A ESTREIA DE FLAVIO, A CAMPANHA DE LULA E O AVANÇO DO FEMINICÍDIO

Imagem A estreia de Flavio, a campanha de Lula e o avanço do feminicídio

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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:


Conteúdos citados neste episódio:

"Michelle mobiliza aliados no meio evangélico para ajudar campanha de Flávio após desgaste no segmento" reportagem de Letícia Pille e Luísa Marzullo para O Globo.

"Janja escondeu elogio a Marisa para fazer surpresa a Lula e 'virar página' com petistas", coluna de Monica Bergamo para a Folha.

"PF acha mensagens de Roberta Luchsinger falando de negócios com Lulinha: 'Nosso futuro é Suíça'", furo de Tácio Lorran para o Metrópoles.

"Mesmo se Flávio perder, direita Master deve ganhar todo o resto", coluna de Celso Rocha de Barros para a Folha.

"The Men Who Want Women to Be Quiet", artigo de Helen Lewis para a The Atlantic.

"The New Right’s Very Old Vision of Men", episódio do The Ezra Klein Show.

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO


Sonora: rádio piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem vindos ao Foro de Teresina, o podcast política da revista piauí.

Sonora: Então vamos homenageá -lo. Um homem de bem, honesto, incorruptível, que deu o seu melhor para o Brasil e que foi injustiçado. Cantando assim: "Volta Bolsonaro!".

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.

Sonora: É uma emoção que eu estou sentindo muito mais forte do que a que eu senti em 1979, aqui mesmo nesse estádio.

Fernando de Barros e Silva: E João Batista Júnior, no estúdio Hertz, em Brasília. Olá, João!

João Batista Jr: Oi, Fernando! Oi, Celso! Oi, ouvintes!

Sonora: E aí eu desço do carro e aí eu peço ajuda para eles. Eles fingem que não me escutam, não me prestam nenhum tipo de socorro.

Fernando de Barros e Silva: João está com a gente mais essa semana. Ana Clara volta neste domingo, quando estaremos em Porto Alegre. Inclusive, fomos informados aqui pela diretora, que está aberta, foi aberta uma nova venda de ingressos. São poucos ingressos. Então você que estiver no domingo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a gente vai estar no Teatro Unisinos e os ingressos estão disponíveis no Sympla.

Fernando de Barros e Silva: E antes dos assuntos da semana, eu quero reforçar o convite para a décima edição do Festival piauí de Jornalismo, nos dias 5 e 6 de setembro, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A programação conta com diretores e ex-diretores de redação de sete países. Gente que tem muito a dizer sobre a cobertura jornalística do poder nesses tempos tão urgentes. A gente vai ter no sábado uma edição ao vivo do Foro, às 11:30 da manhã, e no domingo, o jornalista Fernando Gabeira e eu vamos conversar com o economista Pérsio Arida. A gente vai falar do texto de Rakudianai, que é um dos melhores relatos já publicados nesses 20 anos de história da piauí, que trata das experiências vividas pelo Pérsio na ditadura militar, do seu breve envolvimento na luta armada e da relação dele com o seu pai. Então a gente espera vocês por lá. Os ingressos também estão à venda no Sympla.

Fernando de Barros e Silva: Agora sim, sem mais delongas aos assuntos da semana. A campanha para as eleições gerais de outubro começou oficialmente no último domingo, dia 16, e a gente abre o programa falando dela. Vamos tratar primeiro do ato inaugural de Flávio Bolsonaro, na orla de Copacabana. Vestindo o colete à prova de balas e uma camisa amarela com a inscrição Meu partido é o Brasil em verde, o candidato disse a cerca de nove mil pessoas que estavam ali, que era o único que pode sentar com os Estados Unidos. Havia várias bandeiras norte-americanas no ato, caracterizando sua atmosfera de submissão ao trumpismo. O público de Flávio totalizou algo em torno de 15% do que Jair Bolsonaro reuniu na mesma Copacabana na sua campanha em 2022. No dia seguinte, segunda feira, Flávio teve que cancelar a motociata em Juiz de Fora por causa do mau tempo. Juiz de Fora foi onde Bolsonaro levou a sua facada em 2018, todos se lembram, e motociata foi um dos símbolos fascistóides seu mandato. Tudo isso acontece enquanto Trump, Marco Rubio e as big techs lançam instrumentos de pressão explícita sobre as instituições brasileiras que vão muito além do tarifaço. Envolvido até o pescoço no escândalo do Banco Master, Flávio se apresenta como títere dos interesses americanos no Brasil. Aquelas caricaturas de república bananeira com elites se locupletando na corrupção enquanto vendem o país ao Império, são a expressão mais realista do que promete uma eventual ascensão do herdeiro de Bolsonaro ao poder. A gente vai discutir tudo isso. No segundo bloco, a gente fala da campanha de Lula. O presidente escolheu o Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, seu berço político, para abrir a campanha, e usou como lema "Onde tudo começou". Foi o velho Lula de sempre, com seu carisma e as suas saturações. A surpresa ficou por conta da primeira dama, Janja da Silva, que resolveu pela primeira vez elogiar em público a ex-primeira dama Marisa Letícia, com quem Lula foi casado por mais de 40 anos. Marisa morreu de AVC em 2017. O principal problema de Lula hoje são as suspeitas em torno da atuação de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, surgiram nos últimos dias, no bojo das investigações em curso da Polícia Federal, uma série de informações que apontam para a possível prática de tráfico de influência de Lulinha. E falo possível porque não há, neste momento, nada conclusivo. Sabe-se agora, no entanto, que a empresária e lobista Roberta Luchsinger suspeita de atuar em nome de Fábio Luiz, de quem é amiga amigona, enviou ao celular de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, uma minuta de contrato com dispensa de licitação para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O negócio envolveria mais de 260 milhões de reais. Em uma conversa com o interlocutor que participava da prospecção, ela disse:"eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio". O Ministério da Saúde afirmou que este contrato nunca foi assinado e que os produtos oferecidos por Luchsinger não estão incorporados ao SUS. A polícia também encontrou, além dos boletos, que totalizavam mais de 200 mil reais, joias compradas por Roberta para Marcola. 9.200 reais não é nada para os padrões de Brasília, é verdade. Mas o problema não é o valor do mimo. É o acesso ao servidor à época lotado na Presidência da República. A gente vai discutir esses aspectos e as implicações do caso para a campanha de Lula. No terceiro bloco, enfim, a gente fala deste caso abjeto de espancamento da dentista Giulia Falcão pelo empresário Ivo Kos, o marmanjão que foi preso em flagrante na madrugada do último sábado, em São Paulo. O caso teve muita repercussão e ainda bem que isso está acontecendo. Em 2025, de acordo com os dados recentemente divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1571 vítimas de feminicídio, assassinatos, o quarto recorde anual consecutivo. A gente vai falar disso e da ampliação da Lei Maria da Penha. É isso. Vem com a gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Celso, vou começar com você, que vai aos domingos à Copacabana visitar sua mãe, almoçar lá, domingão.

Celso Rocha de Barros: Sou morador histórico de Copacabana.

Fernando de Barros e Silva: Morador histórico. Eu não sei se você viu de camarote, então, o convescote de lançamento da candidatura do...

Celso Rocha de Barros: Perdi essa.

Fernando de Barros e Silva: Perdeu essa. Sorte sua. Vamos falar um pouco disso, falar um pouco da campanha, das implicações dos recados políticos que estão sendo dados, enfim. Começou a campanha oficialmente agora, mas dificilmente o Flávio deixa de disputar essa eleição contra o Lula. Não está pintando que outro candidato pode, a essa altura, desbancar o bolsonarismo.

Celso Rocha de Barros: Não, Fernando. Por enquanto, pelo menos, os rivais do Flávio na direita foram uma decepção total. Um caso particularmente deprimente e patético foi o do Zema, né? Pois se você pensar o Zema, ele basicamente se lança candidato a presidente de verdade no dia em que ele critica o Flávio pelo caso Master e imediatamente o Partido Novo manda ele calar a boca. E aí acabou a candidatura do Zema. A gente já falou aqui, as oscilações são pequenas porque a porcentagem dele é pequena, então é difícil dizer o que está na margem de erro ou não tá.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Celso Rocha de Barros: Mas ele ensaiou uma subidinha e já acabou, porque quem pensou em ir para o Zema por causa daquilo perdeu o motivo de ir pro Zema.

Fernando de Barros e Silva: Aqueles casos em que a margem de erro é maior que a intenção de voto, né?

Celso Rocha de Barros: Exatamente. Então assim, por enquanto o Flávio está jogando sozinho ali na direita. O Flávio começou a campanha com um erro bastante grosseiro que foi fazer o ato inicial na praia de Copacabana. O público foi pequeno, entre 8 e 9 mil pessoas, segundo o monitor da USP. Mas, sobretudo, ele pareceu muito pequeno porque o espaço em volta é gigante. Você só faz comício ou ato político numa pista tão larga quanto a Avenida Atlântica se você está com muita confiança de encher aquilo, porque senão, mesmo se ele botasse 20 mil pessoas ali, aparecer pouco, então foi um erro bastante grave. Eu achei. Por exemplo, se você pegar o do Lula que a gente vai falar depois, era num estádio relativamente pequeno, pareceu cheio, entendeu? Então, assim, foi um erro bem tosco assim da campanha do Flávio fazer o lançamento ali. Mas muito mais impressionante do que a falta de gente ali embaixo do palanque, que não parecia muito mais gente do que o tradicional movimento dos sem bingo, que são aqueles velhinhos que sempre vão ali no Posto 6, pedir a volta da ditadura e tal. Mas o que ficou mais impressionante mesmo foi a falta de gente no palanque, no palanque.

