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A conduta do STF, a  CPI do INSS e a eleição na Internet

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A conduta do STF, a CPI do INSS e a eleição na Internet

| 06 fev 2026_10h08
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:

Conteúdos citados neste episódio:

“A contaminação”, reportagem de Consuelo Dieguez para a piauí.

“Parentes de ministros do STF têm 70% dos casos no Supremo e STJ após posse de familiares”, levantamento de Weslley Galzo e Hugo Henud para O Estado de S. Paulo.

“Evento da OAB em Madri com ministros do STF e advogados é cancelado em meio a debate sobre código de conduta”, coluna de Lauro Jardim para  O Globo.

“Com venda casada, fraude vai a R$ 219 bi?”, coluna de Rômulo Saraiva para a Folha de S. Paulo

 

Momento Cabeção

No “Momento Cabeção”, quadro em que os apresentadores indicam livros, filmes, podcasts e documentários aos ouvintes, eles sugeriram as seguintes leituras:

 

Celso: The Book of Records: A Novel – romance de Madeleine Thien

 

Ana Clara: Ela é carioca, livro de Ruy Castro

Jessé – As Canções de Zeca Pagodinho, álbum de Teresa Cristina

 

 

Fernando: Os prisioneiros, livro de Rubem Fonseca.

A coleira do cão, livro de Rubem Fonseca.

Feliz Ano Novo, livro de Rubem Fonseca.

Lúcia McCartney, livro de Rubem Fonseca.

O Cobrador, livro de Rubem Fonseca.

 

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO

Sonora: Rádio Piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá! Sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí.

Sonora: Reitero o compromisso ético que todos devemos ter no exercício das funções públicas.

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!

Ana Clara Costa: Oi, Fernando. Oi, pessoal!

Sonora: Vocês estão pagando as pessoas com dinheiro do contribuinte, nosso dinheiro. É porque essa CPMI começou a jogar luz sobre esse esgoto da ladroagem na previdência brasileira.

Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta feira.

Sonora: É imprescindível que o comportamento de cada magistrada, de cada magistrado, seja legítimo, confiável e transparente.

Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira. Vamos, sem mais delongas, aos assuntos da semana. Jogando de dobradinha, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli se insurgiram no plenário do Supremo Tribunal Federal contra a ideia ou a iniciativa do presidente da Corte, Edson Fachin, de elaborar um código de conduta para regrar os passos dos ministros. A reação de Moraes e Toffoli escancara a divisão dentro do tribunal a respeito de medidas moralizadoras. O mal estar levou Fachin a cancelar um almoço entre os magistrados, marcado para o dia 12, almoço que deveria justamente discutir um cronograma para a implementação do Código de Ética. Alguns ministros já tinham avisado que não compareceriam, alegando, entre outras coisas, que estariam viajando para o carnaval. Não espanta se se encontrarem todos no Tayayá para curtir os festejos momescos. “O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas e dar palestras. E como o magistrado, só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aulas na universidade”, disse Moraes, como se fosse esse o problema. Eu vou lembrá-lo: quatro meses depois que o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, fechou um contrato de 129 milhões de reais com o Banco Master, Moraes estava em Londres, ele e outros ministros, para participar de um convescote patrocinado pelo banco de Daniel Vorcaro, num dos hotéis mais caros do planeta. O evento de luxo foi batizado de Seminário do Xandão. O problema, portanto, todos sabemos, não está nem nunca esteve nas aulas da universidade. Dias Toffoli, por sua vez, defendeu a certa altura que os juízes podem ser sócios de empresas, desde que não sejam dirigentes dessas mesmas empresas. Vou citar de novo: “vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”. Endossando o colega, Alexandre de Moraes lembrou que a Lei Orgânica da Magistratura só proíbe que juízes sejam sócios, dirigentes de empresas. E acrescentou: “Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter uma aplicação no banco, ter ações no banco. Ah, é acionista do banco? Então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro”. E Dias Toffoli, de Calcutá, completou o jogral: “teria que doar a sua herança alguma entidade de caridade”. Eu estou fazendo essas longas citações porque esses senhores estão escarnecendo da inteligência das pessoas. Parecem não ter ideia do que significa e o que implica o fato de ser escolhido para pertencer à mais alta corte do país. A gente está diante de uma senhora crise e vamos falar dela no primeiro bloco, junto com as novidades do escândalo do Master. No segundo bloco, a gente vai tratar da CPI do INSS, instalada em agosto do ano passado, para investigar fraudes e descontos indevidos nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. A comissão terminou o ano sem relatório final e virou palco de disputa política em ano eleitoral. Os governistas miram em Flávio Bolsonaro e a oposição avança sobre o entorno de Lula, especialmente sobre seu filho Fábio Luiz, o Lulinha, que tem relações ainda pouco claras com o lobista Antônio Carlos Camillo Antunes, Careca do INSS, um dos pivôs do escândalo. Nesta quinta-feira, porém, os parlamentares governistas e da oposição entraram em acordo e barraram a votação de requerimentos que tinham alvos dos dois lados. Também foram adiados os requerimentos de quebra de sigilo do Banco Master. E a gente vai entender por quê. E no terceiro bloco, a gente vai tratar do Tribunal Superior Eleitoral, que já está definindo as regras das eleições deste ano. Em 19 de janeiro, o tribunal publicou as minutas das resoluções que disciplinam propaganda eleitoral, uso das redes sociais, pesquisas e fiscalização da eleição. Desde terça-feira dessa semana, o TSE abriu o ciclo de audiências públicas para ouvir a sociedade civil, os partidos, as associações e as empresas. Hoje, dia cinco, enquanto gravamos, entra em debate o tema mais sensível: propaganda eleitoral. A principal controvérsia está na minuta do ministro Kássio Nunes Marques, que é vice-presidente do tribunal e assumirá a presidência em agosto, minuta que agora está em consulta pública. O texto afrouxa a proibição de impulsionamento pago de conteúdo crítico ao governo, desde que não mencione diretamente a eleição. Isso pode abrir espaço para ataques patrocinados antes da campanha oficial. Pela proposta, críticas pagas à administração pública deixam de ser consideradas propaganda antecipada negativa, o que na prática, é uma licença para campanhas paralelas com financiamento e pouca, ou nenhuma, fiscalização. Não por acaso, o PT pediu a retirada desse dispositivo. Essa proposta legalizaria o que hoje pode ser enquadrado como abuso. Em 2024, por exemplo, Pablo Marçal transformou a eleição numa máquina de cortes, desafios e vídeos virais pagos com ataques sistemáticos impulsionados por dinheiro. Na época, a Justiça reconheceu o abuso. Pelas novas regras, operações desse tipo podem passar sem punição. Seria um liberou geral em tempos de inteligência artificial. É isso. Vem com a gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, Celso. Vamos começar com você. Nem mencionei que na segunda-feira, na abertura dos trabalhos do Supremo, o Fachin designou a Cármen Lúcia para ser a relatora desse projeto de código de conduta, etc. E dois dias depois, já levou essa rasteira, em plenário, da dupla dinâmica. Em que pé estamos?

Celso Rocha de Barros: É isso mesmo, Fernando. Eu acho a proposta do Código de Ética uma boa proposta e, inclusive, tem muita gente que pergunta: “Mas será que isso vai ter alcance? Tem alguma consequência?”. Eu acho que se não tivesse alcance nenhum, não teria tanta resistência, não teria tanta gente se insurgindo contra ele. A iniciativa do Fachin parece ser um pouco inspirada no que a Suprema Corte americana fez alguns anos atrás. Em 2023, a Suprema Corte americana adotou um código de ética para o comportamento dos seus juízes, que tem muitos pontos semelhantes ao que o Fachin está querendo emplacar aqui no Brasil. E até para a gente não ficar com essas histórias que “só no Brasil, que não sei o que lá”… Lá também foi impulsionado por denúncias de promiscuidade dos ministros da Suprema Corte americana com os ricos americanos, em especial os ministros Clarence Thomas e Samuel Alito, o Clarence Thomas em especial. Aparentemente, essa coisa do Toffoli ir na final da Libertadores, no avião do empresário lá, não sei o que lá, isso era todo final de semana com Clarence Thomas, porque ele, basicamente, viajava pelo mundo, cruzeiros por ilhas paradisíacas e tudo, pago por empresários que tinham casos lá na Suprema Corte. E o Samuel Alita, o mesmo fenômeno, com escala um pouco menor, porque, aparentemente, era difícil ser na mesma escala do Clarence Thomas. E aí, quando essas denúncias apareceram, ficou muito mal para a imagem da Suprema Corte americana, eles adotaram um código de ética. O código americano pede também, como no caso aqui da proposta do Fachin, que os juízes da Suprema Corte americana se declarem impedidos quando um caso que for ser julgado na Suprema Corte a envolver os escritórios de advocacia de familiares, parentes. E, como vocês podem ver, é um problema mundo afora, né? O Estado de São Paulo agora, no dia 4 de fevereiro, publicou uma excelente matéria. Um grande levantamento feito pelos jornalistas Weslley Galzo e Hugo Henud, que mostra um levantamento das ações no STF e no STJ que envolvem escritório de advocacia de parentes dos ministros do STF. E eles mostram que é muito frequente que esse número suba bastante depois da posse do ministro, que evidentemente alguns desses filhos e mulheres, etc, São advogados competentes que já tinham casos antes os seus pais, seus maridos, etc, serem indicados para o STF. Mas o que fica claro é que para os clientes, o fato da pessoa ser um parente de um ministro do STF claramente conta.

