Não foi ninguém
| Edição 140, Maio 2018
MARIELLE PRESENTE 1
A lógica recomenda que se comece a leitura da piauí pela seção de cartas, para fechar o ciclo das edições anteriores. É o que faço todo mês. Entretanto, na edição de abril, diante da urgência do tema e da inevitável sensação de desesperança em que ele nos lançou, o assassinato de Marielle me conduziu automaticamente para a matéria assinada pela estagiária Yasmin Santos (“Do lado de cá”, piauí_139, abril). Embora o texto inteiro – claro, seco e preciso – transborde talento e consciência, o parágrafo de encerramento traz uma carga extra de emoção e maturidade, ambas surpreendentes em alguém com apenas vinte velinhas sopradas.
O único senão vai para a conta da revista: em vez de publicar o artigo de Yasmin abaixo da tradicional retranca Chegada, piauí deveria ter usado, com as devidas glórias e sob merecidos confetes, o cabeçalho Estreia.
JORGE MURTINHO_SÃO PAULO/SP
Lembro-me de meu primeiro estágio. Mandaram-me ir ao banco. Em vez de aguardar a senha nas cadeirinhas, atravessei a rua e fui ao shopping mais próximo – fui flagrado e demitido. Dez anos mais tarde, me deparo com o texto de uma estagiária falando sobre um assunto que chacoalhou esse país insensível. É por isso que assino a piauí, porque ela subverte, da mesma forma que o texto jovem da Yasmin sangra subversão, e da mesma forma que ela, a Marielle, subverteu até o fim.
GUILHERME STADLER PENTEADO_CURITIBA/PR
Parabéns a Yasmin Santos, que fez um ótimo texto para a Chegada do mês de abril, junto com sua chegada à revista. É um texto singelo e tocante, que consegue situar bem um pouco de sua trajetória e ainda mostra que Marielle segue presente em cada um dos que se sentiam representados por ela. E meus parabéns à piauí, que aparentemente contratou uma ótima estagiária para sua equipe. Sucesso!
HENRIQUE WALDEZ_RIO DE JANEIRO/RJ
MARIELLE PRESENTE 2
Não poderia deixar de registrar esse relato emocionante e admirável da Antonia Pellegrino (“Depois do atentado”, piauí_139, abril), logo após o assassinato de Marielle Franco. A piauí nunca foi tão feliz na Chegada e na Despedida, como nessa edição precisa, com dois textos comoventes que mostraram realmente em que ponto estamos nesse caldeirão chamado Brasil. Senti na alma a tristeza e a perplexidade que seus amigos viveram naquele momento terrível, quando o ódio conseguiu calar para sempre a voz que desafiava esse sistema corrompido e execrável que domina o Rio de Janeiro. Foi impossível não me lembrar dos ataques feitos por uma parcela dos internautas à imagem dessa mulher, com o corpo sendo velado e ódio e mentiras já circulando impunemente pelas redes sociais, onde cada um se arvorava no direito de massacrar essa mulher simplesmente pelas causas que ela defendia, que deveriam ser as causas a ser defendidas por cada um de nós.
VALÉRIA APARECIDA SILVA VIEIRA BORDIN_ASSIS/SP
Sobre o texto da Antonia Pellegrino, fazia tempo que eu não lia algo tão desrespeitoso por aqui. Ainda estou impressionada com a pachorra. A morte de Marielle não é sobre o casamento de ninguém. Marielle não chegou à Câmara para “colorir” nada. Não estão “todos” ameaçados. Ninguém se importa com o raio do gás do chuveiro quebrado. É quase inacreditável que uma “filha do privilégio” use tanto a primeira pessoa – “eu”, “mim”, “comigo” à exaustão – para falar de uma execução política e, sobretudo, racista como foi a de Marielle. Basicamente, essa morte, nessas circunstâncias, vira pano de fundo para o casamento da pobre menina rica. Tô chocada.
MILENA PINHEIRO MARTINS_BRASÍLIA/DF
UM PAÍS NO CALDEIRÃO
O perfil de Luciano Grostein Huck (“O neófito”, piauí_139, abril) traz sinalizações marcantes para o bom entendimento do fenômeno “Huck-President”. É um personagem promissor: ao mesmo tempo que consegue congregar e ampliar excelentes cabeças de diversos e necessários saberes, mostra alcance popular. Não nos iludamos, certo grau de populismo é indispensável para se eleger no Brasil! Seu despertar político, no entanto, é relativamente recente para permitir um adensamento pessoal suficiente para que tal empreitada seja bem-sucedida.
