualquer coisa de regulação é censura, essas coisas todas e manifestando apoio explícito a qualquer força de extrema direita na Europa. Samson, por exemplo, também se reuniu com a AFD alemã, aquele partido de extrema direita com vínculos comprovados com grupos neonazistas e, segundo o New York Times, quando acabou a reunião, perguntaram para os membros da FD alemã como é que foi, e aí souberam do seguinte que eles e os Samson estavam reclamando da regulação de redes sociais, do medo de que a Alemanha banisse o AFD pela ligação com grupos neonazistas. Teriam discutido a teoria supremacista da Grande Substituição, que é uma teoria da conspiração que diz que os líderes políticos da Europa, mas em geral de esquerda, planejaram substituir os brancos por membros de outras etnias através da migração, diferenças de natalidade, coisas tipo. E na saída, o Joaquim Paul, um dos líderes da AFD alemã, disse que a conversa foi muito boa e que ele ficou com a impressão que os americanos estão muito interessados em nos ouvir. Eles fizeram muitas anotações. Aí o Samson saiu de lá, foi para a Hungria do Viktor Orbán, para dizer que lá era um bastião da liberdade de expressão, que os outros países da Europa estavam abandonando lá esses valores da liberdade e tudo. Ao contrário da Hungria, que é reconhecido por todos analistas sérios como um regime autoritário. Era, porque o Orbán perdeu. Vamos ver se agora vai ser desmontado esse sistema autoritário. Também encontrou um sujeito muito simpático chamado na Năstase, que é o líder da extrema direita na Romênia que, sem sacanagem, vocês vão achar que eu estou inventando, mas apoia o Drácula. Como vocês sabem, o romance Drácula é inspirado numa figura histórica muito simpática chamado Vlad, o Empalador, nobre romeno lá de sei lá quantos, cujo apelido é autoexplicativo. O apelido do cara é Empalador, você já deduz, né? E esse romeno aqui diz que o Vlad, o Empalador, é um grande herói da Europa porque ele embalava lá os muçulmanos naquelas guerras de conquista lá com o Império Otomano.
Ana Clara Costa: Eu não sabia que essa era a inspiração do Drácula, né?
Celso Rocha de Barros: Pois é. Enfim, basicamente esse é o Samuel Samson. O outro cara é o Riley Barnes, o Riley Barnes, outro dia desse segundo, o Korea Harold, de 8 de junho, estava na Coréia do Sul, se encontrando um líder religioso que apoiava o Yoon Suk, que é aquele presidente da Coréia do Sul que tentou um autogolpe e que foi preso inclusive. Que país democrático, decente prende golpista, né gente? Assim, qualquer país que tenha um mínimo de pretensão a decência faz com seus golpistas. A Coreia do Sul, um país decente, prendeu seu golpista. Esse pastor com quem o Riley Barnes se encontrou é um dos principais opositores a derrubada desse cara que tentou o golpe. Então esses dois caras que o Rubin indicou para vir ao Brasil observar a eleição não são o centro Jimmy Carter de observar a eleição. Não são aqueles watch dogs que tem no mundo inteiro para organizar a eleição, não é a Comunidade Europeia. São basicamente profissionais de desinformação, militantes de extrema direita que percorrem o mundo fazendo campanha para a extrema direita nos vários países que eles visitam. Então, o Brasil tem toda a razão de não deixar esses caras entrar aqui até a eleição acabar. Se depois eles quiserem vir aqui para praia, eles vão. Mas assim, até a eleição não tem a menor condição da gente deixar o Marco Rubio botar um pé aqui.
Fernando de Barros e Silva: Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre esse episódio. Você tem informações sobre o governo brasileiro.