Fernando de Barros e Silva: No palanque, no carro de som.

Celso Rocha de Barros: Então, do lado do Flávio não tinha ninguém digno de nota. Ninguém de fora do Rio veio. Então não veio Michelle, não veio Tarcísio, não veio Nikolas, que seriam pessoas que ajudariam a encher o ato, entendeu? Tem gente que gostaria de ver o Tarcísio, Nikolas.

Fernando de Barros e Silva: Malafaia.

João Batista Jr: E mesmo do Rio, né? O Silas Malafaia não apareceu.

Celso Rocha de Barros: É isso que eu ia dizer. O Malafaia daqui do Rio. Então assim, o Malafaia não apareceu. Não dava para ele dizer "era longe da minha casa". O Malafaia não apareceu de propósito, ele não quis aparecer do lado do Flávio. Ele mandou uma mensagem tal que não serve para nada. Mas basicamente ninguém quis sair na foto do lado do Flávio no dia do lançamento da campanha. Isso para ele é bastante ruim, porque os potenciais aliados dele nos estados, por exemplo, estão vendo isso. Tem candidato de direita pelo Brasil afora que pode pensar assim: eu fecho com o Flávio ou não fecho? Se ele me entregar o apoio de todas as igrejas evangélicas, aí eu quero o apoio dele. Mas se ele não me entregar ninguém, eu também não vou me queimar me associando ao cara que foi pego no banco Master, tem um vice acusado de estupro de vulnerável. Enfim, foi um começo ruim de campanha. O mais escandaloso, sem dúvida, era as bandeiras americanas na plateia, que é um negócio que você nunca viu na história do Brasil. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar de nada desse tipo. Os caras lá pedindo mesmo intervenção americana para entregar essa eleição para o Flávio. E aqui eu queria chamar a atenção para o fato de que um dilema para gente aqui fazendo o Foro, para o pessoal da Rede Globo fazendo a Rede Globo, da Folha fazendo a Folha. Como é que a gente trata uma eleição que tá correndo sob ameaça estrangeira? Será que é para gente tratar do mesmo jeito? Será que é para a gente passar o tempo todo falando, por exemplo, de oscilação de pesquisa, de gafe de candidato, de pequenas flutuações na lealdade partidária desse ou daquele ramo do centrão? Será que todo dia a gente não devia estar tratando do fato de que tem uma superpotência que tomou a economia brasileira como refém para exigir que os brasileiros votem no candidato que ela prefere? Assim, eu acho muito esquisito e desconfortável a gente falar dessa eleição como eleição normal, como uma eleição que está transcorrendo sob a mais completa normalidade.

Fernando de Barros e Silva: Concordo muito com você.

Celso Rocha de Barros: E, assim, você vê o cara que está em segundo lugar, mas em segundo lugar namorando o empate técnico ali. Já tem pesquisa que é empate técnico no segundo turno. O público dele tá pedindo intervenção americana para salvar a campanha dele. Isso é muito sério, gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito. Hoje o Flávio poderia virar presidente do Brasil. Se a eleição fosse hoje.

Celso Rocha de Barros: Poderia.

Fernando de Barros e Silva: Não tá decidido entre ele e o Lula.

Celso Rocha de Barros: Não, não tá.

Fernando de Barros e Silva: Segundo as pesquisas, hoje seria...

Celso Rocha de Barros: Seria pau a pau. Joga a moeda para o alto. É uma pequena vantagem para o Lula. Tudo bem, mas.

Fernando de Barros e Silva: É disso que a gente está falando.

Celso Rocha de Barros: Exato.

Fernando de Barros e Silva: A democracia no Brasil, evidentemente, está em risco.

Celso Rocha de Barros: Claro, com esse agravante que não tinha, por exemplo, em 2022, que é a democracia brasileira se sofrer uma nova tentativa de golpe, ela vai ser apoiada pela maior superpotência, não do mundo, a maior superpotência da história do mundo. Então, assim, é uma situação grave demais para discussão sobre a eleição ser só o candidato A deu uma gafe ali, o candidato B fechou um apoio ali do prefeito da cidade, do interior. Não, gente, assim, o assunto aqui tem que ser: tem uma superpotência tentando forçar os brasileiros a votar no candidato deles, asfixiando nossa economia. O lançamento da campanha do Flávio foi claríssimo. Você imagina se a China estivesse fazendo isso com o Brasil, se a China estivesse asfixiando a economia brasileira com um bloqueio econômico, porque isso que os EUA estão fazendo com o Brasil é embargo já não é mais tarifa. Isso é uma coisa que você faz por motivos políticos, para prejudicar o desempenho daquele governo e tentar fazer com que a população se revolte. Então assim, imagine se a China faz isso com o Brasil, quebra o agronegócio brasileiro em 15 dias porque a China não está mais comprando nada para gente. E aí imagina se no lançamento da campanha do Lula, todo mundo tá em São Bernardo com bandeirinha da China e o Livro vermelho dos pensamentos do timoneiro Mao Tsé Tung acenando.

Fernando de Barros e Silva: To rindo aqui, Mas isso tudo é muito sério.

Celso Rocha de Barros: Mas foi isso que aconteceu na praia de Copacabana.

Fernando de Barros e Silva: Tem outro aspecto. É o comportamento das big techa que tem acordo com o governo americano. Elas estão completamente alinhadas com o Trump.

Celso Rocha de Barros: Gente, o Vale do Silício, que a gente pensava muito como uma questão de modernidade, um negócio de do futuro, etc. Virou um cartel das empreiteiras brasileiras, virou uns caras que basicamente se juntaram para eleger o candidato deles e ganhar dinheiro público para os negócios deles lá, entendeu? Então, assim, esses caras estão aí tentando fraudar o Brasil, tentando roubar o Brasil. Por exemplo, são eles que são os principais interessados nos ataques contra o PIX. E aí esses caras a gente tem certeza de que eles vão passar a campanha sem fazer nenhuma sacanagem? Tenho certeza que eles não vão promover os candidatos favoritos deles? Os algoritmos são todos super intransparentes.

Fernando de Barros e Silva: Super.

Celso Rocha de Barros: Então, se a gente pensar nisso tudo que está acontecendo como se fosse uma eleição normal, que a gente vai discutir assim esses bastidores e tal, é uma coisa meio fofoca, uma coisa meio corrida de cavalo, quando você vê os debates das pesquisas, eu acho muito esquisito, cara, e eu acho bastante incômodo. Eu acho bastante desconfortável. Agora é aquilo, você vê o Flávio com todas essas acusações, com tudo isso e você pensa como é que esse cara tá tão bem nas pesquisas, né? E o lançamento da campanha eu acho que deixou isso meio claro. Assim, não foi ninguém, porque nenhum desses 48% que pensa em votar nele no segundo turno quer votar nele. Eles querem votar ou no Bolsonaro ou num cara de direita, eo que tem é ele.

Fernando de Barros e Silva: Num antipetista também, acho que o antipetismo é um elemento forte.

Celso Rocha de Barros: Eles podem ir e provavelmente vão, vão lá no dia da eleição e vão votar no Flávio. Mas daí a sair de casa para ouvir o que o amigão do Vorcaro tem a dizer sobre ética na política, entendeu? É um pouco demais, entendeu? Até para o bolsonarista médio. E o Flávio deixou isso claro quando ele sugeriu que quem devia estar aí era o Bolsonaro, né? Eu tô aqui substituindo o Pelé, né? Pô, cara, coitado do Pelé, né cara? O cara fez tudo que fez pelo Brasil. Para que, né cara? Puta que pariu! Enfim, o que ele tinha para dizer no palanque era isso. Vocês tem que votar em mim, porque eu sou o cara que vou soltar o meu pai. O que os Bolsonaros estão querendo do Flávio é que ele solte o Bolsonaro, que o governo seja do Bolsonaro. Que o governo se decida na sala de estar da casa do Bolsonaro, que é onde ele já está, aliás, mesmo cumprindo prisão domiciliar. Só que agora com mais direito a visita, podendo receber o entregador do iFood do lado de fora de casa.

Fernando de Barros e Silva: Semi preso, como eu digo.