Fernando de Barros e Silva: É o que conta, né Celso? Acho que a matéria documenta aí essa sensação que a gente tem.

Celso Rocha de Barros: Então, isso varia de caso para caso, eu acho, de ministro para ministro.

Fernando de Barros e Silva: Mas está presente quase sempre, né?

Celso Rocha de Barros: Em geral aumenta. Mas, por exemplo, no caso do filho do Rodrigo Fux, dos 500 processos que estão no STJ, 496 foram depois que o Fux se tornou ministro do STF, entendeu? Então, assim parece um padrão bastante claro. No caso do Flávio Dino é menos, mas aqui a gente também… Para saber o quanto menos teria que o gráfico mostrar também quanto tempo a pessoa está advogando, porque o que talvez como proporção seja pequeno, seja uma aceleração grande depois que o cara entrou.

Fernando de Barros e Silva: A gente tem que ver quem são esses quatro heróis que contrataram o filho do Fux antes de ele virar ministro. Os outros 496.

Celso Rocha de Barros: Entendeu? Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Pelo amor de Deus. .

Celso Rocha de Barros: O padrão, é claro, mesmo que varie bastante, e varia bastante, entre os ministros. Então, enfim, está bastante claro que no mínimo tem uma atividade que é suspeita e faz mal à imagem do STF. Claro que nem todos esses casos devem ser picaretagem, entendeu? Nem todos esses filhos devem ser picaretas, ou igualmente picaretas, mas é claramente uma aberração. Então, eu acho que a adoção do código de Ética que limite isso é claramente positivo, mesmo que não tenha dentes, mesmo que não tenha punições muito claras, efetivas. Eu acho que o código de ética é uma arma para a sociedade civil. Então, por exemplo, o jornal pode fazer a manchete Toffoli viola código de Ética do STF, entendeu? E a grande diferença no caso, você diz: “pô, mas ele já violava as normas comuns da decência”. Sim, mas ao contrário das normas comuns da decência, o Código de Ética do STF, o Toffoli vai ter que aprovar. Ele vai ter que dizer que concordou com ele, para esse código entrar em vigor. Então, daí em diante, ele tem um tipo de compromisso que é diferente. E sobre o fato de não ter, por exemplo, uma instituição superior que puna o pessoal do STF, eu acho que as pessoas estão subestimando o quanto isso seria perigoso, porque se você tiver uma instituição que possa punir os ministros do STF, independentemente, todo mundo que está aparelhando o STF, vai aparelhar essa instituição. O grande troféu da República passa a ser enfiar um cara nesse órgão que tem poder de demitir o ministro do Supremo, porque o cara que conseguir indicar o cara para esse órgão nunca vai ser condenado no Supremo. Então você criar uma instituição desse tipo é perigosíssimo. E fora que aí você só repõe o problema porque aí os filhos dos caras que são desse órgão, entendeu?

Ana Clara Costa: Que seria mais um órgão para…

Celso Rocha de Barros: É só um outro troço que vai ser sujeito a captura. O ideal, naturalmente, é a autorregulação mútua entre Congresso e STF, em que o Senado, inclusive, tem possibilidade de fazer impeachment dos ministros. E vários ouvintes aqui podem já ter tido opiniões, ao longo das últimas décadas, de ministros que você achava que devia ter sido impichado, por um motivo ou pelo outro. Eu, certamente, teria a minha lista, mas assim, é bom que isso seja difícil, porque seria gravíssimo se fosse fácil…

Fernando de Barros e Silva: Claro…

Celso Rocha de Barros: Tirar um ministro da Suprema Corte não é fácil em lugar nenhum do mundo. Agora, o que é uma pena que o instrumento esteja completamente desmoralizado, é porque o bolsonarismo quer usar isso para dar um golpe de Estado. Por que ninguém levanta isso nas questões atuais? Não sei o quê? Porque todo mundo sabe que se você levantar isso e jogar para dentro do Senado, ano que vem, o Bolsonaro tem uma bancada grande no Senado, e, em vez de você punir o cara por ser picareta, você vai punir o cara por ter condenado o golpista. Então, enfim, o mecanismo de equilíbrio que existiria nesse caso, que seria a atuação do Congresso, está castrado pela existência do bolsonarismo na Câmara. Agora, a ideia de criar um outro organismo que cuidasse disso, eu realmente acho uma ideia ruim. De modo que eu acho que o código de ética ajudaria mesmo. Eu acho que o Fachin está fazendo bem e nomeou bem a Cármen Lúcia para cuidar disso. A Cármen Lúcia não aparece em nenhuma dessas histórias esquisitas que a gente vê, né?

Celso Rocha de Barros: Enfim, ela não participa desses eventos.

Celso Rocha de Barros: Ela nunca está nessas histórias, como, aliás, Rosa Weber também não estava e Ellen Gracie também não estava. Talvez haja um padrão aqui, não sei. E então a indicação dela parece um negócio bastante bom para você dar credibilidade ao processo.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, até escrevi isso, que acho que a necessidade de um código de conduta é um pouco infantilizante, mas você tem um ponto aí nisso tudo que você falou. Eu concordo. É porque é até meio ridículo você falar para o cara que não pode andar de avião com o advogado do banco que você julga.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. É, o ideal é que fosse óbvio, né?

Fernando de Barros e Silva: Não pode sair do Supremo e virar consultor do Banco Master e depois virar ministro da Justiça e o seu escritório continuar trabalhando para o Banco Master, só que não é você, é seu filho. Enfim, coisas muito escandalosas assim, muito impróprias, né? Na fronteira do que é ilícito mesmo e é imoral.

Celso Rocha de Barros: E a gente não sabe se um outro caso não pode ter cruzado a fronteira do que é ilícito.

Fernando de Barros e Silva: Exato. Exato. Ana Clara, vamos lá.

Ana Clara Costa: Bom, antes de falar do tema presente, eu queria só resgatar um pouco temas passados, porque você escolheu, e não por acaso você escolheu, Fernando. Você escolheu porque elas foram as falas mais contundentes sobre esse tema, as falas do Alexandre de Moraes e do Toffoli. E você sabe que os dois, desde enfim, de algum tempo, que eles têm feito uma certa dobradinha e muitas coisas, né? O Alexandre de Moraes e o Toffoli. E é uma dupla improvável, né? Mas eles são muito amigos. Eles fizeram São Francisco juntos. Eles se formaram no mesmo ano, em 1990. Então eles se conhecem, enfim, há muitíssimos anos, quando o Toffoli em 2019, abriu aquele inquérito que passou a ser chamado de Inquérito do fim do mundo, né? Foi bem no primeiro ano do governo Bolsonaro, aquele caos nas redes sociais, os ataques totalmente incontroláveis ao Supremo e o Bolsonaro fazendo tudo aquilo, as notícias falsas, um monte de, enfim, né? A gente lembra daquilo, parece que foi outra outra dimensão, né? E aí o Toffoli abriu aquele inquérito, de ofício, que já foi uma coisa totalmente inédita, né? Ele abriu o inquérito de ofício, sem a PGR pedir, sem nada, provavelmente porque a PGR do Augusto Aras não pediria de qualquer forma. E aí ele tava em Portugal, o Toffoli, quando ele abriu esse inquérito e ele ligou para o Alexandre de Moraes, lá de Portugal, e falou para ele ser o relator do inquérito. O que também é algo bastante atípico, porque o inquérito tem que passar por sorteio, né? E ele não quis que passasse por sorteio e determinou que o relator seria o Alexandre. A partir disso, tudo relacionado ao golpe caiu com o Alexandre por causa desse inquérito. O caso das fake news e tal. Esse inquérito em si acabou sendo desmembrado e dando origem a outros inquéritos, etc, em que o Alexandre também era o relator de tudo. E aí os dois, de novo, são as partes, digamos, mais melindradas por esse caso master, cada um pelas suas razões. Eu achei só que valia a pena resgatar esse histórico.

