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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Breque geral

Um mineiro à frente da greve dos entregadores de aplicativos

Danilo Marques | Edição 224, Maio 2025

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Em 31 de março passado, os entregadores cadastrados em aplicativos pararam de trabalhar. Foi um “breque”, como eles designam a velha e boa greve. A paralisação envolveu 1,8 milhão de trabalhadores em todo o país, na estimativa da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos (Anea). Embora sejam avessos à formalização jurídica de seu trabalho e à política institucional, os entregadores dispõem de várias associações e sindicatos regionais espalhados pelo Brasil, que foram os responsáveis por conduzir a paralisação de dois dias.

Dada a pulverização das organizações, também as lideranças são múltiplas. O entregador mineiro Nicolas Souza Santos, de 37 anos, é um dos líderes mais ativos. Ele está entre os fundadores da Associação de Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (AMMEJUF), da qual atualmente é um “articulador” – função que, no geral, “faz lobby no poder público, organiza reuniões e mobiliza a base”, na definição de Santos.

Em Juiz de Fora, ele precisou reduzir drasticamente o tempo de convívio com sua companheira, os três filhos e um enteado nos dois meses que precederam a paralisação. “Eu contei com a boa vontade da minha família”, diz.

 

De segunda a quinta-feira, para arquitetar o breque nacional, Santos se reunia com colegas da Anea – que ele também ajudou a criar em Juiz de Fora, em 2022 –, da qual faz parte a AMMEJUF. Às sextas-­feiras, rodava Juiz de Fora em uma moto equipada com caixa térmica, tentando cumprir sua meta de entregas no iFood. Quando parava em frente a restaurantes para esperar a entrega, explicava aos colegas que estavam ali fazendo o mesmo como seria a paralisação e quais eram as reivindicações da categoria. Ele também passou horas no celular, ligando para lideranças regionais e incentivando a mobilização. “Gurupi aderiu, e eu nem sabia onde ficava Gurupi”, conta, se referindo ao município de Tocantins, distante quase 22 horas de carro de Juiz de Fora.

Em 1º de abril, segundo dia do breque, Santos foi para São Paulo, onde houve uma manifestação de motoqueiros que, segundo a categoria, reuniu entre 2 e 3 mil profissionais. No dia anterior*, eles haviam ido em suas motos da praça em frente ao Estádio do Pacaembu até a sede do iFood em Osasco, município da Região Metropolitana. O iFood é a maior plataforma de delivery de comida do país, com pouco mais de 80% do mercado.

A mobilização de dois dias dos entregadores demonstrou a força crescente da categoria, mas fracassou em seus objetivos**. Nenhuma das reivindicações foi atendida. A principal era o reajuste da taxa mínima por entrega de 6,50 reais para 10 reais – com o que o iFood não concordou. A empresa só emitiu uma nota protocolar, declarando que respeita o direito de greve. “Isso diz muito a respeito do desequilíbrio de forças que existe entre as empresas e os trabalhadores”, diz Santos.

 

Na tarde de 9 de abril, os rumos do pós-­greve foram discutidos pelo Comando Nacional do Breque dos Apps, uma frente única criada para organizar atos e paralisações, com o apoio de associações de várias partes do país. O comando decidiu fazer uma série de protestos em 1º de maio, Dia do Trabalhador, mas não um novo breque.

 

Formado em gestão ambiental pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), Nicolas Souza Santos se engajou em 2012 como militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Nessa época, dividia o tempo entre a atividade política e a rotina de instrutor de autoescola. Em 2017, deixou o partido por razões de saúde. Dois anos mais tarde, já afastado da vida política, começou a trabalhar como motorista de Uber. Foi seduzido pelas promessas de ganhos mais altos que os empregos com contrato CLT e pela flexibilidade de horário. “O trânsito era meu hábitat natural”, afirma.

Em 2020, durante a pandemia, Santos decidiu trocar o transporte de passageiros por entregas de comida. “A possibilidade de contrair o vírus em um carro fechado era muito mais alta”, diz. O corte de despesas também pesou: a manutenção de uma moto é mais barata que a de um carro.