Celso Rocha de Barros: Flávio basicamente tá assumindo que ele é só o poste do pai. E aí tem gente dizendo o seguinte "não, isso aí ele tá copiando a estratégia do Haddad em 2018". Mais ou menos, porque o Haddad, em 2018, o Lula coloca ele no segundo turno. O fato dele dizer eu sou candidato do Lula, joga ele para o segundo turno, mas o fato dele não ser conhecido do público foi péssimo para ele. E eu já ouvi de gente do PT um diagnóstico interessante que o PT demorou a lançar o Haddad. E é muito mais fácil fazer fake news contra um cara desconhecido. O Olavo de Carvalho chegou a dizer que o Haddad tinha escrito um livro defendendo um incesto que é obviamente falso, né? Dá até vergonha de ter que explicar que isso é falso. Mas assim, se fosse uma pessoa mais conhecida era bem mais difícil. Se um cara agora inventar "o Lula escreveu um livro". Não. Todo mundo sabe que não. Enfim. Então, essa estratégia do Flávio é um bom negócio para um cara que já sai de um piso alto com o Bolsonaro e todo mundo já sabe quem é e inclusive que ele foi senador e tal, é filho do Bolsonaro. Eu não sei se se tem o mesmo efeito não, mas de qualquer maneira, o mais impressionante é isso. O Flávio chega com todos esses problemas, tem um lançamento de campanha pífio. No dia seguinte, ele ia fazer um ato em Juiz de Fora e foi cancelado por problema de climático. O aeroporto estava fechado. Fez um outro evento em Minas Gerais com muito pouca gente. Então o começo da campanha foi bem ruim, mas ele ainda é certamente competitivo.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. João, você que está em Brasília aí, cheio de informações, quero te ouvir sobre este planeta Flávio Bolsonaro.

João Batista Jr: Vamos lá. Primeiro, sobre esse entreguismo e subserviência aos Estados Unidos, o público do Flávio avalia como bastante arriscado. Eles adoram, eles gostam, mas eles não sabem exatamente como utilizar isso na campanha, por quê? Tem alguns pontos que são também rechaçados pelo público dele, pelos eleitores deles, como a questão do Pix, que é um orgulho nacional. Direita e esquerda. E com a questão das big techs em relação às crianças. A gente tem visto no mundo todo um movimento bastante consolidado, União Europeia e Austrália, de restringir o acesso às redes sociais a pessoas menores de 16 anos. Essa discussão aqui no Brasil deve chegar logo mais. Então, muitas das pessoas que têm adolescentes e crianças e casas, e aí não importa o espectro, estão preocupados com o que eles consomem. E a gente viu essa semana no Brasil um caso escabroso com Discord. Então eles não sabem exatamente qual equação vão usar. Como se aproveitar desse apoio irrestrito dos Estados Unidos a vitória do Flávio Bolsonaro. Tem uma coisa interessante que logo após o evento de Copacabana, ele foi para Minas Gerais, o Nikolas Ferreira, que tem uma agenda particular, ele dorme e acorda pensando em ser presidente da República e para isso ele já elegeu deputado, vereadores, sem esquecer os conselheiros municipais em todo o Brasil. O Nikolas trabalhou ativamente para isso.

Celso Rocha de Barros: Isso é importantíssimo, né?

João Batista Jr: Sim, porque ele consegue impregnar as pautas dele ali no miúdo, no dia a dia da política municipal.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Sobretudo no que diz respeito à violência doméstica, crianças, etc e tal. Enfim, o Nikolas sofreu bastante ataque por parte do Eduardo Bolsonaro, então, ao longo desses três anos, a família Bolsonaro não cultivou laços com uma série de pessoas, dentre elas o próprio Nikolas, e agora fica lhe pedindo apoio. O Nikolas participou de uma caminhada com o Flávio ali em BH. Uma caminhada de 300 metros. Fez foto, tomou café. Mas o fato é o seguinte, ali em Minas Gerais está rachado. O Cleitinho saiu candidato. Eu escutei de um analista político mineiro que o jeitinho é bolsonarista sem o peso de carregar o corpo do Flávio. Ele acaba tendo esse, essa sorte comparado ao candidato do PL. Mas é o seguinte, o Flávio não tem o mesmo engajamento orgânico do seu pai entre os integrantes daquele tripé BBB, boi, bala e Bíblia. A maioria dessas pessoas não quer o Lula, mas também está saturada das brigas da família Bolsonaro. Para completar, o Flávio, em um ato de campanha, apareceu abraçado com Frederick Wassef e o Fabrício Queiroz. É tudo que as pessoas pensam a respeito de um passado bolsonarista e querem se livrar. A campanha do Flávio, segundo pessoas da direita, está perdida e não tem um plano bem desenhado. A prova disso é que o Paulo Vasconcelos, que é marqueteiro, ao deixar a campanha do Caiado, foi diretamente contratado pela turma do Flávio. Isso foi visto como uma desordem completa. Não tem um plano de voo. O Rogério Marinho não confia no Duda Lima, que é o homem do Valdemar Costa Neto. E nesse braço de ferro, o Marinho perde para o Valdemar, que é o dono do cofre. Avaliam que a campanha do Flávio está infantilizada e sem conexão com a realidade. Ele faz dancinha com óculos de sol e tem vídeos de IA em que usa sunga, aparece sem camisa e com a faixa presidencial, sem despertar simpatia e nem sobriedade. Aí uma pessoa falou o seguinte: "ele não está criando uma onda reputacional", ou seja, posando ao lado de gestores de fundo, de médicos renomados, de banqueiros. No mundo evangélico, no entanto, ele teve uma vitória. O jornal O Globo contou que a Michelle Bolsonaro, que até anteontem estava com problemas sérios com ele, buscou estabelecer algumas pontes com algumas denominações. Ela falou com a Igreja Presbiteriana aqui de Brasília e com a Sara Nossa Terra. Além disso, com a Universal. Coincidentemente, falando de evangélicos, nessa semana, o Ministério Público Eleitoral recebeu uma denúncia em relação ao à Universal. A Universal lançou um vídeo, gente, de mais ou menos uns 50 minutos, em que eles propõem ali uma campanha de 52 dias chamado Desafio de Neemias, que se baseia num relato bíblico sobre a reconstrução de muralhas de Jerusalém. Basicamente, é o seguinte, eles não falam o nome do Flávio, mas eles atacam o STF, como o governo lidou com a questão do Covid, o isolamento social... Então, as pessoas entenderam para quem eles estavam ali pedindo voto. E o Ministério Público Eleitoral entrou em ação. Tem uma questão curiosa que é o seguinte, ainda sobre as campanhas do final de semana, o Renan Santos apareceu ali na USP, ao lado do Arthur Duval, o Mamãe Falei, né? O cara que caiu em descrédito em razão do que ele falou. Enfim, aquela atrocidade da guerra da Ucrânia falando de turismo sexual em relação às ucranianas. Mas o fato é o seguinte, o Renan conseguiu alguns apoios importantes que o Flávio até o momento não conseguiu. Estou falando de gente do PIB. O José Olympio Pereira, que é banqueiro até março ele foi o presidente do Safra e também teve a frente do Credit Suisse. Além disso, ele é muito ligado às artes. Ele foi conselheiro do MASP e da Fundação Bienal. Enfim, o José Olympio se tornou o fiador do Renan. Ele levou o Renan presencialmente até o Blairo Maggi, ali no Centro-Oeste. O Blairo, após essa visita, fez uma postagem declarando apoio Renan. Além disso, o João Landau, que é sócio fundador da Vista Capital, tem declarado apoio ao Renan. O Renan não cresceu o tanto que as pessoas do entorno dele imaginavam que teriam crescido. A expectativa é que, com os debates, ele consiga se descolar do Caiado.

Celso Rocha de Barros: É isso.

João Batista Jr: As pessoas têm uma expectativa que agora a coisa decole um pouco mais. Mas o fato é não vingou. Não disse a que veio, mas ele tem nomes mais bojudos do PIB ao lado dele, comparado ao Flávio Bolsonaro.

Celso Rocha de Barros: João, você falou que a campanha do Renan está contando com os debates para ver se ele cresce.

João Batista Jr: Exatamente.

Celso Rocha de Barros: Essa semana teve um evento muito deprimente, mas enfim, de certa importância prática, que é o Pablo Marçal registrou sua candidatura. Todo mundo sabe que ele não vai conseguir ser candidato. Ele está inelegível. Ele vai...

Fernando de Barros e Silva: Ser barrado.

Celso Rocha de Barros: Essa candidatura não é para valer. Mas por que o Pablo Marçal se lançou candidato? Para ir para o debate e bater no Renan em nome do Flávio. Porque o medo do Flávio no debate sem o Lula é ele ir lá e o Renan esculhambar ele de tudo que é jeito. Então o Pablo Marçal iria para ser o segurança do Flávio para falar: "Ah não, vocês querem baixaria? Vocês não sabem o que vocês estão lidando. Faço muito mais baixaria do que o Renan". Mas acabou que, pelo menos por enquanto, essa estratégia deu errado porque o TSE proibiu a participação do Marçal nos debates.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. João, para arrematar esse bloco, já nessa toada, ladeira abaixo, aí que o Celso já colocou Renan, Pablo Marçal, etc. Vamos, para encerrar, que você tem uma informação boa.