Espelhar-se na imagem de Ulisses preso ao mastro e mencionar como obstáculo as dificuldades escolares dos filhos demonstram a fragilidade motivacional do candidato. O Congresso que sairá das próximas eleições (semelhante ao atual) exigirá do novo presidente uma solidez de convicções jamais vista no país, sob pena de nada mudar! Se Carl Gustav Jung pudesse opinar, sugeriria uma sondagem de seus arquétipos (do Huck, claro). Tal autoconhecimento não só poderia encontrar vertentes estruturantes como também esclarecer por que o primeiro apelo ecoou! Carl também perguntaria: por que ir ao Muro das Lamentações no meio deste “rolo” e com a família? Sua ancestralidade tem muito a lhe dizer, Huck… Espero e desejo que Luciano a ouça!! Eleito agora, não faria melhor do que qualquer outro. Em quatro anos, quem sabe surja algo na linha de um estadista? Votarei nele! Que fique claro: estas colocações são um forte e sincero estímulo para a continuidade de seus esforços. Que os deuses do Olimpo olhem por essa gente boa da piauí. Obrigado pelas graças recebidas.
FRANCISCO HERYNKOPF_PORTO ALEGRE/RS
NOTA CONJUNTA DE ZEUS, HERA E POSÊIDON: Até que nos esforçamos em olhar por essa gente boa da piauí, mas nos meses em que a assinatura atrasa e chega aqui vinte dias depois de aparecer nas bancas do Olimpo, bate um ódio que nem te contamos. Outro dia mesmo, o Hermes teve que se atirar em cima do Ares para impedir que ele jogasse um raio naquela redação.
NÃO FUI EU
Excelente o ensaio de João Moreira Salles (“Anotações sobre uma pichação”, piauí_139, abril). Impressionante como uma frase pode sintetizar tanto a ausência do senso de coletividade em nossa sociedade. Isso é explícito quando ouvimos expressões como “O problema começa lá em Brasília”, “É culpa do Congresso” ou ainda, na excelente obra de José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2), quando o narrador fala que a culpa é “do sistema”. Precisamos entender que o sistema também somos nós.
Douglass North, Nobel de Economia, argumentava que, para o desenvolvimento econômico, as instituições são mais importantes que as descobertas científicas ou os recursos naturais. A experiência dos países asiáticos e a do Brasil podem ser vistas como uma prova empírica disto.
Mas além de apenas identificar o problema, gostaria de ver maiores discussões sobre possíveis soluções. Acredito que a nossa imprensa tem um papel importante nisso. A ascensão das fake news pode ser reflexo da qualidade do que vem sendo publicado. As redações deveriam contar com o apoio de profissionais destacados de outras áreas como contadores, auditores e outros. A crítica feita ao jornal O Globo sobre a cobertura dada ao governo Sérgio Cabral é válida, mas não se trata de caso isolado.
No passado recente, Eike e Joesley (Batista) colecionaram capas nas maiores revistas de negócios do país, de todas as editoras, como exemplos de executivos de sucesso. Cansei de ver empresários que se beneficiaram (e muito) de vultosos desembolsos do BNDES aparecendo em capas de revista e criticando o tamanho do Estado na economia ou a ineficiência dele. Na reportagem sobre Luciano Huck, por que não questionar o uso de recurso subsidiado para a compra de um jato particular? Ainda que legalmente aceito, é no mínimo moralmente questionável vindo de um homem que diz conhecer de perto as mazelas do povo brasileiro e querer mudar a lógica da política brasileira. A reportagem “chapa branca”, que se omite de fazer as perguntas difíceis, prejudica a qualidade das true news a meu ver.
Nas últimas eleições presidenciais, lembro que o debate final na emissora de tevê com maior audiência começou às 22 horas de uma sexta-feira. Horário que a meu ver os jovens estão indo para a balada e os pais de família para a cama, dormir. Por que a Globo (e todas as outras emissoras) não abre mão do horário nobre por um dia, para transmitir o debate num momento em que a maior parte dos brasileiros está naturalmente sintonizada? E mais: por que não contar com profissionais de notório saber jurídico, econômico e administrativo para fazer aos candidatos as perguntas que precisam ser feitas? Lembro-me de a ex-presidente Dilma Rousseff, no auge do processo de desajuste fiscal e monetário do fim do primeiro mandato, conseguir ludibriar facilmente Patrícia Poeta e William Bonner com números e estatísticas que nada explicavam e enganavam a ambos, culminando no que depois foi chamado de “estelionato eleitoral” pela oposição.
