A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • Desiguais
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Retrato narrado
    • Luz no fim da quarentena
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Frutos sonoros

A arte de converter cabaças em música

Felipe Fernandes | Edição 225, Junho 2025

A+ A- A

De pé logo que nasce o Sol, Joseildo Ivanildo da Silva segue para o roçado nos fundos de seu sítio de 2 hectares no bairro Riacho do Navio, em Escada, na Zona da Mata de Pernambuco. Trabalha no campo até as oito da manhã, arando a terra e combatendo as pragas que atacam a plantação de cabaça – um fruto não comestível da família da melancia e do melão. Às seis da tarde, ele retorna ao terreno para intervir na polinização da planta. “É o único momento do dia que a flor da trepadeira se abre. A gente transfere o pólen da flor macho para a fêmea manualmente. As abelhas e as mariposas não conseguem polinizar todas”, explica.

É a rotina puxada de um pequeno produtor rural. Mas Silva não faz só isso: ele é percussionista, educador cultural e luthier – fabricante de instrumentos musicais. Conhecido na vizinhança como Jó Percussivo ou Mestre Jó, Silva tem 45 anos e desde os 30 fabrica profissionalmente instrumentos de percussão. Também domina a delicada técnica da semeadura e da polinização de uma de suas matérias-primas, a cabaça. O fruto vem da cuieira, planta rasteira conhecida em outras regiões como coité ou cuietê.

Na oficina de sua casa, Silva trabalha ao lado de sua mulher, Micheline Mariana de Lima, de 44 anos, e do filho mais jovem, Jobson Augusto Lima da Silva, de 19. Eles fabricam doze instrumentos diferentes – entre eles, o caxixi, o xequerê e o berimbau –, usados em diversos gêneros populares: forró, coco, ciranda, frevo, maracatu. Além da cabaça, o mestre também trabalha com o couro de bode, que compra de criadores locais. Ele curte o couro cru de forma artesanal para empregá-lo na confecção de pandeiros e alfaias.

 

 

Silva nasceu nos arredores do Pé da Serra, um dos setenta engenhos de cana-de-açúcar hoje inativos na zona rural de Escada. Mudou-se para a área urbana do município ainda criança. Sua iniciação na música, meio improvisada, foi com um instrumento de percussão muito diferente daqueles que fabrica hoje. “Conheci um tecladista que tocava em barzinho e não tinha nenhum percussionista que o acompanhasse”, ele recorda. “Comecei com um pandeiro de plástico.” Dos 19 aos 30 anos, integrou uma banda que animava bailes.

Por essa época, começou a trabalhar com a cabaça. “Eu comprei o fruto e fui tentando transformar em um instrumento. Sempre fui autodidata”, conta, com orgulho. “Eu já vivia nesse mundo da música e havia aprendido a tocar violão, teclado, zabumba e ganzá. Mas foram os orixás que me apresentaram a cabaça. Ela estava guardada para mim.”

Com o tempo, Silva foi deixando o palco para se dedicar exclusivamente à confecção de instrumentos. Especializou-se no cultivo da cabaça, mas logo percebeu que seu sítio não bastaria para suprir a demanda dos clientes. Conseguiu expandir a produção para outras cidades, com a ajuda de amigos. Hoje, ele envia sementes de cuieira para colegas produtores em Belo Jardim, Fazenda Nova e Brejo da Madre de Deus, no interior pernambucano. “Eles plantam em dezembro, quando começa o período de chuva no agreste e no sertão. Eu, em 19 de março, o Dia de São José, a mesma data em que se começa a plantar o milho no Nordeste.”

 

A colheita da cabaça é feita de 4 a 6 meses depois do plantio. Silva estima a safra anual de seu sítio em torno de 2 mil frutos, destinados exclusivamente para os instrumentos. Dos que recebe de produtores parceiros, ele seleciona os melhores e vende o excedente. A cabaça – que pode medir até 1 metro de comprimento e 70 cm de largura – é usada para fazer outros produtos, como cuias, moringas e brinquedos.

A fabricação de um instrumento é um processo trabalhoso. As cabaças são secas ao Sol. O mestre então seleciona as mais vistosas. Quanto mais fina e dura a casca, melhor: o som fica mais potente, e o instrumento, mais leve. Silva então abre os frutos, um por um, para esvaziá-­los das sementes. Lixa e dá o polimento.

Na criação de um xequerê, as cabaças são revestidas com tarrafas de náilon – as mesmas usadas para pesca – e enfeitadas com miçangas e sementes coloridas, trançadas uma a uma. É do choque das sementes com a cabaça que sai o som particular do xequerê. O mestre também pinta os instrumentos, às vezes com padrões que lembram a bandeira de Pernambuco. “Tento inovar sempre”, diz.

 

 

Os instrumentos de Silva são vendidos pela internet, em um site próprio e nas redes sociais. “A época em que eu mais ganho dinheiro é no Carnaval e no São João, mas recebemos pedidos o ano inteiro”, conta. Ele tem clientes em diversas cidades do Brasil e também em outros países.

Seu ateliê é hoje um dos 150 espaços reconhecidos pela Secretaria de Cultura de Pernambuco como ponto cultural, graças ao papel que exerce na comunidade. Pelo menos uma vez por semana o local recebe turmas de estudantes da rede municipal e grupos de turismo rural, para oficinas de produção dos instrumentos percussivos e aulas de iniciação musical. “A gente tenta repassar para eles também a importância da sustentabilidade durante o processo de fabricação”, explica Silva.

O luthier admite que o palco deixou saudade. “A sensação de tocar com um instrumento que eu mesmo tinha feito era única. Era íntimo, profundo.” Mas ele está feliz com suas realizações. Casado há 25 anos, com dois filhos e três netos, acredita que abandonou a carreira de músico porque ouviu um chamado para outra vocação, que ele descreve assim: “Testar novos formatos e sonoridades como artesão, manter viva a ideia dos meus ancestrais e levar a percussão para lugares ainda mais distantes.”

Felipe Fernandes
Felipe Fernandes

Jornalista, é colaborador de textos e vídeos na piauí

Leia Mais

esquina

Banho de axé

O terreiro de candomblé que abriga um spa em Salvador

03 mar 2026_15h06
esquina

Os imortais da bola

Uma nova Academia Brasileira de Letras surge no país

03 mar 2026_15h03
esquina

Voto de riqueza

Os shows e as festas do padre Fábio de Melo

03 mar 2026_14h58
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30