Fernando de Barros e Silva: Tem um capítulo horroroso dessa dobradinha que foi a censura à revista Crusoé, não é isso?

Ana Clara Costa: Crusoé. Exato.

Fernando de Barros e Silva: Quando eles iam fazer matérias falando que “o amigo do amigo do meu pai”.

Ana Clara Costa: Fizeram, né? Eles fizeram essa matéria.

Fernando de Barros e Silva: Fizeram.

Ana Clara Costa: E ela foi tirada do ar.

Fernando de Barros e Silva: Exato. Foi a dobradinha Toffoli Alexandre de Moraes que executou essa manobra.

Ana Clara Costa: É porque você vê, né? Agora, trazendo para o presente, o Gilmar Mendes, ele não é a favor desse código de ética. A cara do Celso.

Fernando de Barros e Silva: Por supuesto, como diria.

Celso Rocha de Barros: Falei nada.

Ana Clara Costa: Mas ele é um pouco mais sutil nas suas declarações sobre o tema. Ele fala que a legislação já contempla a conduta ética. Isso já foi definido em outra decisão do Supremo em 2023, se eu não me engano, que abria espaço para a atuação de parentes e tal.

Fernando de Barros e Silva: É um desassombro. Esses caras estão sob esse ataque, merecido, e eles falam com desassombro com uma coisa que é realmente constrangedora. Muito… É muito preocupante o que sinaliza daqui para frente, no ano eleitoral e à luz do que eles fizeram de importante no passado recente, que foi o julgamento histórico, o Celso falou disso no ano passado. Bastante.

Ana Clara Costa: O Toffoli fala que os magistrados têm todo o direito de receber seus dividendos, desde que não participem da administração da empresa, que é o que o Gilmar faz com o IDP. Ele, em tese, não tem nada a ver com o IDP, mas é o filho dele que tem tudo a ver. Depois ele diz que vários magistrados são fazendeiros, vários magistrados são donos de empresas e eles não estão exercendo a administração, então tem todo o direito de receber seus dividendos. Enfim, começa que assim, um magistrado ser fazendeiro teria que necessariamente ser herança. Porque por mais que os juízes e ministros do STF ganhem muito bem e tenham…

Celso Rocha de Barros: Se não for herança é meio estranho.

Ana Clara Costa: E, assim, não são só ações no Supremo, por exemplo, a partir do momento que os ministros do Supremo têm uma conduta como essa, isso abre espaço para que, em todas as outras instâncias do Judiciário, isso aconteça também. Ou o contrário, ou os juízes do Supremo estão apenas replicando o que acontece em todas as instâncias do Judiciário. A gente não sabe o que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Mas o fato é que uma conduta ética da parte dos ministros, abriria espaço para aplicação de, inclusive penalidades para juízes de instâncias inferiores. Por exemplo, tem uma reportagem do Luís Vassalo no Estadão que foi publicada em 2023, em que ele faz um levantamento de todos os processos de recuperação judicial do país, e a maior parte dos advogados que estavam atuando nesses processos de recuperação judicial, processos bilionários como da Oi e das Americanas, eram advogados ligados a ministros ou do STJ ou do STF. No caso do STF, o Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. Somadas, essas recuperações judiciais eram de uma cifra monstruosa 90 bilhões de reais, segundo o levantamento do Estadão. E o que acabaram descobrindo ao longo dessas recuperações judiciais foi que os juízes passaram a ceder a, digamos, pressões financeiras das empresas em questão, foram afastados dos casos, deram pareceres favoráveis a coisas absolutamente inaceitáveis e acabaram sendo afastados e tal. Então, o que acontece no Supremo é uma coisa que resvala para todo o sistema. O sistema também nasceu, de certa forma, o sistema judiciário, dentro de uma elite, em que os juízes, desde que existe o sistema de justiça, pertencem a famílias que têm dinheiro, que têm posses, que se relacionam com o capital, de uma certa forma, né? E eu acho que a gente está vivendo uma época em que você tem pessoas chegando no Supremo ou no STJ, que não são pessoas que vieram de famílias abastadas ou que tem heranças, que vivem no contexto de uma elite dominante. Ali, você tem gente chegando no Supremo hoje, que vem de uma origem humilde, né? Então, a riqueza desses ministros hoje não dá para você atribuir a outra questão que não o trabalho deles como juízes, os penduricalhos que são recebidos, as palestras que são dadas… E é uma coisa que, enfim, tem que ser discutida pela sociedade. Eu concordo com você, Celso, quando você diz que que o código de ética, enfim, a gente está discutindo uma coisa meio óbvia, né? Mas independente de ser óbvio ou não, a discussão lá, o fato de haver essa tentativa do Fachin acaba suscitando uma discussão na sociedade sobre isso, né? E a gente não tava discutindo isso em outros momentos porque outras coisas estavam acontecendo.

Fernando de Barros e Silva: É, o caso Master destampou isso tudo, está mostrando coisas que a gente preferia que não existissem dentro da corte inclusive.

Ana Clara Costa: Agora, como resultado, por exemplo, o Lauro Jardim deu na coluna dele no domingo passado, que o evento que a OAB faria em Madri foi cancelado porque ia ser aquele trem da alegria, né? Levar todo mundo, enfim, né, para Madri, a gente já sabe, foi cancelado porque não tem clima, entendeu? Então, assim, isso já é um efeito. No entanto, tem um outro evento que está mantido ainda, que é o evento em Frankfurt, que também está no calendário de eventos dos ministros do Supremo quase todo ano e que para esse ano ainda está mantido esse evento de Frankfurt é, em geral, no segundo semestre, né? A gente não sabe se perdura até lá, mas no Supremo, embora só o Alexandre de Moraes e o Toffoli tenham vocalizado opiniões com tanta certeza sobre o que é certo e errado sobre isso. De uma forma geral, os ministros acham que isso não vai dar em nada. A maioria, to dizendo, não to dizendo que são todos ta, mas existe uma uma avaliação majoritária, digamos, de que isso vai ser tocado, eles vão ficar tocando a bola até o assunto dar uma acalmada e, no final, acaba, enfim, saindo uma regra meio genérica só para não ficar muito feio para o Fachin, mas que na verdade não vai mudar em nada. Então, é isso que eles estão apostando, que eles vão ficar ali, mas com a plena certeza de que o foco da opinião pública vai mudar e que, em razão disso, o Fachin vai acabar conseguindo, no final do mandato dele como presidente da Corte, aprovar uma coisinha para não dizer que não aprovou nada, que o efeito prático vai ser quase nulo. Essa é a convicção deles hoje. Retrato de hoje.

Fernando de Barros e Silva: Esse comportamento desses ministros vai criar as condições, já está criando as condições para que, depois da eleição, a gente tenha a campanha pelo impeachment de ministro da corte. A depender da formação, da configuração política do Senado. Enfim, não tenho bola de cristal, mas as condições para que isso se desemboque numa coisa desse tipo e pelas razões erradas, como o Celso levantou, não pelas boas razões.

Celso Rocha de Barros: É, se tiver impeachment de ministro no STF, no Senado, a minha aposta que vai cair gente que foi contra o golpe e os cara mais picareta vão continuar lá sim.

Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente encerra o primeiro bloco do programa. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta, vamos continuar falando, de alguma maneira, do Banco Master e da CPI do INSS. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você. A CPI do INSS é um feixe de interesses políticos. Tem para todo gosto, né? Tem, de um lado, gente que quer investigar o Lulinha. De outro lado, os bolsonaristas. Existe uma intersecção dessa CPI com o Banco Master. Estava marcado no depoimento do caro para o final de fevereiro, agora dia 26, e foi desmarcado ontem, se eu não estou errado. Por onde você quer começar? Vamos jogar uma grande angular aí nesse negócio e destacar as árvores dessa floresta que você acha que devem ser destacadas.

