questões estéticas
Jonas Medeiros, especial para a piauí 22 Ago 2026
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Em vez de colecionar figurinhas, nesta última Copa do Mundo colecionei singles recém-lançados por artistas brasileiros sobre futebol. Ao todo, encontrei cinco faixas, todas marcadas pelo sincretismo, como é próprio da música brasileira contemporânea: um samba-rap que aposta na ascensão individual de um menino da periferia, uma bossa latinizada que insere o nacional em um arco transnacional, um funk com cavaquinho que busca sintonizar a favela no YouTube, um funk-samba que retrata o Brasil como um país pleno de contradições, e, por fim, um rap-samba que ousa conceber a possibilidade de trair a nação em plena final da Copa.
Em comum, o cavaquinho (e, em menor medida, o violão) comparece em todas essas músicas como símbolo de brasilidade. Mas, se prestarmos a devida atenção, seus significados variam, pois as articulações entre as formas musicais e os conteúdos poéticos projetam diferentes imagens do Brasil. Podemos tomar esses singles como termômetros da vida nacional em 2026 – momento em que, não bastasse a perene crise política marcada pelo fortalecimento da extrema direita, o país alcançou seu maior jejum de títulos da Copa desde que o torneio foi inventado.
Das cinco músicas, duas expressam um sentimento de brasilidade mais convencional, digamos, e por isso soam um pouco deslocadas, anacrônicas. Fato curioso, considerando que seus autores são rappers identificados como progressistas ou até mesmo antissistêmicos. Uma das canções é Homem Gol, de Rincon Sapiência. Lançada no final de junho, com participação do sambista Péricles e da cantora brasiliense Marissol Mwaba, ela antecipou o novo disco do rapper paulistano, Um Corpo Preto. No que diz respeito à forma, a música abraça o samba e remete à brasilidade tradicional: aqui, somos o país do samba e do futebol. Ainda somos, ou já fomos? Tanto na música quanto no esporte, a pergunta é válida. Mas, na letra, Rincon parte de um outro ângulo, menos conciliatório do que os grandes símbolos daquilo que se convencionou chamar de paradigma nacional-popular. O rapper trata da desigualdade social e escolar: “Sabe rabiscar com a redonda, mal na escola, não sabe escrever nenhum texto/ O que a gente faz sem estudo, o que a gente faz com a estrela”). A composição nos pergunta como um brasileiro pode “tentar brilhar” e “alcançar o clichê” do sonho de comprar uma casa para a sua própria mãe.
O fio condutor narrativo é uma encruzilhada com duas saídas possíveis. Primeiro aparece o “homem bomba”, que “sabe usar uma pistola” e aposta no mundo do crime para escapar da pobreza. E, em seguida, surge a figura presente no título da música, o “homem gol”: “O sonho de mudar de rota, mesmo na derrota ser um vencedor [...] Deixar de ser um homem bomba pra se tornar um homem gol”, canta o rapper. Já num trecho mais sereno, cantado por Marissol Mwaba sob o som de um cavaquinho macio e aconchegante ao fundo, escutamos: “Cada vida uma história, a gente desenrola, sei que o jogo vai virar/ Bola no pé e coração com fé, que a estrela vai brilhar/ Sangue, suor e raça, vai ter barreira, mas tudo passa/ Sorrir é um gol de placa.”
A oposição narrativa central é, portanto, o homem-bomba versus o homem-gol. De um lado a aposta na (auto)destrutividade, um beco sem saída. De outro, a crença otimista e esperançosa na ascensão social através do esporte – um sonho de infância ou adolescência do próprio Rincon, da época que ele jogava futebol de várzea, no Brasil dos anos 1990. Apesar da qualidade sonora e poética, resta a velha pergunta: poderia a virada de jogo ser algo puramente individual e monetário ou seria preciso mudar o próprio jogo, em uma dimensão mais social e estrutural?
Já em Vai Me Ver Jogar, o rapper cearense Don L se alia novamente ao produtor catarinense Nave Beatz, em parceria com o selo Gorilla Concept Music, sediado em Barcelona. O ponto de partida dessa música parece ser também um flerte com uma brasilidade estereotípica: um pouco de bossa, um pouco de samba, “pura malandragem” e o jogo bonito do nosso saudoso futebol-arte, um “driblador dos trópicos”. Contudo, conforme a faixa avança, o compositor, conhecido tanto por ser “o rapper favorito do seu rapper favorito” quanto por seus posicionamentos anticapitalistas e anti-imperialistas, passa a acrescentar àquela brasilidade uma dose cada vez maior de latinidade, tanto espanhola quanto propriamente latino-americana. Temos, por exemplo, a entrada em cena de um violão hispânico. Já no conteúdo poético, somos levados a viajar por vários países, que aparecem na letra por meio de referências breves, como México (“Oaxaca”), Colômbia (“Cartagena”), Chile (“Neruda”), Peru (“Susana Baca”) e Cuba (“Havana”, “rumba”, “Celia Cruz”), o que confere um tom político à latinização da brasilidade.