Sei que tudo isso parece muito utópico, mas o que me motiva a escrever é a certeza de que se continuarmos utilizando as mesmas soluções para os mesmos problemas continuaremos colhendo os mesmos resultados.
RODRIGO HOLANDA PIMENTEL_SÃO PAULO/SP
No final dos anos 70, apareceu nos muros da Zona Sul do Rio de Janeiro um misterioso grafite: CELACANTO PROVOCA MAREMOTO. Rapidamente se espalhou por toda a cidade, um mistério decifrado posteriormente. Seu autor, o jornalista Carlos Alberto Teixeira, extraiu a frase de uma série japonesa dos anos 60 – National Kid – que fez um relativo sucesso no nosso país. Contando com um grupo de colaboradores, o grafite foi reproduzido pelo país, inclusive no exterior. Mais recentemente em nossos muros pichados apareceu um grafite com a característica de uma assinatura, com mão firme e grafia caprichada, com cores diversas – Não fui eu –, um novo mistério a ser decifrado. A origem da expressão deve ter sido tirada do livro Não Fui Eu!, do cartunista argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado Tejón), criador da personagem Mafalda.
João Moreira Salles extraiu desse simples fato uma série de profundas reflexões sobre situações diversas vividas em nosso país. A mais rasteira interpretação, pelo fato de o grafite aparecer sempre no meio de uma confusão de pichações, seria a de que eu não tenho nada a ver com isso, com esse caos, olha a qualidade da minha letra que me distingue da boçalidade desses pichadores irresponsáveis.
Nos anos 60, as pichações como veículo político eram comuns. Aproveitavam-se os muros das grandes avenidas para registrar mensagens de fundo político: “Abaixo o imperialismo”, “Viva Cuba”, “Ianques, go home”, “Abaixo a ditadura”, “Viva o Vietnã”. Não havia nenhuma dúvida quanto a suas reais intenções.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
Não foi ele
João Moreira Salles, dono da revista piauí, não parece conhecer inteiramente como funciona o jornalismo. Além de prestigiado documentarista, ele é banqueiro e empresário e pensa como muitos que acreditam que os jornalistas são como pitonisas, com o condão de revelar o desconhecido. Na edição de abril da piauí, João valeu-se de um artigo meu para criticar O Globo. O texto “Os cegos que não viram o Brasil ser saqueado” perguntava onde estavam Coaf e Receita Federal enquanto Geddel Vieira Lima enchia um apartamento na Bahia de dinheiro e Sérgio Cabral cometia seus seguidos desfalques aos cofres do Rio.
O artigo falava ainda de movimentações bancárias milionárias feitas por parlamentares, ministros, governadores, líderes partidários, executivos de governos, e ex-diretores da Petrobras e de outras empresas públicas que também passaram despercebidas pelos dois órgãos. Mas João Moreira Salles preferiu se ater somente a Sérgio Cabral para atacar o jornal. Segundo ele, O Globo, e não somente os órgãos de controle, também ignorou as falcatruas de Cabral. E afirma que “abrir as páginas do Globo significava encontrar a cada dia razões para aplaudir o governador”.
O texto de João Moreira Salles parte de pichações em muros do Rio que gritam “Não fui eu”. João conclui que estas pichações são, na maior parte das vezes, expressão de um condenável comportamento do brasileiro, que, individualmente, se exime de culpa de todos os males que existem na sociedade. “Não fui eu” empurra para os outros todas as responsabilidades. Nessa toada, com o meu artigo eu teria me comportado como quem picha “Não fui eu”: culpei os órgãos de controle por nada terem feito contra Cabral, sem me dar conta de que o próprio O Globo, “jornal do Rio por excelência”, também nada fez.
Eu pergunto, por quê? O Globo errou? Haverá alguma matéria atestando a honestidade de Cabral? Haverá alguma linha escrita no Globo descrevendo-o como homem honrado e honesto? Nada. O que O Globo, e todos os demais veículos fizeram, não sem questionamentos, foi mostrar que a política de segurança, com a UPPs, dava certo (e criticou quando elas foram expandidas com fins eleitorais sem que houvesse a base material para isso). Mas quem pode negar que o Rio experimentou um sentimento de ser um lugar mais seguro? Quem não se lembra do período em que as favelas atraíam turistas, com hostels, restaurantes populares, lindas vistas e paz? O Globo também publicou toda a discussão sobre a necessidade de haver o que se chamava então de UPPs sociais.