João Batista Jr: Tenho sim. O Foro de Teresina tem os ouvintes mais bem informados que existem. É um grande privilégio e uma grande responsabilidade. Na semana passada, um ouvinte muito sabido me mandou uma mensagem alertando que o argentino Pablo Nobel, responsável pela campanha do Tarcísio de Freitas, pode ter alguma inconsistência no currículo, ter floreado a relação de trabalho dele durante a campanha do Javier Milei. Essas inconsistências estão circulando dentro dos integrantes da campanha do Tarcísio já tem um tempo e, além disso, dentro do universo dos marqueteiros políticos que todo mundo sabe, é cheio de ego inflado. Enfim, após a vitória do Milei, o Nobel apareceu na imprensa brasileira dizendo ter sido consultor ali no segundo turno. Aí ele elencou alguns de seus feitos: ter tirado a motosserra na comunicação, ter adaptado aquele famoso e histórico slogan do Lula de 2002 de que a esperança venceu o medo. Ele, aliás, trabalhou com o Duda Mendonça. Então a gente foi entender melhor esse caso. A campanha de marketing do Javier Milei foi comandada por Santiago Caputo, creditado por Milei como o grande arquiteto das eleições e também por Santiago Oria, que foi responsável pela produção do audiovisual e o Fernando Cerimedo, que cuidou do digital bastante ágil e bastante agressivo. Desde a vitória, o Caputo segue sendo o homem de extrema confiança do Milei. Ele atua como assessor especial da Presidência da República até hoje. O Caputo e o Oria dizem ali no seu entorno, que nunca o Nobel trabalhou com eles e teve alguma participação nessa campanha. Eu procurei por WhatsApp o Fernando Cerimedo, que me explicou de forma bastante categórica: jamais trabalhou nesta campanha, só enviou uma proposta que foi, caixa alta, rechaçada. Lá pelas tantas ele trata o Nobel pelo termo "um impostor". Aliás, no dia seguinte em que eu falei com o Cerimedo, ele foi preso na Bolívia por ter tentado assassinar a mulher dele.

Celso Rocha de Barros: Já puxando o terceiro bloco.

João Batista Jr: Exato. O Nobel, de fato, mandou uma proposta no primeiro turno para o Xavier Me leia. A qual não foi acatada e no segundo turno ele conversou com pessoas ali da direção da campanha do Milei e, de fato apresentou propostas. De fato, deu sugestões. O fato é ele não foi formalmente contratado e ele não recebeu o cachê. Então, o que as pessoas falam? Que ele deu uma floreada nessa sua participação na campanha do Milei como forma de alavancar a carreira política dele aqui no Brasil. Enfim, ele não desmente a turma da Argentina que diz que ele nunca trabalhou formalmente porque ele tem um olho no futuro. Ele até está certo, né? Ele quer pegar a campanha do Milei para reeleição no ano que vem.

Fernando de Barros e Silva: Entendi. Já entendi. Estelionatário do futuro, tem o Exterminador do Futuro, tem estelionatário do futuro. Cara, é um estelionatário do marketing.

Celso Rocha de Barros: Brincadeira, né cara?

Fernando de Barros e Silva: Enfim.

João Batista Jr: O Nobel esse ano ele tá com bastante cliente. Além do Tarcísio de Freitas, ele faz as campanhas do Derrite, do André do Prado e do Felipe Barros.

Fernando de Barros e Silva: Então, é isso. O Tarcísio ganhou o Nobel e esse Nobel ele merece, pelo jeito. Muito bom o esclarecimento, João. A gente encerra então esse primeiro bloco do programa por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Vamos falar da campanha do Lula na volta. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, deixa eu passar a bola pra você. Eu mencionei que o Lula foi lá a São Bernardo para lançar a candidatura mais uma vez. Vamos começar por aí. Depois a gente fala dos problemas envolvendo a lobista.

Celso Rocha de Barros: Como a gente falou no primeiro bloco, o Lula foi mais inteligente que o Flávio de fazer o lançamento num espaço menor, fechado. Por questão de segurança, eles não autorizaram o drone lá, do monitor da USP que faz essas medidas, a sobrevoar. Mas claramente pareceu mais cheio. A ideia do Lula de se lançar lá em São Bernardo foi interpretada por muita gente como basicamente uma coisa de saudosismo, de valor histórico, uma questão simbólica e tal. Ele lançando sua última campanha, onde ele começou. E tudo isso é verdade. Mas eu acho que não é só isso não. Eu acho que o Lula também está tentando se desvencilhar um pouco da ideia de que ele é basicamente um velho de terno que sempre esteve mais ou menos no poder. Acho que ele está puxando a sua juventude de rebelde, contestador, que foi preso pela ditadura, enfim, que teve coragem de ir lá apanhar da polícia e tal. Isso é um problema para o PT. Assim, se você pegar, por exemplo, os protestos de 2013, era só fazer a conta. Quem tinha 18 anos em 2013, praticamente só tinha visto o PT no poder nasceu antes do Lula ganhar a eleição, mas ele era muito pequeno. Então, quando ele começou a prestar atenção em política, ele viu dois presidentes Lula e Dilma. A identificação do PT com o sistema vem muito dessas sequências de vitórias presidenciais. E quanto mais vai passando o tempo, mais essa impressão vai ficando mais forte. E, em especial, isso é um desafio para o cara que foi o representante da democracia contra o bolsonarismo. Porque, em um certo sentido, você é o candidato do sistema, o candidato do sistema democrático. Mas é difícil você fazer esse papel sem trazer junto a bagagem de ser o candidato da corrupção, o candidato dos conchavos, o candidato do país que não consegue crescer como deveria. Enfim, o Lula também não quer aparecer tanto assim como o cara do stablishment, que aliás, ele não era mesmo. Então ele acha que o lançamento em São Bernardo também foi pensado para trazer um pouco da história do Lula antes dele ser um velho de terno, entendeu? Antes dele ser um político facilmente reconhecido como tal. A gente ainda não sabe se vai funcionar, né? Uma das sensações do evento, que teve grande repercussão foi a Janja. A campanha resolveu, de maneira surpreendente, trazer ela para frente do evento, né? A Janja era mais ou menos tratada como uma fraqueza do Lula. Até agora. Ela foi muito explorada pelos bolsonaristas nesses últimos anos, como se ela fosse uma feminista radical, como se, enfim, ela fosse o símbolo de tudo que eles combatem em termos de ataque à família tradicional. Tem aquelas estimativas mutcho loucas que você acha na internet sobre quanto a Janja gasta em viagens, né, que é de 10 bilhões para cima, né? Aquelas coisas que parece o Paulo Guedes falando do programa dele.

Fernando de Barros e Silva: É um trilhão.

Celso Rocha de Barros: Então, eles, basicamente, tentaram fazer assim, eles vão atacar pelo lado da Janja, então vamos já sair com a Janja. Vamos retrabalhar essa imagem da Janja. E aqui a Janja fez duas coisas que muita gente no PT sempre quis que ela fizesse. Primeiro, muita gente da velha guarda do PT se ressentia de ela nunca prestar homenagem à dona Marisa. Isso principalmente para os caras mais antigos, que foram companheiros do Lula no sindicato, que foram presos com o Lula, que estavam lá amassando barro, fazendo campanha pro PT lá no começo, eles achavam muito ruim a Janja não fazer homenagem a dona Marisa, que ela não fazia mesmo.

Fernando de Barros e Silva: E a dona Marisa, como eu disse, ela ficou com o Lula desde 74. Ela pegou toda a ascensão do Lula.

Celso Rocha de Barros: Exato. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Participou de tudo.

Celso Rocha de Barros: Ela é enfim, não tem como apagar ela como a mulher que foi casada com Lula mais tempo. E, como você bem disse, durante a ascensão, né? Ela não casou com o presidente da República, ela casou com o cara que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, então ela tem uma mística em torno dela, né? Enfim. E o pessoal do PT sempre quis que a Janja reconhecesse essa mística e ela não vinha fazendo. Dessa vez ,fez. E segundo a Monica Bergamo, inclusive, ela fez de surpresa. Ela não informou as pessoas que faria isso. Isso caiu muito bem para os petistas históricos, para esse pessoal que se ressentia disso. E a outra coisa é que ela cantou uma música com um cantor gospel. Por um lado, isso é obviamente uma tentativa de tirar a ideia de que ela é só uma radical que quer destruir a família brasileira, que é uma inimiga da religião etc, essa campanha toda que o pessoal fez contra ela. Mas não é só isso não. Eu acho que isso também foi um gesto de conciliação com gente no PT que já queria mais iniciativas de aproximação com os evangélicos. Isso é um debate que corre permanentemente entre os petistas. Por exemplo, você pegar o Gilberto Carvalho, que é um cara que foi um dos principais assessores e amigos do Lula nesses anos todos e que é um cara que foi seminarista. Ele ia ser padre, virou padre operário, foi trabalhar como operário para fazer trabalho junto aos operários e virou socialista. Enfim, acabou entrando no PT e tal. Então é um cara da Teologia da Libertação. O Gilberto Carvalho sempre disse: "Bom, o Evangelho para mim é um cristão pobre. Exatamente o tipo de cara com quem eu quero conversar", entendeu? Então, tinha esse pessoal que queria muito o engajamento com ele e tinha um pessoal que dizia o seguinte: "Cara, seria maravilhoso se isso acontecesse, mas as lideranças evangélicas já formaram um movimento de direita radical, que para eles dá poder dar dinheiro, dá um monte de coisa. Então a gente não vai conseguir furar essa barreira. Então não adianta fazer muito gesto nessa direção porque não vai dar certo". A Janja era vista como uma pessoa que era cética a isso, pelo menos pelo que eu ouvi de pessoas do PT, ela era meio cética. Não que ela fosse contra conversar com os evangélicos, mas ela dizia "eu acho que isso não vai funcionar". Então ela toma a iniciativa de fazer agora também um gesto de conciliação com esses petistas que já queriam fazer isso há muito tempo. Novamente, a gente também não sabe se vai funcionar.