Ana Clara Costa: Uau! Que responsabilidade, Fernando!

Fernando de Barros e Silva: É, escolha bem as árvores.

Ana Clara Costa: Bom, você está coberto de razão quanto a as intenções políticas que permeiam essa CPI. Eu acho que a CPI se mostrou obviamente útil ao interesse público, porque ela revelou, de fato, um esquema de fraude em dinheiro de aposentado, que coisa mais cruel que é essa, tá difícil, né? E é um esquema de fraude que existe porque várias regras foram alteradas ao longo dos últimos governos, que acabaram permitindo, enfim, essa lambança toda. Acabaram facilitando com que esses cadastros fossem acessados e essas fraudes ocorressem. Então, descortinou toda uma incompetência ou, o que seria pior, uma atitude deliberada nos últimos três governos, digamos, enfim, de pessoas dos últimos três governos, de fazer com que esse esse esquema crescesse, né? Mas o problema é que os políticos que estão trabalhando na CPI, eles estão dando as sinalizações, não tanto de que eles querem apurar e resolver a vida de quem…. A vida, na verdade, dos próximos aposentados, ou seja, você matar o esquema. De fato, criar mecanismos para que isso não se prolifere ainda mais ou que não surjam novos esquemas de INSS daqui para frente. Esse seria o objetivo principal de uma CPI, nesse caso, você tratar da população afetada. Eles estão querendo, desde o início, aparelhar essa CPI para que ela sirva de ferramenta política. Eles não estão inaugurando um modelo muito novo. Toda CPI é usada como ferramenta política, dependendo do assunto, de quem compõe a mesa, de quem compõe a CPI. Não é uma grande novidade, mas a questão é que, nesse caso, como é uma CPI em que a direita tem a prevalência dentro da composição e é uma CPI que tem como base uma investigação que tem o André Mendonça no Supremo como relator, o fato de ser o André Mendonça. E o fato de ser uma CPI, sobretudo da direita, coloca muito o governo como alvo e acaba tirando o foco da necessidade de se entender o esquema e matar esse esquema o quanto antes, para que ele não continue acontecendo. E daí, você tem essa briga hoje em dia, de o Lulinha, que é o nome do filho mais velho do Lula, Fábio Luiz, e o Flávio Bolsonaro que apareceram ali em conversas e acabaram sendo tragados para essa CPI com um peso que ainda é muito contestável dentro da investigação. Tanto no caso do Lulinha, quanto no caso do Flávio, quando você olha o que se sabe até agora sobre o esquema.

Fernando de Barros e Silva: O envolvimento dele, você está dizendo, né?

Ana Clara Costa: Exato. É uma espetacularização da CPI para tentar atrair a atenção política e dominar o noticiário e tal, mas que não tem ainda uma participação concreta. Você tem um personagem que a gente já falou aqui no Foro, que é o Careca do INSS, que é um lobista, que é o Antônio Carlos Camillo Antunes, que era uma figura central do esquema do INSS. E esse lobista, ele chegou a contratar a consultoria da Roberta Luchsinger e a Roberta, ela é herdeira de uma família de banqueiros, né? Ela sempre teve uma proximidade com a família do Lula, com o Lulinha. Ela é amiga dele, amiga da mulher dele, que chegou a prestar consultoria para o Careca. Ela acabou apresentando ele para o Lulinha e a partir dessa conexão que foi feita pela Roberta, entre o Careca e o Lulinha, começaram a surgir na imprensa entrevistas em off, falando que o Careca usava o nome do Lulinha como uma conexão importante ali para fazer negócio, né? Enfim, sugerindo que tenha havido troca financeira, pagamentos por essas conexões. Esses pagamentos nunca foram comprovados, até o momento. A conexão existe, de fato, mas os pagamentos até agora não foram comprovados. No caso do Flávio Bolsonaro, também há um envolvimento, a investigação de envolvimento com Careca, porque agora o Careca virou… Vocês conhecem o lobista, né? O cara, assim, lobista de uma forma geral, é uma figura anfíbia, né? Ser amigo de todo mundo. E aí o careca, no caso, teria feito negócios com um escritório de advocacia de uma advogada chamada Letícia Caetano dos Reis, que é administradora das empresas do Flávio, inclusive a casa, uma mansão que ele comprou no Lago Sul, em Brasília. O endereço do escritório da Letícia era na mansão do Flávio e aí descobriu-se que ela tinha essa conexão com o Careca. Então, o Flávio foi envolvido nesse caso. Quem também teria feito essa intermediação foi o advogado Willer Tomaz, que é um amigão do Flávio e enfim, um dos principais operadores do centrão em Brasília hoje. Willer, ele era um advogado que chegou a ser preso na época da Lava Jato, ali, era advogado da JBS. Enfim, o fato é que está todo mundo querendo tragar as figuras antagônicas para o centro da investigação para fazer uso político da CPI. E a questão é que o que se precisa de fato é entender o esquema e acabar com o esquema e entender qual é a profundidade do esquema. E aí descobriu-se, recentemente, que o esquema do INSS se relaciona com o Banco Master, porque o Banco Master operava carteiras de crédito. O que seria operar uma carteira de crédito? Então, eles tinham um braço de crédito consignado que oferecia crédito consignado para as pessoas. As pessoas contratavam o crédito consignado, sobretudo, via cartão, eeles vendiam essas carteiras de crédito no mercado financeiro. E, uma investigação interna do INSS, descobriu que 250.000 contratos de crédito consignado que o Master tinha em suas carteiras de crédito, que era basicamente 74% das carteiras, eram feitos com base em fraude no INSS, ou seja, em contratos em que as pessoas não assinaram para receber o crédito. Então, aí o Master e o INSS se interligaram. A carteira de crédito do Master era composta por crédito fraudado, crédito em que as pessoas não pediram aquele crédito, ou foram ludibriadas por essas associações, e tal, que depois se descobriu que existem contratar sem saber o que estava contratando de fato. A questão do master envolvido no INSS hoje é essa. Ou seja, ele estava participando da fraude, tudo indica, é por isso que o Vorcaro foi chamado para CPI e vai ser ouvido na CPI. E o que está também em investigação é se esse crédito consignado fraudado, se a empresa responsável por ele na ponta, que é chamada de PKL-one, que é uma empresa ligada ao Augusto Lima, que é o ex-sócio do Daniel Vorcaro da Bahia, e que foi o cara que abriu essa avenida das operações de crédito consignado para o Master. E, aproveitando que a gente está falando do Augusto Lima, eu queria só lembrar aqui: a última edição da Piauí traz uma reportagem da Consuelo Diegues sobre o Master, sobre o o pós-liquidação. E tem coisas muito interessantes sobre como o Banco Central agiu e até sobre o fato de o Augusto Lima, que é esse cara super enrolado com o Daniel Vorcaro, apesar de tudo o que aconteceu, ele ter conseguido uma licença para operar um banco, licença concedida pelo Banco Central para operar um banco chamado Banco Pleno. Então, fica aqui a dica da reportagem da Consuelo nessa edição da Piauí.

Fernando de Barros e Silva: Sim, recomendamos. Celso, quero te ouvir sobre isso.

Celso Rocha de Barros: E então, Fernando, a Ana falou um negócio que eu acho fundamental: é inevitável que, em ano eleitoral, CPI seja sobre a eleição. Isso não tem jeito. Brigar com isso é reclamar que a chuva molha. Agora, a gente não pode perder de vista que o problema aqui mesmo é dinheiro roubado das pessoas que foram vítimas do esquema, né? E agora nessa, na volta da CPI esse ano, o foco tá deslocando daquele desconto que aquelas associações faziam ilegalmente das aposentadorias das pessoas… Elas inscreviam o cara sem ele saber, sem a autorização dele.