O resultado dessa articulação de camadas é uma espécie de sincretismo hispano-brasileiro, tanto pelo protagonista (“me chama El Don”) quanto por este desejo: “eu quero ver seu reggaeton no meu baile funk.” O contexto recente contribui para essa aproximação. Não bastasse o sucesso planetário de Bad Bunny, vimos há pouco Shakira fazer um feat em EQUILIBRIVM Vol. I, álbum de Anitta. Por trás dessa convergência dos dois gêneros está o elemento afropercussivo.
A conclusão poética de Don L passa por uma coalizão espaço-temporal inusitada: “Maradona e Garrincha, imagina o rolê.” É verdade que a música se apega a uma nostalgia da brasilidade, tanto no som quanto na poesia (“Vai me ver jogar/ Somos os melhores do mundo” – frase que, ao menos desde o 7 a 1, se tornou anacrônica). Contudo, não dá para desconsiderar o deslizamento gradual que beira a sua subversão: uma forma específica de transnacionalização da brasilidade, muito bem-vinda, aliás, diante dos neonacionalismos à (extrema) direita e também à esquerda.
Mesmo assim, as referências nacionais e transnacionais soam um pouco datadas, ainda presas ao século passado, como os futebolistas e artistas citados. É surpreendente, se considerarmos que em Caro Vapor II (2025), último álbum de Don L, a música brasileira foi mobilizada como arma para pensar criticamente três grandes temas do tempo presente: o imperialismo no interior do rap, a masculinidade periférica e o capitalismo tardio, com suas big techs, influencers e bets.
A imaginação musical pode surgir de lugares inesperados, e o terceiro single da minha coleção é um exemplo disso. Ele reconhece mudanças históricas nos símbolos nacionais, mas em chave tendencialmente conservadora. Aqui é o Brasil é fruto de um encontro de dois gigantes da indústria cultural brasileira: a CazéTV, emissora que transmitiu todos os jogos da Copa, e a KondZilla, uma das maiores produtoras de funk do país, reunindo MCs de diversos estados.
Inicialmente, vale notar que a faixa é toda estruturada sobre um sample de cavaquinho. O clássico instrumento do samba é desconstruído em elementos que são então manipulados eletronicamente para construir a percussividade de um funk contemporâneo – algo como um funk-samba. Qual é o significado histórico desta forma musical? Eu diria que ela explicita (e abraça) uma transformação na nossa identidade nacional, algo que dois dos maiores rappers brasileiros contemporâneos não retrataram em seus singles de 2026. E isso é surpreendente, tendo em vista que tanto Rincon Sapiência quanto Don L estão atentos ao movimento de aproximação entre rap e funk, em especial através da música eletrônica. Isso fica claro nas músicas Ponta de Lança (Verso Livre), de 2016, e melhor Vida, de 2025, respectivamente.
A poderosa frase-síntese de Aqui é o Brasil diz que o país é a “terra do fut e do funk”. O Brasil do paradigma nacional-popular era o país do samba, mas agora somos forçados a nos reconhecer como terra do funk. Trata-se de um novo elemento de nossa autoimagem – uma forma periférica urbana específica, paralela à música sertaneja, que é a expressão musical do neoextrativismo oriundo do “Mega-Centro-Oeste”, na expressão de Mathias Alencastro. Essa dualidade diz algo: talvez possamos considerar o sertanejo como a fração dominante da sonoridade dominante no Brasil e o funk industrial como a fração dominada da sonoridade dominante – para brincar com as categorias do sociólogo francês Pierre Bourdieu em torno da estrutura de classes sociais.
Não deixa de ser surpreendente que em Aqui é o Brasil, graças ao pano de fundo estrutural e estruturante do sample de cavaquinho que complementa percussivamente o beat eletrônico, o velho “país do samba” acaba entrando pela porta dos fundos, funcionando como o que Raymond Williams, autor chave dos estudos culturais britânicos, chamaria de elemento cultural residual. Não é fascinante como os significados de uma obra que provavelmente foi pensada como uma mera peça publicitária podem transbordar sociologicamente com relação à sua função inicial?
E quanto ao conteúdo discursivo, poético ou narrativo? “Cultura, favela, raça, força, aqui é Brasil/ Todos unidos por uma só caminhada”. Se, por um lado, a música nos indica que superamos o paradigma nacional-popular e adentramos o século XXI, a letra traz a velha ideia de unir um país dilacerado por desigualdades sociais e divisões políticas, inclusive com um protagonismo, ao menos retórico, das periferias urbanas – origem social de quase todos os jogadores da Seleção: “No campinho de terra lembro como era antes/ Aqui é Brasil, terra do fut e do funk/ Só tem favelado, bandeira azul e amarela/ Fica colorido em todos beco da favela.”