Na saúde, as UPAs, adotadas inclusive pelo governo federal, também deram resultados e melhoraram a situação da população mais pobre, e foram objeto de inúmeras reportagens. Isso não é falar bem de um governo, mas registrar uma política. Vai contra, inclusive, a pecha de que notícia boa é notícia ruim. Não houve um escândalo ou crise durante o governo Cabral que O Globo não tenha coberto. As primeiras denúncias na Secretaria de Saúde, chefiada por Sérgio Côrtes, foram noticiadas longamente pelo Globo. Todos os crimes de grande repercussão foram objeto de reportagem e cobrança.
O que João Moreira Salles não entendeu é que nem O Globo, nem nenhum outro jornal, tinham os instrumentos de que Receita Federal, Coaf, Polícia Federal e Ministério Público dispunham para investigar as entranhas do governo Cabral. O meu artigo explica isso, leiam o parágrafo final daquele texto. “Podem acusar a imprensa de também ter sido cega. Como ninguém conseguiu perceber, por exemplo, a volúpia de Sérgio Cabral ao longo de dois mandatos? Veículos e jornalistas não têm poder de investigação como Coaf, Receita ou Polícia Federal, mas também investigam. Verdade, mas não podem quebrar sigilos bancários, checar movimentações financeiras, abrir sindicâncias ou convocar suspeitos para depor.”
Os sinais exteriores de riqueza de Cabral se resumiam, então, ao apartamento do Leblon e à casa de Mangaratiba. A casa foi objeto de inúmeras matérias do Globo e de outros jornais do Rio na época em que Cabral presidia a Alerj, e depois também. Centenas de milhões de dólares em bancos suíços, sacos de joias, diamantes? Tudo isso só veio à tona quando os dois doleiros que trabalhavam para Sérgio Cabral procuraram o Ministério Público e deram literalmente o mapa da mina. E a partir disso O Globo deu furo sobre furo, revelando aos cariocas a roubalheira promovida por Cabral.
Um aspecto escapou a João Moreira Salles. A piauí, revista da qual é dono, foi lançada em outubro de 2006. Sua sede é no Rio de Janeiro e esteve atuante durante os sete anos e meio de governo Cabral. Cabe, então, a pergunta: Se de fato era possível revelar as entranhas de Cabral, por que a própria piauí não o fez? Eis a única conclusão: o ataque de João Moreira Salles ao Globo é a prova de que o significado que ele atribui à pichação “Não fui eu” está corretíssimo. Não foi ele. Nem foi a piauí.
ASCÂNIO SELEME_EX-DIRETOR DE REDAÇÃO E COLUNISTA DO JORNAL O GLOBO_RIO DE JANEIRO / RJ
NOTA CONTRITA DA REDAÇÃO: Vamos lá. Enrubescidos, concedemos parte do argumento. Ainda que (1) sejamos uma revista mensal, não um jornal diário com recursos para apurar e publicar notícias sete dias por semana; (2) que durante os anos Cabral publicamos 87 edições, enquanto O Globo publicou 2 649; (3) que o número de jornalistas contratados pelo Globo para cobrir apenas o estado do Rio de Janeiro – de trinta a 45, dependendo da época – seja bem maior do que a equipe de que dispomos – vinte – para cobrir todo o Brasil; (4) que durante a gestão Cabral tenhamos publicado três extensas reportagens sobre o carro-chefe do governo – a política de segurança –, nas quais prevaleceu nosso ceticismo quanto à viabilidade de longo prazo das iniciativas em curso (título de uma reportagem de 2010 sobre o aspecto midiático das UPPs: “Polícia, câmera, ação”; subtítulo de outra, de 2008, sobre os equipamentos policiais: “Improvisação, precariedade, quebras constantes – Como funcionam os blindados que circulam pelas favelas cariocas”); (5) que essas reportagens tenham ido na contramão da cobertura celebratória do período, em especial a do Globo, que em primeira página chegou a comparar a entrada das Forças de Segurança na Vila Cruzeiro ao desembarque das tropas aliadas na Normandia; (6) e que, no nosso perfil de Cabral, publicado em outubro de 2013, não tenham sido poucas as linhas dedicadas ao oportunismo do então governador, às suas minguadas realizações parlamentares, às suas amizades suspeitas e ao seu estranho enriquecimento –, pois bem: ainda assim, não estivemos à altura. Em retrospecto, diante de tal obra catastrófica, um único perfil crítico de Cabral quando ele já estava em processo de decomposição não parece suficiente – razão pela qual, aliás, não nos ocorreria denunciar o Coaf e a Receita Federal sem antes fazer um exame de consciência.