Fernando de Barros e Silva: Ela fez a lição de casa, né?

Celso Rocha de Barros: Foi, exatamente. Ela fez um rebranding ali, né? Agora, quem dera para o Lula se o principal problema dele fosse gente que não gosta da Janja. Na família dele tem gente dando muito mais trabalho para ele, que é o Lulinha. Essa semana o jornal Metrópoles publicou dois prints de conversas da lobista Roberta Luchsinger, um deles com o Lulinha e outro com o Marcola, o antigo chefe de gabinete do Lula. O do Marcola é muito ruim para o Marcola, porque basicamente aparece o Marcola escolhendo joias. O cara que regula o acesso ao presidente da República tá ganhando joia de presente de uma lobista que vive de vender acesso aos políticos de Brasília. Enfim, é caso encerrado. Acabou. Ficou muito difícil para o Marcola. O print do Lulinha não tem um crime, mas deixa claro que ele era realmente muito próximo da Roberta Luchsinger e que eles faziam negócios porque a Roberta Luchsinger fala: "A gente vai para a Suíça, a gente vai ganhar muito dinheiro", né? Ainda tem muito a ser investigado ali, nessa conversa, sobre o que que aconteceu. OMarcola não quis falar com eles. O Marcola até que sai bem no print do Lulinha. No próprio print é que ele se afunda. Então o que que está acontecendo ali, exatamente, ainda precisa de investigação, mas eu acho que já está bastante claro a situação aqui, né gente? O Lulinha fazia lobby pelo canabidiol junto ao Ministério da Saúde, numa operação articulada pela lobista, que certamente devia ganhar dinheiro dos fabricantes. Então, isso aí acho que já está bastante claro. Acho muito difícil que apareça fatos novos que provem que o Lulinha não fez lobby pelo canabidiol junto ao Ministério da Saúde. E aqui eu acho que seria conveniente se, quando esse assunto fosse noticiado, todo mundo lembrasse os leitores, o público, etc. que o caso é esse. É lobby de canabidiol junto ao Ministério da Saúde. Porque eu acho que o Flávio, por exemplo, claramente, sempre que ele se refere a Lulinha, ele tenta fazer a ilação de que na verdade ele está sendo investigado pelo INSS, de que as provas que apareceram são de envolvimento do Lulinha no caso do INSS, que é muito mais grave, certo? Assim, você roubar dinheiro de aposentado é obviamente mais grave que você fazer lobby para o remédio de canabidiol no Ministério da Saúde, que também é grave porque outros fabricantes não têm o filho do presidente fazendo lobby por ele. Pode ser que o Ministério da Saúde compre um remédio errado ou compre de uma marca inferior. Enfim, não estou negando a gravidade do lobby do Lulinha, mas claramente seria muito pior se ele tivesse sido pego no escândalo do INSS. E não foi porque a acusação era que tinha uma mesada do Careca do INSS para ele, quando abriram o sigilo bancário, não tinha, pelo menos até agora, não pegaram. Agora você vê, a oposição está tentando vender muito a ideia de que a investigação é sobre o INSS, que o Lulinha roubou dinheiro de aposentado. Então, eu acho que sempre conviria a gente sempre dizer que não. Para mim, isso está provado, eu acho. Eu não estou mais dando o benefício da dúvida para o Lulinha, não. Agora o que está provado é que ele fazia lobby para que o Ministério da Saúde comprasse o remédio lá, a base do canabidiol. No INSS não tem nada contra ele até agora.

Fernando de Barros e Silva: É, de qualquer forma, ia ganhar dinheiro de um contrato com o poder público.

Celso Rocha de Barros: E é o que digo assim fabricantes de remédios, talvez melhores, não têm esse acesso. E aí o público fica prejudicado por não ter tido acesso ao melhor remédio. Porque se você teve que usar um lobista também para fazer o seu remédio ser escolhido lá já não é um bom sinal, né? Senão você não tinha muita confiança de se dar bem nos testes clínicos, né?

Fernando de Barros e Silva: É crime? Não sei. E republicano, não. Não.

Celso Rocha de Barros: O Lulinha picareta, obviamente, entendeu? Não resta mais dúvida. E isso vai ser um problema da campanha, porque fiz minha última coluna na Folha sobre isso, como atribuição de culpa do escândalo Master ficou um negócio super difuso, do jeito que a imprensa noticiou. Não contou para ninguém que foi basicamente um escândalo da direita, apesar de ter gente de esquerda dentro, o pessoal do PT da Bahia, basicamente.

Fernando de Barros e Silva: Sim. A sua coluna é muito boa. Eu recomendo.

Celso Rocha de Barros: Como isso não ficou claro para as pessoas, eu acho perfeitamente possível que a pessoa pense assim: "Bom, Flávio, tem um rolo lá qualquer que eu não entendi. O Lulinha tem um rolo qualquer que eu não entendi. É tudo a mesma coisa". Mas vamos ter muita calma nessa hora, né? Você tem que comparar a dimensão dos escândalos aqui, entendeu? E eu acho que não vai dar para o eleitor fazer esse direito com a informação que deram para ele.

Fernando de Barros e Silva: Também acho. O Flávio e o Ciro Nogueira estão no centro, no coração do Banco Master, que é no centro. Enfim, João, eu quero te ouvir. Você está no centro da República também.

João Batista Jr: Algumas movimentações foram bem importantes nessa relação Lulinha Roberta. Ontem, o advogado Marco Aurélio, do grupo Prerrogativas, que é um dos responsáveis pela campanha do Lula em São Paulo, teve um jantar com o presidente Lula aqui em Brasília.

Fernando de Barros e Silva: E advogado do Lulinha.

João Batista Jr: E também advogado do Lulinha. A pauta foi a campanha, mas evidentemente foi falado do filho do presidente. Eu conversei com o Marco Aurélio hoje e ele contou o seguinte que até o momento ele não teve acesso a manifestação da PGR. A PGR pediu que o inquérito do Lulinha seja enviado para primeira instância por entender que não tem ninguém com foro privilegiado. Então o Marco Aurélio falou que não teve acesso. Esses fragmentos que estão sendo vazados para a imprensa, eles creditam a polarização da Polícia Federal, que, enfim, há muito tempo está polarizada. Então eles não conseguem ter o panorama completo do que se sabe a respeito do Lulinha e que o Lula falou para o Marco Aurélio ter ele proprio sido injustiçado ao longo do tempo e que o filho dele tem direito a defesa e que talvez seja o caso do filho voltar aqui para o Brasil para cuidar disso. O Lulinha mora na Espanha. Tem agora, gente, alguns bastidores sobre como está essa campanha do Lula, pessoas ligadas ao presidente Lula e ao vice presidente Geraldo Alckmin. A constatação é que, a despeito do Dark Horse, de todas as informações que vieram à tona, as pesquisas não mostraram um deslocamento tão grande entre o Lula e o Flávio e há um medo. As pessoas estão preocupadas com o rumo das eleições. E aí tem dois pontos que me relataram. Um é o seguinte, o Lula e o Alckmin gostariam que nomes respeitados do PIB endossem a campanha. Eles querem uma declaração de apoio de pessoas avaliadas como sensatas, racionais e isentas, que não são nem de um lado nem de outro. Eles falam abertamente do Ermínio Fraga e do Pérsio Arida, que em março fizeram uma movimentação a favor do Eduardo Leite, que acabou não vingando como o nome do PSD. Gilberto Kassab escolheu o Ronaldo Caiado. Até agora esses dois não declararam apoio. O Geraldo Alckmin e o Lula acreditam que um apoio de pessoas como eles seria bem importante. Um outro ponto é o seguinte o governo avalia que tem alguns bons dados econômicos de crescimento do PIB, o baixo índice de desemprego.

Celso Rocha de Barros: E aqui vale lembrar uma coisa o Armínio Fraga e o Pérsio Arida, foram os dois economistas tucanos de peso mesmo. São os dois economistas tucanos de maior peso. Um fez o Plano Real, outro fez as metas de inflação que se opuseram explicitamente ao governo Bolsonaro.

João Batista Jr: E eles querem o apoio dos dois agora no primeiro turno, não depois. Eles acham que é importante já ter essa validação.

Fernando de Barros e Silva: Eles têm muitas críticas à política econômica do governo Lula e...

Celso Rocha de Barros: Não Eles são contra a política econômica do Lula.

Fernando de Barros e Silva: Exatamente.

Celso Rocha de Barros: Mas eles se opuseram ao Bolsonaro por motivos de democracia, como, aliás, um cara que merece também ser conhecido, o João Amoêdo. João Amoêdo falou isso na época. "Eu odeio a política econômica do Lula, mas a política econômica a gente resolve depois, se der errado. Mas democracia"...