Ana Clara Costa: Bom, essa notícia do visto da embaixadora Viotti, na verdade, tecnicamente eles estão encarando isso como uma mudança de status, porque para revogar, eles precisariam pegar o passaporte dela e cancelar o visto e ela teria que ir embora. Mas eles fizeram uma coisa que a própria legislação americana não prevê, entendeu? É uma jabuticaba deles ali que eles fizeram de que ela não pode sair dos Estados Unidos. Esse visto não é mais de múltiplas entradas, mas ela pode permanecer nos Estados Unidos desempenhando as funções dela. Então ela pode ir no Congresso, pode ir em eventos diplomáticos e tal, numa boa percorrer os Estados Unidos. Mas se ela sair dos Estados Unidos e for para o México, na volta, ela vai precisar pedir um novo visto. Então, essa é a situação da embaixadora. E obviamente, eles fizeram isso, já disseram que é em razão do tratamento dado ao candidato a embaixador deles. Isso, depois eu fui saber, era assunto ali de diplomatas nos Estados Unidos desde a semana passada. Eles estavam esperando que fosse vir alguma coisa nesse sentido, mas eles estavam esperando uma coisa um pouco mais radical como torná-la persona non grata? Porque quando você torna persona non grata, ela realmente precisa ir embora imediatamente. Que foi o que aconteceu com o embaixador da África do Sul. O Trump fez isso com ele no início do governo, porque ele falou algumas coisas contrárias ao que o Trump tinha dito e enfim ele foi embora. No caso dela é um pouco mais suave o que aconteceu e não era a expectativa. Estavam esperando que ela de fato fosse sair. E segundo as fontes que eu conversei, ela foi avisada antes do que aconteceria. E aí, logo em seguida, o Departamento de Estado chamou uma coletiva em off. Parece estranho coletiva em off. É raro, mas acontece muito. Eles chamaram os jornalistas lá para falar, mas a pessoa que falou com jornalistas não pode ser mencionada, né? Só a fala pode ser mencionada e não a pessoa. Foi isso que aconteceu. Mas a embaixadora soube um pouco antes. Para a gente ter uma ideia de como isso é grave, quando houve o tarifaço no meio do ano passado, o governo e as relações com os Estados Unidos ficaram tensas até destensionarem ali na visita do Lula aos Estados Unidos, na Assembleia Geral da ONU, em que eles se encontraram e tal. Tinha ficado muito tensa e no auge do tensionamento, o pior medo do governo era que duas coisas acontecessem, que eles expulsassem a embaixadora Viotti de Washington, algo que seria inédito e, posteriormente, não reconhecessem a eleição do Lula caso Lula viesse a se reeleger. Eram os dois principais temores. Hoje, isso é certeza. Não é mais temor. Ela não foi expulsa. Ela teve o visto modificado, digamos. Talvez seja a palavra mais precisa. E a expectativa é de que o governo, caso venha a se reeleger, não seja reconhecido. Hoje isso é dado como certo. Então, para a gente ter uma ideia de como as coisas pioraram, né? E o governo não vai mandar ela de volta para o Brasil. Eles acham que vai ser um constrangimento para o governo americano expulsá-la, né? Escalar isso um pouco mais e cavar a expulsão dela dos Estados Unidos. E eles querem que o governo americano passe por esse constrangimento. Então, se vocês não querem a nossa embaixadora aí, vocês vão ter que expulsá la oficialmente. Caso contrário, ela vai permanecer nos Estados Unidos. E é essa decisão agora. Outra coisa, o governo brasileiro, pelo menos retrato de hoje, não vai dar o agreement para o embaixador americano. Pelo menos não até o final das eleições.
Fernando de Barros e Silva: Agora tem um custo pessoal para ela gigantesco, né? O governo decidiu pela permanência dela. Enfim, eu não sei o que ela está achando disso.
Celso Rocha de Barros: É uma grande diplomata, tem uma reputação.
Ana Clara Costa: Ela teve, enfim, cargos altíssimos dentro da diplomacia. Passou por postos de relevância. Ela ficou na ONU durante muito tempo, onde ela foi chefe de gabinete do António Guterres, secretário geral da ONU. Então, assim, ela é uma diplomata das mais qualificadas e estando nesse posto, você é uma pessoa extremamente prática e técnica e aguenta esse tipo de situação. Então, eu não acho que ela teria problema nesse aspecto. Agora, a definição até esse momento é não ceder em nada e dar aos Estados Unidos a oportunidade de fazer tudo o que eles querem fazer e aí sim, o que que eles podem fazer? O céu é o limite, né? Caso, de fato, a decisão seja mantida de não aceitar o embaixador americano por enquanto. A gente poderia pensar "Ah, um novo tarifaço, mais tarifas". O governo é cético quanto a essa, a esse uso das tarifas, porque eles acham que já esgarçou, já está no limite do que pode ser feito. Eles não acham que uma retaliação viria por aí. Mas você pode ter o não reconhecimento da eleição, por exemplo. Isso é algo que hoje está muito na mesa. Isso não significa necessariamente rompimento de relações diplomáticas, por exemplo. Então você pode não reconhecer a eleição do Lula, mas manter as relações diplomáticas com o Brasil, que é mais ou menos o que aconteceu com o Brasil na Venezuela. O Brasil não reconheceu a eleição do Maduro, mas manteve embaixadora em Caracas mantém relações diplomáticas com a Venezuela. Tudo certo.
Fernando de Barros e Silva: De qualquer forma, se isso se confirmar, é gravíssimo. Esse é um sintoma.
