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    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2026

esquina

Não tem cupim na folia

Um bloco faz 100 anos no Carnaval do Recife

Felipe Fernandes | Edição 233, Fevereiro 2026

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Quem entra na sede do Madeira do Rosarinho, na Zona Norte do Recife, dá de cara com duas estantes de vidro que vão do chão ao teto, abarrotadas de troféus. São cerca de 35 conquistas nos desfiles de blocos da cidade, acumuladas ao longo de um século de carnavais. Sim, um século: em setembro, o Madeira celebra seu centésimo aniversário.

As disputas em que o Madeira amealhou seus prêmios acontecem no domingo de Momo, no Centro da cidade. Os juízes avaliam os blocos líricos – como são chamadas as agremiações que resgatam o frevo de bloco, com melodias poéticas e saudosistas – por critérios como confecção das fantasias, elegância do porta-flabelo (a pessoa que porta o grande leque ornamental), afinação da orquestra e do coral, e postura dos integrantes das alas. O troféu mais recente do Madeira entrou para a vitrine em 2024, quando a agremiação conquistou o segundo lugar.

Entre as estantes, bem no meio da parede, está pintada a letra de Madeira que cupim não rói, marcha de bloco composta por Lourenço da Fonseca Barbosa (1904-97), mais conhecido como Capiba. Regravada por artistas co­mo Alceu Valença, Antonio Nóbrega, Almir Rouche e Nena Queiroga, a música tornou-se um dos frevos mais conhecidos do Brasil.

 

Adotada como hino pelo Madeira, a canção ainda está longe dos cem anos: surgiu de uma derrota traumática do bloco, no Carnaval de 1962. O vencedor naquele ano foi o Batutas de São José, resultado que os madeirenses consideram injusto até hoje. Os dirigentes do Madeira encomendaram a Capiba, já então um consagrado compositor de frevos, uma música que expressasse todo o desgosto provocado pela decisão dos juízes.

No Carnaval seguinte, o Madeira se apresentou diante da comissão julgadora sem subir à passarela, usando panos pretos nas vestes como sinal de protesto e entoando o frevo recém-criado:

Não vem pra fazer barulho,
Vem só dizer… e com satisfação,
Queiram ou não queiram os juízes,
O nosso bloco é de fato campeão.
E, se aqui estamos, cantando essa canção,
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói.
Nós somos madeira de lei que cupim não rói.

 

 

O Madeira foi fundado por três amigos no bairro Rosarinho, em 7 de setembro de 1926. Conta a história que eles haviam brigado com o bloco Inocentes do Rosarinho e tiveram a ideia de fundar uma agremiação dissidente durante uma conversa à sombra de um pé de gogoia. Daí seu primeiro nome: Bloco Carnavalesco Gogoia.

Tempos depois, os três amigos compraram um espaço para abrigar a sede do bloco, mas foi preciso fazer uma reforma completa na edificação: construída toda em madeira, ela foi refeita em alvenaria. O trio achou por bem, então, rebatizar o bloco como Madeira do Rosarinho.

Nessa mesma época, outros blocos carnavalescos surgiram na cidade, como o Andaluzas em Folia, o Cartomantes do Recife, o Bloco Concórdia e o Pyrilampos de Tejipió. “Com a modernização dos espaços públicos, as ruas passaram a ser vistas como um lugar civilizado, e o Carnaval de bloco virou um símbolo de novidade. O que hoje é chamado de tradicional, lá atrás era inovador”, explica Lídia Rafaela Nascimento dos Santos, historiadora especialista em festas populares. Dos blocos arrolados, apenas o Madeira segue desfilando.

 

A sobrevivência do bloco da agremiação centenária não depende de patrocinador. O Madeira se mantém por meio de eventos promovidos na sede erguida nos anos 1920, que tem capacidade para 1,5 mil pessoas. Todos os sábados, o lugar realiza uma noite de brega. Uma vez por mês, promove um bingo dançante. “O bloco só continua existindo porque temos essa sede”, afirma Regivaldo de Santana – ou Duca, como é conhecido no bairro –, presidente da agremiação há sete anos.

O Madeira recebe da prefeitura uma ajuda de custo de 24 mil reais para montar seu desfile de Carnaval. O subsídio é concedido a todos os integrantes do grupo especial, que inclui mais quatro blocos: Com Você no Coração, Flôr da Lira, Flor do Tamarindo e Batutas de São José. A quantia, segundo Duca, cobre apenas uma parte das despesas. “Só no dia do desfile, eu pago 6,5 mil reais de cachê aos músicos e de transporte dos foliões. Fora o que gasto nos meses de preparação”, ele diz.

 

Desde meados do ano passado, as noites de terça-feira na sede estão reservadas para os ensaios das três músicas do desfile mais esperado da história do Madeira: o do centenário, previsto para o domingo de Carnaval, dia 15 de fevereiro. A canção Paraquedista ironiza a rivalidade com o Inocentes do Rosarinho, bloco que não desfila desde 2016:

Quem me chamou paraquedista,
Não pense que eu vou parar.
A vida só é boa assim,
Compõe tu de lá
E eu de cá.

As outras duas canções são: Assim não me convém e a tradicional Madeira que cupim não rói. O tema do desfile, claro, será “Madeira que cupim não rói – 100 anos”. Em busca de seu sétimo campeonato, o bloco preparou, entre outras novidades, uma espécie de carro alegórico em formato de bolo de aniversário, que terá, dentro, um bolo real. Vão desfilar 150 foliões, divididos em cinco alas. As duas primeiras são as tradicionais do cordão:  a ala com dirigentes e membros destacados do bloco, e a ala das damas – que remete ao tempo em que as “damas da sociedade” desfilavam com destaque, exibindo longos vestidos, sombrinhas e leques.

As outras três alas homenageiam figuras que marcaram a história do bloco e de Pernambuco. A ala Capiba reverencia o compositor do hino do bloco. A ala Ariano Suassuna (1927-2014) presta tributo ao autor de Auto da compadecida (em cujo velório Madeira que cupim não rói foi entoada por amigos e familiares). A terceira homenageia Eduardo Campos (1965-2014), governador do estado que transformou o frevo em trilha sonora de suas campanhas eleitorais.

Três costureiras, uma bordadeira e um carnavalesco estão empenhados na elaboração das fantasias, com as cores do Madeira: verde, vermelho e branco. Todo o figurino será feito do zero. “Carnaval é reciclagem, mas eu mandei fazer tudo novo”, diz Duca. “A cobrança da comunidade é grande, e o desfile precisa ser à altura do centenário. Tem de honrar a história.”

Felipe Fernandes
Felipe Fernandes

Jornalista, é colaborador de textos e vídeos na piauí

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