Ocorre que existem erros de omissão e erros de comissão. Admitimos os primeiros e nos consolamos com o fato de não termos cometido os segundos. A piauí nunca confundiu jornalismo com carícia. O que seria isso? Talvez a reportagem de capa da revista dominical do Globo de março de 2007, em que Cabral aparece com rosto de garoto bem-comportado sob o título “O namoradinho do Rio”. A matéria foi publicada três meses depois de ele tomar posse – muito antes, portanto, de poder mostrar qualquer serviço. Mas por que esperar? Está lá: Cabral “joga firme para viabilizar o polo petroquímico de Itaboraí e aperta as contas na Assembleia Legislativa”; político com mais “prestígio do que dinheiro”, quer levar “transparência para seu governo”; é casado com Adriana Ancelmo, “uma mulher bonita e simples de 36 anos” (e “discreta” também); enfim, só gosta de se cercar “dos melhores”, a exemplo de “Sérgio Côrtes, com um corajoso trabalho à frente do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia”.
De fato, isso nós não fizemos. Não fomos nós. E, a bem da verdade, também não deveria ter sido o Globo, dada a qualidade inquestionável de seus jornalistas, o que inclui o autor daquela matéria da capa (a responsabilidade não pode ser individualizada; imprensa é obra coletiva). Gostamos de pensar que, em casos assim, ficar medianamente constrangido é salutar. O contrário é que é meio esquisito.
SIDARTA SEM ARMA
Salutar reportagem. Gratíssimo. Mas o título, “O monge armado” (Esquina, piauí_139, abril), não foi feliz. Um título mais fiel seria “O tira que se desarmou”.
GERSON FERRACINI_CAMPO GRANDE/MS
CONCURSO MISSIVISTA
Nem sempre a piauí se lembra de publicar minhas cartas, mas a leitora Jéssica Barbosa de Araujo fez a gentileza de me colocar no segundo lugar deste suposto concurso missivista (Cartas, piauí_139, abril). Assim, senti-me impelido a escrever mais esta, começando por comentar a capa da edição 139, que revela os bastidores do ensaio fotográfico da edição anterior, e sua falsidade implícita. Pergunto por que Nadia Khuzina conferiu àqueles personagens nádegas tão bem delineadas, sensuais até, não proporcionais a suas massas e idades. Entendo a necessidade de preservar a ilustração sem os escritos do sumário, mas isso resultou em uma desnecessária quarta capa dupla. Ou era apenas para duplicar o espaço do banco anunciante? Tudo tem seu preço e, mesmo economizando com a equipe de colaboradores, espero que tenham pago mais do que a bolsa-estágio para Yasmin Santos, pelo sincero e profundo artigo que escreveu (“Do lado de cá”, piauí_139, abril), sobre seu primeiro voto e a homenagem a Marielle Franco.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP
NOTA ESTÉTICA DA REDAÇÃO: Jura que você achou as nádegas bem delineadas? Até mesmo a do Rodrigo Maia? Rapaz, o teu critério para nádegas é de uma tolerância espantosa!
DISNEY DO CERRADO
Comentando a reportagem “Mal-estar na caserna” (piauí_138, março), escrita por Fabio Victor, o leitor Roberto Rodriguez Suarez reclamou, na seção de cartas da edição de abril, da seguinte menção: “A ilha da fantasia que é o Plano Piloto.” Segundo ele, trata-se de uma alusão infeliz e inverídica que “nos ofende, brasilienses e candangos moradores e/ou frequentadores do Plano Piloto”. Escrevo para dizer que, como brasiliense, não me senti remotamente ofendido. Trata-se de uma figura de linguagem perfeitamente normal. O texto está, como sempre, bem apurado e contextualizado. E, sim, bem escrito. Segue o jogo!
ANDRÉ CUNHA_BRASÍLIA/DF
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Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Somente serão consideradas as cartas que informarem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação:
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