Celso Rocha de Barros: De decadência definitiva do status americano.
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Celso Rocha de Barros: Diante do mundo, né?
Ana Clara Costa: E a gente vai ter um episódio para observar bem interessante que é a ida do Lula à Assembleia Geral da ONU, que vai acontecer no final de setembro, um pouquinho antes do primeiro turno, em que ele fala antes do Trump, em que a possibilidade de eles se encontrarem nos bastidores é grande. Então é possível que até lá a relação piore um pouco, por inúmeras razões. E aí vai ter esse encontro, que pode ser ali meio tudo ou nada, né?
Fernando de Barros e Silva: É curioso porque no ano passado foi justamente um encontro fortuito ou nem tão fortuito entre os dois na Assembleia Geral também, que deu início a uma abertura de conversas. Aquilo foi saudado na ocasião, porque as retaliações já estavam em curso tal e aquele encontro foi, foi uma abertura de janela.
Ana Clara Costa: É, e esse encontro de agora, se ocorrer, é imprevisível. E tem uma questão também que teve uma ajuda naquela época do setor empresarial, especialmente do Joesley Batista, para essa aproximação, que hoje não acontece mais. Em primeiro lugar, porque é complicada a situação da carne nos Estados Unidos. Eles entraram ali na lista de exceção para as tarifas, mas ainda tem um monte de confusão acontecendo em torno disso. E a relação está tão tensa que hoje está pegando mal para o Joesley tentar retomar o canal, porque daí começa a ficar ruim para ele, né? E os bombeiros do ano passado, como a Susie Wiles, que é a chefe de gabinete do Trump e que atuou um pouco dentro dessa linha mais pragmática, hoje já não estão mais tão em alta. Nessa estratégia América Latina, está ouvindo outras pessoas. O cenário ali dentro mudou bastante também. Agora, nesse campo da diplomacia. Um evento também inédito que aconteceu essa semana foi o Brasil ter rebaixado as relações diplomáticas com a Argentina, dizendo que vai manter apenas um encarregado de negócios em Buenos Aires. Algo assim impensável.
Celso Rocha de Barros: Impensável.
Ana Clara Costa: O que vai provavelmente acarretar na saída do embaixador argentino do Brasil, porque daí não faria sentido, né? Isso aconteceu porque, depois da vinda do Milei para a convenção do PL, toda aquela palhaçada que a gente já falou aqui, o governo esperava que o Milei ou o governo argentino fosse dar uma recuada e eles até ensaiaram uma recuada com o porta voz falando, o chanceler falando... Só que daí Miley veio e falou mais duas vezes coisas absurdas sobre o Lula.
Fernando de Barros e Silva: Botou mais lenha na fogueira.
Ana Clara Costa: E aí eles acharam que não dava, assim, aqui acabou. E é isso que tá acontecendo, que é um fato histórico dentro das relações diplomáticas do Brasil com a Argentina.
Celso Rocha de Barros: É, isso é um escândalo. Saber que o presidente da Argentina, que é o país mais próximo do Brasil, o país mais amarrado ao Brasil por economia, diplomacia, estratégia e tudo mais, se sujeita a esse papel. Quer dizer, o ouvinte pode até ter algum respeito pelo Programa Econômico do Milei, que, aliás, eu não tenho, mas você pode ter. Mas você tem que admitir que ele é basicamente um bandido que está no Brasil tentando promover um golpe de Estado, entendeu? Que ele está aliado no Brasil, a tudo que há de mais criminoso, tudo que há de mais bandido. E você fazer isso botando em xeque uma relação diplomática que foi construída com muito custo por governos de várias matizes ideológicas que deram continuidade ao trabalho um do outro, entendeu? E aí, vai vir um palhaço desse não sei o quê, que parece membro da Carreta Furacão, perdido para o crack, entendeu? E aí me aparece aqui com uma palhaçada dessa. Pelo amor de Deus!
Fernando de Barros e Silva: O símbolo dele é a motosserra, né?
Celso Rocha de Barros: Senta nessa motosserra Javier, entendeu? Vai embora.
Fernando de Barros e Silva: Supostamente ligada à economia, mas o sujeito que usa a motosserra como símbolo, é um psicopata. Enfim, é de uma truculência, uma agressividade, um negócio. Enfim, esses dois exemplos são dois governos autoritários de extrema direita, com vocação autoritária claríssima e o Milei como satélite do Trump.
Celso Rocha de Barros: Como cachorrinho a mando do Marco Rubio.
Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente encerra o terceiro bloco do programa. Hoje o programa foi pesado, hein? Para desanuviar, na volta do intervalo Kinder Ovo. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Diretora, solta aí o Kinder Ovo. Aumenta o som que eu preciso ouvir também para ganhar.
Sonora: O Vicente Matheus, para quem não sabe, foi presidente do Corinthians nos anos 70. O jogo só acaba quando termina. Quem canta vitória antes do tempo, toma cuidado. Pode se dar mal.
Fernando de Barros e Silva: Putz, eu sei quem é. A voz não é estranha.
Celso Rocha de Barros: Cara, a gente vai ficar puto quando sair.
Fernando de Barros e Silva: Vai.
Ana Clara Costa: É o Sérgio Cabral?
Celso Rocha de Barros: Carlos Lupi? Cara, é conhecido e eu acho que é fáci e a gente não, não conseguiu. Vambora!
Fernando de Barros e Silva: Ah, diretora! Franklin Martins. Por isso que a gente sabia.
Ana Clara Costa: Ah, eu não sabia.
Fernando de Barros e Silva: Quem fala é o jornalista e ex-ministro das Comunicações do Lula, Franklin Martins, em entrevista ao canal Tutaméia, no YouTube. Tutaméia, da Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena. Caramba, essa doeu, hein, Celso?
Celso Rocha de Barros: Porra... Vamos embora.
Fernando de Barros e Silva: Muito bom, diretora. Depois dessa derrota da classe operária, vamos falar assim em homenagem ao Franklin Martins. Vamos para o melhor momento do programa o Correio Elegante, o momento de vocês. E eu vou começar lendo o recado da Camila Beatriz: "Conheci a piauí via um professor de história no ensino médio e cheguei no Foro logo no começo. Esse mês me formei médica pela UFMG e sigo aqui ouvindo o programa toda semana. Obrigado queridos pela companhia em todos os momentos de ansiedade até aqui. Quem só de medicina sabe, bom médico não é. Então sigo aqui aprendendo um pouco mais toda sexta. Beijos e abraços apertados de uma ouvinte fiel. Viva a universidade pública hoje e sempre!". Um beijo para você, Camila Beatriz. Muito obrigado pelo...
Celso Rocha de Barros: Beijo, Camila.
Fernando de Barros e Silva: Pela mensagem e desejamos que você tenha uma bonita carreira como médica.
Celso Rocha de Barros: Isso mesmo.
Ana Clara Costa: Gente! Muita gente me escreveu para falar que o gentílico de quem é de Paranaguá não é parnanguara, conforme eu disse no programa e eu peço mil desculpas por esse erro de leitura, porque eu estava lendo a palavra e li errado. Entre as mensagens que eu recebi, tá a da Mariana Bernardo Schreiber, que escreveu: "Adoro vocês e espero toda semana. Como sou do Paraná, aproveito para fazer uma pequena correção não é paranaguara e sim parnanguara que se fala, mas vocês que não são daqui, estão perdoados. Já o Moro não". Bom gente, eu recebi tanta mensagem de gente me corrigindo que eu fiquei triste por ter errado, mas fiquei feliz por saber da quantidade de habitantes de Paranaguá que ouvem o Foro.
Celso Rocha de Barros: Um abração pro pessoal de Paranaguá.
Ana Clara Costa: Pela quantidade de mensagem, assim, a gente tá pau a pau com a Globo.
Celso Rocha de Barros: Opa!
Fernando de Barros e Silva: Escusas, pede escusas então Ana Clara. Escusas aos ouvintes. Parnaguaras, é isso?
Ana Clara Costa: Isso.
Fernando de Barros e Silva: Eu aprendi também. Obrigado, ouvintes.
Celso Rocha de Barros: Isso mesmo.
Fernando de Barros e Silva: Tem que ser o certo nisso daí.
Celso Rocha de Barros: Como estamos prestes a viajar, o Tiago Luiz Lenz postou: "Fiquei tão feliz com o anúncio da data do Rio Grande do Sul que quase não consigo ouvir com atenção o episódio. Vou ter que repetir. Feliz demais! Meu presente de aniversário que será 19 de agosto. Esperamos ansiosos esse trio maravilhoso!". Thiago, que legal a sua mensagem! Feliz aniversário adiantado aqui para você e esperamos que a gente possa ver aí em Porto Alegre.
Fernando de Barros e Silva: Bom, o que é bom dura pouco, que não é tão bom, também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. No site da piauí você também encontra a transcrição do episódio. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Paula Scarpin e a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzki. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Vitor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado na minha choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço assim dos meus amigos. Tchau, Ana.
Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.
Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem.