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poesia

Ancestral

Para Nica, minha mãe e meu pai

| Edição 165, Junho 2020

A+ A- A

Tradução de Valentina Cantori

PARA NICA, MORTA NO BOMBARDEIO
DE CATÂNIA EM ABRIL DE 1942
E não houve mais dias nem noites,
só um gasto sudário, espantar
de uma luz esmagada contra os muros
raros muros como dentes cariados
entre os lábios convulsos dessa terra.

E não houve mais alvores ou crepúsculos
só pássaros em bando com os peitos
no fogo dos motores.

 

E não houve mais árvores, sombras
nem velhos nem moleques nem pirralhos,
só corpos despidos sem cabeça
entre a chuva de cinzas e de gritos.

E não houve mais ruas, edifícios
só praças, desertos, dunas que ardem
covas que cobrem os vivos e os que morrem.

E viram-se ratos enfurecidos
mordiscando frenéticos as mãos
de um soldado dormindo sentado
junto do poste de luz já derruído
onde antes tu viravas
para entrar no cortiço perfumado
de sopa fervente e de lixívia.
Perturbava-te o cheiro do cortiço
me disseste mansamente do balcão
não sabias aquele doce do sangue
que revolveu teus sentidos nessa noite
o cheiro de fumaça e de cal seca
o cheiro de carne chacinada
que te matou mesmo antes do impacto
que vibrou pelas paredes e o quintal.

 

Nos perseguia o grito alucinado
da sirene do alarme, sem sossego
nos incitava a fugir. Não te vi
cruzar aquela porta, só o mover
dançante de tuas tranças nos ombros
teus esguios e a faísca
dos cadernos lançados nos cascalhos.

E não houve mais dias nem noites
nem vozes nem silêncios, só o ladrar
dos cães e dos motores
no acender-se de ódio dos foguetes.

E ao fulgor oscilante daquela ira
viram-se mulheres mudas desgrenhadas
com as pálpebras túmidas sem cílios
avançarem segurando-se nas mãos.
Quente sangue escorria pelas faces
quentes lágrimas vermelhas tatuadas.

 

A NICA MORTA NEL BOMBARDAMENTO DI CATANIA DELL’APRILE 1942
E non ci furono più giorni né notti
solo un liso sudario, sbigottire
della luce schiacciata contro i muri
rari muri come denti cariati
fra le labbra convulse della terra.

E non ci furono più albe o tramonti
solo uccelli sciallati con mammelle
nel fuoco dei motori.

E non ci furono più alberi, ombre
né vecchi né carusi né picciotti
solo corpi snudati senza testa
fra la pioggia di cenere e di grida.

E non ci furono più strade, palazzi
solo piazze, deserti, dune fumanti
fosse chiuse sui vivi e sui morenti.

E si videro topi inferociti
mordicchiare frenetici le mani
d’un soldato seduto addormentato
contro il palo divelto del lampione
che un tempo tu giravi
per entrare nel basso profumato
di minestra bollente e di liscivia.
Ti turbava l’odore di quel basso
mi dicesti sommessa dietro il banco
non sapevi quell’altro dolce di sangue
che travolse i tuoi sensi quella sera
quell’odore di fumo e calcinaccio
quell’odore di carne macellata
che t’uccise ancor prima dello schianto
che vibrò per i muri e il cortile.

C’inseguiva l’urlo dissennato
di sirena d’allarme, senza tregua
c’incitava a fuggire. Non ti vidi
varcare quella soglia, solo il moto
danzante delle trecce sulle spalle
tue esili e il balenio
dei quaderni sbattuti sul selciato.

E non ci furono più giorni né notti
né voci né silenzi, solo il latrare
di cani e di motori
fra l’accendersi d’odio dei bengala.

E nel lucore oscillante di quell’ira
si videro donne mute scarmigliate
con le palpebre enfiate senza ciglia
avanzare tenendosi per mano.
Caldo sangue scorreva sulle guance
calde lacrime rosse tatuate.

NICA NOS ONZE ANOS DE SUA MORTE
Posso evocar o teu sorriso
os teus traços rentes ao meu sopro
a tua voz amortecida
pela onda do mar
posso evocar
a tua figura no fio do meio-dia
entre as vinhas. Porém temo
olhar-te agora que te calas
recolhida ao meu lado
em teu silêncio.

NICA A UNDICI ANNI DALLA SUA MORTE
Posso rievocare il tuo sorriso
i tuoi tratti accostati al mio respiro
la tua voce smorzata
dall’onda del mare
posso rievocare
la tua figura nel filo di mezzogiorno
fra le viti. Eppure temo
guardarti ora che taci
accanto a me raccolta
dal tuo silenzio.

PILÙ 2
Te tocou
a sombra
te roubou
as sardas
Levará
todo um verão
fazê-las voltar

PILÙ 2
Ti ha toccata
l’ombra
ti ha rubato
le efelidi
Ci vorrà
tutta un’estate
per farle tornare

INFÂNCIA
Era verão. A tua cintura
sutil me escapava
das mãos atrapalhadas pelo verniz
preto do cinto. 

INFANZIA
Era l’estate. La tua vita
sottile mi sfuggiva
dalle mani impacciate dalla vernice
nera della cintura.

PARA MINHA MÃE
Três vezes abriste os olhos
para me olhar.
Três vezes suspiraste
alongaste os braços
desculpando-te
e sem falar
te despiste da vida
como de um casaco
que pesa quando
chega a bela estação.

A MIA MADRE
Tri voti apristi l’occhi
pri mi guardari.
Tri voti suspirasti
stirasti i vrazza
scusannuti
e senza parrari
ti sfilasti a vita
com’un cappottu
ca pisa quannu veni
a bedda staggiuni.

PARA MEU PAI
Por que me chamas
assim
o que queres de mim.
A tua carne está fria
agora.
Antes não quiseste me
beijar.

A MIO PADRE
Picchì mi chiami
accussì
chi voi di mia.
A to carni è fridda
ora.
Prima nun mi vulisti
vasari.

AGEU 2
O tempo vela os espelhos. A tua fronte
tem frestas empoeiradas. Impera
um silêncio que amarra as tuas mãos.
Às tuas costas
da alvorada o relógio aponta
as quatro.

AGGEO 2
Il tempo vela gli specchi. La tua fronte
ha incrinature polverose. Regna
un silenzio che lega le tue mani.
Alle tue spalle
dall’alba l’orologio segna
le quattro.

Junto às raízes arenosas
do Simeto
há uma árvore que se nutre
das têmporas veiadas da lua
Em seus ramos se enforcam cada noite
as viúvas com seus filhos

Alle radici sabbiose
del Simeto
c’è un albero che si nutre
alle tempie venate della luna
Ai suoi rami s’impiccano ogni notte
le vedove coi bambini

Te deixarei ir
apenas quando
vir tuas mãos
decepadas no meu colo

Ti lascerò andare
solo quando
vedrò le tue mani
mozzate nel mio grembo

Foge do ferro
o chumbo o cobre
Não podes
converter a noite
O dia cresce só

Guardati dal ferro
il piombo il rame
Non puoi
convertire la notte
Il giorno cresce solo


Os poemas integram o livro Ancestral,  a ser lançado em agosto pela editora Âyiné. Tradução de Valentina Cantori.

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