 

Em dois meses, ele percebeu que as benesses prometidas ao entregador não passavam de propaganda. Apesar de as plataformas não exigirem um horário fixo de trabalho, aplicativos como o iFood têm um sistema de pontos que leva o entregador a fazer uma carga horária mínima. O motoboy que não fizer entregas durante pelo menos 28 horas por mês*** acaba tendo uma redução em seus pontos. E as melhores corridas – em termos de preço e quilometragem – só são oferecidas para quem tem pontuação alta.

Santos se deu conta de que os problemas enfrentados pela categoria, como baixa remuneração e insegurança no trabalho, exigiam organização coletiva. Recuperando sua verve política de esquerda, ele e um grupo de colegas fundaram, em 2022, a AMMEJUF, que conta hoje com cerca de 140 associados. Segundo o sociólogo Ricardo Festi da Universidade de Brasília (UnB), que pesquisa sobre os entregadores, Santos é uma figura central das mobilizações recentes. Modesto, o mineiro diz que nunca quis ocupar uma posição de liderança: “O meu papel, na verdade, é organizar a organização.”

Foi ele, entretanto, um dos representantes da categoria no grupo de trabalho instituído pelo governo federal em 2023. Santos participou das sessões na Câmara dos Deputados e no Supremo Tribunal Federal (STF), com Rodrigo Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores, Empregados e Autônomos de Moto e Bicicleta por Aplicativo do Estado de Pernambuco, e André Freire Vieira Reis, da Associação dos Motofretistas, Mototaxistas e Motoentregadores da Bahia, entre outros. Em 2024, Santos tentou uma vaga na Câmara de Vereadores de Juiz de Fora, pelo PDT,  mas teve apenas 623 votos e não se elegeu.

O entregador paulista Renato Assad, de 32 anos, parceiro de Santos nas mobilizações nacionais, teve uma experiência parecida. Associado ao coletivo Entregadores Unidos pela Base, saiu candidato a vereador pelo PSTU, também em 2024, mas só obteve 166 votos. Na urna eletrônica, seu nome era Renato Bancada Anticapitalista.

Geógrafo de formação, Assad começou a trabalhar em aplicativos de entrega quando foi demitido de uma escola durante a pandemia. “A desconfiança com a política institucional da parte dos entregadores vem de uma experiência concreta de vida dessa categoria”, diz. Para Assad, essa desconfiança se deve ao fato de o Estado e os políticos nunca se fazerem presentes entre os entregadores para ajudar a resolver suas questões de trabalho.

 

Apesar do breque nacional não ter alcançado seus objetivos, Nicolas Souza Santos se alegra com uma conquista já obtida por sua associação em Juiz de Fora. A AMMEJUF conseguiu em 2023 que os vereadores aprovassem uma lei que obriga as plataformas de delivery a criarem pontos de apoio (locais com banheiro, bebedouro e sala de descanso climatizada) para os motoboys.

Em Juiz de Fora, a adesão à greve foi grande, segundo Santos. “Quem não foi para a rua, ficou com o aplicativo desligado”, conta. Alguns entregadores chegaram a organizar churrascos nos pontos de coleta onde estariam trabalhando. A cidade, governada pela prefeita petista Margarida Salomão, é um território amigável às reivindicações de entregadores e motoristas. “A gente é bastante privilegiado pelo apoio que temos da sociedade. Contamos com uma classe média progressista.”

Santos explica que isso se refletiu na própria atitude dos restaurantes durante a paralisação. Poucos deles em Juiz de Fora aceitaram pedidos de entrega nos dois dias em que os entregadores fizeram o breque geral.

* O texto orginal dizia erroneamente que os manifestantes foram à sede do iFood em 1º de abril, e não em 31 de março, como aconteceu.

**Em 29 de abril, depois do fechamento da edição 224 da piauí, na qual foi publicado esta reportagem, o iFood anunciou que a partir de 1º de junho haverá um aumento do valor da taxa mínima paga aos entregadores. Para os entregadores de bicicleta, passará de 6,50 reais para 7 reais. Para os entregadores de motos e carros, de 6,50 reais para 7,50 reais. 

***O mínimo de 28 horas que o entregador precisa trabalhar para não perder pontos é contado por mês e não por semana como dizia o texto original.

Danilo Marques
Danilo Marques

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