A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • Desiguais
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Retrato narrado
    • Luz no fim da quarentena
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    ILUSTRAÇÃO: FLÁVIA RIBEIRO_2007

poesia

Poesias

Três poemas do livro 'Tristia'

Osip Mandelstam | Edição 6, Março 2007

A+ A- A

Tristia

1

Aprendi a ciência da despedida
No desabrigo, em noites de ansiedade.
O boi rumina, a espera é longa lida,
Está no fim a vigília da cidade,
E à noite do galo, rendo homenagem,
Quando, ao longe, olhos miraram em pranto,
E, suspenso o peso da dor da viagem,
Mulher e musa uniram choro e canto.

 

2

Quem pode, na palavra – despedida,
Prever que separação nos espera,
Ou a que o canto do galo nos convida,
Quando a acrópole em chamas reverbera,
E na aurora de uma vida nova,
Quando o boi rumina à sombra indolente,
Por que o galo, arauto da vida nova,
No muro da cidade, adeja impaciente?

3

 

Mas o ofício de fiar me fascina:
A lançadeira trama, o fuso ressoa.
Olha: como uma pena de cisne,
Descalça, ao teu encontro, Délia voa!
Oh, urdidura frouxa de nossa vida,
Como é pobre a língua da alegria!
Tudo está feito – um repetir sem saída:
E só reconhecê-lo delicia.

4

Numa travessa de barro lavada,
Jaz a figura em cera transparente,
Como pele de esquilo esticada,
Que a moça mira com luz de vidente.
Do Érebos grego, não nos vêm profecias.
Às moças, serve a cera; a nós, o cobre duro.
Só nas guerras nossa sorte se anuncia,
Mas mulheres, até morrer, vêem o futuro.

 

***

“Como o luxo de mantos e adereços
Me dói, na desonra que padeço!”

– Sobre a pétrea Trezena,
Desgraça grassará sem pena;
O palácio, pleno espelho
Da vergonha, se verá vermelho.
——-
——-
E para a mãe enamorada
Nascerá um sol negro.

“Quem dera o ódio fervesse em meu peito sem dó…
Mas, vê: a confissão caiu dos lábios por si só.”

– Fedra arde como labareda negra
Em pleno dia.
O facho fúnebre fumega
Em pleno dia.
Da mãe, Hipólito, não te achegas:
A Fedra-Noite te vigia e te cega
Em pleno dia.

“Com o meu amor negro, manchei o sol…
Vem, morte, em limpa taça, esfriar meu pó…”

– Assustados, não ousamos
dar consolo ao soberano.
Ferida por Teseu,
A noite o abateu.
Com nossos cantos de luto,
Pondo os mortos em seu reduto,
Traremos ao insone sol negro,
E ao seu ardor de fera, o sossego.

***

Feras nas jaulas

1

Paz: palavra expulsa pela sanha
De uma era ultrajada e bruta;
Brilha o castiçal na funda gruta,
E ar – éter – de terras de montanha;
Éter, que não tivemos gana
nem ciência de respirar.
Retornam, trêmulas, a cantar
Desgrenhadas flautas de cana.

2

Enquanto pastavam bezerros
E cordeiros as gordas espigas,
E velavam águias amigas
Nos ombros sonolentos dos cerros,
O alemão uma águia nutriu,
O leão rendeu-se ao inglês,
E a alta crista do gaulês
De um topete de galo emergiu.

3

Mas hoje o selvagem se arvora
E toma de Héracles a clava,
Esgotou-se a boa terra de lavra,
Infrutífera, como outrora.
De um galho seco que se preste
Para a faísca, o fogo eu farei,
Deixe fugir para noite agreste
A fera que eu alarmei!

4

O leão e o galo, a águia austera,
E larga, e o urso benfazejo –
Para a guerra, ergueremos um despejo,
Teto e calor para o couro das feras.
E eu canto dos tempos o vinho –
A fonte do idioma italiano –
E no berço proto-ariano,
O eslavo e o germano linho!

5

É inútil, Itália, não percebes?
Perturbar a Roma imperial
Com cacarejos de ave de quintal
Que voou por cima da sebe.
E tu, vizinha, não te confundas –
A águia se eriça, irada:
Que fazer se a tua funda
Não se presta a uma pedra pesada?

6

Depois de enjauladas as feras,
Gozaremos sossego e folga,
Vai subir caudaloso o Volga,
E brilhar o Reno de outras eras –
E os homens, sábios e sadios,
Ao estrangeiro, à semelhança
De um semideus, honrarão com danças,
Sobre as margens dos grandes rios.

Osip Mandelstam

Osip Mandelstam, poeta russo nascido na Polônia. Perseguido e preso pelo stalinismo, foi assassinado num campo de prisioneiros, em 1938.

Leia Mais

poesia

Presídio político Maria Zélia, 1936

Um poema inspirado na história de militância política da família Abramo

30 mar 2026_19h48
poesia

Ser poesia é estar verde in natura e também brasa lenha fumaça

02 mar 2026_19h44
poesia

Escavo o papel atrás de uma frase oculta

03 fev 2026_14h49
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30