Fernando de Barros e Silva: À revelia. É…

Celso Rocha de Barros: Ou enganavam ele dizendo que era outra coisa e o cara autorizava o desconto mensal na aposentadoria dele. E, agora, o foco está em empréstimos consignados, que teriam sido empurrados clandestinamente também. Então, estão enfiando o cara num empréstimo que dá, inclusive, para roubar bem mais dinheiro, né? Quer dizer, você pode comprometer uma parte razoável da sua folha de pagamento com o empréstimo consignado. Então, essa parte que você vai focar agora pode envolver uma sombra de dinheiro bem maior. Ainda não tá claro quanto é, o que está claro que assim o valor desses consignados descontados no INSS subiu mais ou menos, paralelamente, àqueles descontos também, os descontos picaretas. Então, há uma forte suspeita de que parte disso é a mesma picaretagem, inclusive possivelmente por venda casada. Quem quiser ler mais sobre isso, eu recomendo muito a coluna do Rômulo Saraiva na Folha do dia 6 de maio de 2025, em que no caso, você, por exemplo, poderia atrair pessoas para o desconto fraudulento, em nome de uma associação, oferecendo um empréstimo consignado para as pessoas, ou o contrário, você vender junto uma coisa e outra e aí você empurra um dos dois ou os dois ilegalmente. E aí, segundo o Rômulo, com os dados que esses caras conseguiram das vítimas, os fraudadores faziam primeiro os empréstimos consignados e, na sequência, lançavam os descontos da mensalidade sindical, associativa, esse tipo de coisa. E, nesse esquema, dá para roubar bem mais que só na associação que eles botavam antes aquele desconto de associação. E, assim, tem uma coisa meio vergonhosa, que o TCU já deu uma olhada nesse negócio, segundo Rômulo, e tomou uma decisão meio, cá entre nós, deixou a desejar. Basicamente, a corte se limitou a, nas palavras do Rômulo, stalkear os sites das associações e sindicatos e viu que a maioria deles não anunciava crédito consignado. Então, o TCU falou: “Bom, não havia indício de ilegalidade aqui”. Mas, como bem lembra o Rômulo, o negócio é a despeito da vontade do cara, não faz a menor diferença se foi anunciado ou não, certo? Então, o que o TCU deveria ter feito é pegado as operações e ido analisar as operações. O TCU não fez isso. Fez meio feio aqui o TCU. Então, assim, a gente não sabe o tamanho, porque, evidentemente, aqui, no meio desses números, deve ter crédito consignado legítimo, deve ter crédito consignado, que as pessoas de fato quiseram pegar. Mas há forte indício de que uma grana bem alta aqui foi também sacanagem, foi um dinheiro que a pessoa perdeu sem ter optado, seja pelo consignado, seja pelo desconto associativo. Agora, como é inevitável, tudo isso na CPI vira questão política. Então, boa parte da discussão é sobre o Lulinha e o Flávio. Por enquanto, o Lulinha, por exemplo, tem essas histórias que estão circulando sobre ele. Não é questão de passar pano, é questão de até agora não tem uma acusação muito concreta com base em fatos, não tem uma, por exemplo, um contrato equivalente ao contrato da mulher do Xandão na história. Não tem, sei lá, uma coisa semelhante a isso aqui na história do Lulinha. Tem um cara falando aqui. Pode ser que apareça, a história muda de figura, mas, por enquanto, não tem nada. E o Flávio, por enquanto você tem a história da Letícia Caetano dos Santos, que é a sócia administradora dos negócios dele lá, que enfim, pode ser que isso traga o Flávio para o centro da história. Ou não. Também ainda não está claro. Então, é inevitável que o debate seja meio sobre Lulinha e Flávio Bolsonaro. Mas, pelo menos por enquanto, isso ainda é meio lateral nesse escândalo.

Ana Clara Costa: Ainda não é… o esquema, o esquema não é esse.

Celso Rocha de Barros: Exato. Que, aliás, é uma coisa que eu tenho medo de acontecer se tiver CPI do Banco Master, que todo mundo vá focar em politizar o negócio, jogar para um lado, para o outro e sem pegar os caras que de fato trabalharam no negócio. E, uma outra dimensão que chamou a atenção do escândalo, foi o envolvimento de igrejas nos esquemas ilegais aqui, tanto de descontos como de crédito consignado. E aqui, bom, eu não posso deixar de elogiar a Damares Alves, que de fato, mata a cobra e mostrou o pau, porque ela foi lá e disse que tinha a igreja envolvida no negócio. O Malafaia deu um daqueles pitis lá, xingando ela de tudo, e, no final, a Damares foi lá e mostrou. Tinha mesmo igreja e tinha umas igrejas importantes. Então, enfim, a Damares tinha razão e prestou um serviço aqui ao público denunciando esses caras, inclusive arriscando um pouco a base eleitoral dela, o que é sempre alguma coisa que você deve reconhecer quando um político faz. O que eu achei interessante na lista de igrejas é a Igreja da Lagoinha do André Valadão, que é um cara que enfim, você bota qualquer nome aí da direita bolsonarista lá é o nome do Valadão, você joga na busca pela internet.

Fernando de Barros e Silva: A igreja do cunhado do Vorcaro.

Celso Rocha de Barros: É a igreja do cunhado Vorcaro. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Fabiano Zettel, o sócio, ou que comprou o pedaço, uma parte do pedaço dos irmãos do Tofoli. Você vê como as coisas vão fazendo sistema.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: No Tayayá, irmãos do Toffoli. Um deles, o padre Carlão. Olha, eu adoro o padre Carlão. José Carlos, Padre Carlão de Marília, virou proprietário do Tayayá. O Tofolli pôs os irmãos numa… que vou te contar.

Celso Rocha de Barros: Que beleza! E tem bastante coisa aqui, viu? Porque o líder da bancada evangélica, o deputado federal Silas Câmara dos Republicanos do Amazonas, participou da assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura CBTPA, que é uma das entidades investigadas. Então, enfim, parece ter uma história grande aqui, mas o que eu realmente fiquei fascinado é a história do André Valadão e da Lagoinha, pela tentativa de dar uma aparência religiosa a um esquema financeiro picareta, entendeu? Que isso realmente não é todo dia que você vê. Então, por exemplo, ele tentou lançar uma dessas fintechs que não há indício de que tenha sido aprovada por ninguém, que seria a Clava Forte para quem está no Hino Nacional

Ana Clara Costa: Clava Forte Bank

Celso Rocha de Barros: E que meio que sumiu. Quem tiver interesse, tem a matéria da Agência Pública sobre isso de 2 de dezembro de 2025 a matéria do Leandro Aguiar. Cara, eu recomendo muito essa matéria, porque a história é meio assustadora, né? Então, por exemplo, quando a turma do Valadão anunciava a Clava Forte Bank que não é bank e talvez não fosse nada, né? Talvez fosse só uma mutreta. Apresentada como “uma ferramenta espiritual com tecnologia de ponta criada para destravar o propósito financeiro do reino”.

Ana Clara Costa: Meu Deus!

Celso Rocha de Barros: Cara, eu duvido que o Banco Master tem a cara de pau de ter feito um anúncio desse cara. Sinceramente.

Ana Clara Costa: E é de uma crueldade.

Celso Rocha de Barros: É uma crueldade filha da puta. Vai pegar um cara religioso, vai pegar um cara simples, entendeu? E vai enfiar a mão na grana do cara.

Fernando de Barros e Silva: Mas isso aí, essa propaganda tão up to date e juntando todos os fios que estão.

Celso Rocha de Barros: É, e olha…

Ana Clara Costa: A venda de indulgências, lembram?

Celso Rocha de Barros: Exato.

Ana Clara Costa: Aula de ensino religioso.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: No primeiro ano do ensino fundamental.

Celso Rocha de Barros: É antes da Clava Forte, segundo ainda a agência Pública, o Valadão já tinha tentado se meter num negócio financeiro qualquer. Em 2019, quando ele lançou o cartão de crédito consignado Fé, que também é um negócio que se você botar num filme, vai parecer caricato demais, vai parecer que o cara é evangelista, que tem um cartão de crédito chamado Fé.

Ana Clara Costa: Alguém precisa pagar as compras que o André Valadão faz na Louis Vuitton.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Alguém tem que pagar, infelizmente.

Celso Rocha de Barros: Exato. Então eu devo dizer que, no mínimo, a CPI do INSS já serviu para me apresentar a história da Igreja da Lagoinha dentro do mercado financeiro, que realmente é um negócio muito chocante.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom. Agora, venda de indulgência, isso aí é mais antigo do que… É o que deu origem a Igreja protestante. O Lutero vai lá brigar contra ele.

Celso Rocha de Barros: Isso, justamente.

Fernando de Barros e Silva: Nas 95 teses dele, ele atacava a Igreja por estar vendendo indulgência.

Celso Rocha de Barros: Em que deu isso? Tá aqui o protestante aqui brasileiro vendendo cartão de crédito chamado Fé.

Fernando de Barros e Silva: Mas não é?