João Batista Jr: É outra coisa que está em jogo, né?

Fernando de Barros e Silva: E você sempre muito a propósito, lembra este..

Celso Rocha de Barros: É, mas tem que lembrar mesmo caso.

Fernando de Barros e Silva: É a propósito, mesmo.

João Batista Jr: Fatos são fatos, né? Outro ponto, e bastante sério, é a questão econômica. Ainda que tenham bons dados sobre crescimento de PIB, sobre o baixo índice de desemprego, o fato é que 82% das famílias registram alguma dívida. É um recorde histórico. E isso é um problema. A campanha avalia que a segurança pública vai ser bastante debatida, sobretudo para quem mora em grandes capitais, no caso de São Paulo e Rio de Janeiro, mas que no Brasil, no interiorzão, a questão do endividamento vai pegar bastante. Pessoas avaliam que até o episódio da Casas Bahia, que é um exemplo do varejo brasileiro, pode ser negativo para o Lula, porque tem fechamento de lojas, recuperação judicial, dívidas altas. Um outro ponto que eles estão tentando ver é como se aproximar do agro. Há uma queixa, na verdade, para se conectar com esse mundo do agro. O agro, segundo uma pessoa do governo me falou, é dividido entre eles por duas frentes: míope que é Bolsonaro e ponto final. Sem discussão. Silencioso, ou seja, reconhece tudo que o governo Lula fez, até vota no PT, mas não quer ser chamado de PT porque isso pega muito mal no interior. Aspas da pessoa com quem eu tomei café hoje de manhã: rico ser petista no interior acaba sendo um crime.

Celso Rocha de Barros: É a mais pura verdade.

João Batista Jr: E daí, tem um clube muito, muito pequeno e muito isolado, que são os grandes nomes. E daí, por exemplo, o JBS e o Iraí Maggi, que é o barão do algodão e da soja que apoia o Lula. Os dados do agro neste governo Lula são muito bons. Em 2020, aqui falando de boi, tá, gente? Foram 30 milhões de cabeças. 2025, 43 milhões de cabeças. O Brasil passou a vender carne para o Vietnã, retomou o venda de carne para o México e começou a vender algodão para o Egito, sabidamente o país do algodão. Existe um ativo chamado DDG, que é um resíduo de milho que serve de alimento para animais. O DDG começou a ser vendido para a China. No agro, o DDG é chamado de Ouro do Cerrado. O maior comprador de suínos do Brasil hoje é a Filipinas. E aí tem uma coisa, o governo brasileiro nesses últimos anos abriu dentro das embaixadas um departamento de adidos agrícolas justamente para cuidar da interface entre os agricultores, com os países falando de questões sanitárias, tarifárias, etc. Onde abriu? Malásia, Filipinas, Tailândia, tudo criado agora em 2024. A grande crítica do agro é o acesso ao crédito que se dá pela inadimplência. Aí tem várias razões. Durante o Covid, o agro vendeu muita soja e fez muitas compras. O fato é tem muita gente dentro do agro que está endividada. Tem um camarada chamado Pedro Lupion. Ele é o deputado do Paraná que está a frente a bancada do Agro. Ele é Flávio. Uma pessoa me falou que no íntimo ele reconhece todos os feitos do Lula, porque nunca o agro vendeu tanto para o exterior. Mas ali, na vida pública dele, ele tem defendido o Flávio. Então o governo vê isso. Vai ter um problema grande com essa questão do endividamento e vai tentar se aproximar do agro, que o governo entende ter feito muita coisa, que nunca vendeu tanto. No entanto, tem essa questão de comunicação e de aproximação, porque para parte do agro, declarar apoio ao PT é quase um crime nos lugares onde eles estão situados.

Celso Rocha de Barros: Eu queria aqui assinar embaixo uma proposta que várias pessoas estão fazendo. Eu acho que vai ser muito ruim se campanha eleitoral foi uma competição de vazamentos. Quem consegue vazar mais. Sobretudo, os inquéritos que estão na mão do André Mendonça, que é Banco Master, INSS, esse negócio todo. Cara, eu achava que esses negócios tinham que ser tornados públicos o mais rápido possível. Abre todo esse negócio, desde que não prejudique a investigação. Enfim, alguma coisa assim. Mas deve dar para abrir porque imagina se depois da eleição aparece alguma coisa que teria mudado...

Fernando de Barros e Silva: Você tem toda razão.

Celso Rocha de Barros: O voto do eleitor, entendeu? Tem muita gente propondo isso e eu acho que seria muito bom se esses inquéritos tão na mão do Mendonça fossem abertos. Então mostra para todo mundo. Isso vai trazer alguns problemas. Pode ter invasão de privacidade, algumas pessoas que estão ali no inquérito e tal, mas se você sopesar os riscos envolvidos, eu acho que valeria a pena.

João Batista Jr: O Marco Aurélio, advogado do Lulinha, defende justamente isso.

Celso Rocha de Barros: Pois é.

João Batista Jr: Fim do sigilo para todo mundo entender do que se trata, inclusive a defesa, e ficar tudo às claras.

Celso Rocha de Barros: Exato. E aí o eleitor pesa o que ele acha que é mais grave, menos grave. Enfim, ele pode ter uma visão geral sobre o caso, não ficar refém de quem consegue vazar mais coisa. Porque aí o cara consegue vazar mais coisas, provavelmente, não deve ser o cara mais honesto dessa história.

Fernando de Barros e Silva: Faz todo sentido. Pode interferir nas investigações? Pode. É uma questão de você pesar danos eventuais e benefício público, né? Justamente.

Celso Rocha de Barros: Sim, exato. Que é como eu disse, imagina se acaba a eleição e aparece um negócio gigante sobre o cara que ganhou. É muito ruim, né? E vai inclusive ficar com uma cara de armação terrível.

João Batista Jr: Tremenda.

Fernando de Barros e Silva: Sim. Bom, com essa observação a gente encerra o segundo bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar do caso do espancamento da dentista em São Paulo e da violência contra a mulher no Brasil. Já voltamos. Muito bem. Estamos de volta. João, deixa eu começar com você. As campanhas à presidência do Lula e do Flávio trataram deste assunto, cada uma à sua maneira. Não do assunto específico do espancamento da dentista em São Paulo, do qual a gente vai falar também, mas trataram do assunto mais geral da violência contra a mulher. Vamos começar por isso, então.

João Batista Jr: Fernando, o Lula, no ato ali em São Bernardo do Campo, ele falou bastante da necessidade de fortalecer as mulheres e de combater a violência de gênero. Dias antes, o Flávio Bolsonaro, que não tocou nesse assunto em Copacabana, ele veio com esse assunto no Espírito Santo quando ele estava no ato de campanha. Ele falou o seguinte: "esse pedaço de papel que a Lei Maria da Penha não é o que vai defender as mulheres". E aí ele citou políticas de segurança pública. Pois bem, esse pedaço de papel nesta semana foi fortalecido. Após um caso de Minas Gerais de uma briga entre uma mulher e um vizinho, o STF foi provocado e, por unanimidade, definiu que a Lei Maria da Penha independe de vínculo familiar afetivo.

Fernando de Barros e Silva: É um caso na cidade de Formiga, eu acho. No interior de Minas. A mulher era ameaçada pelo vizinho e a Lei Maria da Penha não daria guarida a ela pela configuração anterior até agora. E o STF ampliou o escopo da lei para que casos como esse, ela não precisa ser casada com o cara, não precisa ter vínculo afetivo, familiar, etc para ser protegida pela lei. É isso, né?

João Batista Jr: Exatamente. Isso é uma vitória bem grande, muito grande. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano de 2025 foram registrados 1571 casos de feminicídio, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Os dados revelam um recorte racial muito preocupante 62,6% das vítimas são mulheres negras. A questão é o seguinte, o que a gente viu é a Lei Maria da Penha ela é fundamental para a proteção das mulheres. Neste ano, essa lei completa 20 anos. E tem muita gente da extrema direita que se queixa "Ah, é mimimi. Agora, as mulheres querem controlar os homens, controlar a narrativa. Então a imprensa tem divulgado muito desses casos". Mas acontece o seguinte, são quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil e uma delas não foi morta porque uma vizinha chamou por socorro. O país todo ficou assustado com o episódio do final de semana que um homem do mercado financeiro de São Paulo, chamado Ivo Kos, agrediu a mulher, a dentista Giulia, primeiro dentro do carro. Depois, ela consegue se desvencilhar. Sai do carro, tenta não entrar dentro de sua casa e aí existe uma espécie de rede de proteção ao contrário. Dois seguranças da rua ajudam o marido a colocar a vítima para dentro da casa para ela continuar sendo espancada.

Fernando de Barros e Silva: O que as câmeras flagraram é um dos seguranças. Dois teriam sido coniventes. Um deles claramente conduz junto com o marido ela para dentro de casa.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. E a polícia até entrou em ação. E os dois estão sendo investigados.