O que poderia ser um horizonte coletivo, com o futebol voltando a ser central na construção de uma identidade socialmente compartilhada, não se confirma. O espírito da música, pela forma como foi composta, é outro. Nela, a unidade nacional é muito mais a massa de espectadores ligados na eufórica “transmissão da alegria” da CazéTV do que qualquer outra coisa. Como o hexa não veio desta vez, é provável que Aqui é o Brasil seja o menos perene dos cinco singles.
As duas últimas músicas que compilei constroem sentimentos de brasilidade mais críticos. Em Vida de rei, vida de cão, faixa lançada em junho, Amanda Magalhães (cantora e compositora carioca que ganhou proeminência com o bem-humorado hit Ô TRUMP!) parte do samba, da mesma forma que Don L e Rincon Sapiência. Contudo, a forma musical arquitetada por ela desliza para um funk anos 1990. Embora o single comece marcado por sons de cavaquinho, cuíca e tamborim, rapidamente os beats eletrônicos e a cantoria um pouco falada tomam conta da cena, lembrando a MPC (Música Popular Carioca), bem no estilo de uma Fernanda Abreu.
A letra é abertamente política. Magalhães busca pensar e problematizar o Brasil como um país de contradições: o choro e o riso; a riqueza e a miséria; a “terra da beleza” e da “falta de certeza”; um povo caloroso, mas polarizado (“É a gente se amando/ Se odiando”). A estetização de contrastes não é inédita na música brasileira. O tropicalismo, por exemplo, operou com procedimentos paródicos para ressignificar o que autores como Roberto Schwarz e Marcos Napolitano identificaram como sendo um choque entre o arcaico e o moderno. Mas a compositora carioca parece estar mais próxima da unidade dialética dos contrários de um Chico de Oliveira do que do equilíbrio de antagonismos de um Gilberto Freyre, tão relevante para Caetano, como recentemente argumentou o cientista político Rafael Marino. No caso do tropicalismo, ainda era possível retratar de forma positiva e idealizada a mestiçagem, tida como um aspecto singular da experiência brasileira que serviria de farol para o futuro do mundo. Já Magalhães está cantando o progresso e o futuro como continuidades do passado colonial.
Uma das contradições exploradas em Vida de rei, vida de cão é, justamente, a miscigenação. A música, porém, não concede ao mito da democracia racial. Em vez disso, expõe a singularidade do racismo brasileiro: “É tudo junto e misturado, mas é cada um por si”. Mais à frente, a cantora diz: “É o impávido colosso/ É a colonização.” No fim das contas, as cores da bandeira nacional não simbolizam identidade ou união: “É verde e amarela/ A cor desta contradição.” O refrão é precedido pelo que parece ser uma pergunta retórica: “Eu vivo uma vida de rei ou uma vida de cão?/ Não, ah/ Ah, não”. A resposta logo aparece em forma de pergunta: “É de cão, né?”
Comparado aos singles anteriores, Vida de rei, vida de cão aborda a brasilidade de uma forma mais sociológica do que individual (a aposta na ascensão por meio do futebol) ou utópica (uma solidariedade latino-americana que paira no ar e se alimenta mais do passado do que do futuro). Distancia-se, também, do mote publicitário de superar as divisões de baixo para cima, a partir das favelas e periferias – mote que, na verdade, mascara o objetivo de concentrar a audiência de espectadores assistindo aos jogos da Copa num canal de YouTube que deixou de ser independente para agora confrontar e ameaçar as Organizações Globo e se tornar parte de um novo mainstream, entrelaçado com a perversa indústria das bets e com o mercado financeiro.
Em cada um dos singles analisados, o sincretismo musical produz diferentes imagens de nação, disputando o seu sentido político. Mas, da minha coleção, é a quinta música que radicaliza o sentimento de mal-estar com a brasilidade convencional do país do samba e do futebol.
Fabio Brazza, neto do poeta concreto Ronaldo Azeredo, lançou A cobrança em 31 de março, data oficial do aniversário de 62 anos do golpe militar de 1964 (ele inclusive se pergunta, alguns meses antes do início da Copa: “Será que essa camisa agora se redime/ Ou vai continuar símbolo de quem pedia a volta do regime?”). É um brilhante sincretismo entre samba e rap, mas que inverte a forma musical de Rincon Sapiência: em vez de ser um samba-rap (com protagonismo do samba na percussão e na participação do ex-vocalista do Exaltasamba, deixando o rap reduzido à participação do próprio Rincon), trata-se aqui de um rap-samba. O sample do violão é circular e repetitivo, não avançando no desenvolvimento da música como aconteceria num samba convencional, o que parece expressar uma prisão ou uma indecisão que adia o ápice e o encerramento da narrativa, longe do sentimento acolhedor de Homem Gol.