Ana Clara Costa: Sim.

Ana Clara Costa: Lutero, rola na tumba, Lutero.

Fernando de Barros e Silva: Estamos falando, salvo engano, do começo do século XVI. Martinho Lutero.

Celso Rocha de Barros: Que beleza!

Fernando de Barros e Silva: Foro também é cultura.

Sonora: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente vai então encerrando esse segundo bloco por aqui. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar de regras para a eleição deste ano. TSE. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, o assunto é um pouco árido, chato, mas bem importante, que são as normas que vão regular o andamento da campanha eleitoral. E essa proposta de resolução do Nunes Marques favorece, digamos assim, o comportamento de gente como Pablo Marçal. É nesse pé em que estamos, né? Vamos tentar explicar isso um pouquinho e dizer o que está em jogo?

Celso Rocha de Barros: É isso, Fernando. O Cássio Nunes Marques vai presidir o TSE durante a eleição de 2026 Eleição presidencial. Como diria Eduardo Cunha Deus tenha misericórdia dessa nação.

Fernando de Barros e Silva: Bom, a gente não sabe o que vem pela frente.

Celso Rocha de Barros: Exato. A proposta que ele apresentou para consulta pública sobre as regras da eleição, tem fonte bem preocupante mesmo. Um dos que mais chamou a atenção foi a possibilidade de ter impulsionamento de posts críticos ao governo, posts pagos, que aí você entra muito no esquema do Pablo Marçal na última eleição e você abre toda uma porta para interferência completamente não regulada de poder econômico no processo eleitoral.

Fernando de Barros e Silva: Financiamento privado, na prática.

Celso Rocha de Barros: Financiamento privado totalmente. Exato. Picaretagem completa.

Fernando de Barros e Silva: Sem que isso seja caracterizado. Você abre a porta…

Celso Rocha de Barros: Não vai ser caracterizado. Não vai ter limite nenhum, né? Assim, porque uma coisa, se você quiser, vamos legalizar aqui mais financiamento privado. Você apresenta uma proposta, se discute, vamos dizer como é que vai ser a prestação de contas. Eu sou contra, mas é uma possibilidade legítima. Tem gente razoável que pode ser a favor disso.

Fernando de Barros e Silva: Tem um ingrediente que é, vai ser a primeira eleição com inteligência artificial funcionando a pleno vapor. E pelos memes que circularam aí nos últimos dias, semanas a respeito do caso Master… Vocês devem ter visto filminhos tal. A gente nem falou disso aqui, mas são muito bem feitos. São… São horríveis.

Fernando de Barros e Silva: São indistinguíveis, praticamente, são indistinguíveis de pessoas reais, né?

Ana Clara Costa: A gente percebe que é meme pelo ridículo da situação que eles colocam, mas não. Mas não pelo…

Celso Rocha de Barros: Pela qualidade.

Ana Clara Costa: Pela qualidade técnica.

Celso Rocha de Barros: Então, enfim, é uma coisa muito preocupante, assim, que na eleição que vai entrar a inteligência artificial, o Kássio esteja querendo afrouxar a regra sobre como é que vão poder funcionar as redes. E aqui, naturalmente, tem um lado que o TSE mal controla, que são as regras das redes sociais, das empresas big tech que estão completamente alinhadas com o Trump no momento, seja por ideologia, seja por interesse em baixa regulação, seja porque eles tenham interesse num dia qualquer desses, de ganhar um bailout, um subsídio qualquer, se os investimentos dele em inteligência artificial derem errado. Tem muita gente que acha que isso pode acontecer. Eles estão completamente investidos nesse negócio e até agora não tem prova que dá o dinheiro que eles estão dizendo. Então, enfim, essas empresas que organizam as redes sociais, a gente tem que ter a pior expectativa possível sobre o que elas vão fazer durante a eleição. E, finalmente, a gente não sabe se vai ter uma mobilização da extrema-direita internacional para a eleição brasileira. Os caras tentaram um golpe aqui com tarifaço. Eles não vão botar a turma deles lá que deve fazer um negócio muito mais profissional para impulsionar a cascata, super bem feito, aqui na eleição brasileira, entendeu? É um negócio bastante perigoso. Uma outra coisa da proposta em curso, é que a retirada de perfis de rede social seria muito mais limitada do que na última vez. A primeira coisa que eu concordo inteiramente é que antes tinha que ser o mais ampla possível, que tinha uma tentativa de golpe em curso. Então, assim, se o cara tá defendendo o golpe, você tira, depois você vê, porque o que ele perdeu de liberdade de expressão ali é incomparavelmente menos importante do que o risco que a gente está correndo se um golpe rolar. Mas isso não quer dizer que, por exemplo, se o cara reiteradamente continuar fazendo propagação de notícias falsas, notícias falsas sobre urna eletrônica ou coisa que o valha, e o perfil dele não vai ser retirado, ele vai continuar lá. Eu acho isso bem ruim. E para vocês terem um exemplo do que pode rolar essa eleição, o TSE acaba de barrar uma tentativa do Flávio Bolsonaro divulgar uma pesquisa irregular não registrada no TSE, o que é proibido, feito por uma empresa mexicana aqui, que dava ele na frente no segundo turno. Essa empresa mexicana deve ser um negócio sensacional, né cara? Deve ser uma daquelas coisas assim…

Fernando de Barros e Silva: “Flávion tres amigos”.

Sonora: Flávion, Eduardo, e Carlucho.

Fernando de Barros e Silva: E Mary Sales lidera.

Celso Rocha de Barros: Flávio novamente. Exato. Essa pesquisa deve ser um negócio sensacional. Mas enfim, a gente tem que estar preparado, que assim a eleição já seria muito dura, de qualquer maneira. Já seria mais duro ainda pelo advento da inteligência artificial. E o Kássio Nunes parece estar a fim de dar um liberou geral aí.

Fernando de Barros e Silva: E sabe se lá com quem o Kássio Nunes anda falando, né? Bom, e essas consultas públicas, essas audiências públicas, acabam mobilizando só os profissionais de sempre, né? Não é uma coisa…

Celso Rocha de Barros: Que o povão vai, vai parar o que tá fazendo pra ir lá…

Fernando de Barros e Silva: Que a sociedade fica atenta, a sociedade, quando vai ver, já tá com o prato feito na frente, na mesa, né?

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Ana! Notícias de Mari Sales. Vamos lá?

Ana Clara Costa: Ai, ai. Bom, a comunicação é hoje o centro do governo, né? A gente já falou algumas vezes, né? Assim, a figura do Sidônio. Ele cresceu muito em poder, porque ele melhorou muito, de fato, profissionalizou a comunicação, que era aquela coisa meio feita no quintal, que a gente já…

Celso Rocha de Barros: Um fato que a gente tem que lembrar sempre. Nos dois primeiros anos do governo Lula, a comunicação era dividida entre o fotógrafo do presidente, a primeira dama e um deputado do PT.

Ana Clara Costa: Então, o norte para esse ano, mais do que tudo, mais do que até as entregas que têm que ser feitas e a comunicação, eles precisam estar com isso bem alinhado. E, tem uma intenção muito do governo de pautar a discussão, menos ser levado a reboque, e pautar a discussão. E uma das coisas que o governo está querendo pautar, justamente, é essa discussão sobre essa proposta de resolução do TSE. Tem duas coisas: hoje em dia quem permite o impulsionamento é só a meta. O Google não permite mais e o TikTok também não. Então, toda essa discussão de impulsionamento tem como premissa Facebook e Instagram. O governo, obviamente, não quer que essa regra específica que permite o impulsionamento de críticas ao governo, etc, prospere. E além de tudo, ele também gostaria que o Google voltasse a permitir impulsionamento para ele ter mais campo de defesa, porque embora a comunicação do governo tenha melhorado muito, o governo sabe que a direita tem uma comunicação orgânica muito mais eficiente. Quanto mais amplo for o campo de resposta, eles consideram que isso seria melhor. Então eles estão numa pressão, de certa forma, junto ao Google e enfim, junto ao TSE para que o Google volte a permitir o impulsionamento. Essa questão, específica, das críticas ao governo, embora tenha sido uma proposta do Kássio, tem ministros dentro do TSE que não são necessariamente ligados ao governo Bolsonaro ou à direita que acham esse ponto específico válido, que não acham que isso é um problema porque significa liberdade de expressão ali, também para crítica. Tem gente que defende. Só para colocar a gente nesse cenário, entendeu? Não é uma coisa que o Kássio pensou e ele é uma voz única.