Celso Rocha de Barros: É muito chocante.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Celso Rocha de Barros: Enfim, esse homem agrediu a esposa com um soco e com um taco de beisebol. Uma vizinha escutou. Chamou a polícia e aí ela foi salva. E aí existe a agressão dentro da agressão. Enquanto ela estava no hospital fazendo todos esses trâmites burocráticos e de saúde, a família do marido trocou a fechadura da casa. Ela foi impedida de entrar onde ela mora, de pegar o carro dela. O pedaço de papel que é Lei Maria da Penha, só no primeiro semestre deste ano conseguiu atender 337 mil mulheres com medidas protetivas. Enquanto o STF aumenta a proteção das mulheres com a Lei Maria da Penha, o que a gente vê é um retrocesso nas redes. O Brasil Paralelo, que, enfim, todo mundo sabe do que se trata, criou um, entre muitas aspas, um documentário, que deu voz ao agressor da Maria da Penha. Basicamente diz que ela forjou uma tentativa de feminicídio e que seria muito ciumenta, como se tivesse justificativa para o que ela sofreu. A Maria da Penha ficou paraplégica depois de levar um tiro nas costas enquanto dormia. No documentário foi mostrado um laudo adulterado apresentado pela defesa do ex-companheiro dela, o Marco Antônio Heredia Viveiros. O documento adulterado forjava ferimentos. Enfim, o fato é a Maria da Penha, depois da publicação desse documentário, precisou de medida protetiva porque ela passou a ser atacada. O que existe hoje em curso, e o Brasil Paralelo é apenas um exemplo, aliás, a Agência Pública veiculou uma reportagem contando que o Brasil Paralelo pagou 305 mil reais para a meta para impulsionar com anúncios o documentário mentiroso sobre a história da Maria da Penha. A Maria da Penha precisou ser incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos depois da publicação desse documentário. Para vocês terem ideia, o Ministério Público teve de atuar para investigar o documentário e quem publicou ele, porque isso foi completamente criminoso. Nesta quinta-feira, o Superior Tribunal Militar faz um evento bem grande para comemorar os 20 anos da Lei Maria da Penha e os cinco anos da Lei Maria Ferrer. Elas são complementares. A Maria da Penha é diante de uma tentativa de feminicídio, para a mulher ter essa proteção, e a Mari Ferrer, depois que acontece tudo isso, em um julgamento, a mulher não ter de ser humilhada e destratada durante o tempo que tiver ali no tribunal. Eu estive ontem tomando um café com a ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha e ela falou o seguinte: "a civilização é um mito. Há um longo caminho pela frente. Mulheres sem os direitos resguardados não conseguem viver em paz". Tem uma coisa curiosa porque a ministra Maria Elizabeth está ali no STM, que tem bastante pessoas ligadas à direita, digamos assim. E ela atuou no início da trajetória profissional dela como assessora parlamentar da ex-deputada federa, vocês conhecem aqui a Maria Luiza Fontenele, que era do PSTU. E a ministra é uma feminista com muito orgulho.

Celso Rocha de Barros: Foi eleita prefeita de Fortaleza pelo PT, uma das primeiras vezes que o PT ganhou a eleição.

João Batista Jr: Exatamente. E trabalha ali no STM como assessora da ministra, a própria Mari Ferrer. A Mari Ferrer, que depois que aconteceu tudo que aconteceu com ela, estudou Direito, formou pelo Mackenzie, aqui de Brasília, Distrito Federal e hoje atua junto com a ministra. Então, esse evento de hoje é para celebrar avanços e mostrar todos esses retrocessos. O que tem acontecido? A ministra fala bem disso. O Fórum Brasileiro de Segurança também fala. É o seguinte: há muitos canais em redes sociais que estão lucrando bastante com a misoginia, ou seja, atacar a mulher, mentir a respeito de dados sobre violência de gênero tem dado lucro. O Brasil Paralelo, para além do documentário sobre a Maria da Penha, também fez documentários sobre a Mari Ferrer. É uma série. São muitos documentários em que basicamente eles atacam a defesa da mulher pela vida. Isso não é um movimento exclusivamente do Brasil, é um movimento internacional. Tem os irmãos Tate lá nos Estados Unidos, que fizeram uma fortuna gigantesca atacando mulheres, seja explorando de forma sexual, seja mentindo a respeito do direito das mulheres.

Fernando de Barros e Silva: A gente está diante de um quadro que vai desde essa realidade extrema de violência intolerável até asfixia de direitos, de conquistas civis e políticas obtidas ao longo de décadas. Nos Estados Unidos, Celso, tem um movimento organizado contra o voto feminino, né? É nesse nível de retrocesso, é desse nível também, né?

Celso Rocha de Barros: É isso mesmo, Fernando. A gente, inclusive, esse debate acabou batendo aqui no Brasil pelo Paulo Figueiredo, aquele, aquele, enfim, aquele negócio lá, que no âmbito lá da discussão do Flávio com a Michelle, falou que as mulheres votam muito mal.

Fernando de Barros e Silva: Eu vou lançar um movimento contra o voto masculino talvez, viu Celso? Ia melhorar o negócio.

Celso Rocha de Barros: Pois é. Tinha um panfleto irônico feminista contra o voto masculino, que era muito bom. Os homens são emocionais demais, brigam por qualquer coisa. Não sei o que lá. Não tem autocontrole.

Fernando de Barros e Silva: Faz todo sentido.

Celso Rocha de Barros: Agora, como bem disse o João, tem uma indústria desse masculinismo, né, que dá dinheiro. O Brasil Paralelo faz um vídeo mentindo sobre a Maria da Penha e, olha só, mentindo não é minha opinião, não. Como bem disse o João, tem um laudo falso no negócio. Olha a gravidade disso, cara. A mulher tomou um tiro nas costas.

João Batista Jr: Enquanto dormia.

Celso Rocha de Barros: Enquanto dormia. E vêm uns vagabundos como esses caras do Brasil paralelo que são vagabundos. Ninguém ali tem um trabalho honesto. Se você trabalha no Brasil paralelo, você não é um cidadão normal da economia funcional. Vem um cara desse para ganhar dinheiro, aproveitando que parte do público é fascista, e vai se divertir falando mal da mulher que tomou um tiro nas costas. E essa não foi só o Brasil Paralelo que descobriu isso ao redor do mundo, infelizmente. Bom, aqui no Brasil a gente teve também o ator global Juliano Cazarré, que foi na GloboNews para dizer que as mulheres matam mais homens do que os homens matam mulheres. Oque é mentira, né, cara? Não tem muito o que refutar nesse caso, a não ser dizer os números não são esses. É um desses caras que dá esses cursos sobre como ser homem, né cara? Sinceramente, se eu virasse pro meu falecido pai, dissesse: "Pai, vou fazer um curso com ator da Globo para ele me ensinar a ser homem". Meu pai violaria sua política tradicional e me daria umas porradas, entendeu? Assim, falando sério. Agora, isso é uma tendência internacional. Saiu um artigo muito bom da jornalista Helen Lewis na The Atlantic de maio desse ano, "Os homens que querem as mulheres em silêncio - The man who want women to be quiet". A matéria é realmente muito boa. Acho que alguém devia traduzir, se alguém tiver interesse e enfim, entender inglês, a participação dela no podcast do Ezra Klein, do New York Times é muito boa. Um debate muito lúcido, muito interessante sobre esse tema. E é uma matéria sobre esses caras que estão fazendo campanha contra o voto feminino, que estão ganhando dinheiro com isso. A matéria começa a falar do Douglas Wilson, que é um pastor americano que defende que as mulheres não votem porque a proposta deles não é assim acabar com o voto feminino. O que dizem é assim: um vota por família. E aí você pergunta mas quem decide o voto da família? E o cara diz, bom, em caso de empate é o homem, porra! Entendeu? Assim, enfim, quer dizer, o voto da mulher só vai contar se for igual ao do cara, né? Quer dizer, acaba com o voto feminino. E o Douglas Wilson, ele, basicamente, não acredita que as mulheres devam participar da vida política. Não acredita que devam participar do Exército. Acham que os maridos devem ter controle sobre "o peso das mulheres, sobre seus hábitos de gastar dinheiro e sobre a escolha de programas de televisão". E aí você vai dizer: "Ah, mas esse aí é só um idiota qualquer Que acharam para fazer uma matéria". Não. O Peter Hegseth, o secretário de guerra dos Estados Unidos, que deve ser competentíssimo. Veja o sucesso que ele está tendo lá no Irã. Ele é dessa igreja e ele levou esse cara para fazer um culto na Casa Branca. Então não é um negócio assim lá das massas, que a gente foi desencavar um maluco lá no fim do mundo que acha isso para para chocar o ouvinte aqui com "olha só o que esse imbecil fala". Não. E Helen Lewischama a atenção para o fato muito interessante. Se você fizer, pelo amor de Deus, não estou dando sugestão a ninguém, mas se você fizer um canal de YouTube, um perfil na internet, uma coisa dessa falando as piores barbaridades sobre mulher, você vende muito anúncio para criptomoeda, apostas esportivas e suplementos para quem faz musculação.

Fernando de Barros e Silva: Que coisa!

Celso Rocha de Barros: Então, se você ganha dinheiro falando essas barbaridades, então não é só uns psicopatas falando isso, são psicopatas que resolveram monetizar sua psicopatia.

João Batista Jr: É lucrativo atacar, em última instância, incentivar a morte de mulheres.

