A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • Desiguais
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Retrato narrado
    • Luz no fim da quarentena
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    CRÉDITO: FAW CARVALHO_2022

poesia

A loucura na órbita da garganta

Gianni Gianni | Edição 190, Julho 2022

A+ A- A

SINTO A LOUCURA NA ÓRBITA DA GARGANTA

Assisto a linguagem capotar da minha boca sempre que chego a isto
uma urgência de esvaziamento o lobo frontal latejando o centro da testa
ponto exato dentro da cabeça onde a intoxicação do desejo murmura:
você é refém. one more time. Não importa
o quanto preste atenção à lua minguante, estou de volta. Não importa
a corrosão ativa do meu corpo, estou de volta.

Quando converso nessa condição, assombram-me tecelãs e odaliscas
puxo tantos fios tantos fios tantos fios do oco do laríngeo que sinto a loucura
na órbita da garganta sinto a confissão esbarrar nas muradas.
Do que estou falando nessa hora? De fantasmas.

 

Não penso que o problema seja a ilusão nem a aridez de que és feito
nem mesmo a imaginação da partilha do mar.
Ainda é a violência do ritmo na carcaça de um touro mecânico de quermesse
o brinquedo que se agita a lugar nenhum valsando o compromisso de susto.

Ontem eu disse que vou casar com você, príncipe.
Isso significa que não nos casaremos.
Você lamentaria, mesmo que nunca me mande mensagens. No dorso do desejo,
eu digo de metralhadora, lanço pela janela o que me vem à mão. São cometas, é lama.

ME CONHECESSE SABERIA

 

Virás a minha casa transar com outra mulher.
É tão cafona essa divisa
ter que escolher entre a paz e os poemas
se você me conhecesse saberia que eu escolho sempre
os mesmos lugares os mesmos pratos
e a mesma paz, príncipe, isso não é coisa que exista
já os mesmos poemas talvez assombrem. Sim,
não escrevo, estou tentando falar. Percebes a órbita? Surdos.
Batuques. Oásis. Maracas. É muito diferente
de quando estava infectada? Não chega nem perto.
O pus na mão ainda muito. Não vou parar
nem que me revires o cinza.

 

UMA ROSA, QUEM DIRIA

Uma rosa, ainda ela, resgate da
fissura por passos perdidos, antiquíssimos.
Uma rosa, quem diria. Uma rosa.
Desviei o pulso no gesto de seguir os passos
de uma rosa. Seu método de começar tantas vezes
pelo curso do tédio, portar o ímã da beleza:
o que fazer com tantas mulheres, príncipe?
O acúmulo trava a energia do amor.
Quem diria, logo você, do árido embrionário da vida
chegar nos termos da rosa. Não esqueço
com que força me arrancastes de uma moldura
cor de tinta – vermelha, é claro – na mão.
Nada de pus. Você nunca se corta. Uma rosa.
Pensei que duraria os giros do bambolê que
eu aguentasse. Escapuliu bem antes
o medo da rosa, quem diria, uma rosa.
Não finjo desprezo desde que nasci
também seco a insistência pois nem sempre
o louvor eleva a força. Como você
dobraria a ossada da rosa? Uma rosa,
cá estou há muitos dias, ante o tremor
o desastre.

 

 

UM POEMA POR MENOS

você se virou bem na hora que eu começava este poema
eu derrubei um ovo no chão do terceiro verso

[sim, ovo quebrado]

sujeira escorrendo na página
é o que dá olhar o desejo de frente
é claro que vão falar mal deste cheiro
se xingam um poema por menos
duvido muito que alguém leia um poema com cheiro de ovo

– por que tu não limpa antes que eles cheguem?
você me diz.

– hora de renunciar a trapaça, príncipe.
o que mais eu poderia ter dito?

Gianni Gianni

É jornalista, escritora e apresentadora do podcast Fratura

Leia Mais

poesia

Presídio político Maria Zélia, 1936

Um poema inspirado na história de militância política da família Abramo

30 mar 2026_19h48
poesia

Ser poesia é estar verde in natura e também brasa lenha fumaça

02 mar 2026_19h44
poesia

Escavo o papel atrás de uma frase oculta

03 fev 2026_14h49
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30