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Forragem/<i>Forage</i>

    CRÉDITO: ANGELO ABU_2025

poesia

Forragem/Forage

... mas na vida, quando os sonhos de uma criança se incendeiam?

Arthur Sze | Edição 222, Março 2025

A+ A- A

Tradução de Júlio Bonatti e Luis Marcio Silva

A MARGEM DESTE DIA

 

Você caminha por uma trilha entre frondes de palmeiras

 

e enxames de mosquito, mas não, não agora—

certa vez, antes de adentrar uma floresta,

ergueu-se na clareira uma nuvem de mosquitos;

 

depois de dissipada a nuvem, você seguiu

rumo a um templo, escalou seus degraus

e, ao alcançar o pináculo, contemplando

 

um dossel de sumaúmas, avistou ainda outros templos

engolidos pela vegetação. Naquela noite, os sons

da mata eram os ruídos ásperos dos querequexés—

você observou como os mosquitos infestavam um corpo

inchado que flutuava num lago; logo pelo amanhecer,

quando você partiu daquela floresta tropical,

devorado vivo, era como se partisse de uma vida passada.

Nos arrulhos de uma pombinha branca nesta manhã,

ressoam ecos de bugios que alcançam

a margem deste dia: você põe os pés em uma ilha,

caminha por uma trilha entre frondes de palmeiras.

 

THE SHORE OF THIS DAY

You walk on a path lined with palm fronds,

and mosquitoes swarm, but no, not yet—

once, before you stepped into a rainforest,

a cloud of mosquitoes rose in the clearing;

when the cloud dissipated, you headed

to a temple where you climbed the steps,

and reaching the pinnacle, surveying

a canopy of ceiba trees, saw other temples

overrun by vegetation. That night, noises

in the rainforest were raspings on guiros—

you saw mosquitoes swarm a bloated

body floating on a lake; and in the morning,

when you walked out of that rainforest,

bitten alive, you walked out of a past life.

In the coos of this morning’s white-winged dove,

sounds of howler monkeys reach

the shore of this day: you step onto an island,

walk on a path lined with palm fronds.

 

FORRAGEM

Durante a noite, um urso-negro escala uma pereira,

rompe galhos, banqueteia-se com peras na grama;

certa noite, você adentrou uma rua sem saída

 

e—clic clic clic clic—bem diante dos seus faróis,

dois vultos, desmontando as rodas de um carro

suspenso sobre blocos, viraram a cara e fugiram.

 

Você pôde captar o vislumbre daqueles rostos; nos correios,

o atendente tem o semblante como uma luz que se apaga

e volta a acender enquanto marca a contagem regressiva

 

para se aposentar; mas quando ele chegar ao zero,

cristais brancos irão se precipitar da solução?

Será que ele vai explodir? Você precipita

 

em uma enxaqueca por percorrer corredores do escritório todo o dia;

um advogado promete que escreverá um grande romance

americano quando tirar licença do trabalho ano que vem;

 

o ano que vem será de férias na praia em Samoa;

no jardim de infância, uma criança ilustra um gorila de patins—

mas na vida, quando os sonhos de uma criança se incendeiam?

 

FORAGE

In the night, a black bear climbs a pear tree,

snaps branches, feasts on pears in the grass;

one night you turned onto a dead-end street

 

and—click click click click—in your headlights,

two guys, stripping wheels off a car

jacked up on blocks, turned and fled.

 

You glimpsed their faces; at the post office,

the clerk has a face like sunlight that dims

then brightens as he ticks a countdown

 

to retirement; when he reaches zero,

will white spikes precipitate out of solution?

Will he detonate? You precipitate

 

a migraine when you walk office corridors all day;

a lawyer says he will write a great American

novel when he takes leave from work next year;

 

next year is a beach vacation in Samoa;

in kindergarten, a child draws a gorilla on roller skates—

in a lifetime, when do a child’s dreams ignite?

 

MOSCAS VOLANTES

Passando de carro por uma fileira de lápides brancas

ao longo de uma encosta em face ao Sul,

 

eu me recordo: “Ninguém odeia tanto a guerra como os soldados”,

dito por um mecânico enquanto trocava

 

a bomba de óleo de um motor Fiat; então outra mosca volante

surge quando pisco—

 

flores de pessegueiro vão com a corrente de água

e se afastam na distância—

 

e, enquanto reflito sobre como um verso escrito no ano 740

permanece no tempo presente—

 

um tordo-de-bico-curvo faz ninho em uma fenda de cacto espinhoso—

um homem, sob efeito de ayahuasca,

 

digita com as mãos, e suas mãos desaparecem;

ele digita com as mãos,

 

mas suas mãos desaparecem—as palavras brilham

enquanto suas mãos desaparecem.

 

FLOATERS

Driving past a phalanx of white tombstones

along a south-facing slope,

 

I recall, “No one hates war like soldiers,”

from a mechanic replacing

 

an oil pump to a Fiat engine; then another floater

appears when I blink—

 

peach blossoms on flowing water go

into the distance—

 

and, as I ponder how a line written in 740

stays present tense—

 

a curve-billed thrasher nests in a cleft of spined cholla—

a man, on ayahuasca,

 

types with his hands, and his hands disappear;

he types with his hands,

 

and his hands disappear—shimmer the words

as his hands disappear.

 

TEMPORADA DE INCÊNDIOS FLORESTAIS

O vento aviva as chamas,
e elas saltam através
da linha de fogo; ao Norte,

um espigão curvo rubro
amarelado crepita
com nuvens de fumaça.

Ao extremo norte, um cantor
estica uma bexiga de morsa
e, com seu tambor já burilado,

começa a cantarolar; ele assente
quando a canção toma forma em suas mãos.
As menores

partículas subatômicas traçam
o nascimento do cosmos;
traços de veneno de escorpião

levarão a novas curas;
um dia eles vão extrair
metais pesados na Lua.

Em uma pia a aranha
bebe de uma gota de água;
formigas-cortadeiras

um dia marcharão
por uma floresta radioativa.
Neste vento,

pereiras desabrocham flores brancas
formando uma melodia enquanto
o tempo implode dentro do tempo.

 

WILDFIRE SEASON

The wind stokes flames,

               and they leap across

                              the fire line; to the north,

 

a jagged red-and-yellow

               ridgeline crackles

                              with billowing clouds of smoke.

 

To the far north, a singer

               stretches walrus bladder

                              and, completing a box drum,

 

starts to hum; he nods

               as a song takes shape in his hands.

                              The smallest

 

subatomic particles trace

               the birth of the cosmos;

                              traces of scorpion venom

 

will lead to new cures;

               one day they will extract

                              heavy metals from the moon.

 

The spider in a sink

               sips from a droplet of water;

                              leafcutter ants

 

will one day march

               across a radioactive forest.

                              In this wind,

 

pear trees unfold white blossoms,

               shape a song as

                              time detonates inside of time. 


Poemas do livro Into the hush (No silêncio), a ser lançado em abril nos Estados Unidos. Tradução de Júlio Bonatti e Luis Marcio Silva.

Arthur Sze

É poeta e professor emérito do Instituto de Artes Indígenas Americanas, em Santa Fé (Novo México), e membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Em 2019, seu livro Sight lines ganhou o National Book Award de poesia

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