Celso Rocha de Barros: Exato. E aí, por exemplo, o Renan Santos ao longo da campanha ele veio falar que ele não acha que esses Red Pill, esses masculinistas, são a causa da violência contra a mulher, porque ele diz que esses moleques são basicamente uns moleques sem mulher porque não conseguem mulher nenhuma para eles, então não tem como eles baterem nas mulheres. Uma pausa para a gente pensar no fato que esse cara é candidato a presidente da República no nosso país. Vamos parar aqui cinco segundos para levar.

João Batista Jr: Essa reflexão.

Fernando de Barros e Silva: O peso de que um jumento desse é candidato à presidência do nosso país. Agora, obviamente, isso não é verdade sobre todos esses caras masculinistas. A gente lembra aquele imbecil que apareceu na internet na época, o Calvo do Campari. Quem se lembra dele?

Fernando de Barros e Silva: Opa! Sim.

João Batista Jr: Ele foi depois preso por agredir a namorada. E o pior é o seguinte, esse cara tá falando para um público de milhões de pessoas que vão sim agredir suas mulheres, que vão sim tratar as mulheres mal. A gente teve o caso recente de um policial que matou a sua esposa policial também. E se você pega as falas do cara no WhatsApp para ela, essa eu sou o alfa e você a Beta. Para começar, não entendo porra nenhuma do que é alfa e beta nesses estudos de zoologia, mas deixa isso de lado. Esse é um vocabulário desses caras, então tem gente morrendo por causa disso, entendeu? Por mais que os caras digam "não tenho nada a ver com isso".

João Batista Jr: Esse caso que você está falando de São Paulo, só tem uma coisa que é bastante didática. Parte do movimento do Red Pill é de você controlar a vida online da tua companheira. Este cara, esse militar que matou a mulher dele, também militar. Ele tinha acesso às redes sociais dela, ele controlava a vida online dela.

Celso Rocha de Barros: E nesse debate da Helen Lewis com o Ezra Klein. o Ezra Klein diz um negócio que eu acho importantíssimo. É impressionante como nesses discursos aqui que os homens estão sendo oprimidos, que ninguém mais deixa o cara ser homem que tem um tem. É foda. Tem um idiota lá nos Estados Unidos que vende livro dizendo que nós tínhamos que voltar a ética da era do bronze. Enfim, esses caras que falaram isso, eles nunca falam sobre obrigações que estariam relacionadas a você exercer sua masculinidade, ou por exemplo, você ser pai e sacrificar os seus interesses para cuidar dos seus filhos. Você ser pai e demonstrar autocontrole o suficiente para ser um bom pai. Você ser um bom cidadão na sua pólis, já que você gosta de ficar falando de grego. Enfim. Então você tem que ter autocontrole para participar daquilo. Você tem que atuar de maneira responsável. Assim, você tem que saber pensar em consequências. Você não pode ser moleque. Esse lado de homem como uma variedade de adulto, isso nunca é enfatizado por esses caras, né cara? Eles querem, no fundo, o direito de você ser um moleque irresponsável para o resto da vida.

Fernando de Barros e Silva: É uma delinquência infantil total, é.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Que dureza.

João Batista Jr: Ainda que o cenário seja bastante assustador, foi uma semana quef nessa questão fa gente tem de comemorar. A ampliação da Lei Maria da Penha é uma vitória.

Celso Rocha de Barros: Sem dúvida.

João Batista Jr: E outra coisa, a imprensa batendo nessa tecla é muito relevante.

Celso Rocha de Barros: Muito relevante.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Celso Rocha de Barros: Não é mimimi, são fatos. Os números não negam. É essa vizinha que ligou para a polícia, salvou a vida da Giulia. Então é isso. É contar com uma justiça eficaz, écontar com pessoas que denunciem e com uma imprensa que fiscalize. É basicamente isso.

Celso Rocha de Barros: Perfeito.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. A gente encerra então o terceiro bloco do programa. Vamos para um rápido intervalo, tentamos virar a chavinha e fazer Kinder Ovo, diretora. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Mari Faria, momento da crueldade. Vamos lá. Pode soltar. Aumenta o som Danny Dee.

Sonora: Pode reencarnar em você uma mistura de Alexandre, o Grande, Napoleão Bonaparte, Nayb Bukele..

Fernando de Barros e Silva: Garotinho.

Sonora: Schwarzenegger. Se você não resgatar a autoridade política, moral, a legitimidade do Estado, a chance de você virar esse jogo é nula.

João Batista Jr: Ruas?

Celso Rocha de Barros: É aquele André Marinho? Putz! Quando é trash, eu não erro nunca.

Fernando de Barros e Silva: Cara, ele acerta todos.

João Batista Jr: Misturou Schwarzenegger com Jean-Claude Van Damme numa mesma frase.

Celso Rocha de Barros: É, esse Imbecil imitador da Jovem Pan. Bom, com um currículo desse, só podia ser candidato a governo do Rio de Janeiro. Que outro emprego ele vai arrumar?

Fernando de Barros e Silva: Ele já preparou, no terceiro bloco ele ficou falando da galeria de imbecis, etc. Já emendou com o Kinder Ovo.

João Batista Jr: É que esse foi direto para o topo da galeria, né Fernando?

Fernando de Barros e Silva: Exatamente. Esse foi foi no fundo do ecossistema.

Fernando de Barros e Silva: É uma obra holística de Celso Rocha de Barros. Para os Anais, quem fala é André Marinho, candidato do Partido Novo ao governo do Rio de Janeiro, Celso. Em entrevista à Jovem Pan News. Está feito o registro e com isso a gente encerra o momento Kinder Ovo. Passamos direto para o Correio Elegante, o momento das cartinhas, o melhor momento do programa. E eu vou ler aqui o recado do escritor Evandro Cruz Silva que comentou a revelação que o Celso fez na semana passada: "O fato de um debate presidencial ter sido um dos grandes momentos da vida de Celso, aos 16 anos, explica tanta, mas tanta coisa", diz o Evandro.

Celso Rocha de Barros: Pois é. A doença é um negócio sério.

Fernando de Barros e Silva: É, Celso Rocha de Barros. Por isso que ele acerta, viu, Evandro? Por isso que ele acerta o Marinho.

Celso Rocha de Barros: É, mas tem uma coisa também que é o seguinte se você era adolescente ali na passagem da Nova República, isso tudo era muito legal, porque era proibido até pouco tempo atrás. Então assim, eu votei pela primeira vez, junto com gente de 40 anos que votou pela primeira vez.

Fernando de Barros e Silva: É verdade.

João Batista Jr: E não tava distraído no Tik Tok, né? Tinha de ver TV.

Celso Rocha de Barros: Você entrar num partido era proibido até outro dia, você fazer seu próprio partido. Então essas coisas todas de política eram muito mais legais.

Fernando de Barros e Silva: O Celso era que o Bolsonaro chamaria de um subversivo.

Celso Rocha de Barros: Totalmente.

João Batista Jr: Ainda falando da proposta do Celso para que algumas pessoas mudem de apelido, a Jennifer postou: "minha cunhada, jovem nascida em 1996, quando estava grávida, dizia que o nome do filho seria Elias. Por ser jovem, não pensou nas consequências do nome. A família toda passou a chamar o neném de Elias Maluco". Com todo respeito, Jennifer. "Ela não fazia ideia de quem era, foi pesquisar. Pois bem, o neném nasceu hoje, está com três anos e se chama Ícaro".

Celso Rocha de Barros: Ah! Muito bem.

João Batista Jr: "Tem certos nomes e apelidos que é melhor não usar mesmo". Um abraço, Jennifer.

Celso Rocha de Barros: Perfeito. Exatamente o caso, perfeita ilustração mesmo. Coitado do menino.

João Batista Jr: Um abraço pra Jennifer e pro Ícaro.

Celso Rocha de Barros: Um abraço pra Jennifer e para o Ícaro.

Fernando de Barros e Silva: É horrível esse caso, gente, porque o Elias Maluco é o cara que assassinou o Tim Lopes.

João Batista Jr: É um facínora e uma pessoa horrorosa.

Celso Rocha de Barros: Completa. Bom, tenho dois recados a Monalisa Silva reivindicou: "Eu não aguento mais viver num mundo onde o João Batista não tem um podcast só dele". Olha só.

Fernando de Barros e Silva: Ninguém de nós aguenta.

Celso Rocha de Barros: Ninguém de nós aguenta. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Precisa de mais uns três ou quatro dias na minha semana. Vou pleitear isso.

João Batista Jr: Vamos dar um jeito, vamos dar um jeito. E o Edu Bedin postou: "Merval Pereira está no mesmo patamar de Eduardo Girão, do tipo que o Celso Casca de Bala acertaria no Kinder Ovo em três milissegundos". Nada a declarar.

Fernando de Barros e Silva: Bom, como eu falo, né? Tudo que é bom acaba logo. O que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é do Paulo Vitor Ribeiro. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzki. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Vitor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. Programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, no Estúdio Hertz, em Brasília, e no Estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, João.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, Celso. Tchau, ouvintes!

Fernando de Barros e Silva: É até breve para o João. Sempre, sempre até breve. Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, todo mundo. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem.


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