Celso Rocha de Barros: Mas mesmo impulsionado?

Ana Clara Costa: Mesmo impulsionado.

Celso Rocha de Barros: Porque obviamente não impulsionado, evidentemente, pode.

Ana Clara Costa: Sim, mas mesmo impulsionado. Então, tem gente no TSE que acha que isso não é um problema. É que tem outros pontos dessa proposta que também tratam de temas correlatos. Então, por exemplo, entrega de material de campanha em locais de uso comum. Isso não pode até agora. Se isso for aprovado, vai significar que, vamos supor uma loja qualquer, estabelecimento, restaurante, shopping center, etc. De um empresário que tem uma atividade política de um lado ou de outro, vai poder usar o seu estabelecimento para fazer campanha e distribuir material de campanha de candidatos. Isso está na proposta. Um outro ponto que está na proposta é você remover apenas perfis comprovadamente falsos e criminosos das redes sociais e que estejam praticando atos ilícitos no aspecto eleitoral, nas redes sociais. Isso significa que burocratizaria um pouco mais…

Celso Rocha de Barros: O cara vai e faz uma barbaridade. Faltam dois dias até esse cara ser condenado.

Ana Clara Costa: E assim, se a gente for pegar por aí, o Tarcísio fez isso na campanha para prefeitura de São Paulo e nada aconteceu com ele, né?

Fernando de Barros e Silva: No dia da eleição, relacionou a campanha do Boulos ao PCC, não é isso?

Ana Clara Costa: Foi isso. E a Justiça Eleitoral absolveu ele.

Fernando de Barros e Silva: Ele, depois de votar durante, ainda no horário em que as urnas estavam abertas, deu uma declaração para a imprensa, uma coletiva fazendo insinuações sobre o envolvimento da campanha do Boulos ou do Boulos.

Ana Clara Costa: Insinuação não. Ele disse que o PCC era a favor do Boulos.

Fernando de Barros e Silva: É, exato.

Ana Clara Costa: E nada aconteceu com ele. Então, essa questão da conduta criminosa depende do autor hoje em dia, né? Mas o fato é que diante dessa proposta do Kássio, isso burocratiza um pouco mais você tirar do ar perfis que estejam cometendo atos ilícitos. Agora, uma coisa que a gente tem que ficar de olho é o seguinte: o PL, eu não sei se vocês acompanham as redes sociais do PL, né? Mas as redes sociais do PL…

Fernando de Barros e Silva: Não faço outra coisa.

Ana Clara Costa: Eu sou jornalista, tá, eu preciso, tá.

Celso Rocha de Barros: Tá certo, tá certo.

Fernando de Barros e Silva: A primeira coisa que eu faço ao acordar é ver a rede social do PL.

Ana Clara Costa: As redes dele são basicamente sobre o Lula, né? Todas as postagens não tem a ver com os seus deputados, com seus parlamentares, com os feitos dos seus parlamentares. Tem a ver com o governo Lula, a imagem do Lula. E aí você fica imaginando, né? O PL, que é o partido que tem a maior porcentagem do fundo eleitoral, o maior fundo partidário, por ser o maior partido, vai ter a maior grana para impulsionar, né? Então, assim, embora quem defenda a liberdade de expressão nesse caso, também precisa levar em conta que não existe uma força similar ao PL que faça o movimento contrário, por exemplo. O PL, ele vai ter que dividir, obviamente, os recursos dele entre impulsionar o Flávio e criticar o governo, mas é uma força poderosa e única, porque ele não tem concorrência. Você tem o PT que tem menos dinheiro e enfim, eu acho que é uma coisa que eles vão ter que discutir. Um outro ponto que o governo está preocupado também nessa questão da proposta do Kássio, é para o Senado, porque como existe toda essa estratégia de impedir que a direita domine o Senado, como o PL quer, então, eles acham que essa resolução pode prejudicar os planos do governo da esquerda, de certa forma, em relação ao Senado, porque novamente, Senado tem mais candidatos. A direita se movimenta melhor nas redes, organicamente, então a chance de ter disputas desleais é muito grande. Então, essa é uma preocupação grande. E por último, eu queria dizer que o Kássio, embora tenha sido dele essa proposta, quem está articulando isso hoje, junto com as redes, tentando enfim conversar com o Google, conversar com as big techs e ir articulando essa proposta politicamente, e quem tem tido a maior parte das ideias, dessas ideias aí que a gente tá vendo, é o chefe de gabinete dele no TSE, que é o William Ackermann. Ele é um defensor público do Rio de Janeiro que trabalhava no gabinete do Kássio, no Supremo, e foi trabalhar com ele, agora no TSE e segundo, enfim, em apuração ali com integrantes da Corte, ele tem sido um personagem fundamental nesse ponto específico dessa resolução. Ele tem tido ideias engenhosas. E ele que está trabalhando com as big techs para tentar fazer o lobby, para as ideias prosperarem ali dentro da corte.

Fernando de Barros e Silva: É muito importante a gente jogar luz sobre tudo isso. É o Kássio que está fazendo isso porque ele é atualmente o vice-presidente do TSE. Ele vai virar presidente em agosto e é uma prerrogativa do vice presidente fazer essa resolução em ano eleitoral nesse período. Por isso que é ele que está fazendo ele. Ele, Kássio. E agora sabemos que Kássio, instrumentalizado ou amparado pelo seu fiel escudeiro, o Ackermann. Então ficamos sabendo do Steve Bannon, do Kássio Nunes Marques, William Ackermann, é isso? Então, encerramos o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, Mari Faria, afiada de volta das férias, para o Kinder Ovo e com a Maria Júlia Vieira no estúdio. Também… É uma conspiração contra a bancada. Vai ser um Kinder Ovo terrível. Estou vendo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Pois muito bem, estamos de volta Kinder Ovo! Mari Faria foi para Bahia nas férias, então deve vir alguém da Bahia e tal. Dorival Caymmi. Solta aí, Mari.

Sonora: E ele, em termos de nome, é um menino.

Ana Clara Costa: Damares.

Sonora: Que acabou de fazer 50 anos. pra política é um menino. Então ele vai finalizar essas entregas todas que ele realmente vai fazer. Eu acho hoje que que o melhor quadro que a gente tem pra presidência da República é o Caiado.

Celso Rocha de Barros: Janaína Paschoal

Fernando de Barros e Silva: Celso, você fazendo jus a sua.

Celso Rocha de Barros: Voltando a velha forma, aqui.

Fernando de Barros e Silva: A velha forma.

Sonora: De volta no meu nicho.

Fernando de Barros e Silva: A sua reserva de mercado, Janaína. Mari Faria voltou com tudo! É a vereadora pelo PP. Janaína Paschoal, em entrevista ao Canal do Antagonista no YouTube.

Celso Rocha de Barros: Janaina Paschoal, que é a parlamentar mais votada da história do Brasil para deputado estadual, ela teve mais voto do que qualquer deputado federal.

Fernando de Barros e Silva: Francamente.

Celso Rocha de Barros: Brasil tava muito de porre, né cara?

Fernando de Barros e Silva: Eu não sei se se recuperou ainda, viu? E encerrado o Kinder esta semana temos um Momento Cabeção

Sonora: Cabeção.

Fernando de Barros e Silva: Com as dicas culturais, livros, peças e quetais, quem quer começar? Celso?

Celso Rocha de Barros: Posso começar. A minha dica é um romance que, por enquanto, só está em inglês. Saiu em 2025, chamado The Book of Records: a novel, de uma autora canadense chamada Madeleine Tien. Eu acho que é Tien. Pode ser Tien porque eu acho que ela é de origem chinesa t h i e n. Sem dar muito spoiler, é uma ficção meio fantástica, assim meio viajante assim, que dá uma noção de uma espécie de dimensão alternativa onde perseguidos e exilados variados de diferentes épocas da história se encontram. Então você tem a Hannah Arendt, você tem o Spinoza e um poeta chamado Dufour que encontra uma uma menina chinesa que está ali fugindo com o pai. E aí tem uma série de reviravoltas que eu não vou contar.

Fernando de Barros e Silva: Ah, você que escreveu isso aí. Você está inventando essa autora, você escreveu em inglês ein Ana Clara?

Celso Rocha de Barros: Quem me dera, pô! Até porque ela foi indicada pra vários prêmios!

Fernando de Barros e Silva: Grande Ana Clara…

Ana Clara Costa: Bom gente, eu vou por outro caminho aqui, completamente, completamente outro. Assim, eu tô numa fase que eu quero dissociar da realidade, me alienar.

Celso Rocha de Barros: Correto.

Ana Clara Costa: Em outro planeta. E eu estou lendo um livro que meu pai me deu de presente faz uns dois anos e eu nunca consegui passar das 10 primeiras páginas porque o mundo não permitia. E aí, nesse início de ano eu resolvi me colocar essa meta.

Fernando de Barros e Silva: Esse ano calmo, não aconteceu nada.

Ana Clara Costa: Pois é.

Fernando de Barros e Silva: Ela não apurou nada também pro Foro, não fez matéria sobre a Fictor.

Ana Clara Costa: Nenhuma intenção.

Fernando de Barros e Silva: Deu furo sobre a Fictor.

Ana Clara Costa: Mas assim, por pior que esse começo de ano esteja sendo, nada se compara ao que foi o final do ano passado, então assim realmente.

Fernando de Barros e Silva: Tá Certo.

Ana Clara Costa: Mas assim, vamos ao que eu estou lendo. É um livro do Ruy Castro que ele fez em 99, a primeira edição. O nome dele é Ela é Carioca, uma enciclopédia de Ipanema. É um livro de verbetes de todas as pessoas que passaram por Ipanema nos anos 50, 60 e 70. Então, assim é realmente você se alienar desta era deste planeta e viver em outra coisa, entendeu? E eu sugiro, para quem gostar desse tema da dissociação, ler o livro ouvindo o novo álbum da Teresa Cristina, em que ela canta composições do Zeca Pagodinho que a gente provavelmente não conhece. Eu, pelo menos não conhecia a grande maioria, porque são músicas que não são essas que ele canta e que todo mundo sabe, é o álbum Jessé – As canções de Zeca Pagodinho e eu fui no show dela no Circo Voador, em que ela apresentou o álbum, que foi maravilhoso. Então, além do livro, eu sugiro a trilha sonora para o livro.

Fernando de Barros e Silva: Além disso tudo, ela ainda joga Beach Tennis. Vai na academia, dá furo no site da Piauí, escreve matérias gigantescas.

Celso Rocha de Barros: E faz Remo.

Fernando de Barros e Silva: Faz remo. Então a gente vai ter que inventar o momento esse corpinho, além do momento cabeção.

Celso Rocha de Barros: Pô, to fudido. Eu só vou poder dizer assim “Outro dia eu tomei uma vitamina” e vocês me falaram eu subi 500 andares, eu remei, não sei o que lá. Tá bom.

Fernando de Barros e Silva: Quem tá acompanhando aí, as três testemunhas que acompanham minhas redes sociais, sabe que eu tô numa nostalgia com o Rubem Fonseca. Tô lendo os livros de conto, inclusive influenciado pelo nosso amigo Sérgio Rodrigues, Celso, que falou naquele grupo que a gente tem dos livros do Fonseca do início da carreira. O primeiro é os Prisioneiros, dos livros de contos, depois A Coleira do Cão. Esses dois eu vou ler ainda. Eu comecei pelos anos 70. Comecei pelo Feliz Ano Novo, que é de meados dos anos 70, que é um livraço. Depois eu fui para trás, que é o Lúcia McCartney, que é do final dos anos 60, que também é um livro de contos bem importante. E tem esses dois que eu citei no começo e culmina, lá na frente, de 79, com O Cobrador. Muita gente que entende caracteriza esse período do Rubem Fonseca como o Grande Período, embora ele tenha uma obra bastante extensa. É isso então, tá bom. Próximo programa a gente vai ter Momento cabeção, e momento esse corpinho. Encerramos o Cabeção por aqui. Vam

Fernando de Barros e Silva: os para o melhor momento, das cartinhas de vocês. Correio elegante. Eu começo então, correio elegante com a mensagem, ou melhor, um pedido curtinho enviado pela Laila Carol: “Procuro um amor que tenha o humor ácido como o do Celso, uma risada gostosa como a do Fernando ea inteligência equivalente a da Ana Clara, é pedir muito?” Ela pergunta.

Ana Clara Costa: É.

Fernando de Barros e Silva: No mercado está fácil encontrar a risada. A risada é mais fácil. A inteligência da Ana Clara e o humor ácido do Celso é mercadoria rara.

Celso Rocha de Barros: Quando chega na Ana Clara, você já meio que teve que arrumou o problema para você.

Ana Clara Costa: Aí, vocês passam muito pano para mim. Socorro.

Fernando de Barros e Silva: Laila Carol, beijo para você! Eu vou rir bastante no próximo programa para você, Laila.

Ana Clara Costa: Já o @PietroRodrigues postou uma mensagem mais longa: “Desenvolvi o hábito de, ao assistir qualquer programa que se possa ver uma estante de livros, tentar identificar os nomes, a organização e julgar o gosto das pessoas”. Perigoso ein, Pietro? “Até que vi um desses trechinhos do Foro no Instagram e pude analisar os livros que o Fernando tem em sua choupana e o que consegui ver foi o seguinte:” Suspense. “Fernando está muito bem munido em termos de crítica cultural, com a coleção inteira das publicações da Unesp, do filósofo de Frankfurt Theodor Adorno, e também do que me parecem ser os livros do Instituto de Pesquisa Social do Habermas. E, por fim, não poderia faltar o clássico da crítica ao capital Karl Marx. Nas novas edições que a Boitempo vem realizando, com as ilustrações de Cássio Loredano na capa e na lombada. Biblioteca aguçada, Fernando. Um forte abraço a todos vocês que realizam Foro de Teresina. Aguardo a oportunidade de checar a estante do Celso e da Ana.” Pietro, olha só, primeiro você realmente tem um olhar minucioso.

Celso Rocha de Barros: Tem os que eu estou olhando agora aqui.

Ana Clara Costa: Exato. Eu só tinha visto o Salazar. Ele era o único que eu conseguia ler.

Celso Rocha de Barros: No primeiro ano inteiro. Tinha o Gilberto Freyre ali, nos julgando ali.

Fernando de Barros e Silva: Até que eu troquei de lugar e troquei a biblioteca de lugar.

Ana Clara Costa: Eu não enxergo mais absolutamente nada.

Fernando de Barros e Silva: Ele está certo e são os amigos do Celso. Adorno.

Ana Clara Costa: A minha te frustraria. Mas enfim, quem sabe um dia eu não faço de casa?

Fernando de Barros e Silva: O Celso, a biblioteca dele tá na cabeça dele. Só por isso que eu faço escada, movimento esse corpinho. É por isso que eu faço escada, para poder ler, para viver 300 anos e poder ler essas coisas que eu tenho aqui. E não é para falar que é papel de parede, que é tudo livro falso. Tá certo.

Celso Rocha de Barros: A mensagem que a Mari selecionou do Marcelo inaugura uma seção no correio elegante, a do recado misterioso. Ih, rapaz! “Olá a todos deste podcast maravilhoso. Agradeço muito pelo conteúdo semanal, mas estou aqui para me beneficiar desse espaço. Tem uma pessoa que foi muito especial na minha vida, de quem perdi totalmente o contato e talvez hoje more fora do Brasil, mas confio muito que ela esteja entre os ouvintes e escute essa mensagem. Seu nome é Rosana e ela faz aniversário no dia 4 de fevereiro e quero pedir que leiam o seguinte recado. ‘Hola, Rosana! Feliz Cumpleanos’. Ela vai entender”. Uau! Por favor, Marcelo, nos escreva para saber se você encontrou a Rossana.

Fernando de Barros e Silva: Mensagem na garrafa para a Rossana.

Celso Rocha de Barros: Eu estou supondo que essa Rossana seja de algum país vizinho aqui pelo espanhol aqui, mas.

Celso Rocha de Barros: Sim, possível.

Ana Clara Costa: É possível.

Fernando de Barros e Silva: Ué, não pode ser.

Ana Clara Costa: Boa sorte que essa mensagem chegue.

Fernando de Barros e Silva: E por que não? Bom, com este recado na garrafa, encerramos o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar Five Stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Paula Scarpin. A direção está de volta é da Mari Faria. Com produção e distribuição da querida Maria Júlia Vieira. A checagem é do Gilberto Porcidônio. A edição é da Paula Scarpin e da Mari Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana.

Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: É isso gente! Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.

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