O brilhantismo é musical, mas também lírico. O protagonista fictício se chama R, o que tem dupla função: de um lado, se refere a tantos jogadores brasileiros negros que entraram para a história e cujos nomes começam com a letra R – Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho – e, de outro, abre caminho para os inteligentes versos “Vai R, Vai R/ Não erre, não”. A poesia mostra a grande capacidade narrativa de Brazza – mais especificamente, uma minuciosa descrição de cunho cinematográfico, que vai oscilando entre duas perspectivas temporais.
Em primeiro plano, temos uma temporalidade imediata: a cobrança do último pênalti na final da Copa, disputada pela Seleção Brasileira contra um time indeterminado. Aos poucos, surge uma segunda temporalidade, de longa duração: uma viagem da consciência histórica e social do craque pelas desigualdades sociais e raciais que estruturam este território e sociedade chamados “Brasil”. Como canta Fabio Brazza, “um filme passa em sua mente” – o que serve para a mente do eu lírico e também para quem escuta a música, já que conseguimos mergulhar tanto na cena singular do campo de futebol quanto no contexto histórico-universal da colonialidade.
Este nada singelo single mobiliza o que eu tenho chamado de uma estrutura de sentimento da brasilidade-colonial (o diálogo aqui é com o uso que o sociólogo Marcelo Ridenti faz de um conceito de Williams). Não deixa de ser irônico e surpreendente que um rapper branco tenha criado um protagonista negro que mergulha em uma reflexão histórica sobre o Brasil, o racismo sofrido na infância, o genocídio contra a população negra e os povos indígenas: “O pai preto, a mãe indígena/ Esse Brasil foi feito pra nos dizimar/ É, como muitos dizem, já/ O futebol faz o povo esquecer a dívida/ É hora de usar os pés pra fazer política!/ Enquanto ele toma distância, lembra da infância/ Pensa que pode fazer sua gente feliz/ Isso é pelos meus pais ou meu país?/ Escuto meu coração ou o que a razão me diz?/ Dos que vivem entre balas e fuzis, a lousa e o giz/ É pelos Tupis Guaranis, Kaiowás, Cariris/ Pelos que morreram nas mãos da polícia”.
O fato de este single ter sido lançado em um ano de Copa, sugerindo que o erro voluntário de um pênalti para prejudicar a Seleção poderia ser, na verdade, a atitude mais ética a se tomar, é um gritante sintoma de esgotamento de uma determinada imagem histórica de nação – aquela em que samba e futebol se tornaram símbolos de uma integração política e cultural seletiva dos trabalhadores racializados deste país. Estamos definitivamente em outra quadra histórica, aquela de destruição do mito da democracia racial e da passagem da “dialética da malandragem” para o que o crítico literário João Cezar de Castro Rocha chamou de “dialética da marginalidade”.
Diferentes momentos históricos exigem distintos modelos de interpretação do Brasil. A “ordem da conciliação das diferenças”, que mascara os conflitos através dos contatos pessoais, da lógica do favor e de falsas promessas de harmonia, agora é ameaçada pela “ordem conflituosa”, que explicita abertamente as contradições da sociedade brasileira, critica a desigualdade e expõe a violência brutal. Essa transição não é totalmente nova. Nos anos 1990, algumas obras culturais já apontavam para essa nova imagem de país, como as músicas dos Racionais MC’s e os livros de Paulo Lins e de Ferréz. O deixa-disso é substituído pelo conflito aberto e pela perspectiva de ruptura – ou, ao menos, de uma autodefinição do país a partir das margens e das periferias.
R está preso sonora e poeticamente a um movimento que oscila entre querer ser um herói ou um anti-herói. Mas quem define o que é heroísmo e o que deveria ser vilanizado? O que é racional e o que é emocional? R inclusive poderia ser Rincon Sapiência, o menino da Cohab 1 que sonhava nos anos 1990 em se tornar atleta profissional e que poderia ter chegado efetivamente à final da Copa nos anos 2020. A faixa termina como um filme francês, com um final totalmente em aberto. Nunca saberemos o sentido histórico e político que o protagonista de A cobrança decidiu atribuir ao seu chute: ganhar a Copa e redimir a nação, ou trair a pátria ao denunciar o Brasil como uma máquina de dizimação? Aliás, o Brasil ainda seria passível de redenção?
A pergunta cai nas costas de cada um de nós, que somos obrigados a passar de espectadores a agentes. Qual “mensagem para o mundo” queremos enviar com as brasilidades que nos engajamos em construir? De que lado você joga? Ou melhor, qual jogo você quer jogar?
Abaixo, uma playlist com as cinco músicas.